Na primeira metade da primeira parte só deu Benfica. Depois começou a emergir a Juventus, mostrando aqui e ali que é uma grande equipa, recheada de jogadores de categoria extra. E o árbitro, mostrando o que é uma arbitragem habilidosa, perfeitamente identificada com as práticas uefeiras.
A segunda parte confirmou isso mesmo, com o árbitro a deixar por marcar um penalti claro sobre o Enzo Perez, ali mesmo nas suas barbas. Poderia ter sido ali o 2-0!
Não foi, e a Juventus começou a procurar o empate, enquanto o Benfica defendia a magra mas preciosa e justíssima vantagem conquistada logo no arranque do jogo. A espaços o jogo partia-se, sempre em altíssima intensidade, que o Benfica começava a acusar.
Faltava muito pouco para o jogo entrar no seu último quarto de hora quando Tevez, com um autopasse feliz, fez o golo do empate por que a Juve aspirava. Por isso, por ter alcançado o seu desiderato, mas porque tendo pouco corpo tinha ainda muita alma, o Benfica voltou a tomar conta do jogo. E com um belíssimo golo de Lima chegou à vitória. Curta – e temos de voltar a lembrar o penalti por assinalar, mas também as oportunidades de golo desperdiçadas, incluindo a última, de Markovic, logo depois do golo de Lima – mas mesmo assim importante. Pelo que tem de simbólico – a Juve, como de resto o Benfica, não tinha perdido qualquer jogo na Liga Europa – mas também porque uma vantagem é sempre uma vantagem.
Para a história fica o resultado, mas também um grande jogo de futebol, de grande riqueza táctica. Uma grande primeira parte do Benfica, e a forma como conseguiu evitar faltas naquelas zonas que Pirlo transforma em golo.
Já agora não posso deixar de dizer que tive pena de ver a Luz assobiar o jogador de futebol que mais admiro. Mas Pirlo pôs-se a jeito e fez tudo para o merecer!
Ficamos hoje a saber pelo jornal i que o Bernardo, o menino brasileiro de 11 anos, do Rio Grande do Sul, que na semana passada foi encontrado morto numa valeta, vinha sendo vítima de maus tratos e negligência por parte do pai, situação iniciada com o suicídio da sua mãe, em 2010, e agravada depois de ter arranjado nova namorada. Que a criança se tinha deslocado, em Janeiro, ao Ministério Público e que se queixava de tentativa de homicídio. E que o juiz decidira que o pai deveria manter a guarda da criança.
Nada a que infelizmente não estejamos habituados, em Portugal, no Brasil, ou em tantos outros países, mesmo dito desenvolvidos… Que já quase nem seja notícia.
Notícia é que o pai seja médico. Notícia é que estas bestas do mal habitem espaços que não os da miséria e da indigência. Notícia é que a miséria humana não escolha classes e que o ar mais respeitável possa esconder o rosto do monstro mais repugnante!
Jogou-se um grande jogo de futebol esta noite, em Madrid, entre as únicas equipas que disputam as meias-finais que se mostraram dignas de entrar no Estádio da Luz, daqui a um mês.
Um jogo de fazer corar de vergonha José Mourinho, se isso fosse coisa que lhe assistisse… Porque compara com o de ontem, e a única coisa que compara foi ter sido também disputado em Madrid. Porque temos bem fresquinho o autocarro que Mourinho estacionou no Vicente Calderon … Porque nos lembramos como o Real Madrid foi enxovalhado pelo Dortmund e pelo Bayern nas duas últimas meias-finais… Porque nos lembramos como o Chelsea, de Di Mateo, ganhou a Champions, há dois anos… Porque nos lembramos como o Chelsea, de Benitez, ganhou a Liga Europa, no ano passado… E porque este Chelsea de Mourinho foi igualzinho, em Madrid!
Hoje, o Real Madrid foi superior ao Bayern, que não deixa de ser a melhor equipa de futebol da actualidade. E ganhou bem! Criou mais oportunidades de golo – em boa verdade o colosso alemão apenas criou duas oportunidades, já nos últimos dez minutos – e foram as suas individualidades que brilharam no Santiago Barnabéu. Hoje as estrelas foram Modric – que encheu o campo –, Di Maria e Coentrão. Não foram Robben, Ribéry, Goetze, Muller, Lahm, Alaba ou Schweinsteiger…
Há muito que se anda a falar da saída do programa de assistência. Teve uma data, ainda antes das eleições – e até e um relógio em “count down” –, mas surgiu já outra data, lá para o fim dos festejos dos santos populares. Paulo Portas, o relojoeiro, já veio dizer que o relógio está certo: se é a 17 de Maio que se perfazem os três anos, e se o programa era para três anos, não há dúvida nenhuma. Há uma, mas insignificante, diz ele: 17 de Maio é sábado, as portas podem estar fechadas, e a saída poderá ter que passar para segunda-feira!
Não deixa de ter graça… Mas como se poderia achar muita graça a isto, nada melhor que arranjar umas coisas com mais graça ainda.
A saída era limpa, à irlandesa, como também se dizia mas se deixou de dizer. Saída directa para os mercados, sem programa cautelar, que ninguém sabe o que é masque a gente, cá deste lado, começa a perceber o que seja. Não é nada de linhas de crédito à cautela, de almofada, que nisso os finlandeses nem querem ouvir falar. É apenas e só um programa que garanta a continuação da austeridade – nem mais, nem menos!
E é por isso que já entrou no discurso de Paulo Portas – é sempre ele que fica nos cornos do boi, vá lá saber-se porquê – uma outra coisa ainda com mais graça: a saída, seja lá como for, é sempre limpa. Só um segundo resgate – ideia agora recuperada pela negativa, para logo dizer que, dado por certo há poucos meses, está agora completamente fora de cenário – seria saída suja. Como se com um novo resgate houvesse sequer saída!
Diz-se por aí que a troika iniciou hoje aquela que é a 12ª e última avaliação ao programa chamado de ajustamento. Não parece que seja exactamente assim, nem sequer parece que a troika ainda resista. Só há FMI, só o Sr Subir Lall fala, avisa, ameaça, incomoda… Só o Sr Subir quer descer. Salários e pensões!
Para o lado europeu da troika já tudo acabou, e em bem, como há muito se percebe. Já está tudo mais que avaliado, e foi um sucesso. O sucesso que tinha de ser!
O sucesso anunciado e de data marcada, de Portas. Que responde ao Sr FMI, dizendo-nos que tem de encontrar maneira de o convencer que os salários já ajustaram. Que já não há anda mais para ajustar… e que ele tem de perceber isso!
Que chatice. Só o FMI é que não tem nada a ver com eleições. Que se lixem as eleições só vale mesmo para o FMI!
Não fosse um senhor com um nome esquisito – Subir Lall é um nome esquisito, mas que vamos fixando – e este seria um dia marcado pela ressaca de dois acontecimentos que fazem seguramente bem à economia nacional: a Páscoa, que animou sector hoteleiro, em particular o do Algarve, e a conquista do título nacional pelo Benfica, que animou tudo em todo o lado. Nem é preciso explicar porquê!
Mas lá tinha de voltar esse senhor, para estragar a festa. Fica-se com a ideia que não gosta da nossa economia, e muito menos que ela cresça. E se calhar também não é do Benfica!
O Sr Subir Lall, o actual rosto do FMI na troika, veio hoje explicar a sua obsessão com a legislação laboral. Tem – explica ele - que se flexibilizar ainda mais a legislação laboral porque há um grande problema com a falta de mobilidade dos trabalhadores portugueses. Estão, coitados, muito agarrados ao seu posto de trabalho. São quase escravos, sem liberdade para se despedir e partir para outra!
É verdade. É isto que preocupa o FMI, e o Senhor Subir. Ou o senhor Lol, perdão Lall!
É preciso que os despedimentos sejam ainda mais facilitados porque isso liberta os portugueses para procurar trabalho onde o houver… Também dá uma ajudinha ao combate ao desemprego, se bem que a grande ajuda seja mesmo não mexer no salário mínimo, conforme aproveitou para esclarecer!
Esta é a cartilha do FMI, e não vale a pena que a realidade diga o contrário. Nem que o Benfica ganhe o campeonato!
Não foi fácil. Nada é fácil para o Benfica, tudo tem de ser muito conquistado e assim é que é bonito.
O Olhanense dificultou, como lhe competia. Se jogasse sempre assim não ocuparia certamente a última posição e não estaria a caminho da II Liga. Mas dá vontade de dizer que, se todos jogassem sempre como sempre jogam contra o Benfica, ninguém descia de divisão. Teriam que se inventar novos regulamentos!
Para ganhar o Benfica teve de puxar do seu às de trunfo: as transições rápidas. Duas, praticamente seguidas, deram os dois golos. Antes – e também depois, se bem que menos – oportunidades de golo criadas de todas as maneiras e feitios, mas golos … Nada. A bola não entrava!
Entrou daquelas duas vezes, ainda nos primórdios da segunda parte, se bem que o jogo tenha terminado pouco depois. Depois dos golos só havia cabeça para a festa, olhos para a bancada e ouvidos para o apito do árbitro. Quando se ouviu pela última vez foi a explosão da festa. Na Luz e no resto do mundo!
É o 33º, que inexplicavelmente fugia há dois anos consecutivos, e a felicidade imensa. Como a chama, essa chama que nos envaidece e engrandece!
Já se sabia que a ideia de acabar com os deputados que de manhã fazem leis no Parlamento, e à tarde ganham dinheiro com elas, ia direitinha para o caixote do lixo.