Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Requiem pelos Vivos

Convidado: Luís Fialho de Almeida

 

O “Requiem pelos Vivos” de Johannes Brahms, ou “Requiem Alemão op. 45”, foi o concerto escolhido para abertura da 10ª Edição do Festival “Terras Sem Sombra”, com o maestro Giovanni Andreoli, que dirigiu o Coro do Teatro Nacional de S. Carlos. O Festival teve início no passado dia 29, em Almodôvar e vai decorrer até dia 5 de Julho, em mais seis localidades do Alentejo, sob a direcção artística de Paolo Pinamonti, que se despede de 40 anos de carreira nos palcos de todo o mundo. 

Passando dos factos às ideias, e à associação destas, destaco esta obra musical que, entre nós, não tem a divulgação do Requiem de Verdi ou do Requiem de Mozart, mas, para mim, tem a expressão artística do moribundo contexto político e social que nos foi deixado pela mediocridade dos sucessivos governos ao longo destes 40 anos de democracia.

Brahms, como protestante que era, direciona o seu Requiem aos vivos, pelo que podemos dedicá-lo à decadência dos vivos que perdem o emprego e o pão, que trocam a esperança pelo desespero, o sorriso pela tristeza, a paz pela violência, o lar pela rua. Os indicadores da desagregação social têm a interpretação mais diversa em função do espírito do intérprete. Paulo Portas, que antes do famoso “irrevogável” era crítico de algumas medidas de austeridade, agora, com o penacho de vice-primeiro ministro, passou a militante optimista, para o qual os indicadores de crise são promissores relativamente ao futuro, mascarando, com patética convicção, tudo o que seja indicador recessivo. Para Passos Coelho o país está melhor, naturalmente porque se aproximam eleições. Dados do INE e relatórios comunitários indicam que em 2012 o risco pobreza atingiu quase 2 milhões de pessoas (18.7 % da população), e cerca de 1.1 milhões estarão em pobreza severa. Mais de metade dos jovens até aos 30 anos não consegue ser independente. O número de pessoas a viver nas ruas terá duplicado ou triplicado nos últimos dois anos, segundo a percepção da União das Misericórdias Portuguesas. Portugal é o terceiro país da Europa onde o suicídio mais cresceu nos últimos 15 anos, mais de cinco pessoas por dia (relatório europeu).

O Requiem pelos Vivos, também chamado de Requiem Alemão, pode ainda ser uma alegoria à centralidade politica e económica da Alemanha, onde Passos Coelho passou a ir a despacho, para validar orientações e estratégias, trocando Bruxelas por Berlim. A Alemanha, isolada na liderança europeia, sem a parceria franco-alemã do tempo de Sarkozy, e que teve más experiências expansionistas nas guerras de 1914-1918 e 1939-1945, tem agora a oportunidade, pela via diplomática e económica, sem recorrer a baionetas, balas ou câmaras de gás, de impor a sua tutela, começando pelos desgovernados e marginalizados do poder decisório. Nesta guerra não há sangue e os Tribunais Internacionais não julgam estes crimes. As pessoas desistem de si, emigram, excluem-se, suicidam-se e as estatísticas não as registam com rigor, apenas tem a percepção da sua existência. 

O Requiem pelos Vivos é o Requiem pelos que morrem lentamente. Que morrem de si mesmo!

Faz hoje três anos

Por Eduardo Louro

 

 

Faz precisamente hoje três anos que a troika foi chamada. Chegou logo, pouco depois. E apesar do relógio em contagem decrescente, mais uma criação do populismo de Paulo Portas para, trocando as voltas ao calendário, trocar as voltas à realidade e dar a volta aos portugueses, não vai embora tão cedo. Podem bem dizer que vai a 17 de Maio, pode até Portas dizer Maio é Dezembro, de que 17 é o primeiro, e que 1640 é em 2014. Mas mesmo que  vá embora, a troika vai por cá ficar... E por mais limpa que digam, a saída é bem suja. De mãos e pés bem sujos, a deixarem marcas e rasto para muitos anos!

Basta, ou não?

Por Eduardo Louro

 

O que é que se terá passado em Alvalade em menos de um mês?

Basta menos que um mês para uma mudança de 180 graus. Nem é preciso falar do presidente Bruno de Carvalho, que conseguiu dizer tudo lhe apeteceu sobre toda a gente sem sequer uma repreensão, quando outros, por bem menos, só porque abrem a boca, são logo suspensos e multados. Basta lembrar que Leonardo Jardim, que a comunicação social elegeu treinador modelo a falar de arbitragem, ainda há menos de um mês dizia das arbitragens o que Maomé não disse do toucinho, reivindicando o recorde mundial de golos anulados, esquecendo o outro recorde, o de golos obtidos em fora de jogo, e até de penaltis cometidos por placards de publicidade. Hoje, apela à honestidade intelectual, já os árbitros são humanos e erram, como erram os jogadores, e como ele próprio erra. Já nem os golos anulados têm qualquer importância... 

Se este mundo do futebol é fantástico, no Sporting é ainda mais fantástico. Se calhar já basta de hipocrisia... Não?

Óbvia? Importa-se de repetir?

Por Eduardo Louro

 

Pires de Lima anunciou a fusão da Estradas de Portugal e da Refer porque "a racionalidade do projecto é óbvia".
Óptimo. Ficamos esclarecidos. Não sei se é assim tão obviamente racional misturar caminhos de alcatrão e de ferro. A racionalidade de juntar numa só as duas empresas mais endividadas do sector público, essa, é  óbvia: reduz a metade duas empresas super endividadas!

Óbvio é que, fundir estes dois poços sem fundo do sector público assim, sem mais nem menos, sem discussão pública nenhuma, não é muito avisado. Óbvio é que, podendo até haver muitas razões para a justificar, o ministro acha que não precisa de apresentar nenhuma...

Mas, se calhar, andar com ministros ao colo é nisto que dá!

O mestre do ilusionismo

Por Eduardo Louro

 

Passos Coelho está a transformar-se num especialista no uso da língua portuguesa. Diz-se que a necessidade aguça o engenho, e a necessidade do primeiro-ministro esconder verdades e contornar as suas infindáveis mentiras, e de as articular com o eleitoralismo em curso aguça-lhe a capacidade de jogar com as palavras, de redescobrir novos termos ou de inventar sinónimos.

Hoje, em mais uma dessas insuportáveis sessões parlamentares a que se dá o nome de debate quinzenal, ao corrigir definitivas por duradouras, deu mais um exemplo dessa sua especialidade. Dera já uma contribuição inigualável para deixar claro o significado de mentir. Também deixara já bem claros os termos provisório e definitivo, mesmo que todos há muito os conhecêssemos; desde aqueles tempos em que, a propósito das famosas marcas de tabaco dos pobres, se dizia que mais valia fumar Definitivos provisoriamente que Provisórios definitivamente.   

Depois do Secretário de Estado José Leite Martins ter convidado os jornalistas para estes lhe fazerem o favor de espalhar que os cortes de salários e pensões eram definitivos, da triste figura do ministro Marques Guedes, de Portas querer aprressadamente dar o assunto por encerrado, de mais um Conselho de Ministros a tratar do assunto em segredo. Depois de se saber que essa é uma exigência do FMI, sem a qual não dá por fechada esta última avaliação, que terá naturalmente que estar concluída antes da data de saída do programa, o que, por muito que lhe custe, quer também dizer antes das próximas eleições europeias, Passos Coelho, pressionado por Seguro, quis hoje fingir que nada disso existia e que, simplesmente porque é corajoso e nada tem a esconder, até ao final deste mês irá fazer revelações. Voltou, para dizer isso, a mostrar-se exímio no domínio da língua dizendo que "algumas medidas que são definitivas, isto é duradouras, que substituem as medidas de emergência, serão anunciadas até ao fim do mês".

Vejam bem como domina o uso da língua: não se trata de transformar em definitivas as medidas - precisamente cortes de salários e pensões - que foram apresentadas como provisórias, e que só por isso passaram no Tribunal Constitucional. Não, são medidas duradouras que substituem as medidas de emergência, como se uma coisa fosse substituível por si própria!

Está enganado Sr Primeiro-ministro: o senhor não se transformou num mestre no uso da língua. Apenas num mestre do ilusionismo!

Houve autógrafos ou não?

Por Eduardo Louro

 

 

O Benfica ganhou na Holanda, coisa que não acontecia desde aquele célebre jogo na neve de Amesterdão, de há quase 45 anos, quando ganhou (1-3, com idêntico resultado na Luz a levar ao desempate em Paris, que então perderia por 3-0) ao grande Ajax, de Cruyff e de tantas outras estrelas, que então se apresentava à Europa, para marcar um ciclo de domínio no futebol europeu.

Ganhou por 1-0, resultado que começa a tornar-se exasperante, e que nada tem a ver com a superioridade revelada no jogo. E muito menos com as cores com que a velha raposa Dick Advocat, o treinador do Alkmaar, o pintou. Não vi o início do jogo, e por isso não sei se os seus jogadores foram pedir autógrafos aos do Benfica. Pelas palavras do treinador holandês apostaria que sim…

Claro que a exibição também não foi deslumbrante, na linha das recentes. Mas daria para muito mais, não fossem algumas decisões menos acertadas, especialmente ao nível do último passe e aqui ou ali alguma sorte do guarda-redes da equipa holandesa. Irónico é que o golo só tenha sido possível pela grande capacidade técnica do Salvio, é certo, mas porque Cardozo finalizara mal, permitindo a defesa ao guarda-redes adversário, no primeiro seus dois únicos remates (o segundo seria, logo a seguir, uma coisa frouxa, ao lado da baliza) nos 64 minutos que esteve em campo.

Mesmo assim, dois remates - ou duas tentativas de remate - é bem melhor do que o tem feito. O resto é igual, nada: nem um passe certo e oportuno, nem uma bola recuperada, continua um corpo estranho na equipa. O que é mau, até porque daria jeito vender o seu passe lá para Junho...

Mas mau mesmo foi a lesão, provavelmente grave, do infeliz Ruben Amorim, que sempre que está a grande nível vê o azar bater-lhe à porta. Menos mau foi o regresso de André Almeida, que afinal não saiu no mercado de inverno...

Incontinência verbal

Por Eduardo Louro

 

A Drª Isabel Jonet é assim uma coisa como o Dr Ulrich. Ou como o Sr Soares dos Santos. Não há meio de perceber que … cada tiro, cada melro. Que talvez não fosse má ideia calar-se!

Bem sei que a intelligentsia do regime sai logo em sua defesa, incapaz, porque não quer ou porque não lhe convém, de perceber que o que irrita mesmo é aquela maneira meio estúpida de fazer generalizações, de criar categorias preconceituosas, de falar de cátedra, de dar sermão…Apressa-se logo a esclarecer o que a senhora disse, dizendo não o que ela disse mas qualquer coisa mais perto do que lhes convinha que ela tivesse dito.

Uns dizem que a incontinente verbal e patroa do Banco Alimentar não criticou os desempregados, mas apenas a vida de ilusão que as redes sociais lhes provocam. Lá porque estão ao computador até pensam que estão a trabalhar… Outros acham que a senhora apenas peca por ser franca e falar do que sabe, coisa que ninguém lhe perdoa por não ser politicamente correcta, quer dizer, de esquerda. Não colhe, acho eu!

A senhora pode ser de direita, isso não tem mal nenhum. Pode até ser tia de Cascais. Pode ser tudo o que quiser, e até gostar de brincar aos pobrezinhos… Pode até preferir que as pessoas desempregadas, em vez das redes sociais, ocupem o tempo na televisão dos Gouchas, das Júlias e dos Baiões …O que ela e os seus não podem é achar que dar sermões a desempregados, quando o desemprego anda perto dos 20%, é a mesma coisa que criticar o que quer que seja noutras circunstâncias. Nem deixar de perceber que já não há paciência para esses registos!

 

Serviço público de televisão

Por Eduardo Louro

 

Ouvi por aí que o Direito de Antena do PS, passado na RTP no dia das mentiras - para o efeito aproveitado com toda a oportunidade - foi visto por mais de um milhão de portugueses, número deveras surpreendente para um simples espaço de propaganda partidária.

Um grande share, digno de um grande programa. Que na verdade é!

Ali há apenas uma única manipulação - a que coloca a promessa lado a lado com a realidade. A partir daí é a verdade que fala, nua e crua. A verdade da mentira desavergonhada em que vivemos!

O PS fez serviço público de televisão. Que a RTP foi obrigada a transmitir...

 

Mudanças de hábitos...alimentares

Por Eduardo Louro

 

Foi hoje conhecido um Relatório sobre a alimentação dos portugueses - Balança Alimentar Portuguesa (BAP) 2008-2012, um estudo que o INE desenvolve de cinco em cinco anos – que conclui que comemos mais hidratos de carbono e menos proteínas. Nas menos proteínas, mais carne e menos peixe. Na mais carne, mais frango, menos porco e menos vaca. No menos peixe, mais bacalhau...

Já ouvi dizer que os portugueses estão a mudar de hábitos. Deve ser isso, estão a mudar de hábitos...

Ah! Este trabalho do INE mostra que, no período, os hábitos dos portugueses mudaram duas vezes, e de forma distinta. Que até 2010, se habutuaram a "elevadas disponibilidades alimentares e calóricas"; e que a partir de 2010, se habituaram a "reduções acentuadas” nessas disponibilidades!

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2014
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2013
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2012
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2011
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2010
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics