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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Escola rima com cartola

Por Eduardo Louro

 

 

Se alguém tinha dúvidas que Passos e Seguro têm a mesma escola, que são farinha do mesmo saco, perdeu-as: acossado, Seguro sacou da cartola as primárias – a que sempre se opusera, queimando um importante instrumento democrático – apenas para empurrar para a frente um problema que não quis enfrentar; Passos, pela mesma razão, sacou da cartola uma figura que não existe, e inventou-lhe o nome de aclaração.

Acresce que ambos têm exactamente o mesmo objectivo: chegarem juntinhos às eleições. Que, pelo interesse comum agora invertido, querem ambos antecipar.

Afinal não partilharam apenas o trajecto. Partilham também destino… 

Propósitos escuros, que são claros

Por Eduardo Louro

 

Quatro dias depois de conhecido o acórdão do Tribunal Constitucional – que deixava passar umas e impedia outras das muitas medidas que toda a gente, governo incluído, sabia que eram inconstitucionais – em vez de começarmos a conhecer as alternativas que o governo deveria ter preparado, assistimos a um processo de dramatização com propósitos que, sendo escuros, estão claros.

Evidentemente que o governo tinha um plano B. O pano A é o de mandar barro à parede do Constitucional. É o B que contém as medidas a implementar, sempre sob o espectro da inevitabilidade.

Só que desta vez Seguro não lhe abriu apenas mais uma janela de oportunidade, escancarou-lhe as janelas e as portas todas. Por isso Passos Coelho empata, pede aclarações, deixa andar e dramatiza. Conta para isso, como sempre, com a imprensa, particularmente com a especializada, que invariavelmente faz do Tribunal Constitucional o mais odioso órgão de soberania. Que se substitui ao executivo, que bloqueia o país, que não permite cortes na despesa e obriga o governo a aumentar de impostos. Que impedem o crescimento que estava lançado e manda o país de regresso à banca rota… Falam de novo resgate – seguem a Bíblia, o  Financial Times, que de imediato lembrou a persistência dos “riscos de um novo empréstimo de resgate”- quando até aqui entregavam os foguetes ao governo e iam depois apanhar as canas  da  saída limpa. Apregoavam o sucesso do programa, o milagre económico, o crescimento mesmo quando não existia e tantas outras maravilhas.

A coisa está hoje tão preta que nem os números do desemprego – não importa agora se há emigração, limpeza de ficheiros, desistência de procura de emprego ou formação disfarçada de emprego – hoje apresentados merecem qualquer nota. Fosse há uma semana atrás e ninguém calaria tamanho feito, cantado por toda a parte, tanto quanto ajudassem o engenho e a arte…

Não. Agora é que o “país está bloqueado, e tem de haver uma solução política, eventualmente a partir de Belém, e de Cavaco Silva”

Bem me parecia. É curioso como me apercebi logo dessa tentação irresistível!

O rei abdica

Por Eduardo Louro

 

O Rei Juan Carlos abdicou da coroa espanhola em favor do seu filho, Felipe. É a vantagem da monarquia. Noutro regime, dois anos depois daquela caçada aos elefantes em que acabou caçado, tinha-se simplesmente demitido!

Por cá, como não temos rei, ninguém abdica. Nem se demite. Está tudo Seguro...

Habituem-se...

Por Eduardo Louro

 

 

Habituem-se porque isto mudou!

Com este sound byte roubado a António Vitorino – da sua lavra o melhor fica-se pela pressa – Seguro pretendeu engrossar a voz, dar o murro na mesa e arregaçar as mangas. Mostrar que saíra de vez de trás dos arbustos

Mas não conseguiu mais que mostrar de vez a massa de que é feito – uma massa mole, líquida, peganhosa e desprezível. Um molusco em vez de gente!

Sabíamos que, com esta geração que actualmente lidera os partidos da governação, a política tinha chegado ao grau zero. A combinação perfeita entre a mediocridade e a pulhice só podia dar no que deu!

Tínhamos de António José Seguro a ideia que seria eventualmente mais medíocre ainda que Pedro Passos Coelho mas, com aquele ar de sacristia, de quem não parte um prato, julgávamo-lo menos pulha. Puro engano, revelou-se a pulhice em pessoa!

Perante porventura o maior desafio jamais colocado ao partido que lidera, e perante o primeiro teste à sua maturidade e à sua dignidade pessoal e política, pegou na bola e levou-a para casa, deixando o jogo suspenso. E o partido – e também o país – na indefinição, no pântano… E a caminho de um buraco fundo donde dificilmente voltará a sair!

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