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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O regresso ao Bessa

Por Eduardo Louro

 

Mal acabou o jogo pus-me a andar para o largo do mosteiro, onde The Gift, a jogar em casa, se aprontavam para um grande concerto, provavelmente o melhor de sempre. Lá fui a correr, e de lá venho, de alma cheia.

Por isso deixo aqui apenas quatro notas sobre o jogo que marcou regresso do Bessa como grande palco do futebol indígena, e que o Benfica ganhou por um escasso golo e com alguma dificuldade.

A primeira para dizer que nem pareceu que o Boavista esteve fora estes anos todos. Estava tudo no mesmo sítio, como se ninguém tivesse mexido em nada, e nada tenha mudado: pontapé para a frente e canela até ao pescoço …  

A segunda para dizer que o árbitro Marco Ferreira foi mais uma nomeação cirúrgica. Chegou a dar para prever o pior, que acabou por não acontecer, mesmo que muita coisa errada tenha acontecido.

Depois para dizer que será muito difícil que uma equipa que jogue com Jara seja campeã onde quer que seja. Mas não o será menos difícil sem que Lima marque, um golo que seja. E não se está bem a ver quando é que isso poderá acontecer!

E finalmente para pedir que acabem de vez com a estória do Enzo Perez. Não é só porque já cheira mal… é que, do outro lado, o Jackson Martinez continua a jogar. E a marcar. E a resolver os jogos, todos a fio… Se todos sabemos que a situação de ambos é idêntica, e que irão os dois ao mesmo tempo e para o mesmo sítio, não se percebe por que é que, entretanto, um joga – e de que maneira, resolve tudo – e outro, o nosso, não!

Não queria dizer mais nada, eram mesmo só estas quatro notinhas. Mas tenho que também ter uma palavra para o treinador adjunto do Boavista (mas principal no papel, porque o Petit é o treinador de factum, mas não o pode ser de jure), Daniel Silva de seu nome: quem fala assim não é gago, mas também não sei o que é…

 

Dificuldades

Por Eduardo Louro

 

O United perdeu os seus dois centrais -Vidic e Ferdinand -, que não eram nada fáceis de substituir. Para dificultar ainda mais as coisas, Van Gaal - que, a continuar assim, há-de arranjar muitos amigos em Manchester - usa três centrais na equipa, como fazia com a selecção holandesa. Se já era difícil arranjar dois, mais difícil, evidentemente, é encontrar três.

Isto explica Rojo. Mas torna muito mais difícil de perceber Garay... É mesmo complicado este Van Gaal. Muito ele gosta de dificultar as coisas...

 

O mote

Por Eduardo Louro

 

A primeira intervenção pública de Passos Coelho, depois do Pontal, fez ontem uma semana, confirmou o acentuar do rumo populista para que apontou a agulha de final de mandato, virado para as eleições que aí vêm. Está lançado o mote!

Há pouco, em Valpaços, numas daquelas inaugurações que vêm mesmo a calhar, e que só servem mesmo para isso, enchia o seu discurso com conversa de igualdade de oportunidades e de tratamento.

Dizia que o Estado tem que olhar para todos de igual forma, sem previlégios sempre para os mesmos. E que os bancos não podem apoiar os conhecidos em desfavor dos que ninguém conhece... Que têm que olhar é para as ideias e para os projectos, e não para quem os apresenta. 

Pois... Quem diz isto não é só o chefe do governo que mais acentuou a desigualdade em Portugal, que mais retirou ao mais pobres, desde apoios sociais a serviços básicos, que mais favoreceu as grandes empresas e mais penalizou as pequenas...  Que num dia agradece a pipa de massa a Durão Barroso e no outro lhe coloca o filho no Banco de Portugal... É, para lá de tudo isso, ainda o tipo que na Tecnoforma abria as portas todas... 

 

E passou a haver outras coisas para contar... (VII)

Por Eduardo Louro

 

Há uma certa dificuldade em perceber por que é que os activos do BES, estejam eles no banco bom (bom para quem? – é a pergunta que se começa a fazer) ou no mau, haverão de ser vendidos em saldo. Ou, pior ainda, sem total transparência...

Depois da OPA manhosa dos mexicanos da Angeles sobre o negócio da saúde, agora é a Tranquilidade a ser entregue aos americanos da Appolo Global Management por 50 milhões de euros.

A continuar assim vai tudo por lindo caminho. Vai...vai!

 

Atracção fatal

Por Eduardo Louro

 

Com o BPN foi o que se sabe, por muito que queiram fazê-lo esquecido. Agora com o BES é o que vê: participação directa no embuste, proclamando a almofada financeira. E silêncio absoluto, depois do desastre que, como diz hoje Miguel Cadilhe em entrevista ao Diário Económico, deixou Portugal de luto.

Não há escândalo financeiro em que o Presidente da República não veja o seu nome envolvido. O grupo Espírito Santo, enquanto tal mas também individualmente, foi o grande financiador das suas campanhas... 

Já nem à crítica do seu antigo ministro das finanças, e durante tanto tempo seu fiel escudeiro, escapa: "a elite portuguesa política, empresarial e institucional está toda posta em causa”. Como em causa estão "o regime e a estrutura da República, as instituições da República”. Sempre com a conivência de Cavaco Silva, permite concluir...

 

 

Populismo em férias*

Convidada: Clarisse Louro

 

Há muito que Passos Coelho, entre as muitas outras surpresas que me reservou, me surpreendeu com traços do mais primário populismo, manipulando cada vez com maior mestria dois dos seus mais eficazes factores de sustentação: a demagogia e o providencialismo.

Ainda no passado sábado, no seu discurso do Pontal – mesmo que longe do velho Pontal, de Faro, continua a servir à designação da rentrée política do PSD – isso foi mais, que evidente, chocante!

Poderia retirar justamente daí uma série quase infindável de passagens que atestam a forma como Passos Coelho mistura a demagogia mais básica e rasca com a missão providencial que, de tanto querer convencer os outros, já ele próprio está convencido que lhe foi destinada.

Por limitações de espaço – a que hoje tenho de obedecer – não seguirei esse filão e vou tentar transmitir a mesma ideia através de outro episódio mais simples, e por isso mais rápido de tratar. Refiro-me às suas famosas férias de Manta Rota!

Pedro Passos Coelho tem todo o direito de passar as férias onde quiser. Até em Manta Rota, onde, mas não como, ao que se sabe sempre fez. Ora aí está: tem todo o direito de fazer férias onde fazia, mas então teria de as fazer como as fazia.

Quer transmitir a ideia que mantém o regime de férias anterior ao exercício das suas funções de primeiro-ministro. Que não vai para resorts de mais ou menos luxo, longe da vista do povo. Que não vai de férias incógnito e para local desconhecido, em circunstâncias mais ou menos adequadas de privacidade e reserva que as suas funções impõem, mas à vista de toda a gente, na mesma praia e nas mesmas condições do cidadão comum e mesmo dos menos abonados, correndo até o risco, agora que abriu a perseguição fiscal a esse tipo de oferta turística, de lhe pedirem o recibo da renda da casa. Mas não dispensa um aparato de segurança invulgar, nem se incomoda com os incómodos que isso causa a todos os outros. Nem com o fecho de todas as ruas das imediações, tornando num inferno a vida dos que, ali, são seus pares. Nem sequer se sente incomodado com as câmaras de televisão que invariavelmente tem a cada chegada, a mostrar o caricato que é o primeiro-ministro, que em funções não dispensa o seu Mercedes classe S, chegar no seu Renaultzito…mas rodeado de carros com seguranças. E também não se preocupa que as suas férias, com o policiamento público e a segurança privada que exige, saiam muito mais caras ao erário público que uma estadia num resort de luxo!

Isto é populismo. Do mais rasca!

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

Um conto de Verão

Por Eduardo Louro

 

Era uma vez um jogador de futebol... Foi mandado para casa e impedido de entrar nas instalações por ter forçado o seu clube a aceitar as condições de uma desejada transferência, recusando-se a treinar. Dois ou três dias depois foi ao “perdoa-me”, o reality show que, mais que um programa, é a própria razão de ser da televisão de um clube de futebol.  Pediu desculpas e fez renovadas promessas de amor e fidelidade.

Logo se percebeu o final feliz e que aquele era o preço que o senhor com cara de mau exigia ser pago. Era aquele, só aquele e não o outro de muitos milhões que o senhor da cara de mau anunciara com voz grossa … Depois havia ainda outro jogador de futebol que há muitos, muitos anos tinha seguido caminho idêntico, de quem o clube encantado se queria agora ver livre, mesmo pagando. E muito. Só que o amor deste jogador de futebol ao clube donde há muito tinha partido já não era o que tinha sido. Não tinha nada a ver com o amor pelo outro jurado, e não estava nada interessado em regressar tantos anos depois de rabinho entre as pernas.

Reflectiu, pensou melhor, e lá chegou à conclusão que não era assim tão mau. Sempre seria preferível regressar a onde teria garantido o lugar de estrela da companhia a andar por aí aos caídos, correndo o risco de não encontrar clube ou, encontrando-o, de não conseguir a jogar mais que uns poucos minutos em todo o ano. E como não perdia nada, o clube encantado continuaria a pagar-lhe tudo...veio.

Foi a apoteose. A chegada o aeroporto teve o encanto das mil e uma noites no regresso do filho pródigo, enquanto um pouco mais abaixo o senhor da  voz grossa, mas já sem cara de mau, saía em ombros pela porta 10 A. Lá bem ao fundo, no meio da equipa B, Slimani contemplava embevecido…

Podem estar descansados... Ai podem, podem!

Por Eduardo Louro

 

Já se sabia que o próximo seria o Montepio, como também já toda a gente reparou que a informação solta que vai caindo aqui e ali, não passa de preparação da opinião pública para mais um escândalo. Começou com os 150 milhões enterrados no GES, e logo a seguir com a auditoria forense...

Também já se sabia que eles são todos iguais, repetem todos as mesmas coisas. Mas já deviam saber que, se há hoje frases proibidas, a dos clientes podem estar descansados é a mais proibida de todas. Já toda a gente sabe o que vem a seguir... 

Por exemplo, logo a seguir começa a dizer-se que o banco tem 2 mil milhões de crédito concedido sem garantias. Que até pode nem ser bem assim, mas quando é o mesmo Tomás Correia, logo a seguir, a dizer que é normal e totalmente seguro ter crédito sem garantias, descansados é que os clientes não ficam...

Nem os outros!

 

De volta ao sub-prime

Por Eduardo Louro

 

Se bem me lembro (saravá grande Vitorino Nemésio!) tudo isto começou com a crise do sub-prime, nos Estados Unidos. Que foi uma coisa que teve a ver com a bolha imobiliária, que levou o mercado a vender casas a quem não as podia comprar, e os mercados financeiros a esfregar as mãos com a oportunidade de enganar muita gente durante muito tempo, através de produtos financeiros cada vez mais complexos que tinham simplesmente na origem esse crédito concedido a quem nunca o poderia pagar. Depois, sabe-se como foi: começou tudo a cair que nem um baralho de cartas, faliu o Lehman Brothers e a coisa espalhou-se pelo mundo mais rapidamente que o ébola…  

Vieram as crises das dívidas soberanas, a crise do euro e, para cá, a troika e o Passos. Mas por que é que estarei a ir agora desenterrar isto, perguntará o leitor. Não o vou deixar mais tempo na expectativa…

É porque, por cá, não houve nenhuma crise de sub-prime, nem exactamente bolha imobiliária, apesar de lá ter andado perto. E no entanto, percebemos agora, a banca não deixou de, passados estes anos todos, ficar também encharcada em produtos tóxicos. Só que em vez de terem origem em crédito a maltrapilhas têm-na em crédito aos mais ricos de todos. Em vez de resultarem de imparidades de quem não pode pagar, resultam de imparidades de quem não quer pagar!

Por isso faliu agora o nosso Lehman Brothers, arrastando consigo dezenas de milhares de milhões de euros roubados à economia, muitas empresas e até, sabe-se lá, outros bancos. Mas, como se tudo isto não fosse já suficientemente grave, ainda vai sobrar agora o nosso sub-prime.

Não porque tenhamos tido de regresso qualquer bolha imobiliária – coitada da indústria, que já leva longos anos de agonia. Nem porque a banca tenha desatado a abrir os cordões à bolsa para crédito imobiliário, longe vão esses anos. Apenas e só em resultado da revolução fundamentalista que Passos Coelho determinadamente levou a cabo no país, uma espécie de lavagem de alma, de purificação dos portugueses mergulhados no pecado capital de viverem acima das suas possibilidades, que ficará conhecido como o maior processo de empobrecimento alguma vez imposto a um povo.

A vasta carteira de crédito à habitação da banca portuguesa é hoje um imenso sub-prime. O mercado imobiliário caiu mais de 50% e as casas objecto de crédito valem hoje, em muitas das vezes, menos de metade do valor em crédito. E os devedores, que á data da contratação do crédito tinham rendimentos que garantiam a sua sustentabilidade, estão hoje desempregados ou com cortes de 30 ou 40% no rendimento.

Quer dizer, depois destes anos todos, voltamos ao início de tudo! 

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