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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Um verdadeiro mestre

Por Eduardo Louro

 

Perante as notícias da ilegalidade de determinados recebimentos da Tecnoforma, Passos Coelho limitou-se a dizer que não se lembrava e que a Assembleia da República se devia pronunciar sobre isso. Ontem, na sua homilia dominical Marcelo tinha sossegado o país: nada fora intencional e tudo já prescrevera. Hoje, a Lusa alavancou a ordem de Passos e pôs a questão aos serviços do Parlamento, que logo disseram que à época o actual primeiro-ministro não usufruia do subsídio de 10% sobre o vencimento que ditaria a exclusividade. A notícia encheu os jornais e ecoou por toda a comunicação social, como Passos desejava...

Nesta altura estará o leitor a perguntar onde é que está a notícia para além da notícia de que não houve qualquer ilegalidade. Ou, mais, se depois da divulgação da notícia da ilegalidade, não é mais que justificada a amplificação da notícia que a nega?

Pois, mas a notícia é outra. A notícia é a mestria com que Passos Coelho trata destas coisas, a forma exímia como ele lida com as técnicas de imagem na construção do culto da personalidade. 

Há dois dias atrás dei aqui conta do estranho que era, não só Passos Coelho não se lembrar, como remeter para esclarecimentos da Assembleia da República. E, dizia eu ainda, que era muito estranho que, perante matéria de um assunto como a Tecnoforma, Passos Coelho não tivesse uma resposta preparada na ponta da língua. Hoje temos a resposta, não foi preciso esperar muito. Não era mesmo para esperar muito...

Um político, chamemos-lhe normal, do tipo convencional, teria realmente dado a resposta pronta, teria marcado uma posição, como referi no paralelo estabelecido com Luís Filipe Menezes. Mas Passos Coelho já joga noutro campeonato, e é hoje insuperável na arte do cinismo político. Evidentemente que sabia que não estava em exclusividade, e que por aí não havia qualquer ilegalidade. Mas sabia que tinha muito mais força parecer que não dava importância nenhuma ao assunto. E ainda mais fazer com que fosse a Assembleia da República, e não ele, a dar a resposta!

Por isso a agência Lusa lhe fez de imediato o frete. Com serviço completo...

E, claro... Que Passos Coelho recebesse 5 mil euros por mês por, ao mesmo tempo que era deputado, ser porteiro da Tecnoforma nunca mais tem importância nenhuma. Nem qualquer relevância política!

Está um mestre, este Passos Coelho... Quem o menosprezar está a cometer um erro que pagará bem caro... Ouviu António Costa?

Um jogo para não esquecer...

Por Eduardo Louro

 Benfica venceu Moreirense por 3-1

O Benfica ganhou (3-1) ao Moreirense, teve fases de bom futebol no jogo e podia até ter goleado. Mas nem sempre tudo está bem quando acaba bem!

Começou a perceber-se desde muito cedo que este seria um jogo muito complicado para o Benfica: como seria de esperar, os jogadores do Moreirense estavam muito bem arrumados em campo e, como não se podia esperar, corriam mais do dobro dos do Benfica. Essas dificuldades começaram no entanto a adivinhar-se muito antes: dois dias antes, quando se percebeu que Jorge Jesus estava mais preocupado com o Dartagnan que com o jogo, quando disse, a propósito da estreia de Júlio César, que este era um jogo – “pensamos”, salientou – que dava para pôr jogadores pela primeira vez na equipa.

Qualquer jogo dá para estrear jogadores, assim estejam eles preparados para isso. O que não pode haver é jogos para facilitar, como foi a ideia que deixou.

Foi por isso sem grande surpresa que vimos os jogadores do Benfica desconcentrados, sem intensidade, a jogar a passo e a ver correr os adversários. E a perder, logo ao fim do primeiro quarto de hora!

Depois, claro, é difícil criar oportunidades de golo, e com os índices de aproveitamento da equipa, sem avançados e com Lima já sem saber marcar golos, é mesmo necessário criar muitas oportunidades para fazer um golo. O tempo é cada vez menos e os jogadores adversários, sempre no chão, contorcidos com dores, não têm contemplações: queimam tempo, ritmo de jogo e a paciência de toda a gente.

E tudo isto nasce de uma entrada displicente, bastam os primeiros minutos… Basta o pontapé de saída quando, coisa nunca vista, o Benfica perdeu de imediato a bola, parecendo até que a saída tinha pertencido ao adversário. Depois, as variáveis estatísticas acumulam percentagem de posse de bola, cantos e remates… Golos é que não!

Nem sempre as pilhas do adversário acabam muito primeiro que o jogo. Nem sempre o adversário fica em inferioridade numérica. E nem sempre há inspiração para um grande golo, que acabe por desbloquear o jogo… Por isso o melhor mesmo é não desperdiçar sequer o pontapé de saída, e entrar sempre em força, sem facilitar. Porque também nem sempre os adeptos estão dispostos a perdoar essas coisas… Às vezes também amuam, e não estão dispostos a levar a equipa ao colo... Que não se esqueçam!

 

Despedidas do Verão

Por Eduardo Louro

 

 

Este é o último fim-de-semana de Verão – não se deu por ele, mas ele andou por aí – que não o último dia de Verão, o dia do equinócio de Outono. Ao contrário do que geralmente se dá por bom, os equinócios da Primavera e do Outono não ocorrem sempre na mesma altura. Nem a 21 de Março e a 21 de Setembro, respectivamente.

Este ano, o equinócio da Primavera aconteceu no dia 20 de Março às 16:57. Nos próximos três anos ocorrerá no mesmo dia 20 de Março, mas às 22:45 em 2015, às 4:30 em 2016 e às 10:28 em 2017.

Já o de Outono varia entre os dias 22 e 23 de Setembro. Este ano acontecerá às primeiras horas do dia 23. No ano passado, no dia 22, às 20:44 e no próximo a 23, às 8:20, voltando a ocorrer no dia 22 em 2016 e 2017, respectivamente às 14:21 e às 20:02.

Portanto, este Verão de temperaturas baixas e muita chuva, que só deixou satisfeito o ministro da Administração Interrna, só vai oficialmente embora na próxima terça feira, com hora marcada para as 2:29!

Coisas estranhas (I)

Por Eduardo Louro

 

 

Não faço a mínima ideia se o que por aí se fala de Luís Filipe Menezes e de Pedro Passos Coelho é simplesmente coisas de jornais, com ligação ou não à forma com a Justiça atingiu recentemente os socialistas, quer no processo Face Oculta quer no caso Maria de Lurdes Rodrigues. Não faço ideia e recuso-me a qualquer especulação sobre o assunto.

Também não meto no mesmo saco as notícias sobre o anterior presidente da Câmara de Gaia e do actual primeiro-ministro, mas não consigo deixar de notar que as reacções de cada um a essas notícias são completamente opostas.

Menezes negou com veemência as acusações que lhe são feitas. Valha isso o que valer, a verdade é que marcou uma posição!

Passos Coelho diz que não se lembra do que se passou há 15, 17 ou 18 anos, "não tem presente". E remete a investigação do caso para a Assembleia da República, o que não deixa de ser estranho. Mas, com toda a franqueza, o que não convence ninguém é que alguém possa receber 5 mil euros por mês durante 30 meses sem disso se lembrar. Mais a mais em acumulação com as funções de deputado em regime de exclusividade, e sabendo que isso era ilegal.

É muito estranho que não se lembre de nada disto. Mas é ainda mais estranho que seja essa a única resposta que tenha para dar quando o tema é Tecnoforma, que ele sabe que há muito o persegue. E que mais o irá perseguir a partir do momento em que o seu ex-patrão há apenas quatro meses dizia que ele abria as portas todas... Para um tema destes um primeiro-ministro tem que ter uma resposta na ponta da língua. E minimamente convincente!

NO!

Por Eduardo Louro

Muita gente na Europa pôde hoje acordar descansada. Na Grã-Bretanha, ém Espanha, mas também em França, na Bélgica e na Itália. E até em Portugal, onde gente que gosta de apimentar tudo o que lhe põem à frente se lembrou que até a Madeira tem velhas pretensões independentistas...

O Não ganhou na Escócia, o único sítio onde, por tudo e apesar de tudo, poderia ganhar. Por tudo o que de substancialmente diferente tem aquela autonomia, por tudo o que ainda mais lhe prometeram, e por tudo o que um pouco por todo o mundo foi feito por esse resultado. E apesar do seu nacionalismo vincado, da sua cultura, e acima de tudo da sua História...

Novas velhas formas de fazer política

Por Eduardo Louro

 

De golpada em golpada, de habilidade em habilidade, cada vez mais populista e cada vez mais ridículo, lá vai o Tó Zé, seguro que levará a água ao seu moinho. A sua última habilidade, o coelho que tirou da cartola – a proposta de reduzir dos actuais 230 para 181 os deputados da Assembleia da República – não é apenas a face visível do populismo em que decidiu apostar. É, para além disso, a maior evidência de que perdeu definitivamente o rumo. Não sabe onde está, nem para onde vai. Nem sequer para onde quer ir!

A redução dos deputados é, como se sabe, uma medida populista que cai bem em largas faixas do eleitorado que não estão particularmente preocupadas com o que a democracia perde com isso. Com o que se perde, com a perda de representação dos pequenos partidos, na diferença de opiniões e soluções.

Mas é, acima de tudo, uma medida que, ao reforçar ainda mais os dois principais partidos, aprofunda os problemas e os defeitos do regime esgotado justamente nesses, e por esses, dois partidos. E, francamente, não sei o que é mais desprezível: se o populismo, se o oportunismo político de António José Seguro. Que não hesita em dar o braço ao PSD para uma medida que este sempre desejou mas para a qual nunca ousou avançar.

Podia ter apresentado medidas de combate ao despesismo, tantas são as áreas com evidentes e injustificáveis excessos. Mesmo na esfera dos deputados, na Assembleia da República, como, ao que se diz, a sumptuosa cantina, as falsas ajudas de custo, ou as frotas dos grupos parlamentares. Podia falar das Fundações e Institutos que afinal, depois de tanta conversa, acabaram intocáveis. Ou nas contratações pornográficas com os escritórios de advogados, que até almoços cobram… Mas não. Tinha de seguir pela via mais vil e chamar-lhe, pasme-se, uma "nova forma de fazer politica".

Será certamente a sua "forma de fazer politica". Mas não é, longe disso, uma "nova forma de fazer politica".

 

Um governo em estado "perdoa-me"

Por Eduardo Louro

 

Depois de, ontem, a ministra Paula Teixeira da Cruz pedir perdão pelos seus pecados no Citius, hoje é o ministro Nuno Crato, o matemático, a pedir perdão precisamente pelos seus pecados de matemática!

Não me parece que em política, e especialmente em governação, as coisas se resolvam com pedidos de desculpa. Do que não tenho dúvidas é que, se assim for, todos os ministros, sem excepção, devem já estar em fila a pedir desculpas. E que, chegado à sua vez, Passos Coelho já não vai ter tempo para fazer mais nada até às eleições... 

Sorte e azar

Por Eduardo Louro

 

Fala-se muito de sorte e azar no futebol, mas nem sempre se percebe muito bem do que se está a falar.

Deixo aqui a minha pequena contribuição para ajudar a perceber o que é isto de sorte e azar: Num sorteio da Champions uma equipa está no pote 1, e as bolinhas ditam-lhe sucessivamente para adversários as equipas mais fracas dos restantes potes. Quando chegam ao último, ao pote das mais fracas, quem de lá sai é mesmo a mais fraca de todas as que alguma vez disputaram a competição. Sorteiam-se os adversários e sorteia-se o calendário, e o primeiro jogo é em casa, frente ao adversário mais fraco, o mais fraco de todos, na Champions, como se viu. Chega-se ao jogo, o primeiro, em casa, com a equipa mais fraca que há, e logo aos cinco minutos, o guarda-redes da equipa adversária tem a bola na mão e, em vez de a entregar a um colega de equipa, entrega-a ao adversário, ali à frente, de bandeja, para o primeiro golo. Pouco depois, um jogador pega na bola no seu meio campo e corre com ela até à área adversária sem que ninguém se lhe atravesse àfrente, para o importunar que seja, remata tranquilamente e faz o segundo. Cinco minutos depois, é um jogador da equipa adversária que desmarca um jogador adversário numa ala, que sozinho, sem oposição, cruza para o terceiro, ainda o intervalo vem longe... E assim, sucessivamente, até chegar à meia dúzia!

Pois bem, sorte é isto. Mesmo que ouçamos - como vamos certamente ouvir - chamar-lhe outra coisa qualquer. Azar é outra coisa qualquer, se calhar é ouvir tudo o que irão chamar a esta sorte!

Aplausos na Luz

Por Eduardo Louro

 

 

O Benfica entrou a perder na Champions… Dois anos, e cinquenta e um jogos, depois voltou a perder no Estádio da Luz. Que aplaudiu os jogadores como não imaginavamos possível, mais parecendo um estádio inglês… Por tudo o que fizeram, pelo que jogaram e pelo que lutaram, os jogadores mereceram essa prova de carinho e confiança, que terá certamente grande impacto no futuro.

Foi um grande jogo de futebol, que poderia ter terminado com muitos golos. Que o Benfica poderia ter ganho, como também podia ter perdido, até por mais. Mas foi um jogo marcado pelas suas próprias circunstâncias, e essas foram ditadas pelas contingências da entrada do Benfica, e em especial pelos três ou quatro passes falhados no momento da transição ofensiva que tudo decidiram. Os dois primeiros passes errados resultaram em tudo o que de mau aconteceu ao Benfica: os dois golos e a expulsão de Artur, que obrigaram a equipa a jogar mais de 70 minutos com menos um e com a desvantagem de dois golos.

Claro que o Zenit tem grandes jogadores, alguns deles tinham até saído dali a troco de alguns milhões – nem todos, mas isso são contas de outro rosário – e isso notou-se logo de entrada. E tem Hulk, que pode até estar de rastos, mas frente ao Benfica…

Num grupo tão fechado, certamente o mais apertado de todos da Champions, perder em casa, e logo no primeiro jogo, é pior que mau. Tanto pior quanto o jogo que se segue é precisamente no reduto do adversário tido como o mais forte. Tanto pior ainda quanto vem também de uma derrota, no Mónaco e de todo imerecida, segundo rezam as crónicas. Mas a jogar desta maneira, e com os aplausos da Luz ainda a ecoar nos ouvidos, não há razão para medos nenhuns!

Não há vitórias morais, mas nem todas as derrotas são iguas. Nem nada que se pareça!

 

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