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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

As taxas de juro batem no fundo. E o resto também!

Por Eduardo Louro

 

 

O BCE decidiu, não diria baixar ainda mais as taxas de juro, que já estavam nos incríveis 0,15%, mas acabar praticamente com os juros. Mário Draghi fixou a taxa de juro em 0,05% – zero, na prática –, decidiu ainda cobrar sobre depósitos dos bancos centrais e avisa que não vai parar nos estímulos ao investimento.

O BCE, que tem existido para se preocupar com a inflação, só está preocupado com o investimento porque tem, agora, de preocupar-se com a deflação, que é bem pior. Que resulta da austeridade imposta pelo fundamentalismo europeu, que destruiu o consumo e o investimento. Que se deslocou para outras partes do mundo, especialmente para Ásia que entretanto começou a crescer e … a consumir.

A Europa precisa, e há muito, de incentivos à procura, e não à oferta. É, como toda a gente sabe, e os neo-liberais melhor deviam saber, a procura que motiva a oferta, e não o contrário. Estimular a oferta quando não há procura não faz simplesmente sentido. O Senhor Draghi sabe isso perfeitamente, e como sabe que tem que fazer qualquer coisa, faz o que pode. E isso, baixar as taxas de juro, ele pode. No lado da procura é que não!

Porque não tem instrumentos para isso e, mesmo que tivesse, a Senhora Merkel e o Senhor Schauble não o permitiriam. Repare-se como estes jihadistas da austeridade lhe puxaram publicamente as orelhas quando, na semana passada em Jackson Hole (EUA), ousou falar na necessidade de "impulso da procura agregada". Ou como reagem sempre que se fala na necessidade de subir os salários alemães…

A deflação está aí, e com ela nova e mais complicada recessão. O estranho é que aquele par alemão não perceba que, desta, nem a Alemanha escapará! 

 

Gente Extraordinária LII

Por Eduardo Louro

 

Durão Barroso revelou que Putin lhe tinha dito que, se quisesse, tomava Kiev em duas semanas, e deixou os líderes europeus de cabelos em pé. E foram reagindo, até que o Kremlin desmentisse e desse dois dias a Barroso para se retratar, sob pena de revelar integralmente a conversa. Acabou hoje o prazo, e o ainda presidente da Comissão Europeia, de rabinho entre as pernas, veio dizer que a declaração tinha sido tirada do contexto. E que tinha sido divulgada uma conversa privada, acusando terceiros, como fazem as crianças quando a coisa dá para o torto, do que tinha sido exactamente ele a fazer: nem mais nem menos que, de uma conversa privada, retirar uma expressão do seu contexto!

É um tipo deste calibre que presidiu à União Europeia nos últimos 10 anos. Como é que alguém se pode admirar do estado a que isto chegou?

Tanta Gente Extraordinária neste país... E de caracter!

Mais um truque

Por Eduardo Louro

 

O Presidente da República, que presumo já tenha regressado de férias, continua sem uma palavra sobre o BES. O maior escândalo financeiro da história do país continua sem merecer uma única palavra do mais alto magistrado da nação.

E no entanto ontem houve notícias. Ontem, Cavaco achou por bem publicar no site da presidência o vídeo com as suas lestas e apressadas declarações pouco anteriores ao colapso final, em que sossegava os portugueses com a conversa de que o Banco tinha almofadas, e que o Banco era bom, mau era o Grupo.

Cavaco, que, repito, não demonstrou qualquer sinal de preocupação com as gravíssimas consequências para a economia e para o país, está mais uma vez muito preocupado consigo próprio, e muito incomodado com as responsabilidades que um advogado das vítimas do BES lhe atribuiu exactamente por aquelas declarações. E vai daí e tira este coelho da cartola, pegando nas mesmíssimas declarações, republicando-as e fazendo-as ecoar por toda a comunicação social para nelas se escudar atrás do Banco de Portugal.

É mais uma habilidade de Cavaco, o malabarista mor da política portuguesa. Cavaco, com este número de malabarismo, quer dizer que não disse que os portugueses podiam confiar no Banco, que disse tão só que o Banco de Portugal o tinha dito. Na realidade não foi ele que disse que os portugueses podiam confiar no Banco e nas almofadas que tinha. O Banco de Portugal – cujo excelente serviço, nas mesmas declarações, não se cansou de elogiar – é que andava a dizer esses disparates todos…

Simplesmente lamentável. Tão lamentável que Cavaco merece que lhe digam que a sua responsabilidade na corrida dos pequenos investidores ao aumento de capital do BES não decorre apenas daquelas suas palavras. Tem antes a ver com a sua autoridade na matéria enquanto investidor nas acções do BPN. Quem então ganhou tanto será sempre visto como um grande especialista!

 

Coisas intragáveis

Por Eduardo Louro

 

 

Segundo revela hoje o jornal i os administradores da PT receberam entre, salários e prémios anuais, 12,1 milhões de euros, o máximo dos últimos seis anos. Nos últimos dez anos os gestores da operadora, que agora, eventualmente para pagamento de favores pessoais, destruíram os 900 milhões de euros – mais de um terço do valor da empresa – no GES, encaixaram um total de 112,74 milhões de euros, o que dá uma média anual superior a 11 milhões.

Isto quando, segundo o mesmo jornal, a empresa sofreu uma desvalorização acumulada de 78%. E quando os custos com pessoal, nos últimos 8 anos, caíram 21%. Mas não foi só porque a empresa extinguiu 1300 postos de trabalho, o custo médio dos encargos anuais com pessoal baixou 38,5 mil euros para 30,4 mil euros por trabalhador.

Que dizer, a empresa perde valor, mas os administradores não têm nada a ver com isso, ganham cada vez mais. Quem perde são os accionistas e os trabalhadores. Conforme realça o jornal, um funcionário com um vencimento médio da PT necessitará de 30 anos para ganhar o que um administrador da empresa recebe num só ano. 

Bem sabemos que, no tema, é fácil resvalar para o populismo. Mas também sabemos como se constroem as teias destes súper gestores, premiados all over the world, com carta branca para tudo, até para fazerem o que está hoje à vista que impunemente fizeram!

Na PT, na EDP, na banca... É também por estas coisas que se vê no que isto foi dar…

E passou a haver outras coisas para contar... (VIII)

Por Eduardo Louro

 

 

Cada vez se vê com maior nitidez que a brincadeira do BES nos vai sair muito cara. Para quem pudesse ter dúvidas, ou maior tendência para optimismos, basta olhar para o que dizem os auditores. E não comecem já a dizer que não dá para levar a KPMG a sério, que no passado deixou passar tudo e agora está em pé de guerra com o Banco de Portugal, porque isso é outra coisa. Como outra coisa é que não tenha agora certificado as contas semestrais, por falta do documento que responsabiliza a administração pela informação financeira prestada, aquilo que em Auditoria se chama Representation Letter, e que é uma peça inprescindível do processo.

O que releva do que a KPMG diz é que o banco precisa de muito mais capital, e que “existe o risco de virem a ocorrer contingências para o BES cujo montante, a esta data, não é possível quantificar”. É que há créditos de clientes do BES no novo banco que são agora muito provavelmente incobráveis, e garantidamente incobráveis os de todos os clientes que investiram em títulos de dívida do Grupo Espírito Santo que perderam por completo.

Se a isto juntarmos a pipa de massa (3,5 mil milhões) que ficou a arder no BES Angola, e que parece – parece, porque nada se sabe sobre os activos que passaram para o novo banco – que ficaram sob as asas da borboleta.

Pois é: os 4,9 mil milhões de euros começam a ficar curtos para tanta coisa. E, pior, são já claramente de mais para alguém dar pelo banco. Daí a nitidez com que, precisamente um mês depois, se vê já que isto nos vai sair bem caro!

Pronto, está fechado...

Por Eduardo Louro

 Cristante

 

Fechou o mercado de transferências, como habitualmente com um último dia – que não foi 31 de Agosto, por ser domingo – muito agitado … e cheio de truques.

Falcão, anunciado para o Real Madrid, a quem jurara já amor eterno, acabou no Manchester United, de Van Gaal, não sem algumas convulsões, e com o truque do empréstimo – empréstimo por um ano, por 8 milhões de euros, com opção de compra no final – porque em Inglaterra há uma coisa a que se chama fair play financeiro, que obriga a uma relação entre compras e vendas, investimento e desinvestimento, que o United, com um volume de investimento nunca visto, rebentou já por todos os cantos. E não são apenas os portugueses, ou os latinos, os especialistas a contornar leis… Para o Real Madrid, não se sabe para quê, seguiu o mexicano Chiciarito. E, do Manchester City para o Valência, Negredo, em vez do Jackson Martinez.

Por cá – e isso é que interessa – o Enzo fica. Por enquanto, como o nove do Porto, com quem o destino estava (está?) cruzado, como por aqui se foi dizendo. Porto que esteve de resto muito activo neste último dia, indo buscar mais dois miúdos e colocando praticamente todas as vedetas que adquiria na época passada, mas não se conseguindo livrar do Rolando.

Para o Benfica pode dizer-se que o mercado fechou da mesma forma que esteve aberto – sem grande critério, com uma estratégia difícil de perceber. Não dispensou os jogadores excedentários, os erros de casting maioritariamente cometidos este ano, colocando apenas os velhos Urreta (Paços de Ferreira) e Sidnei (Deportivo Coruña) e acaba por apenas contratar Cristante, um jovem italiano de 19 anos (na foto). Que, apesar da sua excelente qualidade, não deixará de ser uma contratação estranha, difícil de compreender. Não tanto pelo paradoxo da aposta na juventude estrangeira, quando à da casa é exigido que nasça dez vezes, mas porque faz da contratação anterior uma contratação falhada. Desastrada mesmo, porque o grego Samaris é um jogador para as mesmas funções, de menos qualidade e muito mais caro, já pelos valores que o presidente Luís Filipe Vieira tinha declarado fazerem parte do passado.

E não contratou qualquer avançado, a óbvia lacuna do plantel depois das saídas de Rodrigo e Cardozo, falhando sucessivamente todas as tentativas, a última das quais de Campbel, a estrela costa-riquenha do Arsenal. E ficando com um sério problema por resolver, não se vê quem consiga marcar golos…

Para encontrar razões de sucesso neste fecho de mercado temos que as procurar na continuidade de alguns dos seus melhores jogadores: Enzo, Gaitan e Salvio, evidentemente, mas também o lesionado Sílvio, cujo empréstimo foi renovado.

Mas, olhar para os avançados e dar de caras com o Jara, é medonho!

 

Coisas de hoje

Por Eduardo Louro

 

 

Hoje, quando passam 75 anos sobre o início da segunda guerra mundial, no dia em que a Alemanha de Hitler invadiu a Polónia, é o primeiro dia da reforma da Justiça, porventura a mais necessária das reformas. Mas, afinal, apenas mais um rato parido pela montanha, um rato chamado mapa judiciário, que dá à Justiça um novo rosto: o dos contentores (na foto) que substitui agora o da mulher de olhos vendados…

O citius, a plataforma informática da Justiça, é que não compareceu. Vá lá saber-se se por ter decidido engrossar a onda de contestação ao novo mapa, se por achar que não serve para exportação e por isso se recusar a entrar para os contentores, se para libertar mão de obra para as mudanças, ou se simplesmente decidiu prolongar as férias...

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