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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Espiral de disparate

Por Eduardo Louro

 

De Poiares Maduro já ouvimos tudo... Na maior parte das vezes, disparates...

Se calhar é por isso hoje já não se liga nada ao que diz aquele que foi um homem respeitado e prestigiado que chegou ao governo para substituir Relvas. E por isso ele pode continuar, hirto e firme, na sua espiral do disparate. Para negar o óbvio, e até natural, neste estado de coisas - o governo sempre mandou na RTP, e quando criou o tal Conselho Geral (e "independente") da RTP continuou a mandar, só que por interposta(s) pessoa(s) -, Poiares Maduro diz que o Bloco de Esquerda tem mais influência no órgão que criou para mandar na RTP que o governo.

Só que começa a ficar muito difícil alimentar a espiral... A fasquia do disparate está agora muito alta mesmo!

Medonho

Por Eduardo Louro

 

 

Os primeiros dez minutos foram medonhos… Os últimos dez foram de puro terror!

Os primeiros dez deixaram-nos em choque. Sem nada que o fizesse esperar, o último do campeonato - mais que último, ultimíssimo - que ainda não conseguiu ganhar um jogo que fosse, entrou a mandar no jogo. E a rematar. Mal, mas também não se pode pedir muito a esta equipa do Gil Vicente. Foram 10 minutos assim. O Benfica, sem Enzo, não funcionava. No seu lugar estava, estranhamente, Talisca. Estranhamente porque – dizia-se – o trabalho de laboratório de Jorge Jesus tinha produzido em Pizzi um clone do argentino. O último jogo da champions, na semana passada, na Luz com os alemães das aspirinas, tinha servido para apresentar esse último sucesso de laboratório. A seguir, no Porto, com Enzo, Pizzi ainda entrou para os últimos minutos e na passada quinta-feira, quando Jesus resolveu ao intervalo dar descanso ao internacional argentino e perder o apuramento para os quartos da Taça, foi ao novo clone que recorreu.

A coisa não correu bem, como se sabe, mas daí a ser razão para deitar tudo fora… Não dá para perceber!

Passados que foram esses primeiros 10 minutos medonhos, as coisas começaram a compor-se. Sem nunca jogar bem, mas com o jogo controlado, o Benfica chegou ao golo por volta da meia hora de jogo. Um golo irregular, obtido numa recarga de Gaitan a um remate do Maxi, em fora de jogo, ao poste.

Pensou-se na altura que era o costume: o mais difícil estava feito, a partir dali viria uma enxurrada de golos que trataria de cobrir de ridículo as habituais reclamações dos nossos adversários. Quando se ganha por quatro ou cinco o que é que importa um golo em fora de jogo?

Não foi nada disso. Os primeiros minutos da segunda parte encarregaram-se de matar essa ideia. E quando, à hora de jogo, a primeira substituição é para fazer entrar o Tiago ou o Bebé – ou lá o que é – ninguém queria acreditar. Era claro que o pior ainda estaria para vir, e que não havia forma nenhuma de fugir das habituais provocações dos adversários. Desta vez, se conseguisse segurar o golito em off-side, seria mesmo uma vitória com o selo da arbitragem, também ela má, como o jogo, de um João Capela realmente muito mau!

E lá vieram os 10 minutos finais que aterrorizaram toda a gente. Até Jorge Jesus que, no fim e depois de alguns minutos para se recompor, veio pedir a união e o apoio dos adeptos… Mas desconfio que também ajudaria se ele explicasse por que é que, à primeira dificuldade, desiste das apostas que faz crer que trabalhou… Ou o que é que viu, e continua a ver, no tal Bebé … É que não basta mudar o nome às coisas!

Solstício de Inverno

Por Eduardo Louro

 

 

Aí está de novo o dia mais pequeno do ano. Um dia de sol, de sol de pouca dura, porque pouco dura o dia…

Aproveitem-nos – ao dia e ao sol!

A partir daqui vai ser sempre a crescer. Os dias irão crescer todos os dias, e com dias maiores é também maior a probabilidade de mais sol… Se calhar, para o astral, é melhor dizer assim do que simplesmente dizer que começou o Inverno!

Virtudes, atitudes, acção política …

Convidado: Luís Fialho de Almeida

 

Transcrevo com as devidas reservas:

“… Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso á roda fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho que enredar-me no trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente.

“Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção.

“Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. Sou, tanto quanto se pode ser, um homem livre …”

António de Oliveira Salazar, 7 de Janeiro 1949

Salazar, o mais votado no programa televisivo ”Os Grandes Portugueses” que decorreu na RTP1, entre 2006 e 2007, anda muito presente no pensamento de muitos, e inúmeras biografias têm sido publicadas. Sinais de 40 anos de uma democracia progressivamente debilitada pela incapacidade dos sucessivos governos e forte expressão de elites cujas virtudes, atitudes e acção politica não dignificam os princípios democráticos da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

As ditaduras que prevaleciam no sec. XX, nomeadamente na Europa, com Stalin, Hitler, Mussolini, Franco e Salazar, justificavam o centralismo do poder em princípios orientadores que dessem o sentido às respectivas sociedades. Por cá a pedagogia centrava-se em “Deus, Pátria e Família”, valores administrados de forma distorcida e exacerbada na orientação dos governados, para esconder as políticas protecionistas de outros interesses, corrupções e outras vergonhas.

Ler Salazar de 1949, faz-me lembrar, em tempos bem mais próximos, entrevistas de Armando Vara, Dias Loureiro ou Duarte Lima - não citando outros por prudência -quando estavam no exercício de cargos da governação politica, cheios de virtudes, aparentemente formatadas por excelso bom senso e esmerada educação.

Com o processo democrático, à trilogia “Deus, Pátria e Família”, sobrepôs-se a “Liberdade”, mas esta foi servida de forma desregrada, sem manual de instruções, e o próprio conceito iluminista do sec. XVIII, de liberdade como ”a obediência às leis que cada um estabeleceu para si próprio” tem servido para todos os atropelos. Quanto à “Igualdade”, estamos longe de cumprir com os seus princípios subjacentes: “de igualdade perante a lei (isonomia)”, “de igualdade no acesso ao poder (isocracia)” e “igualdade no acesso à palavra ou liberdade de expressão (isegoria)”. E quanto à “Fraternidade”, tal como a “Moral”, fundadas no respeito pela dignidade e igualdade de direitos, nunca passaram de conceitos bafientos de sacristia, quando na prática as elites no poder e lobbies económicos tudo fazem para, em benefício de poucos, tirarem os recursos a muitos.

Salazar deixou o país com 866 toneladas de ouro, mas o povo era pobre, emigrado e triste. Não culpemos o actual regime democrático, mas sim a irresponsabilidade dos que não zelaram pela aplicação dos seus “princípios”, que deixa o país com reduzidos recursos, apenas 382 toneladas de ouro e uma dívida insustentável. Mas o país está melhor – diz Passos Coelho – só que o povo volta a ser pobre, emigrado, e agora também deprimido e envelhecido. E depois admiram-se que Salazar seja lembrado, ou que votem nele, como aconteceu no concurso televisivo de 2006 a 2007.

Na democracia temos direitos, mas também o dever de participar no sistema político para que este proteja os nossos direitos e liberdades. Em época de Natal faço aqui o meu exercício de “liberdade”. Questiono o meu posicionamento perante “Deus”, procurando um sentido, um caminho. Foge-me a “Pátria”, tão endividada e perdida nos trilhos da Europa e do mundo global. Dou enfase à “Família”, bastião de proximidade e segurança.

Há um ano denunciei aqui a intenção do “Espirito de Natal” de emigrar. Sinto-o distante, talvez mais desiludido, mais pragmático e mercantil. Valha-nos o Papa Francisco com o seu vigor ecuménico e a coragem de questionar e romper alguns dogmas do catolicismo, além do empenho em restaurar as virtudes necessárias à humanização das políticas e das sociedades. Refere no seu programa pastoral “a política tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum”.

Feliz Natal!

 

O que de relevante já ficou da greve da TAP

Por Eduardo Louro

 

A greve da TAP - evidentemente impopular, e evidentemente só possível de levar em frente por uma corporação que disfruta de condições profissionais muito acima da média - põe mais uma vez a nu a falta de competência deste governo cheio de gente impreparada. E de má fé!

Nem sequer vale a pena ir procurar razões políticas, que são tantas. A começar na falta de transparência, no timing político, ou na degradante trapalhada que arranjaram à volta das versões, em inglês e em português... Basta ter visto hoje o ministro Pires de Lima garantir, com a sua palavra, que está agora disposto, na condição de a greve ser cancelada, a acolher as propostas dos trabalhadores da TAP para o caderno de encargos da privatização.

É que, evidentemente e como toda gente percebe, na primeira vez que se falasse na agenda para a privatização de uma empresa como a TAP, a primeira coisa que tinha de ser conhecida era exactemente o respectivo caderno de encargos. Que ninguém de bom senso consegue admitir que seja possível desenhar sem, numa empresa como a TAP, envolver os seus trabalhadores... 

Claro que o governo tem o caderno de encargos da privatização concluído. Pretendeu sempre mantê-lo escondido, longe da discussão e sem o envolvimento de quem quer que seja. Mas, escudado no mais que provável ponto de não retorno da greve, decide arriscar e fazer de conta. Fazer de conta que se lembrou do que só agora percebeu que deveria ter feito.

É esta demonstração de incompetência, de inépcia, e de falta de senso, de boa-fé, e de capacidade política o que, para já, de mais relevante fica desta greve. Ao pé disto, o resto são fait divers!

É dos livros...

Por Eduardo Louro 

 

Prometeu o título, para o qual - garantia - partia na pole position. À chegada ao Natal ... o costume!

Já culpou e humilhou os jogadores... Passou a disparar para o treinador e, claro, virou-se para o rival - é cada vez mais claro que só há um rival. Mandá-los para a 2ª divisão é que era... Com eles na segunda até poderia continuar sem ganhar nada, mas eles também não. E isso basta-lhe!

Azar... "insuficiência de factualidade". Na verdade deveria dizer-se ausência de factualidade, mas a conclusão é a mesma: não tem ponta por onde se lhe pegue!

Então ... saia um plebiscito. E venha daí uma assembleia geral para plesbicitar a gestão... Uma gigantesca vaga de fundo de laboratório. Em ambiente controlado!

É dos livros... Vem logo na introdução de qualquer manual do populismo e por aí começam todos os projectos de poder.

A prioridade é o campeonato...

Por Eduardo Louro

 

... Mas também não era preciso tanto!

Depois de perder em Braga, num jogo que acabou com o mesmo desfecho e na única derrota no campeonato, o Benfica saltou fora da Taça. Desta vez na Luz, onde o Braga só uma vez tinha ganho, já lá vão 60 anos... Este também é um recorde de Jesus, que uma vez, então treinador do Braga, numa visita à Luz e após mais uma derrota disse que, ganhar na Luz, só na playstation.

O jogo não foi muito diferente do do campeonato, em Braga. O Benfica jogou bem, marcou primeiro e foi imensamente superior. Do outro lado um guarda redes, que nem sequer foi o mesmo, que defendeu tudo. E três remates... dois golos, em duas inacreditáveis ofertas. Primeiro de André Almeida, depois do Ola John, que ainda não conseguiu perceber o objectivo do jogo!

Por isso, porque o Braga não foi nenhuma surpresa, Jorge Jesus também tem culpas no cartório. Especialmente quando, ao intervalo, tirou Enzo Perez. Porque perdeu o mais influente e decisivo jogador da equipa - e que, por castigo, nem sequer pode jogar o próximo jogo do campeonato - e porque Pizzi nunca se encontrou. Porque facilitou, e pior que facilitar, transmitiu uma ideia de facilitismo!

É futebol? Se calhar é... E no ano que aí vem já só há campeonato. E Taça da Liga... É pouco, muito pouco para tanto jogador... Estão a perceber?

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (VIII)...

Por Eduardo Louro

 

Finalmente alguém que sabe alguma coisa... Álvaro Sobrinho sabe mesmo muito, mas diz pouco. E sabe, como poucos, o que deve dizer... Apenas o que quer, e pouco, sempre. Com grande jogo de cintura, sempre de menos para mais, rompeu com o tom deprimente das anteriores audições...

Por mim estou esclarecido: o homem é esperto. Muito esperto! 

 

 

Porta aviões ao fundo!

Por Eduardo Louro

 

Ao fim de oito anos - oito - o Ministério Público não encontrou nada que, na compra dos submarinos, lhe permitisse encontrar por cá, sequer, as outras faces da moeda que, na Alemanha, levou a que onze pessoas fossem condenadas por corrupção. E mandou arquivar tudo, por falta de provas, mas ainda com a singular lata de lavar as mãos da forma mais abjecta possível: "não foram encontradas provas, mas os crimes, a terem existido, já teriam prescrito"!

Não se pedia muito. Pedia-se apenas que conseguissem encontrar os que receberam aquilo que os alemães pagaram. E tiveram oito anos para isso!

Mas nem isso... Houve corrupção, os alemães corromperam, mas em Portugal não se sabe quem foi corrompido. Os alemães pagaram, mas em Portugal não se sabe a quem... Mesmo que todos os dias surjam uns cavalheiros na Assembleia da República a dizer que receberam uns milhões... Mas que não sabem por quê!

Não são dois submarinos... É o porta aviões que vai ao fundo!

Evocar habilidades

Por Eduardo Louro

 

Começam a ser demasiados os equívocos que António Costa lança. Começa a parecer que o novo líder socialista se está a especializar nas artes da pesca, a começar pelo lançamento da rede...

Ontem, no jantar de Natal com o Grupo Parlamentar do PS, lançou a rede ao bloco central. Melhor dizendo - voltou a lançar a rede para aquele lado!

Hoje veio desmentir que o tivesse feito. Que, quando ontem evocou o bloco central de 1983-85, não pretendia recuperar essa fórmula, mas apenas "evocar o exemplo da liderança de Mário Soares". Ora, António Costa não está apenas a recuperar uma fórmula política, está a repetir a mais gasta formulação política do regime, que é justamente fazer de nós parvos. 

António Costa tem tido inúmeras ocasiões para evocar todos os exemplos de Mário Soares. E tem-nas aproveitado. Ainda há apenas uma semana, por ocasião dos seus 90 anos, teve mais uma oportunidade que - e muito bem - não desperdiçou.

Então para quê, completamente a despropósito, voltar ontem a fazê-lo?  Não faz qualquer sentido. E muito menos sentido faz, nesta altura em que o antigo e carismático líder do PS está até voltado para outro lado, ir procurar ao quadro da única experiência de Bloco Central as melhores razões para evocar Mário Soares. Nesta altura, António Costa não precisa nada do bloco central para evocar Soares. Poderá é precisar de Soares para evocar o bloco central!

Do que não precisa mesmo é de nos tratar por parvos. Pode dar as voltas que quiser, do rotundo não do congresso a coligações com a direita, para o nim da semana passada a Passos Coelho, já com um depois das eleições a gente fala com vista privilegiada para os braços de Rui Rio. Mas sem truques. Nem outras habilidades circenses...

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