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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Não dêem cabo do colinho!

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O jogo desta tarde na Luz teve o seu quê de crueldade para os adeptos do Benfica. Perante um Boavista que tem História de primeira, mas não tem futebol nem jogadores para isso, o Benfica foi mau de mais; sem velocidade, apático, sem movimento, e sem dinâmica nem rotinas. Nem o resultado - vitória por 2-0 - nem as três vezes que a bola bateu nos ferros, iludem esta realidade que vai dando cabo do colinho.

Hoje não destoou muito daquilo que têm sido a maioria dos jogos nesta época. Só foi mais evidente porque o adversário era muito fraco, fraco de mais para o que deveria ser exigível no primeiro escalão do futebol nacional. Se o adversário se fecha lá atrás - se se apresenta com o bloco baixo, como dizem os entendidos - o Benfica não entra. Se, pelo contrário, o adversário ocupa o campo todo e pressiona na frente, o Benfica não sai. Cruel é que isto tenha ficado evidente perante este Boavistazinho... Cruel é que o Boavista tenha criado dificuldades quando jogou fechado lá atrás na primeira parte, e tivesse sido incómodo quando subiu no terreno, na segunda.

Podem sempre compreender-se as dificuldades de entrar numa defesa muito reforçada e muito fechada. Mais difícil é compreender as dificuldades em sair da pressão. Mas, que uma equipa como o Benfica, que fazia das transições rápidas a sua principal estratégia de jogo, não consiga, depois de ultrapassada a primeira linha de pressão e já com campo aberto pela frente, ligar com sucesso uma única jogada para aproveitar o adiantamento do adversário, é que já não se consegue compreender.

Ou talvez se consiga: uma equipa que falha passes atrás de passes - chega a falhar passes a 5 metros - sem movimentos trabalhados, que não tem dinâmicas de desmarcação, não consegue sair em transição se não em jogadas individuais. Com os jogadores marcados pelos passes errados, sem ninguém a abrir linhas de passe sem risco, só lhes resta correrem com a bola cinquenta ou sessenta metros, permitindo a recuperação dos adversários, que correm sem bola e sem outra preocupação (de posicionamento ou de marcação) que não seja caçar a presa fácil que é o portador da bola. 

Hoje o Benfica foi isto. E, repito, não foi muito diferente do que tem sido. Sem Jonas - que não tem nada a ver com o jogador que foi a época passada - resta apenas a Gaitan e Gonçalo Guedes o papel presas mais difíceis. Mas na maior parte das vezes não deixam de ser também presas! 

Valha que o Carcela voltou a jogar mais 10 minutos. E valha que isso tem sido tempo suficiente para marcar. E vão três... Sem festejos

 

"Prometedores dias"

 

O Bloco já anunciou que está fechado. Durante o dia de hoje, o mais tardar até amanhã, deverá - terá de - ficar também fechado o acordo com PC. Sem que ponham pés no governo, o que para uns, é bom; para outros, é mau.

É mau para quem tem dúvidas sobre a solidez dos acordos, para quem desconfia das boas intenções da esquerda a que as vozes do regime chamam de extrema: estar na margem não é a mesma coisa que estar no barco, como escreve hoje a Fernanda Câncio num texto tão imperdível quanto romântico. É bom, nem poderia ser de outra maneira, para quem acha que a esquerda tem peçonha.

Como Jorge Coelho, que acha que não pode haver misturas, e que isto só é bom se servir bóia para voltar a trazer o PS á tona, para depois voltar a apanhar a crista da onda. Há gente no PS que ainda não percebeu o que aconteceu!

Há gente que não consegue descortinar estes "tão prometedores dias" que vivemos... Não são amanhãs que cantam, são apenas dias de esperança. De esperança que isto não seja apenas o que tem que ser, por já não poder ser outra coisa. Por simplesmente tudo ter chegado ao ponto de não retorno. Por ninguém poder já recuar...

Que seja finalmente mudança, porque é preciso que alguma coisa mude... Para que nem tudo fique na mesma!

 

O que nasce torto...

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Diz o povo que "o que nasce torto, tarde, ou nunca, se endireita". Não se sabe ainda se chegará a nascer - parece que sim, que acabará por nascer - mas este acordo de sustentação política da maioria de esquerda no Parlamento está com um parto tão difícil que é grande a probabilidade de nascer torto.

O momento histórico da declaração de intenções tarda em confirmar-se na substância do acordo. Ou dos acordos, e aqui a primeira dificuldade: uma maioria não é apenas a soma maior das partes. Construir uma maioria através de acordos separados com o Bloco e com o PCP, mais que enviezado, é torto. Negociar separadamente, sem que todos se envolvam e empenhem nas soluções comuns, é fazer com que o quer que nasça, nasça torto. 

A segunda grande dificuldade está no timing do parto. Sabe-se que todo o parto tem o momento certo: antes, dá prematuro; depois, pode provocar traumas irreparáveis. Se poderá de alguma forma compreender-se que fosse difícil apresentar o acordo - enfim, os acordos - ao Presidente da República antes da indigitação de Passos Coelho, já não é aceitável que se esteja ainda a negociar como se o timing certo seja o da apresentação do programa do governo. 

Neste momento o(s) acordo(s) teria(m) de estar concluído(s) - dando de barato que pudesse(m) não ser público(s) - e os seus subscritores tranquilamente à espera do momento de apresentar a sua moção de rejeição ao programa do governo. Mas não, não é nada disso que estamos a ver. Estamos a ver que o bluff continua no ar, como no ar está ainda a caricata decisão de cada um apresentar a sua própria moção.

Nos últimos dias, apenas uma boa notícia: a Catarina Martins calou-se. De resto, tudo más notícias: o PCP está em claro recuo, e António Costa, com a iniciativa de Assis, cada vez com menos espaço.

Termino como comecei: tem tudo para correr mal, um verdadeiro desafio á lei de Murphy. Se calhar, por isso, Passos também já revogou a sua decisão de não chefiar qualquer governo de gestão!

 

 

 

Crime agravado!

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Assistimos esta noite na Luz a uma das maiores injustiças alguma vez vistas num estádio de futebol quando, a dez minutos do fim, o árbitro expulsou Gaitan do jogo. Mandar sair do jogo quem estava a fazer aquilo que o génio argentino estava a fazer, deslumbrando o mundo com uma exibição que só muito raramente o mundo pode ver, é inscrever na História do futebol uma das suas maiores aberrações.

Roubar ao jogo o seu maior artista é matá-lo. E matar é crime. Sempre!

Acresce que, da maneira que aconteceu, é crime agravado. Com o dolo todo, com todas as agravantes que se quiser. Já que é impossível contar tudo o que de fantástico Gaitan fez neste jogo com os turcos do Galatasaray, vale a pena contar o que o árbitro fez: estava o jogo a aproximar-se do intervalo quando um avançado turco, poucos minutos depois de ter visto um amarelo por ter armado confusão, joga a bola com a mão em clara tentativa de enganar o árbitro. Pelas leis do jogo teria de lhe mostrar o amarelo, que seria o segundo.  Não o fez, em vez disso mostrou-o a Gaitan,  por protestar a sua decisão. Muitos minutos depois, faltavam então 10 para ofim do jogo, o argentino desenha no relvado mais uma jogada do outro mundo, porventura a mais portentosa, deixando de calcanhar para que o Jimenez permitisse uma defesa assombrosa - para canto - ao guarda-redes uruguaio da equipa turca. Da marcação do canto a bola sobra para um adversário, que parte para o contra ataque. Gaitan perseguiu-o, tentou o corte, mas fez falta. Para amarelo. O segundo. Que, para o crime ser hediondo, desta vez o árbitro não poupou.  

Depois disto nada mais do jogo tem qualquer interesse, mesmo com o que vale esta vitória do Benfica. E vale muito. Nem mesmo que o Luisão tenha estado nos três golos, e que tenha exigido respeito!

Deus nos valha...

 

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As inundações deste fim de semana no Algarve determinaram o primeiro acto público do novo governo em trânsito, que revelou ao país um dos seus novos ministros.

Não se pode bem dizer que era de todo um desconhecido. Logo que foi anunciado ficamos a saber que era o ministro que simplesmente não poderia ser ministro. Era já uma questão fé, de crença no Espírito Santo. Na primeira oportunidade, na primeira aparição pública, o ministro tratou de esclarecer que aquele pormenor, que alguns pretenderam transformar em impedimento, não é mesmo nada mais que apenas um lado do triângulo da sua fé de homem da Católica. 

Quando o novo ministro da Administração Interna atribuiu as inundações à “fúria demoníaca da natureza” percebemos o holismo da sua crença e a dimensão da sua fé. Quando João Calvão da Silva acrescentou que " a fúria da natureza não foi nossa amiga", que "Deus nem sempre é amigo, também acha que de vez em quando nos dá uns períodos de provação" percebemos-lhe a veia pregadora. Mas quando o ouvimos dizer que "em Albufeira a força da natureza na fúria demoníaca, embora os ingleses digam que é um ato de Deus, um act of God, nós temos que traduzir de outra maneira”; ou, sobre a morte que há lamentar, que "era um homem que já tinha vindo do estrangeiro, tinha 80 anos, fica a sua mulher, Fátima, ele que era um homem de apelido Viana. Ele entregou-se a Deus, e Deus certamente que lhe reserva um lugar adequado. A família também está determinada em continuar..." ficamos inundados de dúvidas sobre muitas coisas muito sérias. E com uma única certeza: com todo o seu campo político esgotado, a Passos Coelho tudo serviu para ministro!

Deus nos valha...

Imunidade par(a)lamentar

 

Consta que o deputado do PSD, Miguel Santos, quando circulava de moto na madrugada de domingo, às 5 da manhã, em circunstâncias que terão chamado a atenção das autoridades, foi objecto de controlo policial. Pedida a identificação, o deputado não tinha à mão outro documento que não o cartão de deputado da Assembleia da República, coisa que temos de considerar conveniente para aquela hora da madrugada, mas que não foi suficiente para dissipar o bafo de álcool que acompanhava cada palavra do deputado, nem para impedir o agente de confirmar aquele odor etílico através  do corriqueiro teste de alcoolemia.

Era o que faltava. Um deputado da nação sujeito a soprar no balão às 5 da manhã? Nem pensar. Afinal para que serve a imunidade parlamentar?

Nem mais. O senhor deputado pôs o motor da moto a trabalhar e arrancou. Não há notícias se direitinho se aos ésses...

O deputado Miguel Santos não é muito conhecido, por isso tem de se identificar. E para isso não tem melhor que o cartão de deputado.

Será um entre aquelas centenas de deputados que ninguém sabe quem são nem o que fazem? Daqueles que só lá estão para fazer número, para levantar, sentar e bater palmas?

Seria exactamente um desses, se não o tivessemos ficado a conhecer aqui há uns meses, quando se discutia aquele medicamento para Hepatite C que só passou a estar disponível depois de, na Assembleia da República, um jovem ter ameaçado que alguém seria responsabilizado pela morte da mãe, e quando na mesma sala, e nas mesmas circunstâncias, um doente em risco de vida, à espera pelo medicamento há um ano, perguntou ao ministro pelas respostas ás cartas que lhe tinha enviado. É então que se resolve o problema do medicamento, mas é também então que o deputado Miguel Santos passa a ficar a conhecido, quando pede para retirar da sala todos os doentes, que aquilo era um circo...  

Foi este pequeno gesto que o deixou famoso, ao ponto de, aguçada a curiosidade sobre tão nobre personalidade, se ficar a saber que era vice de Luís Montenegro, com quem partilhava a irmandade maçónica na famosa loja Mozart.

Agora que já é conhecido, não razão nenhuma para pôr em causa a sua reação, tão natural e tão acima de qualquer suspeita: 

"Mostrei a única coisa que tinha comigo, que era o cartão de deputado. O agente achou que eu estava de má vontade. Mostrei-me disponível para apresentar os documentos numa esquadra e, como é meu direito, fui-me embora. Eu não tinha bebido álcool, aliás, nem bebo".

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