Mais que o copo meio cheio - a Frente Nacional de Marine Le Pen não ganhou em nenhuma da 13 regiões -, ou o copo meio vazio - acabou com o bipartidarismo do sistema político em França, e tem já a expressão eleitoral do PS (28-29%) -, a segunda volta das eleições regionais francesas colocam-nos perante uma dramática interrogação: até quando?
Até quando, continuará a ser possível mobilizar frentes comuns para barrar a extrema-direita?
Até quando resistirá o dique de protecção eleitoral criado para impedir expressões maioritárias fora do sistema?
Até quando a própria radicalização da direita francesa - bem evidente em Sarkozy por estes dias - resiste a não se confundir com o extremismo xenófobo, e a acabar integrada?
Até quando será possível evitar que Marine Le Pen chegue à presidência da França?
O Benfica tinha hoje mais uma prova difícil. Deslocava-se - e sabe-se como este ano se quis criar o mito das deslocações - a Setúbal, a um elogiado Vitória, quinto classificado da Liga. E sem Gaitan, o mais talentoso e o mais influente jogador da equipa.
Não se poderá dizer que passou com distinção. Mas quase, e o quase é afinal o segundo golo que sofreu, já mesmo no fim do jogo. Porque em futebol golear é sempre ganhar com distinção: 4 a 1 é uma coisa, 4 a 2 é outra. Mas ganhou com tranquilidade, sem sobressaltos, e sem que ninguém se lembrasse de Gaitan.
Houve certamente quem se lembrasse de Carcela, que nem assim tem lugar na equipa, e que provavelmente tem guia de marcha já assinada com data de Janeiro. Apenas um carimbo no atestado de incompetência passado às contratações desta época... E houve também quem se lembrasse que afinal Durjcic ainda cá está. E que sabe jogar á bola, coisa que, por exemplo, já ninguém se lembra se o Cristante faz ou não.
A verdade, e voltando a Carcela, é que o Benfica tem hoje três alas a jogar. E um quarto, o Salvio, prestes a regressar. Espera-se e saúda-se... Porque o Pizzi não é, como nunca tinha sido, o oito que o anterior treinador quis que fosse. É, como sempre foi, um ala. Com algumas particularidades, mas um ala. Como se está a ver, transformando-se no jogador com a influência que hoje tem na equipa, quando há pouco era um dos descartáveis, e o exemplo vivo das fraquezas do plantel.
E o oito, claro, já ninguém tem dúvidas: é o miúdo sensação, o Renato Sanches. Quer tudo isto dizer que da cidade do Sado chegaram também hoje boas notícias para o futuro do Benfica neste campeonato. Longe, apesar de tudo, de estar perdido. Com o que se está a ver, e com os desejados regressos do Sálvio e do Nelson Semedo, só fica a faltar, para tratar já em Janeiro - esperemos que finalmente de forma competente - um velho problema na lateral esquerda.
Ontem, Cavaco dizia que estávamos no caminho certo, com tudo a correr às mil maravilhas. É só manter o rumo, e deixar seguir em piloto automático...
Hoje, no fim da reunião do Conselho de Ministros, o ministro das Finanças anunciou que "são necessárias medidas adicionais para cumprir a meta do défice". Que, como se sabe, tem que ficar abaixo dos 3%. Quando o governo anterior a tinha fixado em 2,7%, jurando sempre a pés juntos que esse objectivo nunca estaria em causa.
Se não estava, ficou. E é já o maior e o mais aterrador dos esqueletos que Portas, Passos e Maria Luís deixaram escondidos no armário.
Na verdade não é nada de surpreendente. Nunca, em nehum dos cinco orçamentos que apresentou, aquela gente conseguiu cumprir o objectivo do défice. E dos outros nem é bom lembrarmo-nos...
Já quase tínhamos saudades... Mesmo que não se tenha mantido calado por muito mais que uma semana. Nem sei como iremos passar sem as suas provocações... Sim, porque aquilo que andamos há tanto tempo a ouvir de Cavaco não são simples disparates pronunciados com mais ou menos rancor, e invariavelmente com pouca sensatez e ainda menor consistência. São provocações, é a maneira que ele encontra de se meter connosco. De nos dizer que está vivo e que nós, apesar dele, também. Vamos resistindo...
Pois... Já andam nas camisolas do Chelsea, e não será certamente por pouco dinheiro. Agora, depois da Emirates, chegam também à Luz. Exactamente à Luz, à Catedral...
Não é para a baptizar: chama-se naming!
E fala-se em mais 100 milhões, 10 milhões por cada um de 10 anos. Estádio da Luz, Yokohama... Não custa nada a dizer e vale muito dinheiro. É de pneus, e daí?
Lembra-me aquela anedota do tipo que era "apanhado" por marcas e que encontra um amigo que há muitos anos não vê. A partir do "sacramental o que é feito de ti" fala das duas filhas: a Nívea e a Gillette. Quando o outro lhe diz que tem uma filha, que se chama Maria, responde: ah... foste para as bolachas...
É verdade que, de Donald Trump, o candidato à investidura republicana para as presidenciais americanas, já nada nos surpreende. Nem mesmo aquilo que a nossa capacidade de imaginação como, por exemplo, fechar a internet: a "sua" solução para acabar com o radicalismo. Que não o seu próprio, esse nem fechando a internet!
NInguém, por isso, ficou muito surpreendido com a sua proposta de proibir a entrada de muçulmanos na América. As palavras e as ideias de Trump não o desqualificam apenas como "candidato a servir como presidente", na expressão eufemística utilizada pela Casa Branca. Qualificam-no como lixo. Pior que lixo: trampa!
Dividir os pontos com o Atlético de Madrid nesta fase de grupos da Champions seria o melhor que se poderia esperar. À partida dava-se por certo que o primeiro lugar estava reservado para a equipa de Simeone, e que ao Benfica caberia discutir com o Galatasaray o segundo lugar, para garantir o apuramento.
A brilhante vitória em Madrid, à segunda jornada, alterou as contas e, não tivesse o Benfica perdido - mal, muito mal mesmo, como o prova o facto de ter sido o único jogo que a equipa turca ganhou - o jogo na Turquia, e com isso dividido os pontos também com o Galatasaray, alteraria até o destino escrito nas - pelas - estrelas.
Para alterar o destino, o Benfica não podia perder o jogo de hoje. O empate bastava-lhe, mas percebeu-se a força que o destino tem. Este Benfica pode ganhar um jogo a este Atlético de Madrid, como ganhou. Mas, ganhar dois em dois, é altamente improvável.
O Benfica apenas se superiorizou no primeiro quarto de hora e no último. No primeiro, com o jogo a jeito: calmo, sem intensidade, com a equipa de Madrid na expectativa e o Benfica a segurar a bola - o que é já um avanço - a jogar para os lados. No último, com a revolta daquele menino de 18 anos, que carregou a equipa às costas, com a ajuda do golo de MItroglu. No resto do jogo, simplesmente não houve comparação entre uma equipa de excelentes jogadores - nem só os nomes mais sonantes são jogadores de excelência - que sabe de olhos fechados o que tem para fazer e outra, com dois excelentes jogadores e mais dois ou três bons jogadores, quase sempre perdida à procura do que tem para fazer.
No fim cumpriu-se o destino. E fica o apuramento, apenas manchado pela derrota na Turquia, e a honra de ter rigorosamente dividido o resultado com uma equipa claramente de outra dimensão.
Aprovado o programa de governo, ultrapassada toda a excitação que marcou este último mês e de regresso à normal espuma dos dias, aí temos António Costa de volta à quadratura do círculo.
Não, não estou a dizer que esteja de regresso a essa velha tertúlia mediática que a televisão herdou da rádio, e donde saiu exactamente para chegar onde está. Não estou a dizer que vá voltar a sentar-se na cadeira que deixou para o Jorge Coelho, onde é bem melhor na arte de mexer os cordelinhos da intriga política. Estou mesmo a falar do velho desígnio do PS que tende a eternizar-se na missão impossível de dar ao círculo a forma de quadrado.
Aí está, logo na primeira entrevista como primeiro-ministro: "Não temos condições para eliminar integralmente a sobretaxa para todos". O problema é que, não eliminar a sobretaxa para todos, é precisamente não eliminar a sobtretaxa. Porque eliminá-la para os 2/3 que pagam 67 cêntimos por ano, não resolve nem uma coisa nem outra. E mantê-la apenas para os 0,23% dos portugueses que têm rendimentos anuais acima dos 80 mil euros não resolve as tais condições financeiras.
Acreditem que cheguei a pensar que António Costa estivesse decidido a aplicar-se noutros exercícios. Para andar às voltas com a quadratura do círculo mais vale entreter-se com as palavras cruzadas. Pelo menos poupa-nos à demagogia!
Marine Le Pen - diria que sem surpresa - ganhou a primeira volta das regionais francesas. Para agora evitar a tomada do poder pela extrema direita francesa é necessário repetir o que aconteceu há anos, quando o pai ganhou também a primeira volta das presidenciais, obrigando à união da esquerda e da direita na segunda volta.
Dessa vez ganhou Nicolas Sarkozy. Desta vez ... também, ao que parece.
A Frente Nacional da extrema direita xenófoba ganhou agora com 30% dos votos, que na região norte, de Calais, passou dos 40%. Resta saber se por ser a região de origem dos Le Pen, se por ser onde estão instalados os desumanos campos de refugiados...
PS: Depois da chamada de atenção num comentário abaixo venho corrigir e apresentar as minhas desculpas: Sarkozy ganhou em 2007, à socialista Ségolène Royal. O episódio referido ocorreu nas eleições anteriores, em 2002 com Chirac.
Pouco importa que o Benfica continue a jogar como tem feito: sem galvanizar, sem intensidade, sem velocidade, sem ritmo. Pouco importa que tudo isso seja aqui ou ali iludido com registos de inegável classe com que Gaitan ou Jonas conseguem encantar a plateia. Pouco importa que o árbitro tenha assinalado dois penaltis a favor do Benfica - tantos quantos tinham sido assinalados nos 11 jogos anteriores - a lembrar a passada segunda-feira passada: um igualzinho àquele que em Braga o árbitro não quis assinalar, e outro que irão querer fazer passar por igulazinho a outro que outro árbitro assinalou em Alvalade ao minuto 94. Mas com o qual pouco tem na realidade a ver...
Nada mais importa quando o miúdo que está a encantar a Luz faz um golão daqueles. O seu primeiro, na sua primeira vez como titular na Catedral. Soberbo: faz esquecer tudo!