Não sei se hoje é o dia em que a política externa de Trump, se é que existia, mudou. Sei que o ataque americano desta madrugada na Síria é, mais que um enfrentamento, um afrontamento a Putin. Tido por aliado de Trump. Que, por sua vez, só apontava para a China quando lhe falavam de inimigos geo-estratégicos. E que acontece poucas horas antes de receber o líder chinês, com os olhos postos em Pyongyang...
O tema dos bancos - do sistema financeiro – voltou às primeiras páginas, curiosamente quando, olhando para a agenda política, o vemos assinalado com este símbolo de visto, que dá os assuntos como resolvidos.
Quer o Presidente da República quer o governo, dão como concluída e arrumada a questão. E com sucesso! O presidente ainda há um ou dois dias atrás salientava o notável trabalho feito em apenas oito meses…
Na verdade não está concluída. E muito menos arrumada…
Dificilmente se arruma um tema onde já enterramos 13 mil milhões de euros. E onde, só o Novo Banco, o banco bom do BES – recorde-se – lhe vai acrescentar mais 11 mil milhões de euros. Onde nem a péssima – mas, ao que dizem sem alternativa - solução que foi encontrada está, mesmo assim, dada por adquirida.
Onde está ainda a recapitalização da Caixa Geral e Depósitos, a passar pelo pagamento de juros de quase 11%. E onde, já não dá mais para esconder, continua o problema Montepio por resolver.
Um problema com cada vez mais semelhanças com o BES. Na altura o Banco estava bem, os problemas estavam apenas no grupo, dizia então toda a gente, do Presidente da República ao primeiro-ministro, dos ministros aos jornalistas da especialidade. Agora inverte-se a relação, mas não é muito diferente o que se ouve… Mesmo que Mário Centeno não tenha embarcado, respondendo que confiava no seu trabalho, quando questionado se confiava no Montepio.
Parece-me no entanto que a mais preocupante semelhança está na obsessão do Banco de Portugal pela marca. Não se percebe por que decidiu impedir o banco de utilizar a marca Montepio, e obrigando-o a procurar uma nova e retirando-lhe, sem que se perceba por quê, provavelmente o seu maior activo.
Já assim tinha acontecido com o BES quando, na resolução, o Banco de Portugal destruiu e deitou fora uma marca avaliada em centenas de milhões de euros, que substituiu por uma marca transitória, uma ideia que choca de frente e com violência contra os mais elementares princípios do marketing e da comunicação.
Parece que não aprendeu nada, este governador do Banco de Portugal... E, esse, é outro problema!
É um bocado como o ovo e a galinha: não se sabe quem surgiu primeiro. Não sei se é o futebol que copia a política se, pelo contrário, é a poítica que copia o tutebol. No seu pior, evidentemente.
Quando olhamos para a fita que o PSD ontem fez no Parlamento fica-nos a ideia que a política anda a ver muito futebol. E que o deputado António Leitão Amaro - os outros dois, só mesmo na fotografia lhe ficam atrás - se fosse jogador de futebol, estava sempre no chão. Ora a rebolar-se e a contorcer-se, ora esticadinho, depois de um mergulho a preceito...
Mas é bem possível que estas fitas venham muito de trás, e que só mais tarde tenham sido importadas para os relvados. O desporto, e o futebol em particular, era antigamente uma escola de virtudes... Coisa que não consta que a política alguma vez tenha sido!
Era um dos muitos processos envolvidos na mega fraude do BPN, e aquele que mais publicamente expusera o comendador, ex-ministro e ex-conselheiro de Estado (tudo obra de Cavaco Silva, como se sabe, há bem pouco abençoada por Passos Coelho, como também se sabe), responsável pelo desaparecimento de milhões de euros do BPN/SLN, envolvendo a venda de uma sociedade (REDAL) em Marrocos, e a aquisição de uma participação numa outra de Porto Rico (Biometrics).
O Ministério Público deu como provado tratar-de uma engenharia financeira extremamente complexa, de decisões e práticas de gestão que suscitaram suspeitas sérias sobre os reais fundamentos dos negócios, que envolveram pagamento de comissões não justificadas, tudo com a subtracção de milhões de euros ao BPN, aravés de crédito concedido a sociedades instrumentais ou de capital para a Biometrics.
Nada disso, no entanto, é suficiente para produzir acusação. No despacho de arquivamento, o Ministério Público garante não ter sido possível identificar, "de forma conclusiva, todos os factos suscetíveis de integrar os crimes imputados aos arguidos".
O cidadão comum olha para isto e percebe que o Ministério Público é muito competente. Tão competente que é capaz de perceber, decifrar e até provar complexas engenharias financeiras, de descobrir burlas, burlões e comissões. Até pode perceber que, depois, não consiga provar "de forma conclusiva todos os factos". Mas, nem um? Nem um único facto que sustente uma única acusação, de um único crime?
Com todo o cuidado, tranquilizou toda a gente e juntou na solução o governo actual e o anterior. E destrunfou Passos e Cristas que, depois de esconderem a banca da troika, de esconderem o BES de toda a gente por causa da saída limpa, e de renovarem o mandato do governador do Banco de Portugal, para se esconderem atrás dele sem comprometerem a campanha eleitoral, queriam agora convencer o pessoal que não têm nada a ver com isto, que é tudo obra do governo socialista.
Mesmo assim, no fim, não conseguiu resistir a pôr as mãos no lume pela solução, no que toca à protecção dos contribuintes. Tal e qual como tinha tinha dito que Centeno fazia cá muita falta... Está-lhe na massa do sangue, não há nada a fazer...
O problema não é que a prestigiada Drª Teodora não consiga dizer que se enganou. Nem que não acha graça nenhuma a este governo. O problema também não é que a Drª Teodora ache que melhor seria que não saíssemos do procedimento por défice excessivo, poque "seria péssimo lá voltar a entrar no ano seguinte ”. O problema é que a Drª Teodora aponta para este ano um défice de 1,7%.
Isso é que nos deixa em pânico. Que não sejamos capazes de articular a sua previsão com o risco de regresso ao défice excessivo, não nos preocupa nada. Isso faz parte das nossas limitações naturais. E contra elas não há nada a fazer...
A selvática agressão ao árbitro por parte de um jogador do Canelas, no jogo de hoje com a equipa do Rio Tinto, a contar para um campeonato distrital do Porto, chocou o país. Mas não o surpreendeu, ou pelo menos não surpreendeu a parte do país que mais de perto acompanha estas coisas da bola índígena.
Diria mesmo que este era um acto anunciado pelo ambiente de impunidade instalado á volta do futebol em geral, e em particular pela impunidade na equipa de futebol do Canelas, patrocinado pela Associação de Futebol do Porto.
Esta equipa é constituída por elementos dos Súper Dragões, e tem como capitão precisamente o líder da claque que, dentro do mesmo ambiente de impunidade e de branqueamento, vem gradulamente assumindo crescente protagonismo no miserável panorama do futebol português, com o ponto alto nos últimos dias.
Há muito que correm imagens da violência em que os jogadores do Canelas transformaram o que deveriam ser apenas jogos de futebol. A tal ponto que quase todos os adversários que disputam essa competição distrital passaram a recusar-se a comparecer aos seus jogos. Com isso, o Canelas, com sucessivas vitórias por falta de comparência, comanda e domina a classificação.
Tudo e sempre com a complacência da Associação de Futebol do Porto, de Lourenço Pinto. A impunidade deu nisto, na maior vergonha do futebol português. A mesma impunidade que marca grande parte da actividade dos Súper Dragões. E ainda a mesma com que o seu líder relata em livro as aventuras de terror que tem espalhado pelo país.
Em dia das mentiras, no clássico a mentira foi o resultado. Tudo o resto foi verdade!
Foi verdade que o Benfica foi melhor. Foi melhor quando foi melhor, quer dizer, o melhor do Benfica foi melhor que o melhor do Porto. E foi melhor durante muito mais tempo. Foi melhor porque teve muito mais domínio, e foi melhor em todas as variáveis que medem o jogo. E criou muito mais oportunidades de golo!
É esta verdade que faz a mentira do resultado. Só e apenas!
Foi verdade - é verdade - que o Porto festejou o empate como se fosse uma vitória que lhe desse o título. Mas a verdade é que não se percebe por quê. A única explicação é o alívio por não terem perdido o jogo!
Em matéria de festejos, nota máxima para Maxi Pereira. É verdade que, por respeito ao passado, há jogadores que não festejam os golos quando marcam aos seus antigos clubes. Maxi não é dado a esses sentimentos: festejou o golo que marcou, festejou os golos que Casillas negou, e festejou como ninguém o empate. E fez muito bem!
Os inusitados festejos do Porto, a terem explicação, trazem-nos à memória a época passada. O Benfica também estava a um ponto do Sporting, e à partida para o jogo de Alvalade não havia benfiquista que não considerasse que o empate, nesse jogo, seria um bom resultado. Acreditavam no calendário, e o do Benfica era teoricamente bem mais fácil que o do Sporting. Que, recordo, teria de jogar no Dragão e em Braga. Provou-se que, tivesse o Benfica logrado o tal empate que era bom resultado, e não teria sido campeão. Porque, e faltavam então muito mais jogos que agora, nem um nem outro desperdiçaram um ponto que fosse.
Independentemente das verdades e das mentiras este jogo foi um bom espectáculo de futebol. Bem jogado, num estádio bonito e cheio que nem um ovo. O Porto mostrou algum medo, ao contrário do que vinha apregoando. Reforçou o meio campo, e como só podem jogar onze, jogou com um único ponta de lança, deixando o André Silva no banco. E quando entrou foi para Soares sair. Não admirou por isso que o Benfica tenha entrado dominador, e chegado bem cedo ao golo, na transformação de um penalti - indiscutível e indiscutido - assinalado logo aos cinco minutos.
O golo obrigou o Porto a alterar as ideias. E conseguiu reagir, equilibrando o jogo a partir do equlíbrio na disputa da bola, sempre com muito recurso à falta. O primeiro remate do Porto só chegou perto da meia hora, e o Benfica nunca perdeu o controlo do jogo.
Não deu para perceber se o Porto entrou melhor na segunda parte. Pela simples razão que o Benfica entrou desastradamente. Foram três minutos inacreditáveis, em que o Benfica não acertou um passe. Foram apenas três minutos, é certo. Mas foram o suficiente para sofrer o golo do empate. Um golo inacreditável, como inacreditáveis foram aqueles primeiros três minutos. Que o Benfica pagou bem caro!
Depois, de imediato, o Benfica voltou à mó de cima e partiu para uns restantes 42 minutos de muito bom nível. Com uma equipa a querer ganhar e a outra a não querer mais que não perder. Com uma equipa a somar oportunidades de golo e a outra a somar entradas duras para parar os adversários.
Os golos é que não voltaram. Porque Casillas repetiu a exibição do ano passado, porque Luisão - mais uma grande exibição do velho capitão - , Jonas, Pizzi e Mitroglou foram perdulários, e porque, quando não era nem uma coisa nem outra, lá esteve a pontinha de sorte. Que faz parte do jogo!
E no fim o Porto fez a festa.... Quando continua em segundo e já não depende de si próprio. Mas lá que há lá fezada, há!