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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Nisto dos festivais, de novo só a desistência...

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A notícia do dia é que Diogo Piçarra, o promitente sucessor do Salvador Sobral, desistiu do festival da RTP a que se candidatara com uma canção original - como é do regulamento - que a IURD plagiara a uma outra igreja evangélica americana.

Provavelmente é por isso, por se tratar de um orignal em cima de dois plágios, que o escândalo rebentou. Não terá sido por ser uma cópia tão fiel, tão igualzinha que passou despercebida ao júri, que não é obrigado a acompanhar os cultos religiosos, sejam eles quais forem. Mesmo que - acredito - todos os membros do júri saibam que muita da melhor música da América veio daí.

Não é nada de novo. De novo, mesmo, só a desistência do "autor". Se nos lembrarmos, como hoje recordava Rui Cardoso Martins na sua crónica na Antena 1, aqui há uns anos um tal Armando Gama também concorreu - e ganhou, e foi à Eurovisão - transformando uma pequena loucura de 1975 do Paul Simon ("steel crazy, after all these years") numa "linda, linda esta balada que te dou". 

Foi há 35 anos (como o tempo passa!). E não havia internet. Essa é a pequena diferença. A grande é que é, apesar de tudo, pode aceitar-se que a um júri destes possam escapar algumas coisas da música de cultos religiosos. Mas não se pode aceitar que lhe possa escapar a música do grande Paul Simon! 

Uns aprendem depressa. Outros, nem por isso!

 

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Não é uma daquelas notícias que enchem as primeiras páginas dos jornais, mas não deixa de agitar muita coisa. E deveria  pelo menos cobrir as capas da imprensa especializada...

O multimilionário chinês LI Shufu, dono do grupo automóvel Zhejiang Geely, que comprou a Volvo à Ford em 2010, é o maior accionista da Daimler Benz, o fabricante da Mercedes. Com 7,3 mil milhões de euros ficou com praticamente 10% do capital do gigante alemão...

Mas não é esta a parte que é notícia de primeira página, mesmo que ainda seja notícia. Mesmo que já seja mais "o cão a morder o homem" do que "o homem a morder o cão". Cada vez nos vamos surpreendendo menos com a apropiação pela China do adjectivo "maior". Vai batendo recordes, e nós vamos vendo isso cada vez com mais normalidade.

O que deveria ser notícia gorda é a forma como Li Shufu financiou a operação. O que deveria ser capa, pelo menos nas publicações especializadas, é que o maior accionista da Mercedes (assim, para faciitar a capa) financiou a operação com dívida, garantida pelas próprias acções que comprava. 

Ora bolas... Também isto não deixa de ser "o cão a morder o homem". Há muito que por cá se faz disso. Não é Sr Comendador Joe Berardo?

Pronto. Talvez a notícia deva simplesmente ser que "pode correr mal". Mas isso já não seria notícia ... Seria um aviso. Um aviso a incertos porque, afinal, notícia seria ficarmos a saber quem é que deveria ter sido avisado. Assim só ficamos a saber que, uns, aprendem depressa. Outros, nem por isso!

 

Não tem comparação!

Capa do Jornal Negócios

 

É já indesmentível que o país é procurado por empresas da nova economia, que aqui procuram e encontram condições para instalar os centros de investigação e desenvolvimento que lhes sustentam o seu negócio pelo mundo fora. A Google, já se sabia, vem aí. A Devexperts, um gigante com 6 milhões de clientes, na área das plataformas digitais para o sector financeiro, acaba de anunciar que vem para o Porto. E vêm aí mais, a acreditar no trabalho da Aicep...

Não é preciso recuarmos muitos anos para vermos o país a ser procurado por outro tipo de empresas, que aqui procuravam mão de obra barata, isenções fiscais e fundos comunitários. 

A diferença é tão grande que nem tem comparação.

Alternativa à direita

 

Muito difícil, como é habitual, esta deslocação a Paços de Ferreira. Deixando-se trair pela esquerda - não, não é de política  que se está a falar - o Benfica somou dificuldades às dificuldades naturais que o Paços sempre lhe coloca.

Foi pela famosa e endiabrada ala esquerda que o Benfica se deixou apanhar. O Paços tinha a lição bem estudada (percebeu-se também pela forma como defendeu os cantos), e tratou de engasgar a máquina de futebol do Benfica secando aquela asa esquerda. Com muita gente e muita pressão.

Se a ideia era cortar o abastecimento à sua grande área e evitar o golo, a coisa correria ainda melhor rendendendo-lhe mesmo um golo. Logo no início, em resultado directo dessa estratégia, e na única vez em que chegaria à baliza do Benfica. Com a pressão, Grimaldo perdeu a bola. Depois só conseguiu correr atrás dela, até a ver entrar na baliza de Varela, também ele surpreendido.

O Benfica tardou a perceber que, se não tinha esquerda, teria que ter direita. Metade da primeira parte foi assim, e assim, os jogadores do Paços estavam confortáveis no jogo. Corriam, impunham o físico, discutiam as bolas todas e ganhavam a maior parte delas. Devo desde já dizer que gosto de jogadores assim, não gosto nada é de jogadores como foram os do Estoril na passada quarta-feria (nem eu nem o próprio treinador do Estoril, ao que disse). Mesmo que, com 10 guerrilheiros e um terrorista - o Rúben Micael é mais do género terrorista -, tenham obrigatoriamente que ultrapassar os limites da agressividade.

Quando percebeu que havia alternativa à direita o Benfica descobriu ... Rafa. Estava lá, e estava lá para dizer que estava grato por não terem desistido dele. E então sim, o futebol do Benfica foi crescendo até chegar ao patamar a que nos tem habituado, e recuperar Cervi. Os últimos cinco minutos da primeira parte foram de um sufoco terrivel mas, por maiores que fossem as oportunidades, a bola não entrava. Havia sempre mais uma perna, mais um milagre, e o intervalo soou a um gong que salvou um Paços agarrado às cordas.

A segunda parte arrancou logo com mais uma grande oportunidade, a prometer que o sufoco era para continuar. E assim foi, com um jogo de sentido único. O Paços fizera o golo e rigorosamente mais nada que defender. Defender de toda a maneira e feitio. E resistia, resistia tanto como a bola a entrar na baliza. Ou como o árbitro a marcar um penalti...

Rui Vitória ia metendo mais gente na frente. Meteu-os todos. Primeiro, ainda bem cedo, o Raul, tirando Zivkovic, provavelmente condicionado por um inacreditável amarelo, logo no início do jogo (Pizzi seria mais tarde brindado com outro, não menos inacreditável). Finalmente o golo. De Jonas, assistido pelo Raul, a cruzamento de Rafa. Faltavam 20 minutos para o fim, e Jonas correu com a bola para o centro. Em vão, porque não bastava que o treinador adversário fizesse uma substituição para retardar o recomeço. Os imbecis das tochas também trataram de fazer o mesmo!

Com isso o tempo foi passando, e o ímpeto do golo quase que também. E chegou a vez de Seferovic, quer dizer, do desespero. Que daria de pronto e finalmente no segundo, a dois minutos dos 90, embrulhado numa tabela Jonas-Raul-Seferovic-Jonas. A marcar, como só ele sabe. A festa, finalmente!

O terceiro, já dentro dos 7 minutos de compensação (deve ser por causa das coisas), não veio pôr justiça no resultado, porque para isso eram precisos mais três ou quatro. Veio pôr justiça na exibição do Rafa, com mais uma assistência do Raul. Para acabar em beleza, com o golo que tanto teimava em fugir!

Sem ganhar nada, o Benfica hoje ganhou muito. E ganhou o Rafa!

 

 

 

União mais unida, não há!

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Logo a seguir ao congresso da união e de todas as promessas de união, ao congresso dos soldados humilde e empenhadamente ao lado do líder, ainda a tenda não estava desmontada e já, no Parlamento, os deputados do PSD declaravam a guerra civil. Com um atestado de humilhação a Fernando Negrão e a dizerem a Montenegro para se despachar.

União mais unida, não há. Nem soldados mais soldados...

Sem limites*

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Na semana passada, na Florida, perto da cosmopolita Miami, um rapaz de 19 anos entrou pela escola donde tinha sido expulso e, de semiautomática em punho, espalhou o terror e matou 17 pessoas.

Era o 18º tiroteio do ano, numa escola. Em menos de mês e meio. Nos últimos cinco anos, em escolas, foram 300, com mais de um milhar de mortos. À média de 60 por ano, 5 por mês, ou 1 por semana!

A América – os Estados Unidos, porque o Canadá, logo encostado já é outro mundo – tem a tradição do uso e porte de armas. Vem da sua curta História, como sabemos, é parte da sua fundação. Como tem outras tradições nada recomendáveis, cultivadas no que se chama a América profunda. Mas tem, acima de tudo, uma fortíssima indústria de armas, que nasceu daí, e que constitui o mais poderoso dos poderosos lóbis americanos. Que faz com que qualquer rapaz – ou rapariga, aí não há diferença de género – que não pode comprar um bilhete de lotaria, ou uma raspadinha, uma cerveja, um maço de cigarros, ou uma revista pornográfica possa comprar, na hora e sem demais, uma arma capaz de vomitar dezenas ou centenas de balas por minuto, com capacidade para matar centenas de pessoas em escassos segundos. Que faz de qualquer miúdo minimamente desequilibrado um terrorista!

O assunto – a completa desregulação da venda de armas – está permanentemente na agenda política. Mas nunca sai daí. Democratas e republicanos deixam sempre tudo na mesma. O Congresso, que acima e antes de tudo representa lóbis, não permite que se lhe toque.

Depois, há presidentes, como Obama, que mesmo sem conseguirem alterar nada, apontam o dedo. Denunciam. E há Trump. Para quem nada disso está em causa e, pelo contrário, tudo se resolve vendendo mais armas.

Foi o que o disse ao receber sobreviventes e familiares das vítimas do tiroteio da semana passada, apontando que a solução passa por armar os professores. Que “um professor armado teria disparado sobre o atirador e acabado com aquilo tudo muito depressa”. Que “para um maníaco, uma zona livre de armas é um convite ao ataque, porque sabem que ninguém vai disparar de volta”.

É isso. Quando pensamos que Trump já não nos consegue surpreender, ei-lo sempre pronto a ir mais além. Para ele, a imbecilidade não tem limites, e o mundo pode sempre recuar in saecula saeclorum...  

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

É de Trump!

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Quem pensasse o contrário estaria enganado. Trump está preocupado com os tiroteios nas escolas americanas. Bom, se calhar não são os tiroteios que o preocupam... 

Já tinha sido claro quando, na reacção ao assassínio de 17 pessoas naquela escola da Florida, na semana passada, negou o problema do acesso a armas, para enfatizar o do perfil psicológico do assassino. Agora, com a sua proposta para resolver o problema, fecha o ciclo. Isto resolve-se - aponta Trump - armando os professores.

Professores devidamente armados defendem-se a si próprios, e defendem a escola. É bom para eles. E para os alunos. E para a escola. E é acima de tudo bom  para o negócio! 

É de Trump. Sem dúvida!

Polícias e ladrões

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Volto ao tema de ontem porque, hoje, ficou a saber-se que o Ministério Público confirmou os 13 responsáveis pela insolvência culposa do BES, entre eles Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, José Manuel Espírito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo, José Maria Ricciardi e Joaquim Goes, alguns que, como se sabe, não tinham nada a ver com aquilo e até continuavam à frente de bancos. 

A ligação desta notícia ao tema de ontem surge exactamente no ponto em que são responsáveis (responsáveis sem que sejam responsabilizados, porque nada de mal lhes vai acontecer, fiquem descansados) por ter contribuído para gerar o prejuízo total de 5,9 mil milhões de euros. Ou seja, nada de muito diferente do que, em apenas três anos, aconteceu no banco bom, no Novo Banco.

Quando, como aqui sempre se fez, se aponta o dedo ao Banco de Portugal em todo o descalabro BES/Novo Banco, os (muitos) defensores de Carlos Costa vêm logo a correr dizer que se está a ignorar o ladrão e a culpar o polícia. A partir de agora é bem possível que passem a ter mais dificuldades com esse argumento. Não sabemos se o polícia roubou tanto como o ladrão, o que sabemos é que os danos são iguais!

 

 

 

Fazer contas às contas

 

 

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As contas de 2017 do Novo Banco, já vendido à Lone Star, estão com alguma dificuldade em mostrarem-se à luz do dia. Percebe-se por quê. Não é novo. Novo é o Banco!

É que assim vão-se soltando uns números, e quando elas forem finalmente conhecidas já está criada a almofada - nestas coisas há sempre uma almofada, provavelmente ainda a mesma que Cavaco apregoava nas vésperas da catástrofe que deu no nascimento do banco - que os vai aparar, para que o estrondo seja suavizado. Ontem falava-se numas centenas de milhões de euros de prejuízos, hoje já se fala em qualquer coisa entre 1,6 e 1,8 mil milhões...

Porque já se sabe - mesmo que se não soubesse - quem vai ter de cobrir aquilo tudo. E não é o dono do banco, porque Banco, por definição, é isso mesmo. É o negócio onde o dono só ganha. Quando perde, não é nada com ele!

Por isso é que temos que entender que um banco que era o "bom", que ficou apenas com o que de bom restara da vigarice Espírio Santo, sem outro passivo que não fosse o dos depósitos, e ainda com 4,9 mil milhões de euros fresquinhos que o Fundo de Resolução nem tinha, mas que nós lhe demos, em apenas três anos tenha dado cabo desse dinheiro todo e arranjasse ainda forma de lhe acrescentar outro tanto em prejuízos.

Dos gestores do banco nestes três anos, de Stock da Cunha a António Ramalho, só ouvimos dizer maravilhas. Ambos mais que excelentes. E no entanto, num "banco bom", capitalizado, e num negócio que como nenhum outro "tem a faca e o queijo na mão", o primeiro conseguiu a proeza de perder 468 milhões de euros em menos 4 meses de actividade em 2014 e 981 milhões no ano seguinte. E o segundo, 788,5 milhões em 2016 e, ao que por enquanto se vai dizendo, mais 1.800 milhões em 2017. Se não fossem tão bons, como teria sido?

Claro. O Banco de Portugal não é apenas o criador da criatura. É - tem sido - também o dono do Banco. E ... lá está. Dono do Banco não tem nada a ver com isso!

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