Volta a falar-se do Facebook. Porque usa a infinita informação que lhe entregamos para os mais ilegítimos fins. Usa e é usado, abusando de uma estranha relação de confiança que impôs às pessoas. A ponto de lhe confiarem toda a intimidade, de com ele partilharem todos os seus segredos. Para isso, para conquistar essa relação de confiança, sempre se apresentou como pessoa de bem, nascida do bem e benfazeja.
Para a reforçar, por cada vez que falha, começa por dizer que nada de grave falhou, para logo depois jurar que vai melhorar e prometer não voltar a falhar. Como um(a) namorado(a), quando faz porcaria...
Se tudo o que se está a falar do Facebook se ficar pelos 40 mil milhões de dólares de capitalização perdidos nos últimos dois dias, é pouco. Muito pouco, rapidamente os recupera, logo que disto se deixe de falar. Muito, se calhar decisivo, seria se acabasse por romper com tão estranha relação de confiança. Se, quebrada essa relação de confiança, as pessoas se passassem a reservar mais, a expor-se menos. Mas, fundamental, e verdadeiramente importante, seria que a quebra dessa relação de confiança levasse as pessoas a deixar de acreditar em tudo o que lá vêem.
Já era um bom ponto de partida para que este fosse apenas mais um extraordinário instrumento de aproximação das pessoas!
Entretanto, a Prima mais desejada da época está a chegar. É a Vera, vem disfarçada de equinócio e toda airosa, toda ela graça. E fresca como só ela... Dá cá um abraço PrimaVera!
Do fim de semana sobram as notícias da reeleição de Putin, e a demissão de Feliciano Barreiras Duarte, mais conhecido por "Nanito". O que é têm em comum?
Muita coisa. Estavam garantidas, não constituem surpresa nenhuma. Estão ambas recheadas de histórias aterrorisadoras. E mostram como tudo isto está perigoso e mal frequentado.
Inesperada é a notícia da sondagem que dá a Assunção Cristas o quinto lugar, com uns expressivos 6,6% de intenções de voto. Logo a seguir ao congresso do CDS, mantido no topo da actualidade por toda a semana, quando já toda a gente acreditava que tínhamos mulher, uma sondagem com estes resultados ... Nem devia valer!
Benfica tinha hoje mais uma final. Desta vez na Feira, na última visita ao Norte (as saídas de Lisboa, para norte, são sempre ao Norte), num jogo tido por elevado grau de dificuldade. Bem apregoado, e com rábulas várias, a começar na dos bilhetes.
Terá no entanto sido o mais fácil dos últimos jogos do Benfica, com um resultado que não tem nada a ver com o que se passou no campo. Mesmo sem ter feito uma grande exibição, que não fez, a superioridade do Benfica foi absolutamente evidente durante todos os minutos do jogo. Que começou a construir-se logo no pontapé de saída - o Benfica empurrou o Feirense lá para trás, para a sua baliza, e não mais lhe permitiu que de lá saísse. Com a equipa azul remetida à sua área, o Benfica usou preferencialmente as alas para conduzir a bola para a finalização. Os cruzamentos sucediam-se, como se sucediam os cortes da defesa adversária. E os cantos. Remates é que poucos. Muita construção para pouca finalização, porque faltava presença na grande área sobrelotada de jogadores do Feirense.
Mesmo assim meia dúzia de oportunidades de golo, a mais flagrante das quais num remate de Rafa ao poste, numa das poucas jogadas pelo centro do terreno, em que o mais infeliz rematador do Benfica fez gato-sapato da desfesa adversária. Varela tocou na bola três vezes: duas para a repôr, em dois pontapés de baliza, e uma para a recolher de um balão da defesa feirene.
Chegou-se assim ao intervalo. Assim, e com a expulsão de um jogador do feirense - Tiago Silva. Inevitável: depois de um primeiro amarelo que já deveria ter sido vermelho, fez falta por trás sobre Rafa, isolado a caminho da baliza.
A segunda parte abriu no mesmo tom, mas com o Benfica com mais qualidade. Os primeiros cinco minutos foram um sucessão de bom futebol e de oportunidades flagrantes, mas a bola continuava a teimar em não entar. Até que entrou Raul Gimenez. A provar que tinha chegado atrasado, fez golo na primeira vez que tocou na bola. E não foi por acaso, foi porque trouxe de facto novas coisas ao jogo, que o Benfica não tinha e que lhe faziam falta.
O golo trouxe outro jogo, como quase sempre acontece. O Benfica recuou e chamou o Feirense para a frente, convidando-o a abandonar o conforto da sua área. Mesmo não tendo aceite o convite sem reservas, o Feirense lá se adiantou um bocadinho uma vez por outra. Bastou isso para o Benfica encontrar espaço para as saídas rápidas, coisa nova no jogo, e para que Rafa, que já era o melhor em campo, se passasse a sentir como peixe na água. E a continuar a mandar bolas ao poste, a continuar a perder duelos com o guarda-redes, e até a marcar. O segundo do jogo e o seu segundo no campeonato. Faltava jogar o último quarto de hora, e faltava o golo de Jonas.
Esperou-se, esperou-se ... mas não apareceu. Mas não foi por falta de oportunidades, nem por ter sido seguido à pedrada. Foi porque ... há dias assim. E hoje foi dia de a bola se embeiçar pelos postes - por três vezes foi bater no lado errado do poste -, pelas pernas dos jogadores e pelo próprio guarda-redes do feirense.
No fim, ficou um resultado escasso para tanto futebol. Mais umas entradas maldosas sobre jogadores do Benfica, mas apenas mais uma expulsão, mesmo já no fim. E tanta superioridade. Num jogo em que o Varela foi mais um dos milhares de espectadores benfiquistas. Com a vantagem de não ter sido obrigado a pagar um preço escandaloso pelo bilhete!
A América sempre foi dada por terra de oportunidades, pelo símbolo maior do empreendedorismo, pelo paradigma da mobilidade social, pelo chamamento à aventura e pelos desafios à superação das capacidades individuais.
A sua própria história é feita disso. De gente que lá chegou que nada tinha a perder, só uma vida nova para ganhar. O sonho americano, o maior mito da América, é isto!
Encontram-se por todo o mundo histórias fantásticas de sucesso individual, de gente que do nada se fez tudo. Mas em nenhuma outra parte do mundo se encontram tantas como na América. Umas mais conhecidas que outras. E nem todas épicas… “Épicas”, não disse “éticas”. Mas poderia ter dito!
Trago hoje aqui, porque faz parte da actualidade, uma dessas histórias. E das menos épicas.
É a história de Martin Shkreli, que vem de uma família de imigrantes albaneses e croatas, que ganharam a vida a trabalhar nas limpezas. No nada, do nada!
Aos 22 anos, há apenas doze, criou um fundo de investimento e começou a enriquecer em Wall Street. Pouco tempo depois já constava da famosa lista dos sub 30 da Forbes. Mais famoso ficaria quando, em 2015, já dono de uma grande empresa na poderosa indústria farmacêutica, passou a ser conhecido pelo “homem mais odiado do mundo”, ao adquirir a patente de um medicamento para combater doenças como a Sida, o cancro ou a malária, para multiplicar o seu preço em mais de 5.500%. O resto desta história é uma sucessão episódios de fraudes e crimes financeiros e das mais insólitas extravagâncias, que culminou numa acusação de perto de uma dezena de crimes, que lhe davam direito à pena de 20 anos de prisão.
Na passada sexta-feira - faz hoje uma semana – o tribunal de Brooklyn, em Nova Iorque, deu-o por culpado em 3 dos crimes de que estava acusado e condenou-o a 7 anos de prisão.
Martin Shkreli, como já devem ter reparado, tem 34 anos...
Inviabilizada a entrada da Santa Casa da Mesericórida no capital da Associação Mutualista do Montepio (a sério porque, para salvar algumas faces, mantém-se uma participação simbólica), que tinha a cara do ministro Vieira da Silva, partiu-se para a habilidade contabilística. À boa maneira portuguesa: não há dinheiro, maquilham-se os números, e tudo se resolve. Não há 200 milhões em dinheiro, há 800 milhões em números!
A nova "marosca", mesmo pertencendo ao restrito e especial universo da Contabilidade, é facil de contar. A Associação Mutualista do Montepio, mesmo sendo a holding do Banco, é uma IPSS e, como tal, isenta de IRC, o imposto sobre os lucros das empresas. Lucros que, como se sabe, é coisa que há muito por lá não aparece. Apenas prejuízos, aos muitos milhões. Nada que impedisse a alteração da sua situação fiscal de isenta de IRC, para sujeita a IRC, e por isso a instituição liderada por Ricardo Salgado - perdão, Tomás Correia - pediu ao Ministério das Finanças que a libertasse dessa chatice de não ter que pagar impostos. Ao que o MInsitério das Finanças respondeu: "com certeza, por quem sois"!
Parece tudo virado ao contrário, não é? Um contribuinte dispensado de pagar impostos, pedir ao fisco para passar a pagá-los, é coisa que não cabe na cabeça de ninguém. Errado. Cabe na cabeça de Ricardo Salgado - lá estou eu outra vez, desculpem, na de Tomás Correia. Não para pagar impostos, porque não tem lucros. Mas para deixar de os pagar no futuro, quando e se alguma vez vier a ter lucros nos quais irá abater, para contas de impostos a pagar, as centenas de milhões de prejuízos que o colocam na falência, e reconhecer agora no Balanço o que então, nesse futuro hipotético, poderá vir a deixar de pagar.
O leitor menos familiarizado com estas coisas interrogra-se-á: mas isto é possível?
É! Faz parte das regras e dos "princípios contabilisticos" - acreditem, disso sei eu. Chama-se "impostos diferidos" ou, no meu entendimento com menos propriedade, "crédito fiscal". Só que com dois problemas de vício insanável, tão evidentes que não se acredita que ninguém no Ministério das Finanças, no Banco de Portugal ou nos auditores, possa não ter visto: o primeiro é o da própria falácia da alteração do estatuto, e o segundo é o do valor atribuído a esse crédito: 800 milhões de euros, para baixo dos quais a falência foi varrida. Que, estando provavelmente ajustado à enormidade dos prejuízos acumulados pela ruinosa gestão de Ricardo Salgado - perdão, Tomás Correia - é simplesmente um activo irrealizável. Mesmo que sobreviva e volte aos lucros, é impossível realizar lucros a tempo de realizar tamanho volume de impostos diferidos.
No Banco de Portugal, Carlos Costa é o mesmo. E do mesmo espera-se o mesmo. O governo, que herdou do anterior todos os problemas do sistema financeiro e que apanhou com o do Banif logo à chegada, tinha agora oportunidade - e obrigação - de fazer diferente, de se demarcar do servilismo na relação com a banca. Não o fez, e é escandaloso que não o tenha feito. Se no plano A víamos a cara do ministro Vieira da Silva, no B vemos a de Mário Centeno. Se o Plano A era vergonhoso, o B é vergonhoso e cobarde!
Do congresso do CDS, para além de se ficar a saber quem vai para Bruxelas e Estrasburgo, ficou a saber-se que, às ordens do Adolfo Mesquita Nunes, Pedro Mexia e Nadia Piazza vão escrever o programa eleitoral com que Cristas vai concorrer a primeira-ministra nas legisativas do próximo ano.
A escolha de Pedro Mexia não surpreende. É uma figura pública com espaço mediático, alinhado à direita dita moderna, liberal, que mandou o conservadorismo às urtigas, mesmo à medida do coordenador. Só não é a cara chapada do Adolfo porque é de outra proeminência fisionómica.
Já a escolha da senhora que emergiu dos incêndios do início do Verão passado ... Também não. É mesmo à medida da líder. Sem desprimor de qualquer espécie, é uma escolha que é a cara chapada de Cristas!
Temos cada vez mais diifculdade em perceber o que é a ética. Pelo menos na política.
Repare-se: Rui Rio apresentou-se como o paladino da ética, o homem que devolvia a seriedade à política, acima de qualquer suspeita. Mas começou a construir a sua liderança, logo nas eleições internas, em cima do caciquismo de Salvador Malheiro, premiando-o depois com a elevação ao topo da hierarquia partidária, de quem fez "o seu" Marco António Costa. E agora desvaloriza a fraudulenta viciação do cúrriculo do seu Secretário Geral - não há volta a dar, no PSD é muito difícil resistir à tentação de "armar ao pingarelho" académico - que o próprio Marques Mendes entende (como a Ordem dos Advogados já fizera público) dever ser objecto de intervenção do Ministério Público. O que para o político comentador, tal como para a Universidade usada, que denunciou o abuso, tem gravidade criminal, para o supra sumo da ética, não passa de um simples "aspecto do currículo de Barreiras Duarte que estava a mais". Sem importância nenhuma. Já está corrigido, e não se fala mais nisso.
Já não sei se é Rui Rio que não tem muita sorte com as escolhas que faz, ou se é mesmo assim. Mais do mesmo, e cada vez pior!