Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Diminuir a democracia*

Resultado de imagem para diminuir a democracia

 

A história é apenas mais uma, e é conhecida - os deputados com residência nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, que a pretexto da insularidade recebem todos os meses no seu salário 500 euros destinados a pagar-lhes a viagem semanal de avião, apresentam, depois, o respectivo bilhete para receberem, também, o subsídio que o Estado paga a todos os cidadãos insulares.

Ou seja, como foi primeira página no semanário que no sábado passado deu a notícia, os deputados insulares vão cobrar do Estado aquilo que não pagaram. 

Nada que deixe ninguém surpreendido, tal é a habituação que já temos a estas coisas. Foram as viagens falsas, aqui há uns anos, são as residências do avô ou de um tio distante que dão jeito para mais um subsídio, são as deslocações aos círculos que os elegeram, mas onde nunca põem os pés se não em campanha…

Tudo isto porque ganham mal. Não é por não terem vergonha. Se toda a gente que ganha mal em Portugal se portasse dessa maneira, queria ver onde é que parávamos…

Como se essa justificação não fosse suficientemente abjecta, arranjaram-lhe ainda um complemento, ou não estivéssemos em pleno território de complementos. E, então, falar destas coisas com que os senhores deputados se complementam, é alimentar o populismo, e matar a democracia.

Não são os deputados, e os políticos em geral que, usando e abusando de estratagemas para tratar da sua vidinha, e da dos seus, à margem dos mais elementares princípios da ética, da vergonha e até em muitos casos da lei, ludibriando a eito nos seus graus académicos, atropelam e destroem a democracia?

Pelos vistos, não. Pelos vistos, como se viu pelas palavras do Presidente da Assembleia da República, àqueles deputados nem ilegalidade nem falta de ética, não há nada a apontar. Apontar-lhes o dedo é que é diminuir a democracia!

 Depois, admirem-se…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

A importância do regime

 Foto: JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

 

Os célebres e celebrados acordos entre o PS e o PSD - ou será entre António Costa e Rui Rio? -, que tanta agitação estão a gerar, à esquerda e à dreita, em especial no próprio (ou no próximo?) PSD, como Luís Montenegro se apressou a confirmar, não visam mais que a confirmação do regime. E daí a benção do presidente Marcelo... 

Não significam que venha aí um governo do bloco central, nem sequer a consensualização das grandes opções políticas para o país. O que foi objecto de acordo é aquilo em que estamos todos de acordo - basicamente em pedir mais dinheiro à União Europeia. Mas asseguram que a governação nunca pisará o risco das linhas demarcadas pelo bloco central. Que são as que constituem o desenho do regime.

Para António Costa é bom porque lhe permite continuar a desfrutar da maioria de esquerda, sem dúvida a sua mais sólida base de apoio eleitoral para manter o poder. É como que a institucionalização da actual fórmula governativa, quase garantindo a quadratura do círculo. Diz à esquerda: "Bom, vocês sabem até onde é que podemos ir. Façam lá como entenderem, mas não se excedam". E à direita: "O regime está defendido, nunca estará em causa. Por isso, naquilo que é sagrado para a sua defesa, contamos convosco. Não podem esperar que seja competência dos nossos aliados de governação defender aquilo que nos compete a nós defender".

Rui Rio, podendo às vezes até parecer um opositor ao regime, sabe que a questão do regime é central para o PSD, e sabe que, por isso, fundamental é criar uma barreira de segurança entre o PS e a sua esquerda, e não uma barreira entre os dois, como Passos e a sua tropa entendiam. À margem do regime o PSD corre o risco de se tornar irrelevante.

Não sei se Luís Montenegro partilha desta perspectiva. Mas sei que precisa de dizer essas coisas para se manter na frente da linha para onde correu a chegar-se.

"Eles são todos iguais" - Parte II

Resultado de imagem para ferro rodrigues viagens dos deputados

 

Entretanto foram conhecidos novos desenvolvimentos nas aldrabices das viagens dos deputados insulares. E não melhoram em nada a imagem que deles vamos infelizmente tendo. E digo infelizmente porque é péssimo para a democracia que os eleitores não consigam ter os eleitos em boa conta. Não há nada pior, quando sabemos, como Churchil teorizou, que "a democracia é o pior dos regimes à excepção de todos os outros".

Ferro Rodrigues, o presidente da Assembleia da República, em vez de pedir explicações aos deputados, como eventuamente seria sua obrigação, quis passar uma esponja sobre o assunto, garantido que os deputados "não cometeram nenhuma ilegalidade, tendo beneficiado dos abonos e subsídios que sempre existiram, sem polémicas ou julgamentos de caráter". A esponja pode ter passado, mas não apagou nada; antes pelo contrário, a tecla da ilegalidade é simpelsmente mais do mesmo, e de ética, que é o que está em causa, nada. Não limpou, sujou ainda mais, acentuou a nódoa, porque ninguém vai deixar de perceber que quis ser juiz em causa própria, que se apressou a sair a terreiro porque a figura maior dos aldrabões é  Presidente e o líder parlamentar do seu partido. O único, de resto, que tem a lata de dizer que a sua posição é eticamente inatacável...

E o deputado exemplo, o herói que na segunda-feira rasgou as vestes, anunciando de imediato a sua  decisão de abandonar o Parlamento, considerando-se indigno de lá continuar, afinal já estava de saída. Limitou-se a fazer um número de circo, antecipando por uns dias uma saída que há muito estava definida em função das novas responsabilidades partidárias que assumira. Paulino Ascensão vai assumir a liderança do Bloco na Madeira, circunstância que implicaria o abandono do hemiciclo.

Pois... eles são mesmo todos iguais. Mesmo quando não são todos iguais, na aldrabice nunca são assim tão diferentes!

 

 

Era o que faltava...

Resultado de imagem para reportagem sic jose socrates

 

Também vi a reportagem da SIC sobre "a maior investigação judicial da democracia portuguesa". E foram muito mais as coisas que fiquei sem perceber do que as que percebi. Por exemplo, não percebi como, nem porquê, teve a televisão acesso àquelas gravações. Mas percebi o grande jeito que aquilo pode - e vai, de certeza - dar a José Sócrates. Que sabe muito mais de televisão, de entrevistas, de teatralização e de confrontação que todos os inspectores e procuradores juntos... E advogados, como se viu!

Não me parece que as televisões sirvam para isto, mesmo que imagine como as audiências tenham disparado... Era mesmo o que faltava!

 

 

 

"Eles são todos iguais"

Capa do Expresso

 

No sábado o "Expresso" deu a notícia, e fez dela primeira página: " Deputados das ilhas reembolsados por viagens que não pagam"!

O que o semanário concluiu, e noticia, é que os deputados com residência nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, que a pretexto da insularidade recebem todos os meses no seu salário 500 euros destinados a pagar-lhes a viagem semanal de avião, apresentam, depois, o respectivo bilhete para receberem, também, o subsídio que o Estado paga a todos os cidadãos insulares pelo chamado custo da insularidade (cada cidadão insular, nas viagens ao continente, paga apenas 80 euros, sendo reembolsado da diferença, até ao máximo de 400 euros). 

Como conclui o "Expresso, os deputados insulares vão cobrar do Estado aquilo que não pagaram. Estes deputados não podem sequer alegar que não deram por nada, que recebiam inadvertidamente em duplicado, pelas simples razão que eram eles próprios que tomavam a iniciativa de ir, de bilhete na mão, reclamar o segundo pagamento, Não têm como fugir à classificação de aldrabões.

São sete os deputados aldrabões, um do Bloco, um do PSD e cinco do PS. Entre eles Carlos César, como quase não podia deixar de ser. Que, para além de aldrabões, são ainda "chicos espertos", como também quase não podia deixar de ser. O que é que alegaram?

Exactamente, caro leitor, adivinhou: "Não é ilegal"! Não há lei nenhuma que os impeça de fazer isso!

Nem todos, tem de dizer-se. O deputado do Bloco de Esquerda, Paulino Ascensão, de quem nunca sequer tinha ouvido falar, certamente por desatenção minha, não se armou em "chico esperto", não se escondeu atrás de coisa nehuma, nem assobiou para o lado. Assumiu o erro e a culpa e decidiu renunciar ao mandato de deputado e devolver o dinheiro que recebeu indevidamente.

Eles podem até ser todos iguais. Mas há sempre uns mais iguais que outros!

 



Contingências

 

O Benfica perdeu o jogo que não podia perder. Este era um jogo que valia muito mais que qualquer outro alguma vez disputado pelo Benfica. O Benfica não perdeu apenas um jogo, nem perdeu apenas um campeonato. Perdeu o penta, não sendo provável que venha tão cedo a ter nova oportunidade de igualar esse feito único do futebol nacional. E, porque no futebol as coisas decidem-se dentro do campo, perdeu a oportunidade de derrotar uma estratégia de desespero, verdadeiramente inqualificável, de que sairá certamente com muito a perder.

Sem Jonas, de novo de fora, mas com a Luz cheia que nem um ovo - 64 mil - e ao som do "eu amo o Benfica", a equipa entrou bem no jogo. Não se pode dizer que tenha subjugado o adversário, nem sequer que se tenha exibido a alto nível, nada que se pareça com o que, por exemplo, fez contra o Soporting ou, há dois anos atrás, na última derrota na Luz até hoje, com o Porto, então de Peseiro. Mas esteve sempre bem por cima, praticou o melhor futebol que se viu sobre a relva, e criou duas oportunidades de golo. 

Sobressaíam alguns jogadores, e eram todos do Benfica: Fejsa, ao seu nível, mas especialmente Zivkovic, Cervi e Rafa. Esperou-se meia hora para ver a primeira verdadeira  iniciativa atacante do Porto, e o primeiro remate a sério surgiu já à beira do intervalo. Mesmo sem atingir a baliza, porque na verdade os portistas não tiveram único remate enquadrado.

Na segunda parte tudo foi diferente. O Benfica  perdeu o controlo do jogo, e em vez de tentar recuperá-lo, deixou-se ir, deixou-se tomar pelo andamento do jogo, decididamente lançado nas bases que mais interessavam ao Porto. As decisões de Rui Vitória mostraram isso mesmo, mostraram que o Benfica tinha embarcado sem destino e deixava-se ir com a maré. 

Se, tirar Rafa do jogo, foi uma má ideia, e, mais tarde, meter lá Samaris foi péssima, a entrada de Seferovic já nem ideia era. Era uma simples crença num milagre. Só que os deuses do futebol também são castigadores, e entregaram o milagre a Sérgio Conceição, acabando o Benfica por morrer com os ferros com que quis matar.

Ah... E o árbitro? Há sempre o árbitro, não há?

Soares Dias foi o que é sempre: um árbitro habilidoso, que insistem em considerar o melhor que por cá há. Para além das habituais habilidades também os habituais erros grosseiros: aos 69 minutos, Sérgio Oliveira agarrou Rafa pelo pescoço, que saía em contra-ataque, em clara falta para amarelo. Que seria o segundo, tinha visto o primeiro na primeira parte, quando havia feito o mesmo, só que então Rafa seguia isolado, pelo que deveria ter sido vermelho. E, logo depois do golo de Herrera, houve mesmo penalti de Ricardo Pereira sobre Zivkovic.

Mas isto são contigências. Como contingencial é praticamente tudo no futebol!

Faixa do horror

 

Foi divulgado e está a correr mundo um vídeo que mostra um militar israelita  a matar, a frio, um jovem palestiniano desarmado, com um tiro na cabeça, em imagens de exaltação de desumanidade, de corrupção humana e de impunidade. A impunidade do Estado Israelita num massacre com a conivência da comunidade internacional! 

Mas quando as imagens e as evidências não são suficientemente chocantes, há sempre um governante israelita capaz de fazer ainda mais pela indignação das nossas consciências. Como foi agora o caso do ministro da Defesa, Avigdor Lieberman que, depois de ter visto as imagens, declarou que o soldado que deu o tiro deveria ser condecorado. E, o que divulgou as imagens, despromovido!  

 

 

 

Deputados, negócios e manhas

 Resultado de imagem para deputados negócios e manhas

 

De tempos a tempos fala-se de incompatibildades no exercício de cargos políticos. E quando se fala disso, fala-se dos deputados, e quando se fala de deputados fala-se do tema da exclusividade. E, invariavelmente, a coisa fica sempre na mesma... É que, se o exercício da actividade parlamentar obrigar a exclusividade - diz-se logo - no parlamento só ficam os que não sabem fazer coisa nehuma. Os incapazes.

Por isso, para que o parlamento não tenha mais incapazes do que os que já tem, esqueçam lá isso da exclusividade.

Muito bem, aceitemos que sim, esqueçamos isso. E esqueçamos que ninguém tira proveitos ilegítimos da sua condição de deputado  no exercício da sua actividade profissional. Que os bons, os melhores, são deputados, bons, dos melhores, evidentemente  e que, como nata que são, ganham bem a vida na sua actividade privada, e com privados. Honestamente, sem merecerem quaisquer reparos.

Outra coisa seria se ganhassem a vida a prestar a sua actividade ao Estado. Aí já seria de desconfiar, aí já haveria reparos a fazer. Na verdade, nem faria sentido que os deputados, os melhores entre os melhores nas suas actividades, pudessem fazer negócios com o Estado de que, enquanto deputados, fazem parte. Era assim quase uma coisa como fazer negócios consigo mesmo. Seria de resto até de suspeitar que aos melhores entre os melhores nas suas actividades, disputados nos seus mercados e com clientes privados que pagam bem melhor que o Estado, sobrasse ainda tempo para dedicar a negócos com os organismos públicos.

Mas enfim... Suponhemos que os melhores entre os melhores, de tão bons que são, conseguiam ter ainda tempo para negociar com o Estado. E que o próprio Estado não pode, ou não deve, abdicar dos melhores entre os melhores só porque são deputados. Bom, nesse caso, os deputados que fazem as leis do país, cuidariam de legislar para que basicamente não pudesse existir essa pouca vergonha do negócio consigo mesmo

Claro que o fizeram. Criaram o Estatuto dos Deputados que, no seu artigo 21º, relativo a impedimentos, diz que é vedado aos deputados “no exercício de atividade de comércio ou indústria, direta ou indiretamente, com o cônjuge não separado de pessoas e bens, por si ou entidade em que detenha participação relevante e designadamente superior a 10% do capital social, celebrar contratos com o Estado e outras pessoas coletivas de direito público, participar em concursos de fornecimento de bens ou serviços, empreitadas ou concessões”.

Perfeito. Veja-se que basta que um deputado tenha uma ligação de mais de 10% para já haja impedimento de negócios com o Estado. Ó diabo: "no exercício de atividade de comércio ou indústria"!

Pois é. A Assembleia da República está cheia de comerciantes e industriais. Advogados e consultores é que são poucos. E só lá estão para fazer leis. Não negócios. E muito menos de má fé!

Tão manhosos que eles são...

 

 

Mais

Resultado de imagem para mais

 

Sabe-se que, em resposta a mais um recurso à utilização de armas químicas, no passado domingo, Trump ameaçou atacar a Síria. E que Putin, que impede qualquer iniciativa da ONU para esclarecer e apurar responsabilidades pelo ataque químico, não deixou essa ameaça sem resposta. O mundo está assustado. Há mais medo e há todas as razões para isso!

Por cá, nem tanto. Por cá, o assunto é mais quem é, e quem não é, Centeno. Porque, por cá, as coisas são sempre tratadas assim - reduzidas à sua mais simples expressão. Tão simplificadas que acabam sempre reduzidas a um fulano... Que diz que tem sempre dado mais dinheiro à saúde, que o orçamento tem crescido à razão de 3% ao ano. Respondem-lhe: "mas não chega, tem que ser mais".

Só que nunca ninguém sabe quanto "mais". Certo e sabido é que, por mais paradoxal que pareça, com estas nossas manias minimalistas, nunca há "mais" que chegue!

 

 

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics