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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tema da semana*

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Durante toda a semana Ricardo Robles, o ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa em representação do Bloco de Esquerda, tomou conta do espaço mediático. Ninguém mais lhe roubou a ribalta, nenhuma outra estrela brilhou tão alto.

mainstream reservou-lhe esse espaço. Nele convergiram duas linhas de fogo que, parecendo paralelas, se cruzam nalgumas circunstâncias. Foi o caso, agora.

De um lado, a linha do status quo dominante, que não podia perder a oportunidade de ricochetear tudo aquilo que nunca lhes atinge mais que a carapaça da indiferença. Que quis dar as boas vindas ao seu território de más práticas, mas sem poupar na hipocrisia, e sem dó nem piedade na hora de cobrir tudo com o mesmo manto. Do outro, a linha do “justiceirismo“ quixotesco que se atira à corrupção como a moinhos de vento, e que por de trás de tudo o que mexa não vê outra coisa que não poderosas e tenebrosas máquinas de corrompimento, sem perceberem que, metendo tudo no mesmo saco, tornam igual o que é diferente. Perdem o foco e até a credibilidade e o respeito, e matam à nascença o que de melhor lhe poderia assistir às intenções.

No meio do que uns e outros escreveram, disseram ou mandaram dizer pouco sobrou para a verdade do que realmente aconteceu. E, a meu ver, o que realmente aconteceu, foi que alguém, fazendo da campanha contra a especulação imobiliária uma bandeira, nela se enrolou para esconder um especulador de faca em punho, que acabou espetada nas costas do partido que o acolhera e que, ainda a quente e sem dar pelos golpes, se apressou a defendê-lo, como uma mãe defende um filho.

Tinha já perdido muito sangue quando reconheceu a facada. Afastou a faca, e a mão que ainda a segurava, e partiu para um longo período de convalescença.

Talvez as férias ajudem!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Eusébio Cup

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Hoje regresso ao futebol, mais propriamente ao Benfica, que por aqui não aparecia há mais de dois meses. A pré-época está a chegar ao fim - as contratações e as vendas provavelmente ainda não - e as competições oficiais estão à porta. Dentro de dias, já na próxima terça-feira, aí estão os turcos do Fenerbace para disputar o acesso à cada vez mais milionária Liga dos Campeões.

Ontem o Benfica perdeu - pela primeira vez nesta pré-época - com o Lyon (2-3), no Algarve. Nunca é boa altura para perder, mas é sempre pior na véspera dos grandes jogos. E pior ainda na dos decisivos. Não é para falar da derrota, nem das suas eventuais consequências - até porque há sempre atenuantes, e três bolas nos ferros não é coisa que aconteça em todos os jogos -, nem sequer dos equívocos de Rui Vitória (parece que quantos mais - e melhores - jogadores tiver mais baralhado fica) que hoje volto ao Benfica. Mas é para falar do jogo, sem falar do jogo.

É que este jogo com o Lyon, no Estádio do Algarve, sendo o último dos três da participação do Benfica na International Cup (nos outros dois tinha empatado com o Borussia Dortmund e com a Juventus, nos Estados Unidos, e totalizado 3 pontos, em resultado da vitória e da derrota nos penaltis, respectivamente), foi vendido como Eusébio Cup. 

Eusébio e a sua memória não merecem isto. Os benfiquistas, não merecem que se brinque com um troféu concebido para honrar o maior símbolo do Benfica. Depois de, em 2015, ter sido enfiada no meio de uma digressão pela América e disputada em Monetrrey, no México (vitória da equipa local, por 3-0) e de, no ano passado, nem sequer se ter realizado, este ano foi enfiada à martelada na International Cup. Insólito: um mesmo jogo, duas competições!

É um insulto à memória de Eusébio e é um insulto aos benfiquistas. A Eusébio Cup só pode ser disputada no Estádio da Luz, na apresentação oficial da equipa aos sócios, com casa cheia. E cheia de benfiquismo, de entusiasmo e de fé na nova época. Com adversários á dimensão da dimensão do homenageado, um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos e figura única e ímpar da História do Benfica. E com os jogadores orgulhosos de vestirem a camisola que Eusébio tornou conhecida e admirada em todo o mundo, e empenhados ao máximo em oferecer a vitória aos céus, onde se verá o King a agradecer, de lágrima no olho.

A notícia e o feminino

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Quando notícia é a onda de calor que aí vem, a prometer bater recordes de temperatura, o aumento extraordinário das pensões mais baixas, que hoje entra em vigor, Madona na capa da Vogue, cheia de Portugal (descansem almas penadas da lusa inveja, os lugares do estacionamento ficaram pagos, e bem pagos...) ou o avião que caiu no México (não, a notícia não é a queda do avião - já quase não é notícia - a notícia é que o avião caiu com 98 pessoas a bordo e não morreu ninguém), são ainda os (e)feitos de Ricardo Robles que, por cá, ocupam o topo da actualidade.

Percebia-se que não seria fácil fazer desaparecer o tema das primeira páginas. Não era preciso o "mea culpa" de Catarina Martins, mas a verdade é que ajudou. 

Quando ontem à noite, em entrevista à Ana Lourenço, na RTP 3, Catarina Martins admitiu o erro de análise e assumiu, com toda a frontalidade, que a "contradição era grande" e impeditiva da continuidade de Robles na autarquia, fez de novo notícia. Porque notícia, como se sabe, é o homem morder o cão. E Catarina Martins "mordeu o cão". De "cão a morder o homem" é o que faz a generalidade dos seus pares, incapaz de auto-crítica.

Vejo muito de feminino nesta nobreza da líder do Bloco. Não que a tese da infalibildade seja mais masculina que feminina, ou que o "mea culpa" - ou o recuo como chamam muitos dos jornais - tenha hoje alguma coisa a ver com a distinção de género na política, muito marcada por comportamentos padronizados. Mas porque o erro de avaliação de que se penitencia não é mais que a reacção feroz, primária e instintiva de defender um dos seus.

Nas primeiras notícias - e Catarina Martins diz que desconhecia o negócio do seu colega de partido, que só teve conhecimento pelas notícias dos jornais - viu um ataque a um dos seus, e nada mais que isso. E o seu instinto de defesa, diria que maternal, da fêmea que salta em protecção da cria, sobrepôs-se à lucidez da análise, induzindo-a no erro.

E isto é profunda, genuína e instintivamente feminino!

 

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