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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Pragmatismo Chocante*

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A notícia surgiu no início da semana, e contava que na Alemanha, em tempo de afirmação da extrema-direita, com grandes colunas de militantes nazis a apossarem-se da rua, uma mulher acabara de criar um partido político de esquerda que se colocava ao lado dos nazis, contra a imigração.

Assim, sem mais nem menos. Mesmo para chocar, como hoje se fazem as notícias.

Fui procurar-lhe os contornos e descobri que a senhora, Sahra Wagenknecht, era deputada do partido de esquerda "Die Linke" (que quer exactamente dizer “A Esquerda”), que fundara com o seu marido, Oscar Lafontaine, depois deste ter abandonado o Partido Social-Democrata (SPD) em 2007, em rotura com Gerhard Schröder, e que, na verdade, não tinham formado outro partido.

Mantêm-se no partido, e formaram sim um movimento, a que chamaram "Aufstehen"  (“Levantar-se”, em português), tão ou mais à esquerda que o seu partido – revelam mesmo como referência o “Podemos”, de Espanha, ou  “A França Insubmissa”, de Jean-Luc Mélenchon – mas defendendo uma política mais dura contra os imigrantes, em oposição às fronteiras abertas e ao acesso ilimitado de imigrantes ao mercado de trabalho alemão. E explicam que é uma reação à “emigração” dos eleitores do seu partido (o tal “A Esquerda”) para o partido de extrema-direita, o AfD. Que nas últimas eleições parlamentares lhes teria roubado pelo menos 400 mil eleitores!

Como notícia, poderá até ficar menos chocante. Chocante, mais chocante mesmo, é este pragmatismo!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

 

Deprimente!

 

 

 

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As televisões - todas em geral, porque seguem-se umas às outras, em carneirada, atrás das audiências - tiveram a evidente preocupação de lançar a confusão à volta desta acusação do Minsitério Público no processo e-toupeira, potenciando o clima de guerra instalado que, de resto, elas próprias criaram e alimentaram. Para isso começaram por encher os seus espaços de antena com gente que, não percebendo patavina de direito, fossem garantidamente incendiários especializados.

Depois de tudo devidamente incendiado, já hoje, e com o tema ainda filão de audiências, começaram a ouvir especialistas em Direito, na expecativa que confirmassem as teses que já tinham lançado e propagandeado. E, quando gente que sabe do que está a falar, começou a dizer que é inaceitável que o MInistério Público tenha tornado pública a acusação, antes de a comunicar aos interessados; que a constituição como arguída da Benfica SAD, à margem da forma como é legalmente representada, não tem pés nem cabeça; ou que simplesmente não há factos nem nexos de causalidade que permitam sequer falar em punicões desportivas, que não existem em Direito Penal, os entrevistadores em estúdio não querem crer em nada daquilo, e seguem em frente na sua cruzada como se nada tivesse sido dito. Sem a mínima noção do ridículo. Deprimente!

Toupeiras e neurónios

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Na acusação do Ministério Público no chamado caso e-toupeira, diz-se que a SAD do Benfica tirou proveito (também desportivo, mas isso é a brincar às acusações) da informação sobre os inquéritos em curso, que lhe permitiu antecipar-se às operações judiciais desenvolvidas. Que me lembre, em todas as buscas efectuadas, os fotógrafos, as câmaras e os repórteres do Correio da Manhã e da SIC chegaram sempre primeiro que a polícia.

Das três, uma: ou foi o Benfica a avisá-los da busca e, assim, a desbroncar-se; ou eram as mesmas toupeiras a dar-lhes a mesma informação; ou, finalmente, as toupeiras são como os chapéus. Há muitas! 

Se não é preciso ser-se muito dotado de neurónios para aferir da baixa probabilidade das duas primeiras, resta a terceira. Como estamos fartos de saber e, há muito tempo, o Correio da Manhã é a própria prova. 

Precisamos é de mais uns milhões de neurónios para perceber por que é que o Ministério Público nunca se preocupou com todas essas muitas toupeiras...  

Toupeiras imaginativas

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É a notícia do dia: o Ministério Público procedeu à acusação dos arguídos (a Benfica SAD e um seu acessor jurídico, Paulo Gonçalves, e dois funcionários judiciais) no caso e-toupeira!

Segundo a acusação do Ministério Público, há fortes indícios que aqueles funcionários judiciais, a troco de favores no acesso aos jogos do Benfica (bilhetes VIP e estacionamento) tenham fraudulentamente violado o Citius (plataforma informática do Minsitério da Justiça) para obter, e fornecer ao acessor da Benfica SAD, informação sobre o estado de certos e determinados processos judiciais em curso. Daqui decorre - segmentando o que os jornais e as televisões dizem da notícia do dia - para os funcionários judiciais, a acusação da prática dos crimes de violação do segredo de justiça, violação de segredo por funcionário, peculato, acesso indevido e violação do dever de sigilo, recebimento indevido de vantagem, peculato, falsidade informática e corrupção passiva. Para Paulo Gonçalves, a acusação de oferta indevida de vantagem, favorecimento pessoal e corrupção activa. Presume-se, porque nenhuma das notícias que li ou ouvi o explicitava, que as acusações a Paulo Gonçalves sejam comuns à Benfica SAD, por sua entreposta pessoa. 

A acusação é o que é, o processo segue para julgamento e as condenações serão as que forem. Antes de tudo isso, nada disto é bonito. Mas isso são outros quinhentos...

O que me surpreende - na verdade já nada me surpreende, quando aquele senhor do IPDJ dizia em 2017 que não havia qualquer problema com as claques do Benfica, e hoje diz, também nos jornais, que o senhor que agora lhe sucedeu é que reteve a punição que ele tornou pública depois de demitido, só há que esperar tudo, de tudo o que gira à volta da bola - é que os jornais e as televisões introduzam dois pormenores na notícia que não decorrem da acusação, a saber:

  1. Os crimes aconteceram nas épocas de 2016/17 e 2017/18;
  2. A Benfica SAD teve benefícios desportivos com a informação obtida, pelo que lhe acrescentam o crime de corrupção desportiva, que leva o Ministério Público a pedir a suspenção do Benfica em todas as competições entre seis meses a três anos.

É que eu não fazia ideia que, como na caça, nas diferentes modalidades desportivas, ou nas touradas, também há época de crime. Claro que não há. Claro que a referência à época serve apenas para introduzir a variável desportiva, que ninguém consegue descortinar nos crimes em acusação, mas que dá jeito para concluir que o Benfica beneficiou desportivamente com a informação obtida.

Por mais que recorra à minha imaginação - e tenho a impressão que não sou dos menos imaginativos - não consigo ver que raio de informação possa haver num processo judicial que vá influenciar o resultado desportivo de um jogo. Na época 2016/17, 2017/18 ou noutra qualquer... Sei - e vejo, continuo a ver todos os dias - do que se passa num jogo de futebol para influenciar o seu resultado. Já num processo judicial... Não consigo...

 

 

A justiça deles

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Terminou ontem o prazo para os arguídos - e são muitos: José Sócrates, Ricardo Salgado, Carlos Santos Silva, Armando Vara, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, só para referir os mais relevantes - no Processo Marquês  requererem a abertura da instrução.

Tanto quanto se sabe, nenhum o fez. Nenhum dos referidos, nem nenhum dos outros. Tanto quanto se sabe, todos vão fazê-lo!

Confuso? 

Não vale a pena. É assim a Justiça que nos desenharam. O prazo terminou ontem mas, com multa, pode entregar-se o requerimento de abertura da instrução mais tarde. E, claro, multa não é problema... E para esta gente, menos problema é ainda. E ganham-se mais uns dias, rumo à prescrição que todos procuram!

Quando contestamos a morosidade da Justiça em Portugal, e os sucessivos recursos ao alcance de quem tem dinheiro, que invariavelmente levam à prescrição dos crimes, somos confrontados com questões garantísticas. Quando vox populi diz que as leis são feitas por eles para se protegerem a eles próprios, lá vêm os bem pensantes do politicamente correcto dizer que não, nada disso - somos um Estado de Direito, que não pode cortar nas garantias de defesa do cidadão.

Valha-nos que há sempre gente como José Sócrates, Ricardo Salgado, Carlos Santos Silva, Armando Vara, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, Duarte Lima, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, e tantos outros, capazes de nos mostrarem como as coisas funcionam... E para nos explicarem, como se fossemos muito burros, que o legislador se lembrou de introduzir umas multas para comprar mais uns dias de uns prazos quaisquer, justamente a pensar nas garantias de defesa do cidadão comum. Pelo Estado de Direito, como se está a ver.

 

 

 

 

Ciclo fechado. Com distinção!

 

O Benfica encerrou hoje o primeiro ciclo da época, um ciclo decisivo com oito jogos de alta exigência - distribuídos em partes iguais entre o objectivo inegociável do apuramento para a Champions e objectivo central de não deixar fugir qualquer dos adversários no campeonato - em pleno centro do furacão do mercado de transferências. Sabendo que este era um ciclo decisivo, os do costume não pouparam nas encomendas para fazer dele um inferno.

Hoje, na Choupana, o Benfica deu a última resposta que, com brilhantismo, fechou este ciclo. Uma resposta à altura, "dado o contexto", para recuperar a frase da moda num dos rivais, que vai vivendo precisamente de um contexto que já é mais pouca vergonha que outra coisa qualquer.

E o contexto do Benfica são 8 jogos em pouco mais de três semanas, com os mesmos jogadores, e todos eles em ambiente de grande responsabilidade e intensidade, exibindo em todos eles uma superioridade tão flagante quanto o desperdício de golos. Dentro deste contexto, dois fazedores de golos - um deles mesmo mestre dos golos - lesionados e um terceiro equivocado.

Passados que foram os primeiros minutos, com os jogadores do Nacional a correr e a discutir cada bola como se não houvesse amanhã, o Benfica tomou conta do jogo e desatou a criar oportunidades de golo. Tantas que, quando Seferovic - que já parece a grande contratação do fecho do mercado - com grande mérito, assistido por Salvio, fez o primeiro golo, e foi ainda antes da meia hora de jogo, já se dizia mal da vida. E de Seferovic. E da aposta de Rui Vitória, outra vez!

E quando, às portas do intervalo, Salvio, assistido por Seferovic, fez o segundo já o Benfica devia ao jogo cinco ou seis golos.

O Benfica entrou para a segunda parte com a mesma disposição, criando fácil e rapidamente mais oportunidades de golo. Depois terá pensado que era tempo de abrandar e descansar um pouco, que a vida não tinha sido fácil. O Nacional teve então oportunidade de pôr no campo aquele seu futebol de segunda divisão, que tentara logo à entrada do jogo. E durante cerca de 10 minutos, ali à volta da hora de jogo, viu-se a equipa madeirense por cima, com o Benfica, sem Fejsa, que saira lesionado logo na altura do primeiro golo e que faz sempre muitas falta, e mais ainda naquele contexto de jogo, a dar a ideia que aquilo estava a acontecer porque grande parte dos jogadores tinha rebentado. E Rui Vitória estava a atrasar as duas substituições disponíveis... 

Bastou uma substituição (Cervi, claramente esgotado física e mentalmente, por Rafa), aos 70 minutos, para acabar com aqueles 10 minutos pouco brilhantes do Benfica. Até porque Salvio, que parecia já não poder mais, ressurgiu e retomou o brilhantismo da sua fantástica exibição de hoje. E Grimaldo resolveu vingar-se das duas ou três rabetas do 7 do Nacional para retomar o nível, e fechar no terceiro golo uma estupenda jogada de futebol que ele próprio iniciara.

E foram afinal os jogadores do Nacional que acabaram por rebentar naqueles 10 minutos em que a equipa do Funchal levantou a cabeça. E a parte final do jogo deu para mais uns minutos a João Felix. E para o excelente golo do Rafa, a fixar o resultado na chapa 4, pela segunda vez na semana...

E no fim pode dizer-se que Seferovic é uma aposta ganha por Rui Vitória. Não sei é se se pode dizer o mesmo do modelo de jogo que lhe dá razão. Mas isso ver-se-á lá mais para frente. Noutros ciclos, que este está ganho. Com distinção!

Um problema de coluna

 

Fechou o mercado de transferências do futebol, e com isso a torneira mais apreciada pela nova maneira de fazer notícias numa das mais apetecidas valências do jornalismo actual.

O último dia do mercado é normalmente vivido em ambiente de alta histeria, com o climax no count down final, segundo a segundo até ao último da meia noite. Ás vezes, esses segundos não chegam, como acontecera há um ano com Adrien. E Bruno de Carvalho, inevitavelmente...

Tudo estava preparado para que desta vez tudo se repetisse. Mas falhou. Faltou mercado, ou faltaram loucuras. Pelo que deu para ver só a RTP percebeu isso, e desligou por completo, poupando-se àquela 24ª hora de encher chouriços em chorrilhos de patetices. Nenhuma das outras televisões resistiu ao engodo, e lá ficaram a contar os segundos penosamente.

Valeu-lhes ... Fábio Coentrão. Isso mesmo, foi ele a estrela da noite  com a sua sensacional transferência do Real Madrid para ... o Rio Ave. E com o último suspiro do seu choro comovente: "Depois do que fiz, nem uma chamada do Sporting"!

Como se a sua conduta moral, o seu carácter e a sua escala de valores e princípios não tivessem nada a ver com o destino que a vida lhe traçou... Diz-se nestas circunstâncias que é um problema de cabeça. A cabeça dos jogadores de futebol tem frequentemente as costas largas. Fábio Coentrão não terá a melhor das cabeças -  percebeu-se isso vezes de mais - mas não é de cabeça o seu principal problema. É de coluna!

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