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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Keizer que se cuide...

Capa Jornal A Bola

 

Às vezes cabe tanta coisa numa capa de jornal...

Em cima, à direita, Domingos Soares de Oliveira diz que Bruno Lage "é homem para ficar muitos anos". No lado inverso, em baixo, à esquerda, "Jorge Jesus rescinde com o AL Hilal". Com o "dragão a lamber as feridas", o Sporting parado no "sinal vermelho", e Bruno Lage bem seguro pelos adeptos, de repente o mundo ficou virado ao contrário. Keizer que se cuide...

A ignorância assusta, o ridículo mata!

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Trump aproveitou as terríveis temperaturas que estão a atingir o Midwest americano - ontem, -28º em Chicago, e diz-se que hoje será ainda pior -, capazes de, em apenas cinco minutos de exposição ao ar livre, congelar e a seguir queimar todas as extremidades do corpo, para, mais que voltar a negar o aquecimento global, ridicularizar a ciência que o demonstra.

Trump nunca é mais que um ignorante quando nega as alterações climáticas, mas transforma-se num perigoso demagogo quando ridiculariza a verdade. Como só ele sabe fazer. No twitter, evidentemente ... 

 

Coisas ...do coiso

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Há cerca de quinze meses um juiz desembargador resolveu trocar o réu num julgamento de violência doméstica e, em vez de condenar o agressor, humilhou a vítima, a mulher, que teria cometido adultério. Invocou a Bíblia e o Código Penal de 1886, e até civilizações que punem o adultério com pena de morte, num acórdão também assinado por uma juíza, também desembargadora.

Na altura chamei-lhe aqui "o coiso". Dei nota do faz que anda mas não anda do Conselho Superior da Magistratura sobre tão abjecto acórdão, e da expectativa com que ficaríamos a aguardar o resultado do, finalmente, anunciado inquérito.

Ontem, mais de quinze meses depois (!!!) ficamos a conhecer que o Conselho Superior da Magistratura considera que as expressões e juízos utilizados constituem infracção disciplinar,  e que por isso rejeitou o projecto de arquivamento e determinou a mudança de relator.

Não ficamos ainda a conhecer - provavelmente quinze meses não chegam - a punição pela infracção. Mas como a votação da decisão foi tão renhida (oito contra sete), o mais certo é que venha a limitar-se a uma mera e inconsequente repreensão. Eventualmente com sete declarações de voto ... de louvor. 

 

 

 

Não há jogos perfeitos. Mas alguns estão lá perto!

 

Regresso à Luz, mais de três semanas depois, já bem dentro do tal ciclo infernal. O dia e a hora não eram os melhores para mais uma grande casa, e o tempo também não ajudava. Mesmo assim, quarenta e dois mil a apoiar a equipa!

Sim, a apoiar. Pecebeu-se isso logo no início do jogo, quando o Gabriel, displicentemente ou por erro de cálculo, ainda dentro da área, ao tentar jogar com o guarda-redes, entregou a bola a um jogador do Boavista que fez aquilo que, de propósito, dificilmente faria: acertou no poste. Havia sete minutos de jogo, o Benfica ainda não tinha pegado na partida e, em vez de protestos e assobios, das bancadas vieram aplausos de incentivo.

E a equipa respondeu à altura. A prioridade tantas vezes anunciada pelo Bruno Lage - a reconquista ... dos adeptos - está a dar resultados. A partir daí o Benfica desatou a jogar à bola, e não mais parou.

O primeiro surgiu quase de imediato, num livre batido por Pizzi e concluído de cabeça, em grande estilo, pelo puto-maravilha.

O jogo não saía da área dos axadrezados, era ali que tudo se passava. Cada perda de bola, tinha por certa a recuperação imediata. E mais cantos ... E mais uma oportunidade de golo, e outra, e outra... 

Golos, é que ... só um. Ainda antes da meia hora, por Pizzi. A bola não quis entrar mais nenhuma vez naquela baliza. Havia sempre mais uma perna, e quando não havia perna, havia um guarda-redes que até tem nome de guarda-redes. E quando já não havia tudo isso, estava lá o ferro da baliza...

O intervalo não chegaria sem que o incrível acontecesse. Num canto, o primeiro para o Boavista, mesmo à beirinha dos 45 minutos, um ressalto e ... bola dentro da baliza de Odysseas. Não é a primeira vez que isto acontece. Nem será a última!

No regresso para a segunda parte parecia que as duas equipas tinham sentido aquele golo. O Boavista apresentou-se mais subido, e quando parecia que o Benfica iria conhecer algumas dificuldades, o João Félix arrancou por ali fora e deu para o Seferovic fazer o terceiro golo. A reacção axadrezada morreu logo ali, e os dados da primeira parte foram de imediato repostos.

Seferovic voltaria a bisar, desta vez na recarga a um remate de Pizzi e, a cinco minutos do fim, a obra prima do jogo: Gedson, que substituira o Pizzi, à entrada da área desenvencilha-se de dois adversários e enterga a bola a Grimaldo na esquina da área. De primeira, num remate fabuloso, o lateral esquerdo colocou a bola em curva e em arco, tudo ao mesmo tempo, no àngulo superior esquerdo da baliza do guarda-redes do Bessa.

Para tudo ser perfeito e acabar em beleza, ao minuto 90 o Samaris imitou o portista Oliver e o árbitro, Rui Costa, assinalou penalti. Bem marcado pelo veterano Mateus, com a bola rasteira e completamente puxada ao poste direito do Odysseas. Que numa incrível e espectacular estirada defende, para canto.

Descentralização do Estado

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O Estado é omnipresente, está em todo lado. Gosta mais do centro, é no centro, no Terreiro do Paço ou lá onde for, que brilha com mais esplendor. E é também aí que aquece mais. 

Como tem que estar em todo o lado, mas não quer sair do centro, depois de muito pensar, o Estado encontrou uma saída. Chamou-lhe descentralização!

Daí que descentralizar, ao contrário  do que a expressão encontrada poderá enganosamente sugerir, não seja exactamente sair ou abandonar o centro. É espalhar-se a partir do centro, é abrir os braços para chegar a todo os sítios. Mas funciona, a expressão, claro...

E funciona tão bem que está sempre na ordem do dia, sempre à mão para resolver uma reivindicação aqui, pagar aquele favor ali, apagar um conflito acolá... Até para acordos de regime dá, veja-se bem.

O Estado tem, em Portugal, vários mecanismos de descentralização. E só não tem mais porque há vinte anos, feitos há pouco, em referendo (ora aqui está o que ainda é o melhor exemplo de matéria referendável), os portugueses disseram não à regionalização, e evitaram que se criassem mais umas tantas de estruturas de poder, e de fontes de burocracia, para alimentar mais umas centenas de exemplares das insaciáveis clientelas partidárias.

Com a organizaçao admnistrativa do Estado a contemplar as duas regiões autónomas que a geografia do país justifica, tenho sempre grande dificuldade em encontrar justificação para dividir em regiões administrativas um território com menos 90 mil quilómetros quadrados, de um país com as mais antigas fronteiras da Europa, que é o paradigma do Estado-Nação.

Para além do poder central, e dos poderes regionais nos dois arquipélagos atlânticos, o Estado dispõe de órgãos de poder local, as autarquias distribuídas pelos actuais 308 concelhos, praticamente o mesmo número que Passos Manuel deixou, em 1836, e 3091 freguesias, as que acabaram a pagar as favas, bem cozinhadas pelos partidos do poder, da suposta reforma admnistrativa de 2013, para troika ver ... Mais um faz de conta, de braço dado com o engana-me que eu gosto, o par que a cada pé de passada encontramos em cada esquina do país.

O Estado central não olha nos olhos o poder local; é sempre de cima para baixo. Usa e deita fora, conforme lhe dá jeito. E no entanto é no poder local que o Estado realiza boa parte das suas funções... Como é no poder local que se revela o que de melhor os cidadãos têm a dar à sua comunidade ... Mas também o pior do lado mais feio do poder, e da mais abusiva manipulação da democracia, em flagrante violação dos seus  mais elementares princípios e na subversão das suas mais inquestionáveis e fundamentais regras.

 

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Ultimato: última oportunidade perdida

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Já só faltam dois dias para expirar o prazo dado pela União Europeia, com o apoio expresso de Portugal, a Nicolas Maduro para marcar eleições. O mais provável é que o prazo se esgote perante a indiferença do tresloucado presidente venezuelano.

Sem surpresa. Sem surpresa de Maduro, mas também sem surpresa da União Europeia, que perdeu por completo qualquer capacidade de intervenção na ordem mundial. Quando mais necessária era a sua intervenção, quando mais importante era ter voz...

Em vez de se perfilar com a autoridade moral de um grande espaço de democracia, com a autoridade histórica de uma civilização decisiva na construção do mundo actual, com a independência de quem não está prisioneiro de interesses escondidos, e com a clarividência política de quem já percebeu que só deste forma pode ser respeitado no actual contexto mundial, a União Europeia (e Portugal, e Espanha) optou pela arrogância do ultimato.

E assim se pôs de fora de qualquer intermediação,  dinamitou o espaço de negociação que se exigia que abrisse, e desperdiçou mais uma oportunidade de sair da irrelevância internacional a que se condenou. E, no fim, nem sequer pode lavar as mãos... sujas do sangue que se exigia ter-se esforçado que evitasse.

Que a solução só pode estar em eleições, não há dúvida. Que a melhor forma de a matar é impô-las por ultimato, também não!

Exame decisivo

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Arranca hoje a fase de instrução do Processo Marquês, porventura o mais decisivo processo judicial da História da democracia portuguesa. Se alguém tem alguma dúvida disso, da transcendência deste processo na acreditação da nossa democracia, que olhe para todas as estratégias de defesa.

Dos 19, num total de 28, acusados que pediram a instrução, nInguém está muito preocupado com a factualidade. Nenhum dos seus advogados perde muito tempo a negar os factos, todos investem tudo nos mecanismos da formalidade, com o objectivo declarado de tornar inválidas as provas recolhidas.  

Isso será por certo processualmente relevante e, acreditam evidentemente os advogados, factor crítico de sucesso judicial. Mas não ajuda em nada a democracia portuguesa!

Reconhece-se evidentemente a complexidade do que está em causa, e a enorme dificuldade em tantas vezes provar o óbvio. Não basta que as coisas que nos entrem pelos olhos dentro, é preciso encontrar prova indestrutível. Mas se, ao fim de todos estes anos de investigação, o Ministério Público não tiver sido bem sucedido, por maiores que sejam as dificuldades, e grande parte da acusação cair por terra, ninguém - nem a Justiça, nem a Democracia - se irá recompor nos tempos mais próximos!

Habemus presidente

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Marcelo quebrou o tabu, e anunciou no Panamá a sua recandidatura, a mais de um ano de distância do que, pela sua própria boca, se esperava. A razão de o ter feito agora não se conhece, poderá até - sabe-se lá - ter a ver com os mecanismos da lógica ... da batata. Ficou a conhecer-se o mais importante - a razão da decisão. E essa não podia ser mais forte: quer receber o Papa Francisco em Lisboa, em 2022!

 

Estado: o tamanho importa!

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Um dos grandes temas de discussão do Estado tem a ver com as medidas que lhe marcam as dimensões. Sim, o tamanho importa!

Quando se trata de se lhe discutir o tamanho, os campos dividem-se entre os que defendem um Estado grande, capaz de marcar presença em tudo, ou quase tudo, e os que defendem um Estado pequenino, mínimo, que se limite a ver passar os comboios. Aos primeiros chamam-lhes, na melhor das hipóteses - porque há mesmo quem lhes chame nomes mais feios - keynesianos; aos segundos, liberais, inspirados no velhinho "laissez faire, laissez passer", com os devidos upgrades que lhes acrescentou o prefixo neo no rótulo. 

Os neo-liberais pretendem que o Estado lhes deixe fazer tudo o que lhes apetece. Que os deixem fazer mas, acima de tudo, que os deixem passar. Por cima de tudo, à vontade... À vontadinha. Que nunca lhes atrapalhe a vidinha!

Um Estado pequenino, maneirinho?

Nada disso, por muito que garantam que é isso mesmo. Pequenino, só para os outros. Para eles querem-nos bem grande e, mais do que grande, bem musculado. Para que mantenha bem limpo o caminho por onde querem passar sem qualquer tipo de dificuldade. E se para isso for preciso bater, é bom que tenha bons músculos...

Em tudo o que passe disso, acham que o Estado só atrapalha. Que é um monstro insaciável, que mais nada faz que consumir os recursos da economia, capaz de destruir a riqueza que só eles produzem, sem precisar de mais ninguém. E que ninguém melhor que eles sabe distribuir... Por isso é que há offshores. E por isso é que mudam as sedes das suas empresas para Estados que atrapalhem menos.

Os keynesianos dizem...olhe que não...olhe que não. Há coisas em que se não devem meter... O Estado tem que regular a vossa vidinha, e tem que intervir na economia. Quanto mais não seja para investir quando vocês não estão para aí virados, para que não entre tudo em parafuso. 

E para isso o Estado não pode ser uma coisa estrelicadinha. Nem tem que se preocupar com os estereotipados 80x60x80, até porque precisa de mamas grandes. Que vocês também não largam ... Uma delas chama-se Estado Social, e tem que estar sempre bem aviada, o que vos dá também muito jeito. Enquanto deitar, ninguém vos atrapalha a vidinha!

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Vandalismos*

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O país vem assistindo nos últimos dias – melhor, nas últimas noites - na região da grande Lisboa, a uma daquelas vagas de desordem urbana que fura a muito fina membrana que muitas vezes separa o protesto da delinquência.

Em ambientes de grande complexidade social como é o dos bairros degradados, as pequenas coisas, muitas vezes apenas visíveis à lupa, ganham rapidamente forma em episódios de rara violência. É curta a distância entre o gesto mais simples e a desordem, logo transformada em caos, como curta fica a distância para o vandalismo e para o crime.

Tudo começou no bairro da Jamaica, um espaço altamente degradado, de prédios inacabados desde há 50 anos, na margem sul do Tejo, no Seixal, onde está em curso uma operação de reinstalação, iniciada há cerca de um mês na sequência de um notável trabalho jornalístico, um dos poucos que ainda se fazem em Portugal. E numa desavença entre duas mulheres, com o irmão de uma delas a correr a envolver-se, deixando pelo caminho uma bofetada em cara alheia… Chamada a polícia, a coisa não correu nada bem…

Receber à pedrada não será forma de dar boas vindas. E ser recebido à pedrada não ajuda nada à tolerância…

A partir daí alastrou, como fogo a que não falta pasto. O Bairro da Jamaica saiu de boca de cena, e entraram outros, igualmente ditos problemáticos, com novos palcos e velhas razões. E o mesmo vandalismo de sempre, que acaba como sal em cima das feridas que se não querem, ou se não sabem, fechar.

E não me refiro apenas ao vandalismo que tem por objecto carros, caixotes do lixo e outro tipo de infra-estruturas urbanas. Não. Refiro-me também ao que vandaliza espíritos e consciências, ao vandalismo da ignorância e ao vandalismo verbal que desfila pelas redes sociais e pelos directos das televisões.  

 

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

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