O governo português associou-se aos restantes países europeus, e às instituições europeias, no reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.
Todos os governos que partilharam esta posição a justificam com razões de democracia, de liberdade, etc. Por princípios!
O governo português, não. Justifica-a por conveniência. Por entender ser a que melhor defende os interesses da comunidade luso-venezuelana. É assim ... Nem nas grandes questões da política internacional perdemos a nossa visão paroquial do mundo!
Seis golos, e mais três anulados, dois penaltis, uma expulsão ... Que grande dérbi veio Cristiano Ronaldo ver a Lisboa!
Sim, um grande jogo, um grande dérbi mas, acima de tudo, um grande Benfica, este que Bruno Lage moldou com as suas próprias mãos, e que hoje chegou a Alvalade para simplesmente não dar qualquer hipótese ao Sporting. Que esteve por várias vezes à beira do KO e acabou por ser sempre salvo por um milagre qualquer. Na parte final da primeira parte quando, completamente grogue, tinha a sorte de estar a perder por apenas 0-2, foi Samaris - Gabriel é que é nome de anjo - o autor do milagre, ao perder uma bola quando não tinha como perder, que deu o golo ao Sporting.
Para trás ficava então um grande espectáculo de futebol com uma exibição de gala dos jogadores do Benfica. Mas apenas dois golos... a contar...
Seferovic abriu o marcador aos onze minutos, mas logo aos quatro, numa grande jogada de Grimaldo, já a bola não tinha entrado porque ... não quis. Onze minutos depois do primeiro, mais um grande golo de João Félix, que o VAR não quis que valesse, descobrindo uma daquelas faltas no início da jogada que só valem se for para penalizar o Benfica. Dois minutos depois, Seferovic apareceu sozinho na cara de Renan, que negou o golo. Dez minutos depois nova grande jogada e golo do miúdo. Nem festejou. Os jogadores do Benfica já nem festejam os golos. Sabem bem que há sempre um VAR pronto a invalidá-los!
Ir para o intervalo com o Sporting ainda dentro do jogo foi o milagre do dérbi. Um banho de futebol, cinco claríssimas ocasiões de golo, três golos de grande categoria, não jogavam com aquele resultado.
Logo na reentrada o Benfica fez o terceiro golo, o primeiro de Rúben Dias no campeonato, e voltou a encostar o Sporting às cordas. Pouco depois Seferovic voltou a marcar. Desta vez um golo que roubou ao Benfica, ao não permitir que fosse João Félix, ali encostado, a fazer o remate. O internacional suíço vinha de fora de jogo, e o miúdo estava em posição legal. Logo a seguir é o ferro que rouba novo golo a Seferovic. E até ao quarto golo, por Pizzi na conversão de uma grande penalidade, por falta do guarda-redes do Sporting sobre ... João Félix, o Benfica nunca tirou o pé do acelerador. E logo no minuto seguinte, sozinho à frente da baliza deserta, inexplicavelmente o miúdo não acertou na baliza. O relógio assinalava o minuto 78, e ficou a ideia que os jogadores do Benfica começaram a deslumbrar-se.
Logo a seguir o Sporting marcou, mas em fora de jogo. E por isso não valeu, e cinco minutos depois o VAR descobriu um penalti do Odysseas sobre ... Bas Dost. Soares Dias expulsou o guarda-redes do Benfica e, na conversão da grande penalidade, o holandês fechou o resultado num mentiroso 4-2.
Uma grande vitória e um grande resultado em Alvalade. Mas nunca, nem nos 3-6 de 1994, a vingança dos 7-1 de há 32 anos, esteve tão perto de se servir fria. Hoje o jogo teve tudo para que o score superasse esse resultado mítico.
Regresso ao estafado “o Estado somos nós”. Não é que esteja obcecado com esta frase feita, é mesmo por mau feitio.
Como é que o Estado pode ser nós, ou mesmo nós poderemos ser o Estado, se não há relação mais conflituosa do que aquela que mantemos reciprocamente?
Quando numa relação entre duas partes, cada uma não pensa se não em receber o máximo e dar o mínimo, está tudo dito. Maior conflitualidade … é impossível.
O cidadão exige tudo do Estado. Tudo. Segurança, assistência, saúde, educação, justiça … da boa. Até emprego. E bem pago, de preferência. E que nunca lhe atrapalhe a vidinha. Que não o fiscalize. Nem quando vai no seu carrinho na estrada com o pezito mais pesado, nem quando foge em excesso de velocidade ao IVA ou ao IRS. Ou ao IRC da sua empresa. Ou quando lá na empresa mete a mão nos fundos europeus, e desvia o empreiteiro das novas instalações fabris, para exportar mais, para a piscina lá de casa.
E, como se vê, não está muito interessado em dar o que quer que seja.
O Estado, por sua vez, não faz muito melhor, e às vezes até parece que quer dar razão aos cidadãos que dele só querem fugir. Vai-lhes ao bolso sem dó nem piedade, e passa a vida a estudar a melhor forma de lhe apertar o cerco, sem lhes deixar escapatória, como num jogo do gato e do rato.
E quando chega a hora de retribuir, é uma chatice … Nunca há dinheiro. E quando há, está cativo. Não se lhe pode tocar!
Estado e cidadãos comportam-se mesmo como aqueles dois simpáticos animaizinhos. Muito simpáticos, mas não se podem ver!
E ainda dizem que “o Estado somos nós”… Então não somos?
Quando se diz que “o Estado somos nós” não se quer dizer exactamente isso. O Estado é o Estado, e nós somos nós. Nem nós somos o Estado, nem o Estado é nós. Quanto muito será nosso. Não por posse, mas por cabimento… Por circunstância, não por desejo …
Quando dizemos que “o Estado somos nós” estamos apenas a tentar racionalizar um determinado tipo de comportamento cívico – chamemos-lhe assim – na nossa relação de cidadania com o Estado. Não tanto pela elegância do trato, mas sim pelas suas consequências. Não porque achemos que nos devemos portar bem com o Estado, ser aquilo a que se convencionou chamar educado, cumprimentar com deferência ou até ligeiramente curvado. Nada disso, ninguém acha que o Estado lhe merece isso. É, apenas e só, porque sabemos que tudo o que de mal aconteça ao Estado nos vem cair em cima.
Entendamo-nos: “o Estado somos nós” porque, no fim, ninguém tem dúvidas que a conta vem cá parar. Não é por qualquer outra razão!
O Estado não nos diz nada. Não estabelecemos com ele qualquer tipo de afectividade. É, na maior parte da vida de cada um, muito mais vezes inimigo que amigo. E muito menos amigo em quem se possa confiar.
A Nação sim. É a Nação que nos une uns aos outros, que através da etnia, de tradições, de costumes e da língua estabelece entre nós, num determinado território, laços de comunhão capazes de estabelecer “eus” colectivos, com vontades e aspirações próprias. Que fazem a História, que consolida ainda mais a Nação.
É na Nação que os povos se revêm, nunca no Estado!
O Estado-Nação constitui por isso a suprema aspiração de qualquer Estado. É o estado mais sólido da realização do Estado, que todos ambicionam atingir.
Quanto mais perfeita for a sobreposição do mapa do Estado com o da Nação, maior é a legitimidade natural da máquina da administração do poder, e mais fácil é resolver a esmagadora maioria das dificuldades que se podem colocar a um Estado. E aos povos, como a História tem mostrado...
O ministro do ambiente deixou o sector automóvel de cabelos em pé quando, um destes dias, disse preto no branco aos portugueses para não comprarem carros a diesel, que daqui a quatro anos ninguém daria nada por eles.
Com estas declarações, sensatas e avisadas, para uns, e completamente disparatadas, para outros, o ministro não fez mais que confirmar um momento político adverso ao diesel, que não nasceu agora. Nasceu quando, há 3 ou 4 anos, rebentou o chamado “escândalo Volkswagen”, quando o mundo ficou a conhecer que o gigante construtor alemão, e depois todos os outros grandes construtores, tinham desenvolvido sofisticados softwares para esconder os dados reais das emissões dos seus motores.
A partir daí o problema dos motores de combustão, e dos diesel em especial, passou a ter uma dimensão política. Por isso entrou no discurso político, e por isso foi agora verbalizado desta forma pelo ministro Matos Fernandes. Como, antes, já a comissária europeia para a indústria dele tinha dito o que Maomé não diria do toucinho.
Carlos Tavares, provavelmente o português de maior prestígio profissional na indústria automóvel, CEO do grupo francês PSA, dono de marcas como a Peugeot, a Citroen, a DS ou a Opel, foi dos primeiros a perceber essa dimensão política, e a dar por perdida essa batalha que o diesel tinha pela frente, quando afirmou – e explicou - que o mundo estava doido, mas que não havia volta a dar. Se “estavam a ser obrigados, pelo poder político, a produzir veículos eléctricos, seria isso mesmo que iriam fazer”!
Entretanto a Volkswagen, como se não fosse nada com eles, já anunciou que deixará de produzir carros a Diesel em 2026. A Volvo garantiu que fabricaria o último já no próximo Verão, e a Toyota já deixou de os produzir para o transporte particular…
Os ministros das finanças, e especialmente o português, que têm nos automóveis, e nos combustíveis fosseis que eles consomem, os seus maiores amigos, não se incomodam muito com isso. À medida que a transferência se vá fazendo, vão acabando com os benefícios que a empurram...
O que vai acabar em mais um singular enviesamento da política fiscal. Enquanto os carros eléctricos estão a preços apenas acessíveis aos mais endinheirados, o fisco isenta-os de todos os impostos que compõem a pesada factura fiscal do automóvel. Quando a produção se massificar, e o carro eléctrico chegar à generalidade das pessoas, já trará a velha factura agarrada… Com todos os impostos recuperados, se a imaginação a mais os não ajudar.