O caminho para Belém

Pois... Hoje, aqui ao lado, fala-se de como se chega a Presidente da República em Portugal.
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Pois... Hoje, aqui ao lado, fala-se de como se chega a Presidente da República em Portugal.

Hoje é Dia da Mulher. E ontem o governo assinalou um dia de luto contra a violência doméstica, incontornavelmente uma violência especialmente contra a mulher.
Estes dias podem não servir para nada, mas servem certamente para se falar deles e, nessa medida, a sequência entre as duas datas não será simples coincidência. Não terá sido por acaso que a ministra da Presidência e da Modernização administrativa propôs para a véspera do Dia da Mulher um dia de luto nacional, para chamar a atenção para este drama social que é a violência em ambiente familiar.
Admito que não. Admito que possa ter a ver com a ideia de dar um safanão nas consciências, ou até que a intenção passe por uma pedrada no charco de um certo folclore que tomou conta do Dia da Mulher.
Admito também que nenhuma destas datas tenha tido alguma coisa a ver com o afastamento do juiz Neto de Moura do julgamento dos crimes de violência doméstica. Que tenha sido por mero acaso que ontem se tenha ficado a saber que o presidente da Relação do Porto, por “conveniência de serviço”, o tenha transferido para as secções cíveis do Tribunal.
Mas que não tenho dúvida nenhuma que esta “conveniência de serviço” foi determinada pela reacção da opinião pública aos abjectos acórdãos da criatura, lá isso não tenho… Vale sempre a pena levantar a voz contra o despudor. Por mais processos que Neto de Moura faça anunciar pelo seu advogado, abusando do absurdo privilégio de nada disso lhe custar nada…
* A minha crónica de hoje na Cister FM
A máquina de Bruno Lage não terá propriamente gripado, mas emperrou. Alguma coisa perturbou a engrenagem que tão bem vinha a funcionar, e o Benfica perdeu um jogo que ninguém contava perder.
Nada saiu bem hoje em Zagreb, mas o pior mesmo, pior ainda que o resultado, foi perder Seferovic, vá lá saber-se por quanto tempo e com que consequências. As coisas até pareciam ter começado bem, com o Benfica a impor o seu futebol, e criar logo aos sete minutos uma grande oportunidade de golo, com Grimaldo no toque final a permitir a defesa ao guarda-redes croata.
Só que não se repetiu, e acabou por ficar única. O Benfica não criaria mais qualquer oportunidade para marcar, ao contrário da equipa croata que, sem jogar nada de especial, e com muito menos bola, criou duas ou três ao longo do jogo. Se as coisas já não estavam a correr bem pior ficaram ao minuto 30, quando os músculos de Seferovic cederam. E logo a seguir, do nada, Rúben Dias teve uma daquelas paragens que já não lhe reconhecíamos e fez um disparate, oferecendo o penalti que daria no golo que fez o resultado. Que, sem Seferovic nem qualquer outro ponta de lança, nunca mais o Benfica mostrou ser capaz de alterar.
Não se pode dizer - era só o que faltava! - que o Benfica tenha a eliminatória perdida. Mas lá que colocou dificuldades onde elas não existiam, disso não sobram dúvidas. O Dinamo de Zagreb é um adversário acessível, como de resto hoje mostrou. Mas se marcar um golo na Luz, de hoje a uma semana, pode complicar as contas. O 1-0 tem essas coisas, como se sabe.
Resta-nos esperar que isso não aconteça. Que Seferovic regresse depressa e que nada de mal possa também ter acontecido a Grimaldo. Mas, acima de tudo, esperar que o que aconteceu hoje não volte a acontecer. Que a equipa não volte a desligar!
Se tinha de acontecer, que acontecesse hoje. É esse o único sentimento positivo que fica deste primeiro jogo dos oitavos de final desta Liga Europa, em que também já tínhamos grande fé.

Hoje é dia de luto nacional contra a violência doméstica, que não pára assustadoramente de crescer em Portugal. Nos primeiros dois meses deste ano, os números aterrorizam: 30 denúncias por dia, só na GNR, que deteve 137 pessoas suspeitas deste crime. Treze mulheres foram assassinadas em contexto de violência doméstica desde o início do ano: a décima terceira ontem à noite, em Vieira do Minho!
E hoje ficou a saber-se que o juiz Neto de Moura já não julgará mais qualquer destes crimes. O presidente da Relação do Porto transferiu-o para as secções cíveis argumentando "conveniência de serviço". Fica bem, esta notícia, no dia de luto nacional contra a violência doméstica!

O primeiro-ministro húngaro, o fascistoide Viktor Orbán, tem feito tudo o que lhe dá na real gana sem provocar grandes incómodos na UE.
Orbán, e o Fidesz, o partido de extrema-direita que lidera e integra o Partido Popular Europeu, tem podido fazer dos fascismo uma bandeira. Aboliu a separação de poderes, e permitiu-se abater o Estado de Direito num país membro da UE, levantou muros num espaço livre de fronteiras, perseguiu imigrantes (mas também emigrantes) e declarou o racismo e a xenofobia pilares dos seus princípios políticos.
Nada que incomodasse ninguém na Comissão Europeia. Nada que fizesse esboçar o mais leve protesto a qualquer partido da direita europeia, incluindo naturalmente os nossos PSD e CDS, reunidos no Partido Popular Europeu (PPE).
De repente, tudo mudou. O PPE não se conforma, avisa Orbán que assim não pode continuar e ameaça mesmo expulsar o Fidesz. Paulo Rangel afinal há muito que em silêncio não tolerava o fascistoide, e até o CDS acha Orbán intolerável. Bastou que Orbán espalhasse por toda a Hungria uns cartazes a atacar pessoalmente Jean Claude Juncker, o Presidente da Comissão Europeia que é também o líder do Partido Popular Europeu!
Ainda se se lembrassem de Bertolt Brecht...
"Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso. Não era negro..."

A (excelente) entrevista do Presidente Angolano à RTP, na véspera do seu aniversário, que festejará com o Presidente Marcelo na véspera do início da sua visita oficial a Angola, demonstrou a boa onda que as relações luso-angolanas atravessam. Que se saúda, e que se deseja duradoura.
Para classificar essa relação, o próprio Presidente João Lourenço declarou-a "no pico da montanha". E para mesmo nenhuma dúvida ficasse a esse respeito, Vítor Gonçalves, o entrevistador da RTP, lembrando que, em Setembro de 2017, no seu discurso de tomada de posse ignorara Portugal, perguntou ao presidente angolano se, hoje, faria o mesmo.
A resposta foi politicamente correcta, como não poderia deixar de ser, e mesmo dizendo que essa omissão não tinha sido intencional, não hesitou em deixar claro que a resposta seria "não". Mas foi a forma como complementou a resposta que particularmente me prendeu a atenção, quando referiu que, sem adiantar o que irá "dizer sobre Portugal", da próxima, haveria "uma boa surpresa". Passo a transcrever: "Numa ocasião futura, digamos daqui a três anos sensivelmente, quando se realizarem novas eleições, não devo adiantar o que direi sobre Portugal, mas será uma surpresa para todos, angolanos e portugueses, e será com certeza uma boa surpresa".
João Lourenço confirma-se nesta entrevista como um líder moderno, hábil e ponderado que sabe muito que palavras utilizar em cada momento. Que nada fica a dever aos mais experimentados políticos internacionais. E no entanto não hesitou em dar por adquirido que daqui a três anos estará de novo a tomar posse como presidente da República. Não esperou sequer que o entrevistador lhe perguntasse - como viria a fazer mais tarde, então já com as voltas trocadas e completamente fora de tempo - se se recandiataria a novo mandato. Não referiu nem a hipotética condição da recandidatura, nem os hipotéticos resultados eleitorais...
Meros apêndices do dispensável politicamente correcto no actual quadro político angolano? Ou ainda uma aresta por limar?
Na conversa aqui ao lado, hoje chegou a vez de falar da Presidência da República. E de como se lá tem chegado...

O juiz Neto é um incompreendido. Coitado, nada lhe sai bem. Veja-se bem como uma simples partida de Carnaval o transformou num alvo de todas as partidas de Carnaval. O homem só queria também ele brincar ao Carnaval. Ainda pensou em comprar uma daquelas bisnagas de plástico para atirar água às pernas das mulheres mais descuidadas... Que se põem a jeito, de perna ao léu... Depois achou que não, que processar a malta toda tinha muito mais piada... e não constipava ninguém.
Mas nem assim... Até um jogo de computador inventaram a atirar merda para cima da criatura. O que vale é que ... "é Carnaval, ninguém leva a mal"!

Como se esperava - esta equipa é como o algodão, não engana - o Benfica foi ao Dragão confirmar que está, e que é, melhor que o Porto.
Num grande jogo, intenso, muito disputado e na maior parte do tempo muito bem jogado, o Benfica foi enorme. A grande a expectativa para este jogo era a de saber como o Porto iria entrar. Se, aproveitando o ambiente do Dragão, iria entrar pressionante, a roubar todos os espaços ao Benfica e a disputar todas as bolas, e isso quereria dizer que acreditava que era melhor e que não temia o adversário. Não entrou assim, tentou apenas dividir o jogo, parecendo entender que isso seria correr riscos. E com isso mostrou receio do Benfica!
O Benfica entrou como tem entrado em todos os jogos, instalando logo no relvado do Dragão o seu futebol. E com isso apropriou-se do melhor futebol que o jogo tinha para dar, e foi sempre superior.
Nem o golo do Porto, logo aos 18 minutos e irregular - o Pepe, em fora de jogo, baixou-se para a bola seguir para dentro da baliza - , alterou os dados em que o jogo estava lançado. O Benfica já era superior, Casillas já tinha negado dois golos, e o árbitro Jorge de Sousa já tinha perdoado um penalti ao Porto, por falta clara sobre Pizzi, na área.
O empate, por João Félix, surgiu com toda a naturalidade apenas oito minutos depois do golo mentiroso do Porto. E os vinte minutos que tardaram até ao intervalo continuaram a ser de clara superioridade técnica e táctica da equipa de Bruno Lage. Do Porto pouco mais se viu que pequenos detalhes, entre os quais o de Pepe fazer de Felipe um santinho...
A segunda parte não abriu em moldes muito diferentes, mesmo que o Porto começasse a mostrar que pretendia equilibrar a contenda. Aconteceu que a primeira oportunidade da segunda parte pertenceu ao Benfica, numa jogada de grande qualidade concluída por Rafa, já a imagem de marca desta equipa. Estavam jogados apenas sete minutos neste período complementar.
O Porto reagiu à desvantagem, é certo, mas sem nunca assegurar o domínio do jogo. Só verdadeiramente incomodou, e criou uma ou duas oportunidades, nos últimos 15 dos 94 minutos do jogo, quando Jorge de Sousa expulsou o melhor jogador em campo. Gabriel nunca tinha jogado com o Porto, e provavelmente não sabia que neste jogos a mínima distracção é a morte do artista. Reagiu à provocação do Octávio - quem havia de ser? - e foi para a rua. Coisa que não aconteceu, nme nunca aconteceria, a Alex Telles, a Pepe ou a Brahimi...
Bruno Lage ("agradeço aos jogadores que estão a fazer de mim treinador" - é a frase que vai marcar este campeonato) tratou bem do assunto: trocou Pizzi por Gedson, Rafa por Corchia, para dispôr de André Almeida no meio, e João Félix por Cervi para ajudar a fechar nas alas Em inferiorodade numérica nos de 15 minutos, o Benfica mostrou que, com 10 ou com 11, é sempre uma verdadeira equipa.
Em nove jogos, o Benfica de Bruno Lage e dos seus miúdos, ganhou 9 pontos ao súper Porto do súper Sérgio Conceição. De 7 de atraso, a 2 de vantagem. À média de 1 ponto por jogo. Notável e fora de todas as cogitações há dois meses atrás!
Hoje fala-se de Listas de Independentes. De Grupos de Cidadãos Eleitores, em bom rigor.
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