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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Foi há 50 anos!

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"Um pequeno passo para o Homem, um grande salto para a Humanidade". Visto daqui, à distância de 50 anos, não se vê bem o salto. Por maior que tenha sido...

Culpa do vento e da chuva que, enquanto lá tudo deixam na mesma, por aqui tudo apagam. Ou até da História...

 

Momento de comédia*

(Foto daqui)

Esta semana o Banco de Portugal presenteou-nos com mais um dos seus “tesourinhos deprimentes”, a lembrar-nos as rábulas do(s) saudoso(s) Gato Fedorento. Depois de ter finalmente entregado a lista com as 128 entidades incumpridoras, que nos obrigaram a sair em resgate dos bancos, uma mão cheia de nada que nos deu a saber coisa nenhuma, o Banco de Portugal montou um espectáculo de stand up comedy .

Mais ou menos assim:

- Então é esta a lista dos caloteiros, quer dizer, dos grandes devedores da banca?

- Sim, mas sem nomes. Os nomes são sigilosos.

- É possível, mesmo assim, fazer alguma leitura dos números?

- É. Mas é preciso muito cuidado, porque são coisas muito complexas!

- Mas … os dados revelados, ao menos estão certos?

- Sim, mas se não estiverem a responsabilidade é dos bancos, deles próprios.

- E a informação divulgada, é suficiente?

- Quem definiu o que devia ser divulgado foi o Parlamento.

- Então, e para terminar, agora que ninguém nos ouve: o Berardo não deve nada, ou é o 12 e deve aquilo tudo?

- Essa é uma das coisas muito complexas…

- Percebemos. Obrigado! Estamos agradecidos e esclarecidos…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Só podia dar nisto...

Centeno apontado para liderar o FMI

 

A notícia que dá Centeno na short list donde sairá o novo nº1 do FMI - sucedendo à Senhora Lagarde, que sai pela porta grande para entrar no BCE, que sucedera a Strauss-Kan, que saíra pela porta pequena por entrar por onde não devia - não surpreende muito os portugueses. Que se dividem entre os que o dividem entre herói (mais um português num alto cargo internacional) e vilão (um desertor que se passou para o inimigo, e logo para tomar conta  dele). Mas que não têm dúvidas que, depois destes quatro anos, só podia dar nisto. O homem teria que ir parar ao FMI!

 

Lista de devedores do Banco de Portugal - venha "cuscar"!

Imagem relacionada

 

Finalmente, depois de negas e mais negas, que até obrigaram a fazer leis para o efeito, depois do consentimento final e, depois disso e disso tudo, depois mais fintas e jogadas de cintura, em mais meses de espera, o Banco de Portugal lá entregou no Parlamento a lista dos grandes devedores à banca. A lista daqueles que nos obrigaram a trabalhar uma década inteira para os bancos, e que temos o direito de saber quem são.

Ficamos finalmente a conhecê-los, um a um. E não deixamos de ficar surpreendidos. Por exemplo, falava-se do malandro do Berardo quando, na verdade, como o próprio garantira na Assembleia da República, ele não deve nada. E o maior devedor da CGD é afinal o 012, esse sem vergonha.

Do 086 e do 029 já há muito que se desconfiava. Aqueles iates ... não podia ser... Mas, francamente, quem diria que o 040 não era de boas contas? 

 

Palavras excessivamente cruzadas

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Os exercícios de palavras cruzadas, um passatempo irremediavelmente em vias de extinção, não constituem exemplos de erudição, nem propriamente referências de imaginação. Mas também não imaginávamos que pudessem constituir focos de contestação, e já verificamos que sim. Que podem.

"Ensinam quando não estão em greve" foi a expressão que no Expresso escolheram para sugerir a resposta "professores" no seu exercício de palavras cruzadas deste fim de semana. Não é um exemplo de erudição, nem de grande imaginação. E é de inegável mau gosto... Mas, se calhar, também não será motivo para que o Carmo e a Trindade estejam a cair... 

Um artista

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Trump vem a Portugal. Só não tem ainda data marcada, diz o presidente Marcelo. É o que se chama matar o assunto à nascença. Não tem importância nenhuma. Pronto, não se fala mais nisso.

Entretanto vai a  Paris e canta a marselhesa ao lado de Macron, na parada militar do dia da tomada da Bastilha... Como se não estivesse a cantar o hino oficial de um país estrangeiro, no seu dia nacional...

Um artista!

O campeão voltou

Girão à frente do 'castelo' e ...  Portugal é campeão do Mundo de hóquei em patins

 

Desasseis anos depois - uma eternidade à luz da História de Portugal na modalidade - a selecção nacional de hóquei em patins voltou hoje, em Barcelona, a conquistar o título mundial. Vinte e seis anos depois da última vez que o fizera em território estrangeiro, então em Itália, o que dá bem a ideia de como perdeu a hegemonia mundial de que desfrutou no passado.

Hegemonia que passou claramente para os nossos vizinhos espanhóis, que ganharam sete dos últimos oito campeonatos do mundo disputados desde a última vitória portuguesa. Apenas a Argentina evitou o pleno espanhol.

Poderá dizer-se que esta vitória portuguesa neste campeonato mundial de Espanha é inteiramente justa e merecida à luz do esforço que lhe foi exigido, já que teve de eliminar a Itália, nos quartos de final, e a Espanha, nas meias finais, depois de ter empatado na fase de grupos com a Argentina, o adversário desta final, que ganhou o grupo por diferenca global de golos. O que, caprichos do sorteio, lhe facilitou a vida no caminho para a final.

Hoje, num jogo que terminou sem golos - nos 50 minutos regulamentares e nos 10 do prolonagamento, coisa pouco habitual na modalidade - até nem terá sido melhor que o adversário. Mas foi melhor no desempate pelas grandes penalidades (2-1), como já havia sido no outro jogo, em que igualmente venceu da mesma forma, mesmo que dessa vez, como se percebe do que foi dito atrás, não lhe tivesse valido de nada.Tratava-se então, e apenas, de uma medida preventiva para o  desempate na classificação, na eventualidade de o empate se manter depois de esgotados os restantes critérios de desempate. 

Já o apuramento frente à Itália tinha sido conseguido pela mesma via o que, e se outros méritos não tivesse tido - e teve, ainda hoje defendeu cinco grandes penalidades durante todo o jogo -, faz do guarda-redes Girão o grande herói deste título.

Tour de France 2019 I

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Com a chegada hoje a Saint Étienne cumpriu-se hoje a primeira semana desta edição do Tour. Para trás tinham ficado sete etapas, as três primeiras corridas em solo belga, entre as quais um contra-relógio por equipas, na segunda, onde a principal novidade terá sido o fraco desempenho da Movistar, fora das 10 primeiras, que só não penalizou Nairo Quintana, ainda e sempre na lista dos favoritos, bem como Mikel Landa, também um nome a ter em conta, porque as diferenças em apenas 30 quilómetros não dão para fazer grande diferença.

O primeiro cheirinho a montanha chegou na etapa 6, anteontem e, se não deu para "cavar" grandes diferenças, deu para afastar logo alguns nomes sonantes como Adam Yates e Dan Martin, que aí perderam mais de 14 minutos. Deu também para a amarela saltar do francês Julien Alaphillippe, a nova coqueluche dos gauleses, que hoje a reconquistaria em Saint Étienne, para o italiano Giulio Ciccone.

Sem Froome, vitima de queda e obrigado a uma intervenção cirúrgica a poucos dias do início da competição, o favoritismo cai todo, de novo, no seu colega e compatriota Geraint Thomas, o vencedor do ano passado, agora, que a poderosa Sky abandonou o ciclismo, na nova e igualmente poderosa Team Ineo. Mesmo que sejam enormes as expectativas que caem sobre a nova estrela espanhola, o jovem Enric Mas, da Deceuninck-QuickStep!

Vamos ver o que aí vem. E cá voltaremos para contar como foi, como habitualmente.

 

 

Sinais dos tempos*

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Nos últimos tempos tem-se falado muito do surgimento de uma nova ordem sindical, em ruptura com o velho establishment herdado do século XX, baseado em estruturas orgânicas e ideológicas bem definidas.

Muitos dizem que há um confronto entre as velhas respostas do sindicalismo orgânico e a nova realidade do mundo do trabalho ou, mais pragmaticamente, que os velhos sindicatos já não representam os novos trabalhadores. O financiamento das greves através da novidade do crowdfunding, em vez dos velhos, curtos e limitados fundos de greve do início do século passado, não é mais que a ponta do iceberg.

Todos os movimentos sociais estão sujeitos a dinâmicas próprias que, uma vez em movimento, são difíceis de parar. É o que poderá estar a acontecer com estes novos modelos sindicais, provavelmente condenados a crescer em direcção à substituição da velha ordem sindical, numa dinâmica que poderá estar a revelar-se muita atractiva para muitos e diversos interesses, eventualmente pouco convergentes com os que se propõem representar.

Exemplos dessa perversidade começam a andar por aí, e a surgir a descoberto.

No sindicato dos motoristas de matérias perigosas, que paralisou o país há um par de meses e que já pediu desculpa por se preparar para o voltar a fazer já no próximo mês, o líder e mentor é conhecido pelo “advogado do Maserati”, por se fazer deslocar num automóvel desta prestigiada marca. Tão estranho como um sindicalista de Maserati, é um advogado associado de um sindicato de motoristas. Mas o sucesso salta barreiras e, segundo as notícias, estará já a ser requisitado para alargar a sua intervenção a novos domínios sindicais. É até possível que esteja a pensar em franchisar a ideia. Um franchising de Sindicatos… é capaz até de ter futuro.

Não menos preocupante, antes pelo contrário, é o que se passa com os novos sindicatos da polícia, que se multiplicaram como cogumelos. São já 17, os sindicatos que se propõem representar os polícias portugueses - um record na administração pública portuguesa. Em muitos são mais os dirigentes que os sindicalizados. E como cada dirigente tem direito a quatro folgas por mês, a que se junta mais 12 horas para os delegados, as folgas já se traduzem em perto de 40 mil dias.

Há cera de dois meses tivemos oportunidade de constatar que boa parte dessas folgas era canalizada para a actividade política, quando os vimos nas listas de um partido de extrema-direita, que por aí anda à procura de um lugar ao sol. Esta semana ficamos a conhecer outros aproveitamentos dessas folgas, com a notícia da detenção de outro polícia sindicalista, com 125 quilos de droga. Dizem os jornais que aproveitava as folgas para ir a Espanha buscar a droga que traficava por cá… E que não escondia nada dos sinais de fortuna que o negócio lhe garantia...

Não. Este não é um novo paradigma do sindicalismo. Apenas sinais dos tempos… Destes tempos!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

O estado do retrato

Capa Diário de Notícias

É no mínimo interessante, esta capa de hoje do DN - que não está nas bancas - na rara e feliz oportunidade de cruzar o "Estado da Nação" com o "retrato do país". 

O último debate da actual legislatura na Assembleia da República mostrou uma "Nação" em "estado" de eleições, com muito pouco a ver com o país retratado nos dados estatísticos que a Pordata hoje revela. Na última década - um pouco mais, entre 2007 e 2018 - a população diminuiu e ficou mais velha. Os portugueses casam menos e têm menos filhos. Estão mais letrados e mais formados, mas igualmente pobres.

Tudo mudou nesta última dúzia de anos, só a pobreza ficou. Inalterada e inamovível, como "o Estado da Nação"!

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