Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

"É uma coisa que me chateia"

(Foto Tiago Miranda)

 

Sentia-se uma certa tensão no ar, e as barreiras de protecção à escadaria de S. Bento, em versão peso-pesado, deixavam evidente a preocupação do governo e das forças de segurança em exercício. A ideia da reedição do clássico de polícias contra polícias não é simpática, e muito menos tranquilizadora.

Mas acabou tudo em bem. E mais cedo, dizem. Porque o semi-clandestino movimento zero - mais um movimento inorgânico nascido nas redes sociais, e agora no coração de uma das mais determinantes funções do Estado - tomou conta da ocorrência, e André Ventura do palco. E porque os organizadores da manifestação, para além de não gostarem do que viam, são gente de bom senso.

No fim lembrei-me de Pinheiro de Azevedo, quando às portas do 25 de Novembro, governo e deputados constituintes ficaram cercados, também em S. Bento, por operários da construção civil. Bem sei que o que dele é lembrado da altura  é o "vão bardamerda mais o fascista"; mas também disse: "não gosto de ser sequestrado, é uma coisa que me chateia". É que eu também não gosto da ideia que a defesa das forças de segurança é coisa da direita mais extremista, como André Ventura e Telmo Correia (nitidamente a reboque) pretendem fazer crer. É também "uma coisa que me chateia"!

Crime com assinatura

Resultado de imagem para pedir esmola"

 

Uma mulher, ainda jovem mesmo que o não pareça, sem abrigo, pede uma esmola a um transeunte. De volta recebe um tiro, e cai morta.

Abeirara-se do transeunte, e pedira-lhe um real, para comprar pão. O assassino meteu a mão à mala mas, em vez da moeda pedida, tirou de lá a pistola que de imediato disparou friamente sobre a pobre jovem mulher. E seguiu caminho, como se nada mais tivesse acontecido que livrar-se de uma mosca incómoda que se lhe atravessara à frente. É um comerciante estabelecido na zona, e tem a porta do estabelecimento para abrir...

Aconteceu ontem, em Niterói, ali ao lado do Rio de Janeiro.  No Brasil, de Bolsonaro. 

Poderia não ser mais que mais um assassínio, num país em que acontecem a toda hora. Mas não é. Este é um crime com assinatura. Este é o tipo de crimes onde não é possível apagar o nome de Bolsonaro. 

Ó pá...

Capa Jornal de Negócios

 

Ontem tinha deixado aqui duas perguntas. À primeira não obtive resposta, mas a segunda é respondida hoje em boa parte dos jornais. 

O Jornal de Negócios dá-a na capa:

Joaquim Oliveira - 3.06 milhões;

José Guilherme - 4.28 milhões;

José António Santos - 14.6 milhões.

Para além de - todos - amigos de Luís Filipe Vieira (que também garante já 3.8 milhões, mas isso é "pinners", como dizia o outro) parece-me que se vê por ali outro traço comum. Ó pá... 

OPA? Ó PÁ...

Resultado de imagem para opa slb"

 

Há por aí alguém que me consiga explicar por que é o Benfica, que detém tranquilamente a maioria (mais de 67%) do capital social da SAD, quer comprar mais 28% desse capital, para chegar aos 95%?

E por que é que, para isso, é preciso pagar um prémio de 81%?

E, para a hipótese negativa, isto é, se não houver quem me consiga explicar, será que haverá por aí alguém que me consiga dizer quem é que vai tirar a barriga de misérias e fazer uma pipa de massa com tão inexplicável prémio para a operação?

Só hoje, quem estivesse mais apertado, ou quem não quisesse aparecer referenciado na operação, já terá aberto umas garrafas de champanhe para celebrar uma mais valia superior a 70%.

Mas o que é isto? Está tudo cego? Ó pá...

 

Aproximação a zona de turbulência

Resultado de imagem para tap"

 

Desde que Antonoaldo Neves assumiu as rédeas da gestão, a TAP passou a acumular prejuízos ao ritmo dos seus piores tempos. Nos primeiros nove meses do ano somam já 111 milhões de euros, em cima dos 118 milhões do ano passado. Em dois anos os prejuízos subirão bem para lá dos 250 milhões de euros.

Mas, ouvindo o compatriota e sucessor de Fernando Pinto, está tudo bem. Não há problema de qualquer espécie, até porque, como não se cansa de repetir, quem sabe daquilo é ele. É ele o único especialista naquela ciência oculta que é o negócio da aviação, e tem sempre explicação para tudo. 

E explica que o prejuízo deste ano se deve a "variações cambiais sem impacto na tesouraria" -  deve ser por isso, por não terem impacto na tesouraria, que já aí está o segundo empréstimo obrigacionista do ano, no valor de 300 milhões de euros, depois dos 400 milhões que recolheu em idêntica operação no primeiro semestre -, como os prejuízos do ano anterior haviam sido explicados por situações não recorrentes. Ou excepcionais, que na TAP mais costumam ser regra, como indemnizações por atrasos, por exemplo. 

Valha que, mesmo com rating de lixo - a TAP só não tem o pior rating das companhias de aviação porque o genial David Neelmam (outro charlatão que este país transforma em génio) tem mais três empresas no sector e todas em pior estado - o Sr Antonoaldo ainda vai encontrando quem lhe empreste dinheiro para financiar os resultados da sua brilhante gestão. 

A aproximação a zonas de forte turbulência está a fazer-se a grande velocidada. E, como no Titanic, a orquestra toca...

 

 

Espectáculo garantido

Resultado de imagem para julgamento alcochete em monsanto

 

Começa hoje o julgamento do ataque à Academia do Sporting, em Alcochete. O circo está montado em Monsanto, e o espectáculo promete. Pela lista de testemunhas arroladas por Bruno  de Carvalho, que inclui as duas mais altas figuras do Estado, que anunciara processar por o terem condenado na praça pública e, aos olhos da opinião pública, terem feito dele culpado. Pela reconstituição, que já solicitou, mas acima de tudo pelo seu próprio potencial de encenação.  

Nestas coisas Bruno de Carvalho raramente falha. É espectáculo garantido... Começa hoje,  e só se sabe que não irá acabar tão cedo...

Apuramento de credo na boca

Resultado de imagem para luxemburgo - portugal

 

À última da hora, e com o credo na boca, a selecção nacional acabou por se apurar para o europeu do próximo ano, depois da vitória (2-0) de hoje no Luxemburgo, com mais uma pobre exibição, desta vez justificada pelo estado do lamaçal onde a partida se disputou.

A exibição  da passada quinta feira, com a Lituânia no Estádio do Algarve (6-0), uma das poucas deste apuramento condizente com o valor individual dos jogadores portugueses, pese embora a fraca valia do opositor, não era obviamente repetível naquele batatal luxemburguês, mas também não é aceitável tão fraco desempenho, com um resultado feliz e muito melhor que a exibição. A selecção do Luxemburgo foi inclusivamente, em largos períodos jogo, especialmente na primeira parte, até superior à portuguesa.

Chegou ao fim uma fase de apuramento que não começou bem e que não esteve longe de acabar mal. Na realidade, e descontando a exibição neste penúltimo jogo com a Lituânia, último classificado do grupo, apenas no jogo da Sérvia a selecção nacional esteve ao nível do estatuto que já alcançou.

A continuar assim, com estratégias de contenção de danos, pouco ambiciosas e ronaldocentradas, dificilmente a selecção nacional fará boa figura na fase final do Europe, em versão all over the Europe. Porque... há milagres, mas não é todos os dias. E nunca duas vezes seguidas! 

Coisas que nos envergonham*

Resultado de imagem para bebé encontrado no lixo em santa apolónia"

 

Foi notícia na passada semana o caso do recém-nascido deitado ao caixote do lixo. Não podia deixar de o ser, porque é objectivamente notícia.

O mesmo se não pode dizer da histeria mediática que se seguiu. Dias e dias a fio sem se falar de outra coisa nas televisões e nas redes sociais, os tribunais plenários dos nossos dias, com inqualificáveis abusos de toda a ordem, numa espécie de peditório para que o nosso Presidente da República também deu alguma coisa. Como frequentemente lhe acontece, porque não é fácil aparecer nos peditórios todos sem deixar contribuição.

Ninguém parou para pensar num parto, na rua, em Novembro, em 2019, de uma jovem com pouco mais de 20 anos, sozinha. Ninguém parou para pensar que tipo de responsabilidades poderão ser atribuídas a uma pessoa nestas circunstâncias.

Talvez o juiz que lhe decretou a prisão tenha pensado nisso. E talvez tenha pensado que, à falta de Estado (social) para responder a estes dramas, o melhor seria convocar o Estado (repressivo) para lhe dar resposta imediata. Melhor a prisão que mantê-la na rua.

Pode ser que sim. Não há pior prisão que a da rua, de lá nunca ninguém sai. Mas é um inqualificável atropelo ao Direito. Como bem claro deixou o grupo de advogados que requereu a sua libertação junto do Supremo Tribunal de Justiça. Que foi rápido a negá-la.

E que, talvez para ser tão rápido, nem perdeu tempo a enunciar um - um, só um que seja – dos requisitos da prisão preventiva nesta triste ocorrência que nos enche de vergonha.

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Sem preconceitos

Resultado de imagem para muçulmana impedida de jogar

 

Foi notícia em todo o lado, com reportagens em todas as televisões, o impedimento de uma miúda de 13 anos - nascida no Paquistão e residente em Tavira - participar num jogo de basquetebol, em Albufeira. Tudo porque, sendo muçulmana e usando hijab, usava por baixo do equipamento oficial peças de roupa que lhe cobriam as pernas e os braços, coisa que a equipa de arbitragem entendeu violar os regulamentos.

Parece no entanto que não. Os regulamentos da Federação Internacional de Basquetebol prevêem, desde há dois anos, a possibilidade de jogadoras muçulmanas cobrirem a cabeça e o corpo. Daí que apenas sobrem razões de ordem estética (que não podem, evidentemente, depender do critério da equipa de arbitragem, mas deixemos isso de lado), até porque não foi pela cobertura das pernas - com uns comuns collants, por muitas dúvidas estéticas que os calções também levantem - que o impedimento foi invocado. Foi pela cobertura dos braços, com uma inestética (mesmo assim menos que os calções) camisola de manga comprida por baixo da camisola de alças do equipamento usado comummente na modalidade. 

Tudo apontaria para que aí estivesse mais um dos infindáveis casos de preconceito dos nossos dias. Não me parece. Parece-me mais qualquer coisa que se resolva com facilidade numa visita a uma loja da Nike. Que certamente já pensou nisto! 

 

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics