O Benfica saiu da Champions de cabeça erguida, ao contrário do que em certa altura chegou a parecer. Fez um grande jogo na despedida, com uma bela exibição coroada com uma vitória expressiva sobre o Zenit, que saiu da Luz sem nada, quando entrara com a possibilidade de sair com tudo. Ou até com alguma coisa, com a única coisa a que o Benfica podia aspirar.
Os primeiros momentos do jogo pareciam querer mostrar um Benfica com o tal bloqueio mental da Champions. Foi no entanto coisa passageira, aos poucos a equipa foi-se libertando desse espartilho mental e começou a soltar o seu futebol, claramente de volta, depois de tanto tempo desaparecido.
Na primeira parte, sem criar grandes situações de golo, é certo, o Benfica esteve sempre por cima do jogo, mesmo que por duas ou três vezes a equipa do Zenit tenha conseguido ameaçar a baliza de Odysseas, que nunca teve grande trabalho. Fez apenas uma defesa, e logo das grandes, mas já a segunda parte ia alta, e o resultado em 2-0.
Na segunda parte tudo foi ainda melhor, e o Benfica voltou aos momentos de grande brilhantismo. Logo ao segundo minuto chegou ao golo, por Cervi, com assistência do suspeito do costume, numa brilhante jogada de futebol que partiu por completo uma defesa que até aí parecia intransponível.
A equipa continuou com o seu futebol corrido, variado e alegre não permitindo aos jogadores da equipa russa muito mais que fazer faltas, e acumular amarelos. Quinze minutos depois do primeiro golo, e de mais três claras oportunidades de golo, o Benfica chegou ao segundo. De penalti (corte da bola com a mão, a evitar a finalização de Chiquinho), com o suspeito do costume a marcar. E com expulsão, por segundo amarelo, do defesa brasileiro do Zenit.
Com 2-0, com mais um jogador em campo, e com cerca de meia hora para jogar, o Benfica tinha tudo para consolidar uma exibição notável e reduzir a equipa russa à banalidade. E foi o que fez!
O resultado atingiria a marca final de 3-0 num auto-golo (a retribuição do que, lá, tinha feito Rúben Dias) que escreveu direito. É que surgiu do canto que resultou de um golo cantado de Vinícius, que ainda está por saber como lhe tiraram aquela bola de dentro da baliza.
Entretanto em Lyon, onde se faziam as outras contas do grupo, a equipa francesa, a perder com o Leipzig desde muito cedo, estivera fora das competições europeias durante muito tempo. O mesmo tempo em que, mesmo a perder, o Zenit estivera apurado para os oitavos da Champions. Como o empate o Lyon acabou nos oitavos da prova rainha, atirando com os russos para fora da Europa, mesmo que tivesse sido o Benfica a fazê-lo.
É certo que fica um certo amargo na doce vitória de hoje, que garantiu a passagem para a Liga Europa. Como poderia ter sido diferente esta participação na Champions...
A uma semana da apresentação do Orçamento na Assembleia da República fazem-se contas. Não as do Orçamento, que essas aparentemente estarão feitas, mas as que lhe garantam a imprescindível aprovação.
Deitada fora a geringonça, António Costa tem que se voltar para as pequenas franjas do Parlamento à procura dos oito votos que lhe faltam. Tudo indica que terá lançado um olhar de flirt para o PAN (4 deputados) e para o Livre (se a Joacine estiver pelos ajustes...) que terá sido correspondido, pelo que lhe ficariam a faltar três.
Continuando a olhar à volta os olhos caíram nos deputados do PSD Madeira, ali bem à vista e, por ordem do chefe (apetecia dizer do chulo, mas fica chefe), em modo casa de alterne. Das finas. Ali não há flirts, nem cumplicidade no olhar. Apenas negócio, puro e duro: casa, carro e cartão de crédito de plafond ilimitado. Nada de mais!
Toda a gente sabe que as aventuras não ficam baratas... Nem uma simples escapadela!
Assinala-se hoje o dia internacional contra a corrupção, instituído pela ONU em 2003, para sensibilizar a opinião pública para uma chaga que custa 5% do PIB mundial.
Acabar com a corrupção representaria acabar com os grandes problemas que o mundo tem por resolver. Mas sabe-se que nem uma coisa nem a outra acaba.
Em Portugal, a data é assinalada com o anúncio que os principais intérpretes da Justiças estão a participar na definição de uma estratégia nacional de combate à corrupção. Dessa estratégia ficaram hoje conhecidas algumas medidas: facilitar a denúncia premiada e alargar os prazos para o efeito, permitir a negociação de sentenças em fase de julgamento, isto é, introduzir a possibilidade de existir um acordo na fase de investigação entre arguido e Ministério Público sobre a pena reduzida a aplicar a quem confessa um caso de corrupção, evitar os mega-processos e criar juízos especializados nos tribunais para o efeito. Uma especialização que já acontecera na fase de investigação do Ministério Público, e que poderá fazer todo o sentido. Mas também poderá apenas dizer que, até aqui, e em processos com esta gravidade, não haveria grande preocupação em assegurar que os juízes que apreciassem estes processos tivessem a experiência requerida para o fazer.
E com diversas celebrações por todo o país, com as oficiais a decorrerem em Guimarães, é notícia de jornal (capa acima) que um cidadão lesou o Estado em 60 milhões de euros, foi condenado a sete anos de prisão, mas não tem que pagar nem um cêntimo... E vamos entretanto continuando a esperar pelos resultados do julgamento de José Sócrates, de Ricardo Salgado e de mais uns tantos...
Aos primeiros minutos do jogo de ontem, no Bessa, o Benfica marcou um golo, por Pizzi, com o assistente de Jorge Sousa a assinalar prontamente fora de jogo ao marcador, confirmado pelo VAR. Das imagens televisivas, mostradas de vários ângulos e captadas por várias câmaras, não havia uma única que confirmasse o fora de jogo. Passados largos minutos lá surgiram as famosas linhas, com umas setas a indicarem 50 centímetros. Pizzi, dizia a tecnologia, estava adiantado em 50 centímetros relativamente ao penúltimo adversário. Poderiam ter apresentado dois, três ou cinco centímetros, e esconderem-se atrás de uma unha do pé que Pizzi se teria esquecido de cortar. Mas não. Não fizeram a coisa por menos de meio de metro, deixando que a decisão atingisse a dimensão do escândalo.
Hoje, no jogo entre o Aves e o Braga, foi anulado, também por fora de jogo, do avançado bracarense Paulinho, claramente adiantado, sem qualquer tipo de dúvida, como as imagens claramente comprovavam. E também prontamente assinalado pelo árbitro assistente, e confirmado pelo VAR. E lá vieram as linhas ... com a indicação de ... 47 centímetros.
Ficamos todos esclarecidos sobre a tecnologia. Já tínhamos algumas provas que havia marosca na tecnologia ao serviço do VAR. A partir de hoje não temos dúvidas que é tão manhosa como as linhas que apresenta.
O Benfica passou com distinção este difícil desafio do Bessa, na abertura da jornada treze deste campeonato. Difícil porque são sempre grandes as dificuldades que o Boavista coloca aos adversários, e em especial ao Benfica, com um tipo de jogo sempre feito de muita agressividade e pouco futebol. E difícil ainda porque Jorge de Sousa assume normalmente o papel de mais um adversário. E hoje voltou a fazê-lo.
Logo de entrada o Benfica mostrou ao que vinha. Mostrou que estava ali para ser competente, jogar bem, e ser valente. Porque só com muita valentia foi possível enfrentar este Boavista que levou o jogo para a dimensão do combate, a bater como ninguém, e com faltas consecutivas que não só massacravam os jogadores do Benfica como lhes quebravam o ritmo de jogo.
Percebeu-se que equipa estava preparada para isto, para ser intensa, competente e valente. Entrou forte, e fez um golo logo no arranque do jogo. Invalidado, por fora de jogo. Um fora de jogo que no jogo corrido ninguém percebeu, mas que, no entanto, o auxiliar de Jorge de Sousa não teve nem dificuldade nem dúvida em assinalar. Depois, o VAR deu-lhe razão com uma linha que dava off side por uns inacreditáveis 50 centímetros.
Nada que abalasse a equipa, que continuou a fazer o seu futebol atractivo, sério e competente. E a dominar completamente o jogo, sempre sob forte apoio da massa adepta e indiferente às peripécias do jogo. Ao amarelo a Cervi, por ter levado um toque dentro da área adversária e caído. Ou ao amarelo a um defesa do Boavista que carregou por trás o Chiquinho, completamente isolado à entrada da área e só com Bracali pela frente.
Mesmo que a qualidade de jogo fosse grande, como era, as oportunidades de golo não abundavam. Daí a importância da competência também na finalização, e isso, como se vai vendo, é atributo do Carlos Vinícius. Que aos 34 minutos não falhou, e fez o primeiro golo da partida. Foi um alívio!
Um alívio que a equipa sentiu, levando-a crer que o mais difícil estava feito, que em vez de mandar no jogo podia controlá-lo. E relaxar um bocadinho... Correu mal, e o Boavista chegou ao empate na primeira vez que chegou à baliza do Odysseas, já em cima do intervalo.
Ao contrário do Boavista, que nunca mais chegava para o reatamento, o Benfica mostrou pressa em arrancar para a segunda parte. E logo que os jogadores axadrezados resolveram aparecer foi para cima deles, no mesmo ritmo que tinha mantido na primeira parte, até ao golo. E o segundo, por Cervi, apareceu meia dúzia de minutos depois.
Avisado que tinha ficado, o Benfica continuou sem tirar o pé. Forte reacção à perda da bola, versatilidade, intensidade, dinâmica... Nada faltava. E o terceiro, bis de Vinícius, não demorou mais que 10 minutos. E nem aí a equipa abrandou.
O quarto golo, por Gabriel, que acabaria por chegar já nos minutos finais, serviu apenas para deixar um colorido no pacard ajustado à categórica exibição do Benfica. À campeão!
Esta semana fica assinalada pela presença entre nós da pequena Greta Thunberg, marcada por grande agitação e espectáculo à chegada, e por invulgar descrição nos dias seguintes. Mais do que os inicialmente previstos. De passagem para Madrid, para participar numa manifestação à margem de mais uma cimeira do clima, a COP 25, iniciada na passada segunda-feira e a decorrer até ao fim da próxima semana, a jovem activista sueca acabou por ficar mais uns dias em Portugal. E acabou por apenas partir na noite de ontem, momento que inevitavelmente voltaria a merecer grande destaque mediático.
Mas não foi por nada disso que as redes sociais se voltaram a agitar. Foi mesmo por ela, e pelo que representa.
O palco de eleição do escárnio e do mal dizer voltou a erguer-se para bater na pequena Greta. Não acolheu no entanto todos os que, com mais ódio do que o que lhe apontam, saem à rua para lhe atirar pedras. Outros, que dizem abominar as redes sociais e tudo o que por lá se passa, subiram a palcos mais exclusivos para, dai, fazerem exactamente o mesmo. Quiçá com mais violência ainda.
Já não é grande a imaginação, pelo que se limitam a repetir-se uns aos outros. Que” devia era estar na escola”. Que só por isso que a juventude a segue, que tudo o que seja faltar às aulas tem adesão e popularidade garantidas entre os jovens. Que vive do espectáculo. Que é instrumentalizada. Que destila ódio, como se eles próprios fizessem outra coisa. Que é doente. Que precisa de ser internada numa unidade de psiquiatria…
Ouvimos e lemos tudo isto e perguntamo-nos: porquê?
Por acaso é falso o que ela denuncia?
Não é verdade que não há planeta B?
Não está em causa o futuro das gerações, e designadamente daquela a que pertence?
Não é mesmo imperioso repensar e reformular todo um modo de vida que se esgota no horizonte dos que o vivem?
Não me parece muito difícil encontrar uma resposta afirmativa para todas estas interrogações.
Se assim é, por que reage assim tanta gente?
Porque a pequena Greta se tornou numa celebridade?
Porque se tornou numa referência para as novas gerações?
Talvez também por isso. Mas isso é o mensageiro que se quer matar para acabar com a mensagem. O que, acima de tudo, está em causa é a mensagem. Essa é que está a colocar em causa os mais poderosos interesses instalados no planeta. Que uns, poucos, têm por missão defender, e outros, muitos, se limitam simplesmente a imitar. Porventura por mimetismo!
Durante muito tempo a estratégia do país para o Turismo, sempre uma das mais fortes componentes da nossa economia, a par das remessas dos emigrantes, assentava no "Sol e Praia". Muitos entendidos da matéria alertavam para os perigos de uma espécie de mono-produto, e avisavam que era preciso alargar a oferta.
Não sei se foi feita muita coisa para atingir esse desiderato, mas sei o que o terrorismo, e principalmente a instabilidade que se seguiu à Primavera Árabe, de há meia dúzia de anos a esta parte, fizeram por isso. Hoje o turismo português faz gala de apresentar mais um produto - a "Segurança", a acrescentar ao "Sol e Praia". Hoje Portugal é "Sol, Praia e Segurança". Que não é bem a mesma coisa que "sol e praia em segurança", como se sol e praia fosse sexo. Que às vezes também é!
Não. Segurança é, hoje, o mais determinante produto do pacote turístico que temos para oferecer. E valeu-nos mesmo dois dos mais disputados turistas da actualidade. Temos desde ontem em Lisboa dois turistas à procura do que de melhor temos para oferecer - "segurança"!
Os senhores Pompeo e Nethanyahu precisavam de conversar um bocadinho - talvez até uma partidinha de xadrez, quem sabe? (dominó? - não acredito!) - e escolheram Portugal. Claro que, sendo quem são, precisam mais de segurança que de sol. Que também aí está, de mãos dadas com a tradicional hospitalidade portuguesa, também central no rótulo do nosso pacote turístico.
Hoje poderia vir aqui escrever sobre as alarvidades que se disseram e escreveram a propósito da presença entre nós da pequena Greta. E talvez a elaborar uma tese que procurasse explicar por que é que a direita é tão grosseiramente impiedosa com a pequena activista e - quem sabe? - a concluir que não será tanto por serem broncos e ignorantes, mas mais por preconceito ideológico. A ideia que os recursos do planeta são finitos, estando já alguns à beira do esgotamento, pelo que a sua utilização terá que, inapelavelmente, ser sujeita a limites estabelecidos pelo Estado, choca violentamente com as suas mais profundas crenças.
Ou sobre a rara notícia do afastamento dos Tribunais de dois conhecidos juízes por suspeita de corrupção, um por expulsão - Rui Rangel - e outro - outra, Fátima Galante, uma das suas ex-mulheres - por reforma compulsiva. Para eventualmente concluir que esta é uma decisão com algumas décadas de atraso, mas talvez só agora possa ter sido possível.
Mas acabei por escolher escrever sobre um Relatório - a apresentar publicamente amanhã mas já hoje dado a conhecer - da OCDE e da Comissão Europeia que conclui que o nosso Serviço Nacional de Saúde é o mais eficaz a salvar doentes. “O Estado da Saúde na União Europeia (UE) 2019” - assim se chama o Relatório - conclui que em Portugal morre-se menos por causas evitáveis e tratáveis do que na média europeia.
Porque é a melhor notícia de hoje. E nem que seja apenas para dizer que, se é assim com todas as dificuldades por que passa e tem passado, imagine-se o que seria, aos 40 anos, o nosso SNS adequadamente financiado, e bem gerido... Se calhar, e na terminologia do Presidente Marcelo, seria aquilo que já foi: o melhor Serviço Nacional de Saúde do Mundo!
Hoje recebemos a visita da criança/jovem de quem se fala. Greta Thunberg atravessou o Atlântico de veleiro, vinda dos Estados Unidos, chega hoje a Lisboa e segue amanhã, de comboio, para Madrid, onde ontem arrancou mais uma cimeira, que se prolongará até ao fim da próxima semana à procura, se não de respostas, pelo menos de manter vivo o debate sobre a emergência climática em que nos deixamos cair.
A recebê-la, na doca de Santo Amaro, no porto de Lisboa, estará muita gente. Estará o Presidente da Câmara, estarão deputados ... Só não estará o Presidente Marcelo...
Não precisaria de estar. Muito menos precisaria de se prestar ao mais ridículo exercício de cinismo e hipocrisia política. Não está, e todos sabemos por que não está!
Mas, quem está em todo o lado, sem qualquer reserva e tantas vezes até sem pudor, não pode dizer que, para não estar presente, teve de reprimir os seus desejos para evitar "aproveitamento político". Essa é que não, Sr Presidente. Um bocadinho de decoro, se faz favor!
Haverá muitas razões para que os autarcas do país se encontrem, e pontos de interesse comum das autarquias não faltarão. Por isso mesmo é mais difícil de perceber que se tenham encontrado em Congresso para debater a Regionalização - um tema que não está em cima da mesa e que está actualmente a léguas do espaço de influência autárquico.
É verdade. Sem que percebesse porquê, e para quê, a cúpula dos autarcas do país decidiu levar a Regionalização para o Congresso dos Municípios, que realiza de dois em dois anos, e que aconteceu neste fim-de-semana em Vila Real. Foi assim como que introduzir a Regionalização a martelo na agenda política.
O Presidente Marcelo passou por lá e disse-lhes qualquer coisa como: "mas o que é que vos passou pela cabeça? Regionalização? Pode ser que lá para o meu segundo mandato se possa pensar em falar disso. Agora? Amanhem-se com a descentralização e ganhem juízo"... . Não terão sido estas as palavras, mas bem poderiam ter sido.
Até o primeiro-ministro António Costa, que foi encerrar o Congresso e que, como se sabe, sonha com a regionalização todas as noites, lhes lembrou que há ainda muita coisa a limpar da cabeça dos portugueses antes de se poder começar a voltar a falar disso.
Até porque, como se sabe, o assunto não poderá fugir a um segundo referendo. E por isso mesmo António Costa aproveitou para confirmar que se está a preparar a eleição directa dos líderes das comissões de coordenação regional. O que, dado como ponto intermédio da Regionalização, menos não é que a divisão do país nas correspondentes cinco regiões administrativas. Ou a Regionalização sem referendo...
Não sei se eram estas marteladas que os autarcas pretendiam quando decidiram fazer da Regionalização o tema do Congresso. Se calhar até seria...