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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Más sensações ... e maus sintomas

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As más sensações para o jogo desta noite, na Luz, começaram a desenhar-se bem antes do seu início. Começaram logo que foi conhecido o árbitro: o nome de Carlos Xistra gera de imediato ansiedade. Está no seu último ano, mas ainda temos que levar com ele... E agravaram-se com a constituição da equipa, com quatro alterações em relação ao jogo anterior, que já não tinha sido famoso.

Dessas quatro alterações só uma era esperada, porque obrigatória, pelo quinto amarelo que Tarabt havia pedido no fim do jogo em Guimarães. Esperada também era a substituição, notava-se uma certa pressa para a estreia de Weigl, e notou-se que foi apressada. A de Tomás Tavares pelo capitão André Almeida poderá perceber-se, mas o miúdo estava a jogar muito bem. As outras duas, Seferovic em vez de Vinícius e Jota na de Cervi, é que não lembrariam a ninguém.

Com o apito inicial de Xistra as más sensações passaram a ganhar a vida. E que vida!

Os jogadores do Benfica entraram a dormir, convencidos que para ganhar ao último classificado bastava estarem lá. Foi assim durante vinte minutos, e quando acordaram estavam a perder. 

É certo que, depois, passaram 70 minutos em cima da baliza do Desportivo das Aves. Mas raramente a jogar bem. Jogaram muito e correram ainda mais. Não lhes faltou vontade, nem garra, nem regatearam gota de suor, mas aos adversários também não. E como a inspiração nunca apareceu, o jogo passou a oferecer dificuldades que durante muito tempo pareciam inultrapassáveis.

Os remates sucediam-se - foram 34, mais um máximo da competição - mas a bola saía invariavelmente uns centímetros ao lado, ou por cima, da baliza. Quando iam à baliza lá estava o guarda-redes avense, o francês Bernardeau, a defender o possível e o impossível. Defendeu 10 remates, outro recorde desta Liga. E quando lá não estava ele, estava lá outro. E outro...

No início da segunda parte, já com Vinícius no lugar de Jota, quando a nulidade fora, e continuava  a ser, Seferovic, tudo parecia piorar ainda, com Xistra, à Xistra, a expulsar o André Almeida. Valeu o VAR, que viu o que todos víramos: que o capitão do Benfica, mesmo que com uma entrada imprudente, nem tinha tocado no adversário. A decisão foi revertida, e evitaram-se males maiores.

O golo do empate lá acabou por aparecer à entrada do último quarto de hora, num penalti (já tinha ficado outro por marcar aos 38 minutos da primeira parte) sobre Vinícius, que Pizzi converteu. E o da vitória - finalmente - já no minuto 89, em mais um bom trabalho do avançado brasileiro (o que é que terá passado pela cabeça de Bruno Lage para o deixar no banco?) a deixar a bola para André Almeida a fazer passar por baixo do corpo do guarda-redes, deixando a Luz, incansável no apoio à equipa, em ambiente de perfeita loucura.

Sintomático, tanto quanto os vinte minutos iniciais, foi que o Benfica não conseguiu controlar o jogo nos 5 minutos de compensação, permitindo duas ou três jogadas perigosas ao adversário, que poderiam até ter roubado uma vitória que tanto tinha custado a conquistar. E que foi, com os três pontos que vale, iguaizinhos aos das grandes vitórias com grandes exibições, a melhor coisa que ficou deste jogo de más sensações. E de sintomas preocupantes para esta altura do campeonato... 

 

Oito minutos de pose*

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Dificilmente se poderia admitir uma primeira semana do ano mais agitada. Trump achou que, com um impeachment em curso e a dez meses das eleições, o melhor que tinha a fazer era incendiar o Médio Oriente e deixá-lo arder como arde a Austrália.

Sem consultar as instituições, sem estratégia e sem justificação, mandou assassinar altas figuras da estrutura militar do Irão, entre as quais o General Soleimani, mais que uma proeminência do regime, o número dois da teocracia no poder. Acto contínuo disse ao mundo que, para fazer a guerra, não precisava de consultar ninguém. Que lhe bastava informar pelo seu twitter, e que já tinha definidos 52 alvos iranianos, entre os quais lugares históricos e património da humanidade, para atacar em caso de retaliação iraniana. Que, timidamente é certo, aconteceu logo de seguida, com o ataque às bases americanas em Bagdad. Obra das milícias iraquianas, que não exactamente do Irão, mas daria no mesmo…

É então que, pela primeira vez, num mandato que vai já no último ano, com uma assertividade sem paralelo, e em apenas oito minutos, a América apresenta ao mundo o seu famoso sistema de checks & balances.

Oito minutos foi quanto durou esta demonstração. Foi o tempo que Trump demorou a ler o discurso que lhe mandaram ler. Oito minutos de Trump em pose de Estado, mesmo que em cuecas!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

 

Checks and balances

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A eleição de Trump para o topo do poder na maior potência mundial foi vista com preocupação em grande parte do planeta, mas nunca como uma irremediável catástrofe. É que a opinião pública mundial acreditava na rede de checks & balances do sistema político americano, uma democracia institucionalmente bem dotada, ao contrário, por exemplo, do que aconteceria depois no Brasil, com a eleição de Bolsonaro.

À entrada do último ano do mandato, e mesmo com um processo de empeachement em curso, haveria certamente quem pudesse duvidar desta fé no funcionamento das instituições americanas, e quem achasse que Trump fez, e fará, tudo o que lhe apeteceu, e lhe apetecer, e ainda lhe sobrou, e sobrará, tempo. 

Oito minutos bastaram para convencer os últimos resistentes. Foi quanto durou o discurso de Trump de ontem. Um discurso - ninguém terá dúvidas - que não escreveu. Um discurso que lhe mandaram ler, e que leu a preceito e com inatacável pose de Estado. Oito minutos em que saíram da boca de Trump palavras que ninguém acreditaria vir a ouvir, numa postura de todo incomportável com a figura.

Depois dos ataques de anteontem à noite, à hora a que fora assassinado o general Soleimani, às bases americanas no Iraque, esperava-se que tivesse sido dado o mote para a retaliação que Trump desejaria, e para a uma escalada de violência no Médio Oriente de limites incontroláveis. Inesperadamente, em vez de um Trump furioso a confirmar os 52 alvos iranianos a atingir, incluindo as relíquias históricas e de património da humanidade, que anunciara na véspera, surge um presidente americano a dizer que os Estados Unidos "estão disponíveis para abraçar a paz com aqueles que a procuram", a desejar um "óptimo futuro" para o Irão, e até a falar num regresso ao acordo nuclear que unilateralmente rasgou.

Poderão dizer que nada disto passa da mais profunda hipocrisia. Mas não é isso que está em causa, e a hipocrisia é parte integrante da política. Em causa está apenas que a intensa pressão interna e internacional obrigaram Trump, num Momento Histórico decisivo, a fazer tudo ao contrário do que naturalmente, por si só, faria.

Desta vez os checks & balances levaram o presidente americano a evitar a guerra que Donald Trump irresponsavelmente precipitara. Não é coisa pouca!

 

 

Pronto. Já há planeta B!

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Chama-se  "TOI 700 d" - parece nome de modelo de automóvel, é certo, mas foi o que se arranjou para este novo planeta -  fica aqui mesmo à mão, a uns simpáticos cem anos-luz de distância, tem mais (20%) ou menos a dimensão da terra, e parece que está à nossa espera.

Dirão uns: à espera que demos cabo dele. Outros, dirão: alto. Parou tudo! Bem nos parecia que não havia problema, e que quando este acabasse haveria de aparecer outro.

Não havia necessidade...

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No final do ano, no preciso espaço de uma semana, dois jovens, um cabo-verdeano e outro português, foram assassinados na rua.

O português, de 24 anos, a 28 de Dezembro, no Campo Grande, em Lisboa, por um grupo de três jovens guineenses, com idades entre os 16 e os 20 anos, apunhalado nas costas depois de ter reagido ao assalto que esteve na origem do crime.  Perdeu a vida no local e foi logo notícia nos jornais e televisões.

O cabo-verdeano, de 21 anos, a 21 de Dezembro, em Bragança, brutalmente agredido na cabeça à saída de um local de diversão nocturna, numa rixa em que, com mais dois amigos e compatriotas, se viu envolvido com um grupo de portugueses. No alarme dado aos bombeiros o jovem caído inanimado no chão foi referenciado como profundamente embriagado. Estava sim às portas da morte, já tapadas para a saída. Morreu a 31 de Dezembro, e foi então notícia nos jornais e nas televisões.

As duas lamentáveis ocorrências, bem como os crimes praticados, não têm qualquer relação entre si. As circunstâncias em que ocorreram são tão distintas como a geografia em que aconteceram. Em Lisboa, aconteceu um assalto numa zona em que acontecem todas as noites. Ao que se sabe, o jovem assaltado era praticante de karaté, e isso não deve ter ajudado nada... Em Bragança, os contornos do crime não estão ainda bem definidos, mas o que se conhece aponta para a futilidade de um simples encosto numa rapariga provocado por uma escorregadela na fila para a caixa, com uma "espera" na saída.

O que não impediu que rapidamente os activistas do costume corressem a rotular o crime de Bragança de racismo, em mais um "tiro no pé", ajudado também pelas autoridades de Cabo Verde que, esquecendo-se que o crime de Bragança só se tornou crime, e depois notícia, com a morte do jovem, a 31 de Dezembro, vieram apresentar críticas ao tratamento mediático do tema, em evidente contraponto com a relevância informativa dada ao crime do Campo Grande. 

A luta contra o racismo não é isto. Este tipo de reacções apenas contribuem para extremar posições, tornar mais difícil o combate ao preconceito, e engrossar as correntes xenófobas e racistas. Que - já se está a ver - ficam com mais uma "pérola" para usar: "há racismo quando brancos matam um preto, mas já não há quando são pretos a matar um branco". 

Não havia necessidade...

Irresponsabilidade premiada

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Como facilmente se previa Trump incendiou o Médio Oriente e colocou o mundo ocidental sob novas ameaças com enorme potencial devastador, tanto mais graves quanto mais evidente se torna a irresponsabilidade que sustenta a escalada de ameaças do presidente americano.

Trump nunca teve a noção da responsabilidade de presidir à maior potência mundial. Sempre achou que a Casa Branca seria um brinquedo com que gostaria de brincar. Por isso a sua relação com a mentira nunca foi nada que verdadeiramente o incomodasse, e revelou-se um mentiroso compulsivo. Por isso a sua relação com as instituições foi sempre secundarizada e o seu sentido do dever uma simples miragem. Por isso Trump acha que não precisa da aprovação do Congresso para desencadear operações de guerra, bastando-lhe anunciá-las no seu Twitter.

E é este homem que a América vai voltar a eleger lá mais para o final do ano. Ou, mais dramático ainda, é assim, é por fazer tudo isto assim, que Trump conta que a América o reconduza para novo mandato na Casa Branca!

 

Regressos e pirómanos

Foi difícil este jogo de Guimarães, no arranque do ano e no regresso do campeonato, quase um mês depois. Seria sempre difícil, porque nunca é fácil jogar na cidade-berço, e porque este Vitória, de Ivo Vieira, joga muito, como se sabe. Mas não teria sido certamente tão difícil se o Benfica tivesse regressado desta paragem com o mesmo nível de qualidade exibicional das últimas jornadas.

O Benfica de Dezembro, antes da paragem, teria colocado outra qualidade em campo, teria jogado bem mais e teria ganhado melhor. Não regressou o Benfica exuberante, dos grandes jogos e das goleadas. Valeu no entanto outro regresso, o regressou do outro Benfica, de Setembro e Outubro que, mesmo sem jogar bem, foi ganhando jogos.

Que o primeiro dos regressos não iria acontecer, percebeu-se logo no início do jogo. O segundo regresso só se confirmaria naturalmente no fim, mesmo que se começasse a admiti-lo a partir do meio da primeira parte.

No primeiro quarto de hora da partida o Benfica não conseguiu ligar o jogo. Defendia bem, e recuperava rapidamente a bola, mas perdia-a logo de seguida. E nem se pode dizer que a perdesse em resultado da pressão exercida pelos jogadores vimaranenses, porque não eram os jogadores adversários a conquistá-la. Eram os jogadores do Benfica que a perdiam sucessivamente por passes errados - ora entregando a bola directamente ao adversário, ora atirando-a para fora.

Daí que se sucedessem os ataques do Vitória sem que o Benfica praticamente passasse da linha de meio campo. Na primeira vez que conseguiu concluir uma jogada o Benfica marcou, ia a primeira parte a meio. E a partir daí o jogo mudou!

Não quero com isto dizer, como atrás deixo claro,  que o Benfica passou a mandar no jogo e que o Vitória desapareceu. Nada disso. Mudou porque os jogadores do Benfica perceberam que a noite não era de gala, mas apenas de trabalho. E, claro, também ajudou que Gabriel e Tarabt tivessem subido de produção.

E dedicaram-se ao trabalho. Até ao fim do jogo, defendendo aquele golo do Cervi que mudara o jogo. E, sendo que as últimas imagens são as que ficam, as últimas claras oportunidades de golo até são do Benfica.

No fim fica uma vitória muito importante num jogo bastante competitivo, mas nem por isso bem jogado, e com um grande ambiente nas bancadas, estragado por algumas bestas que acham que as cadeiras não servem apenas para sentar o rabo, e que um jogo de futebol é um festival de pirotecnia.

Se não se percebe a existência de adeptos pirómanos, também se não percebe como é que, com tanta revista à entrada, é possível que tenha entrado no estádio material pirotécnico que daria para animar uma das muitas festas de passagem de ano que acabamos de celebrar.

Não será provavelmente difícil identificar estes incendiários e impedi-los de entrar nos estádios. Já aos outros, não menos pirómanos, que vêm penalti no lance do Rúben Dias, não se lhes pode fazer nada se não deixá-los a falar sozinhos. 

Começa perigoso, este 2020!

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2020 ameaça tornar-se mais perigoso do que poderia parecer, por mais previsível que fosse que, em ano de eleições, Trump desatasse aos disparates. 

Sabia-se que Trump não precisaria de grandes pretextos para começar a brincar com o fogo, convencido do ganho eleitoral que, em pleno processo de impeachement, daí retira. Nem de muito espaço, nem de muito tempo: bastou-lhe o Iraque, e três ou quatro dias. A 29 de Dezembro, um ataque aéreo matou 25 combatentes do Hezbollah Kata'ib, uma milícia pró-iraniana. Em resposta, no último dia do ano, quando regressavam dos funerais, manifestantes cercaram a embaixada, atacaram com pedras, grafitaram paredes ... e lá estava o pretexto por que Trump ansiava - um ataque à América. 

Esta noite, o major-general Qasem Soleimani, tido por número dois da hierarquia militar do regime iraniano, e mais quatro altos quadros militares foram mortos num ataque com drones, à saída do Aeroporto Internacional de Bagdad, já confirmado pelo Departamento de Defesa Americano.

 Ali Khameinei promete vingança. Para dançar o tango são sempre precisos dois ... Olha que dois!

O regime

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Que a principal figura do regime defenda precisamente o regime, é a coisa mais natural desta vida. Ao apelar, como voltou a fazer na sua mensagem de Ano Novo, a um governo dialogante, e especialmente  dialogante à esquerda para aí procurar o apoio parlamentar que lhe falta, e a uma oposição forte à direita, o Presidente está acima de tudo a defender o regime.

Quem não morre de amores pelo regime não acha grande graça às repetitivas palavras de Marcelo. E isso notou-se logo, sem surpresas. Que o PSD não tenha encontrado nada para dizer já quase não é surpresa... 

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