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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

"A música agora é outra"

tapairportugal on Twitter: "Tail whip greetings ...

 

A (re)nacionaização da TAP está decididamente em cima da mesa. Era uma questão de tempo, que a actual crise resolveu rapidamente.

As contradições eram imensas, mas tornaram-se completamente insanáveis quando o comando foi entregue a um Bolsonaro dos aviões. "A música agora é outra" - proclamou ontem o ministro Pedro Nuno Santos numa audição regimental na comissão parlamentar de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação. Salvar a TAP é uma coisa, salvar os seus accionistas privados é outra, como também, e tão bem, disse.

Uma - a primeira - poderá ser papel do Estado. A outra evidentemente que não. 

Nos tempos que correm, ter uma companhia de aviação de bandeira poderá ser um luxo. Mas também é soberania. Poderá sempre dizer-se que as coisas não estão para luxos. E que a soberania há muito que já lá vai... Mas ... "a música agora é outra"!

O senhor Liberdade já tem nome

 

O Presidente não telefonou, e demorou mais a conhecer-se o homem que no passado sábado encheu a Avenida da Liberdade que a conhecer o Luís. Mas já tem nome.

Chama-se Carlos Alberto Ferreira, tem 71 anos, comemora todos os anos, na rua, o 25 de Abril ... que ajudou a fazer. Há 46 anos estava no Largo do Carmo, às ordens de Salgueiro Maio no cerco ao quartel da GNR, a aguardar pacientemente a rendição de Marcelo Caetano. 

Emergências

Acionador Manual / Botoeira de Alarme e Emergência Quebra Vidro ...

O presidente da República, anunciando que não iria ser renovado, anunciou ontem o fim do estado de emergência. Que, conforme opinião que abundantemente aqui expressei, nunca deveria ter sido declarado. 

Serviu apenas para o Presidente Marcelo apanhar o comboio em andamento que tinha perdido na estação, por se ter fechado em casa sem ninguém saber bem por quê. Serviu Marcelo, não serviu o país!

 Não serviu o país porque, como é hoje absolutamente evidente, nada do que foi feito durante o estado de emergência teria deixado de se fazer na sua falta. Tudo o que foi necessário fazer tinha sustentação legal fora do quadro do estado de emergência. Mais, e mais decisivo ainda: o confinamento já estava em curso, auto-imposto pelos portugueses.

Não serviu o país mas, pior, abriu um gravíssimo precedente. Porventura uma caixa de pandora. E era esse o ponto, o fulcro da minha oposição à lamentável e anti-patriótica iniciativa do Presidente Marcelo. Não que, por uma vez, tivesse algum receio que este Presidente, este governo, ou este Parlamento pudessem ferir a democracia de morte neste estado de emergência. É pela caixa aberta que fica para o futuro, à mão de um outro presidente, de outro governo ou de outro Parlamento. É pelo exemplo vivo, e bem à vista de todos, do que se está a passar na Hungria e do que Viktor Órban fez com o estado de emergência.

E não serviu o país, e pode prejudicá-lo severamente, ainda pelas consequências do seu levantamento. É uma medida tão excepcional que não pode ir para além de períodos de quinze dias. Foi renovada por duas vezes, e não o poderia ser por muitas  mais. Não o permitiria nem a situação económica do país nem a resiliência dos portugueses.

Ao ser levantado transmite a ideia que, se não passou já tudo, pelo menos o pior já passou. E esta ideia, exactamente quando a resiliência das pessoas começa a rebentar por todas as costura, é altamente inflamável. Ao ser levantado numa altura em que o número médio de contágios por cada pessoa infectada (indicador R0) está pior do que há algumas semanas, mais alto do que seria recomendável para o início do desconfinamento, e ainda  mais alto do que estava nos países que já começaram a iniciar esse processo, tem tudo para se poder transformar no detonador de uma segunda vaga. Como, de resto, vai avisando a comunidade médica!

A "emergência" de Marcelo quando se viu em terra, e com o comboio a partir, deu nisto. 

 

 

Ordem para desconfinar

Desconfinamento, uma estratégia com riscos

 

Com o passar dos dias, semanas e já meses, a abertura à vida é inevitável. As pessoas já não têm mais tolerância para o confinamento e a economia não pode esvaziar-se mais.

Tudo se encaminhou para parecer que bate certo. A curva achatada, o Ro abaixo de 1 e, the last, not the least, começou a haver máscaras... Mesmo que o planalto se mantenha, e se não veja ainda lá ao fundo o início da rampa de descida. Que o Ro tenha acabado de passar de 1. E que as máscaras que já há possam voltar a não resolver tudo...

Temos que sair de casa. E a economia tem que ser reaberta. Porque já não aguentamos lá mais tempo, e a falta de ar na economia nos sufoca. E mata, mais que o vírus...

Como vamos fazer? 

Por apalpação, diz o primeiro-ministro: se a determinado momento tivermos que dar um passo atrás, daremos. Prendendo os velhos, dizem os especialistas mais economicistas: apenas os grupos de risco se devem manter confinados, fechados em casa ou nos lares, agora RPI - residências para idosos. 

Primeiro-ministro, Presidente, deputados e até membros do Conselho de Estado reúnem-se hoje com a comunidade científica à procura de respostas. Que não podem fugir muito desta espécie de simbiose: velhos fechados em casa e tudo o resto a apalpar. 

Cuidado no momento do passo atrás: sem ver, e sem querer, podem esmagar os velhos a fugir de casa...

 

Um compêndio

Como funcionavam as câmaras de gás na 2ª Guerra Mundial ...

 

Ainda no quadro da histeria que se instalou no país na contestação à evocação do 25 de Abril na Assembleia da República, surgiu mais um episódio que encerra um autêntico compêndio da realidade política deste país.

Conta o JN de ontem que um funcionário da Câmara Municipal da Trofa, um dos muitos portugueses que se manifestaram nas redes sociais incomodadíssimos com o 25 Abril, para quem a celebração foi apenas um instrumento útil para a manifestação desse incómodo profundo, escreveu no seu facebook, convencidíssimo que estava cheio de graça que, se houvesse alguém que pusesse a Assembleia da República a funcionar como uma câmara de gás, pagaria o gás. Expressão que é o que é, mais tudo aquilo que sugere que é. 

E que, nessa plenitude, mereceu mais de uma dúzia de "gostos", entre os quais o do Presidente Câmara Municipal da Trofa (e também o do seu adjunto), e líder da estrutura local do PSD. Partido que tem na Assembleia da República dois deputados do próprio concelho da Trofa. E que, através da sua "distrital" do Porto, sem revelar qualquer incómodo com aquela (ex)posição publica, a que não atribui qualquer  relevância política, prefere exaltar o excelente trabalho do Sérgio (assim se chama o Presidente da Câmara) e o seu carácter, de que “ainda agora tivemos todos prova ... quando anunciou que tinha decidido doar o seu salário do mês de abril a instituições de solidariedade social do concelho, bem como à Delegação da Trofa da Cruz Vermelha”.

Um autêntico compêndio. Basta reflectir um bocadinho e encontramos aqui praticamente tudo o que nos permite entender o momento político que atravessamos.

 

Enchente na Avenida da Liberdade

 

Não sei quem é este homem, que sozinho encheu a Avenida da Liberdade neste 25 de Abril. Depressa se saberá quem é. Se tão rapidamente se soube quem era o Luís, que estava bem mais longe, mais depressa se saberá quem é este manifestante da liberdade.

O nosso Presidente deverá já estar a telefonar-lhe, se é que não anda ainda à procura do cravo que lhe caiu da mão à entrada do Parlamento... E depois logo saberemos quem é este cidadão que ousou furar o confinamento e comemorar o 25 de Abril como tem que ser celebrado, enchendo a Avenida da Liberdade.

Brilhante ignorância infinita

 

Trump usa processo de impeachment como estratégia de campanha e ...

 

De ignorância infinita e estupidez ilimitada Trump, com o país a bater todos os recordes de infectados e a encher valas comuns de mortos, descobriu, num neurónio escondido, a cura para a covid-19 e arrasou por completo a comunidade científica mundial.

A teoria é tão simples que até custa a perceber como ninguém lá chegou primeiro: se os desinfectantes que utilizamos matam num minuto o vírus nas nossas mãos, também o matam dentro do nosso organismo. Se os injectarmos desinfectantes no organismo farão o mesmo que fazem nas nossas mãos, ou seja, matam o vírus num simples minuto - concluiu brilhantemente o presidente da América.

Pena que não possa ele mesmo testar a sua brilhantes descoberta. O mesmo se não poderá dizer dos seus seguidores, que esses estarão certamente já estar a correr para a salvação.

A polémica em corrida de estafetas

10 programas para celebrar o 25 de Abril em Lisboa e Porto

 

Assinala-se amanhã o 46º aniversário do 25 de Abril. Disse assinala-se, e não comemora-se, e muito menos festeja-se, porque o confinamento não dá para festas e a comemoração será coxa.

Em todas as ocasiões anteriores sempre o dia da revolução dos cravos foi comemorado oficialmente no Parlamento e festejado nas ruas de todo o país, com o ponto alto na capital, na descida da Avenida da Liberdade ao som da Grândola do Zeca que os capitães de Abril ergueram a hino da revolução.

Com todos em casa, onde continuamos a ter de nos manter, como teríamos de continuar independentemente do estado de emergência vigente, os festejos de rua estavam evidentemente fora de causa. Restava a sessão oficial - ou solene, chame-se-lhe o que quiser - na Assembleia da República, em pleno funcionamento, como se tem visto e ainda anteontem se viu no debate quinzenal, o terceiro desde que nos confinamos.

Não é a mesma coisa. Basta até chamar-se “oficial” ou “solene” para que não seja a mesma coisa quando se festeja uma revolução. Tem o vermelho dos cravos que enchem as bancadas e os palanques dos discursos repetitivos, é certo. Mas é o único colorido que emerge daquele cinzentismo pasmaceiro onde se contam os cravos na lapela como se contam espingardas, mas já das que não têm cravos na ponta.

Mesmo assim, sinal dos tempos, a polémica estalou. E assistimos a uma espécie de corrida de estafetas, que começou ao nível do trogloditismo argumentativo - Páscoa, missas, funerais, Fátima e até aniversários dos filhos - até que o testemunho fosse finalmente entregue a portadores tecnicamente mais dotados e capazes de trazer outra dimensão argumentativa para a competição como, por exemplo, a insensatez de festejar a liberdade quando os cidadãos dela estão privados.

O argumento pode tornar-se até sedutor quando acrescenta que dela estão privados por decisão do governo, proposta pelo Presidente e aprovada pelos deputados, depois todos reunidos a festejá-la. Mas não é uma borracha que apague da fotografia os trogloditas que iniciaram a corrida…

* A minha crónica de hoje na Cister FM

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