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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Era uma vez na América...

Coronavírus: Protesto contra quarentena nos EUA tem carreata ...

 

A The Atlantic, a velha revista de Boston, que já vem do início da segunda metade século XIX, divulgava por estes dias uma sondagem que revela que cerca de um terço (31%) dos americanos estão convictos de que o vírus foi criado pela China como poderosa arma química. Os mesmos - muito provavelmente mesmo os mesmos -   mas a mesma percentagem dos que acreditam que o SARS-CoV-2 é muito menos perigoso do que se diz, e que o seu grau de ameaça está a ser deliberadamente exagerado para prejudicar a reeleição de Donald Trump.

Há dois meses, logo na fase inicial deste susto que o mundo está a viver, procurando coisas positivas que as portas abertas da pandemia poderiam deixar à vista, escrevi aqui que "bastaram os primeiros dias desta crise" para ver a ignorância e a incompetência deTrump e Bolsonaro. Para que "toda a gente pode facilmente comparar tudo o que estes dois fizeram e disseram deste vírus... o que têm vindo a fazer e a dizer do ambiente, tão só a maior emergência da humanidade. E concluir que não passam de dois idiotas".

É verdade que muita gente percebeu a sua verdadeira incompetência política, e a dimensão da mentira a que dão corpo, e arrependeu-se de lhes ter dado o voto. Mas isso não os enfraqueceu. Pelo contrário.

Os meios e as técnicas que os levaram ao poder não são - não foram -  meros instrumentos de conquista de poder. São armas poderosíssimas de que não abrem mão e que, em tempos como estes, de limitação e condicionamento das liberdades individuais e de devastação económica e social, a partir do poder, se tornam mais poderosas ainda. Teorias da conspiração, manipulação da informação e propagação da mentira (fake news) circulam hoje pelo mundo sem barreiras da internet à velocidade da luz. E com elas, à mesma velocidade e da mesmíssima forma, poderosos meios de recrutamento e mobilização de adeptos fanáticos transformados em exércitos dispostos a quebrar todas as convenções e a desafiar todas as instituições. E com armas nas mãos.

Não. Trump não se limita a mentir, a manipular, ou a condicionar. Acossado, o que Trump está a criar na América é uma rede de terrorismo interno que, do ponto de vista de concepção política, não se afasta muito das redes do terrorismo internacional.

 

Deslealdades*

Guia de Meta - Bruxo Deslealdade (Deck do Modo Livre de ...

 

À entrada para a segunda fase do desconfinamento, com a perspectiva da abertura condicionada de creches, escolas, restaurantes e cultos religiosos, já com vista para centros comerciais e para o futebol, mas ainda a ajustar as contas para a abertura da época balnear, e em particular para o acesso às praias, o país ouviu o estrondo abafado do rebentamento de uma crise política.

Era tudo o que não precisávamos neste momento. Combalidos, desconfiados e cheios de incertezas, tudo o que não precisávamos era mesmo de mais incerteza e de mais desconfiança, sob a forma de crise política.

Fica-se com a ideia que com tanta acrimónia da oposição, e com tanta cumplicidade entre o chefe do governo e o Presidente que até o anúncio da recandidatura foi feito, e o tabu desfeito, pelos dois em conjunto, o governo sentiu alguma falta de adrenalina e resolveu dinamitar a sua própria estabilidade.

Mesmo que há muito tenhamos dado conta da guerra surda entre o primeiro-ministro e o ministro das finanças, em grande parte sustentada em distintas, e por vezes até antagónicas, concepções políticas, temos alguma dificuldade em perceber como de repente descambou, e rebentou com estrondo na transferência de mais 850 milhões de euros para o buraco sem fundo em que se tornou o Novo Banco.

Tanta mais dificuldade quanto mais nos pareça que tudo foi propositado. Que a falha de informação, que serve de desculpa a Mário Centeno, não foi uma simples e acidental falha. Tal como a confusão de auditorias, que no fim serviu a António Costa para o desculpar, não foi uma simples e acidental confusão.

Menos dificuldade teremos, no entanto, em perceber a intervenção do Presidente da República no conflito. Que, em vez de apaziguador, como se esperaria, tomou ele próprio a iniciativa de accionar o detonador, ao acusar o ministro das finanças de desleal ao primeiro-ministro.        

Se nos lembramos que, logo no início desta pandemia, Mário Centeno, chamado a Belém pelo Presidente especificamente para o efeito, lhe terá dado garantias de se manter no posto durante este período crítico, percebemos qual a deslealdade que realmente doeu a Marcelo.

E deslealdade é coisa que Marcelo até pode esquecer. Mas não perdoa!

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Mútuo acordo, prazo e indemnização

Mário Centeno fica a prazo no Governo

 

Mantendo o registo na metáfora do futebol pode dizer-se que António Costa e Mário Centeno acordaram as condições da rescisão e, como sucede quando os presidentes reafirmam a confiança nos treinadores, Centeno foi ontem despedido. A prazo. Sim, não há só contratos a prazo, também há despedimentos a prazo.

Não sendo naturalmente conhecidas as condições de rescisão acordadas, há no entanto uma certeza. É que o orçamento suplementar, e o fim de dois mandatos - os do governador do Banco de Portugal e do presidente do eurogrupo - têm encontro marcado na mesma estação do calendário, algures ali por volta de Junho -Julho. 

E esta certeza dá como certo o prazo. Com o comunicado divulgado, esta certeza dá como certa a indemnização: o lugar de Carlos Costa no Banco de Portugal. Que não é menos que absolutamente lamentável!

Da série Novo Banco

Centeno aprovou nova injecção no Novo Banco em Abril

 

A transferência dos 850 milhões de euros para o Novo Banco efectuada por Mário Centeno, quando António Costa garantia na Parlamento que nem mais um  cêntimo seguiria sem que fossem conhecidos os resultados da auditoria, não é um mero problema de comunicação, como afirmaria o ministro das finanças. Nem um simples lapso que se resolva com um pedido de desculpas, como fez o primeiro-ministro.

Não será também apenas mais um episódio de uma nova temporada da série de clássicos desaguisados entre primeiro-ministro e ministro das finanças em governos do Partido Socialista. Nem uma ardilosa montagem de Centeno para romper com António Costa, depois da deselegante despromoção de que foi alvo neste segundo governo, e zarpar. Para o Banco de Portugal, o que seria de todo inadmissível, ou para outro lado qualquer compatível com o estatuto que conquistou.

Era público - tem sido objecto de larga discussão e consta até do Orçamento de Estado - que este montante era mesmo para entregar a esse poço sem fundo do Novo Banco, velho em tudo. E por isso tinha evidentemente de ser do conhecimento de António Costa. Não era público, ao contrário do que os analistas e comentadores profissionais vão dizendo, que essa entrega fosse incondicional, isto é, que não dependesse de qualquer auditoria, fosse ela qual fosse - já que são tantas, e todas sem resultados públicos. Não era público pelas simples razão que, sendo um condição contratual, o contrato da "venda" ao Lone Star não o é. Ninguém conhece esse contrato, nunca foi divulgado, vá lá saber-se por quê.

António Costa, tem no entanto que ser uma das pessoas que o conhece. E deverá ter lá a sua assinatura. Pelo que não é aceitável a trapalhada em que se meteu. Que tem tudo para parecer propositada.

E no entanto houve falha de comunicação. Tratando-se do que se tratava, de uma operação politicamente altamente sensível, não é aceitável que nem o "Cristiano Ronaldo", nem o Mourinho, das Finanças, tivessem informado António Costa da saída do dinheiro. Menos aceitável é ainda que, tendo o primeiro-ministro, no mesmo Parlamento, já anteriormente referido a tal expressão de "nem mais um cêntimo...", a equipa das finanças não lhe tivesse de imediato comunicado que não poderia dizer tal coisa. Que tem também tudo para parecer propositada!

  Mas se calhar sou eu que ando ver a séries de mais... 

No fim, fica a ideia que nem tudo tem de ser sempre assim, sempre sem alternativa, como Mário Centeno defende. E a ligeira sensação que, para o ministro das finanças, nestas coisas do Novo Banco, não é preciso mais que assinar de cruz. 

É que soube-se, por exemplo, que a administração do Novo Banco, que está impedido de distribuir prémios até 2021, tratou de reservar, desde já para si, 2 milhões de euros nas contas de 2019 para que lhe possa deitar a mão em 2022. E que o Fundo de Resolução, considerando isso moralmente inaceitável, descontou esse valor no montante que tinha a transferir para o Banco, coisa que o Ministério das Finanças nem se lembrou de fazer ao transferir estes 850 milhões para o Novo Banco, via Fundo de Resolução.

São 2 milhões de euros. Não é muito. Mas neste contexto é muito mais que muito!

 

 

 

Diário do regresso à vida

Covid-19. Itália está preparada para uma eventual segunda vaga da ...

 

Passou já a primeira semana da nossa experiência de desconfinamento. O balanço dessas experiências está ainda por fazer, até porque a agenda mediática está especialmente ocupada com o que aí vem. E nada preocupada com o que já veio, como correram as coisas...

Já se sabe como vai regressar o futebol. Ou talvez não porque, olhando com atenção para o que se ouve e se lê, percebem-se uns ziguezagues que trazem água no bico. Como vão regressar os restaurantes, que estão a encontrar nas esplanadas uma escapatória de viabilidade. Como vão reabrir as creches, com as mais contra-natura das regras: isolar crianças e impedi-las de partilhar. E até como vai ser a abertura das visitas a idosos nos lares, mesmo que não se perceba como vai ser. 

Já se sabe tudo isso mas, no fim, percebemos que não se sabe nada disso. Como não se sabe nada do acesso às praias, que estava para ser divulgado há uma semana e entretanto ficou congelado. Porventura pela temperatura da água do mar, ainda bem fria, imagino.

Sabe-se que é grande a ânsia do regresso. De todos os regressos, mesmo dos que não acontecerão mais. E que a única certeza que temos é que tudo é incerto. 

Cientistas dizem que não está fácil encontrar forma de derrotar o vírus. E que a vacina que as cabeças mais tolas deste mundo anunciavam eminente, pode até nem surgir. Boris Johnson - parece outro, o homem, e não será por entretanto ter sido pai, que a isso já ele estava habituado - alerta até para que possa nunca vir a haver vacina. 

Ele, que estará agora bem informado. Também quer que os britânicos regressem à rua, mesmo que não tenha a certeza que quer. Foi isso que explicou ontem no Parlamento, para que ninguém percebesse...

“Isto não acaba até acabar”, alertou o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, onde tudo tinha corrido tão bem até ter já começado a correr mal. A China volta a não dizer nada, mesmo que baixinho se vá ouvindo qualquer coisa parecida com segunda vaga. Em mandarim, claro!

 

Informar

Valentina terá sido asfixiada pelo pai - JN

 

"Depois de três dias de buscas foi encontrado o corpo da menina dada por desaparecida na Atouguia da Baleia". Não sei quantas notícias vi começadas exactamente assim. Mas foram muitas.

Não foi assim, tanto quanto percebi. Terá antes sido assim: ao quarto dia, depois de três dias de buscas e provavelmente outros tantos de interrogatórios, o pai da menina revelou o local onde escondera o corpo.

Não é, evidentemente, a forma como o corpo da infeliz menina foi encontrado que importa na maneira de dar a notícia. E, no meio do drama que é a morte violenta de uma criança, maior ainda quando ocorre às mão do próprio pai, estes preciosismos de linguagem podem até ferir algumas sensibilidades.

Não é essa a intenção. A ideia é apenas dar nota da falta de objectividade com que se dá notícias. E mais ainda destas, que nunca deveriam acontecer. É evidenciar como da notícia de faz espectáculo, como se usa a notícia na exploração de sentimentos e de emoções, e como isso nunca é informar.

Sem surpresas, a televisão do Correio da Manhã lá esteve, com horas e horas em directo, a cumprir o seu papel de desinformação. Provavelmente a esta hora os senhores da TSF estarão a preparar o seu "forum" para colocar a questão da pena de morte ao auditório. 

II guerra mundial - 75 anos de memória

O fim da II Guerra Mundial

 

Fez ontem 75 anos que a Alemanha nazi anunciou a rendição. Hoje cumprem-se três quartos de século sobre o fim, na Europa, da mais terrível das guerras que o mundo conheceu.

Em 8 de Maio de 1945 foi declarado o fim da II grande guerra no continente europeu. O fim da guerra mesmo, esse tardaria ainda três meses sobre a capitulação nazi. Pouco tempo, mas tempo demais. O suficiente para lhe acrescentar o mais terrível dos horrores da guerra: as bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki, e 6 e 9 de Agosto.

O fim chegaria finalmente a 2 de Setembro, com a rendição do Japão. Não tão incondicional como a da Alemanha, mas nem por isso com tão diferentes consequências...

Hoje não se pode festejar. Menos ainda como na icónica fotografia de Times Square, do imigrante alemão Alfred Eisenstaedt!

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