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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

 

futebolês é muito virado para as coisas da cultura. Tem a leituracomo já vimos , mas tem também um conceito mais vasto: a cultura de jogo!

Como qualquer cultura, ou se tem ou não se tem. Aqui a diferença está na adjectivação: no futebolês, ao contrário da linguagem comum, quem tem cultura de jogo não é necessariamente culto!

Um jogador – e esta é outra particularidade, apenas ao jogador é atribuída essa cultura, ninguém mais no mundo da bola é digno dessa bênção – com cultura de jogo é aquele que dispõe de um conjunto de condições que lhe permitem interpretar o jogo e tomar as melhores decisões em função da leitura que fez. O que equivale a dizer que o futebolês coloca as coisas nos seus devidos lugares: a cultura vem da leitura!

Sem saber ler o jogo não há cultura de jogo. Sem ler o jogo nada feito: não há interpretação que valha nem decisões que resultem.

Um jogador com cultura de jogo é naturalmente um jogador completo – ele junta às suas funções de jogador ainda as de treinador dentro do campo, a de um treinador ali à mão dos colegas. É a extensão da liderança do treinador. Ele percebe quando o jogo deve ser acelerado ou quando se impõe baixar-lhe o ritmo.

É deste tipo de jogadores que sai o patrão da equipa e, muitas vezes, futuros bons treinadores.

Outra coisa bem diferente de cultura de jogo é a cultura desportiva. E essa não abunda por aí!

Enquanto que a cultura de jogo se manifesta exclusivamente no rectângulo de jogo a cultura desportiva vive fora do terreno de jogo. Embora acabe sempre por ter repercussões lá dentro!

A cultura desportiva não obriga a ter grandes conhecimentos sobre desporto. Ter cultura desportiva não significa ser nenhuma enciclopédia desportiva, nem sequer ter os conhecimentos do Luís de Freitas Lobo.

A cultura desportiva traduz-se exuberantemente na expressão inglesa que toda a gente usa e a que alguns chamam treta: fair play!

fair play não se esgota na sua utilização em campo, no tal sítio onde ás vezes é mesmo uma treta. Não se limita ao cavalheirismo exigido aos jogadores em campo. Extravasa o campo de jogo e é mesmo tão mais importante quanto mais afastado desse recinto.

Não será falta de cultura desportiva vir criticar o presidente da comissão de arbitragem por se ter prestado a esclarecer os lances da arbitragem do Guimarães-Benfica?

Creio que sim. Quando o dirigente máximo da arbitragem, onde sempre vimos imperar um corporativismo especializado em atirar areia para os olhos, vem explicar esses lances de forma clara, como, afinal, toda gente tivera oportunidade de ver, está a contribuir para o fair play. Está não só a contribuir para um aumento da cultura desportiva mas, e muito mais importante, está a dizer aos senhores árbitros que têm de ter atenção, porque toda a gente está a ver. Daí que os mínimos aceitáveis em cultura desportiva, mesmo um dez nas novas oportunidades, obrigue a aplaudir a iniciativa de Vítor Pereira.

Mas não foi o que fizeram o presidente do Guimarães e o treinador do Porto. No primeiro não se pode falar de falta de cultura desportiva porque, pelo que se viu e ouviu, é falta de cultura. Ponto!

Já no treinador do Porto é clara falta de cultura desportiva, de fair play e até de elegância! Deve ser daqueles ares. Quando até podia ser magnânimo e, do alto da sua cadeira, a de sonho, e dos seus nove pontos de avanço (!), aplaudir a atitude do sr Vítor Pereira. Mesmo que não fosse por nobre cultura desportiva, bastaria que fosse por mero reconhecimento. Por ele não ter esmiuçado nenhum dos muitos erros que têm favorecido o Porto ao longo destas primeiras cinco jornadas que, somados com os outros, dão nos tais inacreditáveis nove pontos.

É mesmo daqueles ares! Também o recém-chegado João Moutinho, interrogado pelas facilidades no jogo da Madeira, com o Nacional, respondeu que eram eles que tornavam os jogos fáceis. Fantástico! Quando acabávamos de assistir a um jogo que julgávamos facilitado logo aos 20 minutos com um auto-golo e, logo no minuto seguinte, voltamos a julgar facilitado pelo árbitro quando não assinalou a mão de Rolando e o respectivo penalti que poderia voltar a deixar o jogo empatado! Claro que nos lembramos logo da maneira como tinham sido tornados fáceis três dos restantes quatro jogos. Porque o do Dragão com o Braga foi bem difícil. Mas também, apesar de o não ter visto, mas pelo que li e ouvi e pela minha cultura desportiva, bem jogado e bem ganho!

Medos*

Os 10 medos mais comuns da humanidade

 

Começa a ficar consensual que entramos na temida segunda vaga da epidemia. Os números, de infecções e de óbitos, mesmo que mais os primeiros, voltaram a disparar e confirmam que o que se está a passar já é diferente do que aconteceu entre o primeiro e o segundo trimestre do ano.

Em Espanha, em França, na Itália, no Reino Unido, na Alemanha ou em Portugal, com maior gravidade, como em Espanha, ou menor, como na Alemanha, o vírus não dá tréguas. É justamente um virologista alemão, cientista de referência e assessor do governo para a covid-19, que adverte que a verdadeira pandemia está agora a chegar.

A isto acresce a chegada da gripe sazonal, aí à porta por força do calendário. Mas acresce sobretudo a realidade nas suas múltiplas dimensões. Não é mais possível responder com a resposta dada há seis meses. Não é económica nem socialmente possível voltar ao confinamento de então. As economias não o suportam. E as pessoas já nem sequer suportam medidas restritivas, como se vê por estes dias em Espanha e em França. Pelo contrário, reclamam mais abertura, Nem é garantido que dispúnhamos de melhores condições de saúde, como em Portugal garantem as entidades oficiais. Antes pelo contrário, provavelmente.

É certo que há hoje maior conhecimento do vírus, e mais algumas certezas médicas. Mas a resposta dos profissionais de saúde, que por todas as latitudes emocionou o mundo, não é uma experiência repetível. E em Portugal, por múltiplas e diversas razões, que vão dos bloqueios nas estruturas organizacionais dos serviços de saúde, à falta de reconhecimento dos profissionais, não o é. De todo!

Quando os registos da epidemia já contam com um milhão de mortos e 32 milhões de infectados, é verdadeiramente dramático nestas condições admitir que a verdadeira pandemia possa estar agora a chegar.

Há uma boa notícia no meio de tudo isto. Nas eleições locais e regionais em Itália, no início da semana, a extrema-direita xenófoba sofreu um forte revés. Dizem os estudiosos da matéria porque, justamente, as pessoas perceberam que é aqui que está a razão para ter medo. E que o que os extremistas agitam são falsos medos com que querem apenas espalhar o ódio.   

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

 

Encerrada que está a disparatada, absurda e achincalhante trapalhada em que o Sr Gilberto Madaíl meteu o nome de Portugal, do futebol português e até de Mourinho (se bem que aí a música seja outra e haja muito por contar) aí está uma nova trapalhada: Paulo Bento!

Quero desde já dizer que nada tenho contra o treinador Paulo Bento. Tenho, no entanto, tudo contra mais esta trapalhada, na sequência directa da trapalhada anterior: ninguém percebe por que é que o Sr Madaíl não tratou discretamente do disparate Mourinho – podia ter almoçado, comido umas tapas ou apenas tomado um chá sem o anunciar aos sete ventos, preservando, como o mais elementar bom senso aconselharia, uma reserva que só faria sentido quebrar em função do sucesso (de todo improvável) de tão disparatada iniciativa – como ninguém poderá perceber a sucessiva exposição do nome de Paulo Bento e os sucessivos avisos (que mais pareciam ameaças) do anúncio de um futuro  contacto. Alguém entende que se avise, dias a fio, que se vai efectuar um contacto?

É para mim claro que é trapalhada atrás de trapalhada. Outra coisa seria difícil de esperar nesta altura do Sr Madaíl.

Trapalhadas à parte, em que Paulo Bento não tem qualquer responsabilidade, convém tentar perceber se esta opção, que parece estar a gerar unanimidade no meio mediático e desportivo, encaixa na actual realidade da selecção nacional.

Vítor Serpa, no Editorial de domingo de A Bola, apontava alguns traços do perfil do novo seleccionador: “mais forte do ponto de vista psicológico do que táctico, mais alegre do que triste, mais extrovertido do que intimista, mais amigável que conflituoso, mais comunicativo do que embezerrado, com mais amigos que inimigos”.

Eu acrescentaria: experiente, com forte capacidade mobilizadora, fortemente de empático, de discurso fácil, simples e directo, de espírito aberto, liberto de dogmas tácticos e … com tranquilidade!

Parece-me que, à excepção da famosa tranquilidade – imagem exclusiva de um discurso amplificado pelos Gato Fedorento e não exactamente uma imagem de marca – não encontramos aqui muitos pontos de contacto com o perfil de Paulo Bento. O que não faz dele um mau treinador nem sequer impede que seja seleccionador nacional! Apenas não encaixa na actual selecção nacional: uma equipa sobre brasas, sem margem de erro, descrente, sem chama e sem público!

Pode ser que corra bem, mas é daquelas soluções que, com toda a tranquilidade, tem tudo para não dar certo. Gostaria de estar redondamente enganado!

As coisas são assim mesmo

Escolhas | Blum Vivant

 

Quando o Novo Banco, o Banco de Portugal e tutti quanti impediam a divulgação do Relatório da Auditoria da Deloitte - nem aos deputados seria disponibilizado -, toda a gente gritou que não podia ser, que os portugueses não podem servir apenas para pagar, têm pelo menos o direito de saber o que pagam. 

Quando digo toda a gente, é mesmo toda a gente. Líder do governo e líderes da oposição. Não era de forma alguma admissível que as circunstâncias que concorreram para o maior escândalo financeiro da História, que tanto tem custado, e irá continuar a custar ao país, não possam ser publicamente conhecidas. Dava-se de barato que os nomes dos devedores estivessem ocultados, tratando-os de forma desigual, já que há uns que toda a gente sabe quem são, e outros que nunca ninguém ficará a conhecer. Mas enfim, nunca se pode ter tudo.

Entretanto, e em consequência deste protesto generalizado, o Relatório chegou aos deputados que, na sua posse, passaram a ser eles a decidir sobre a sua divulgação pública. A decidir o que todos, incluindo eles próprios e os seus líderes, tinham antes reclamado.

E decidiram que ... não. Que afinal o que se sabe que aconteceu no BES e no Novo Banco não é para se saber. Assim decidiram os deputados do  PS e do PSD, com a abstenção conivente do CDS e da Iniciativa Liberal (o deputado do chaga nem  para votar as suas próprias propostas aparece), como se antes, para a fotografia, não tivessem estado do outro lado.

As coisas são assim mesmo. Ou ... o que tem de ser tem sempre muita força ...

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

 

Há nove anos também tivemos orçamento. Cheirava muito a queijo mas tinha vida. Havia vida para além do orçamento e nem se ouvia falar de défice, quanto mais de vida para além dele. Também não se falava de dívida e, de mercados, só fosse do peixe, do Bulhão ou da Ribeira!

E no entanto, de repente, quando ninguém esperava, chegou o pântano! O pantanal veio por aí fora, mais rápido e surpreendente que um tsunami, e transformou tudo num imenso e pelos vistos insuportável lamaçal!

O governo fugiu, e o país, nas palavras de alguém que também haveria de fugir pouco depois, viria a ficar de tanga!

Hoje, nove anos passados, o país secou, secou e … de pântano transformou-se num inferno. A arder por todo o lado. Insuportável!

Ontem terá sido o dia D. Um vento mais forte de um quadrante qualquer fez alastrar as chamas a uma velocidade maior que a do tsunami. E o governo volta a fugir!

Vai fugir como fugiu o de Guterres mas até a tanga já nos leva. Agora deixa-nos nos nus e descompostos! Espero que fiquemos também envergonhados!

Há apenas quatro meses o governo e o então novo líder do PSD estavam de acordo. Era preciso aprovar um PEC – que logo se percebeu que apenas tinha E (de embuste), sem P (seja de plano seja de programa) nem C (de crescimento) – para acalmar os mercados e lá se dançou o tango.

É hoje claro que para o primeiro-ministro aquilo não passou de baile. Não era para levar a sério, era para continuar a fazer de conta. O seu parceiro de tango é que, como agora se vê, parece que levou aquilo um pouco mais a sério!

Entretanto o primeiro-ministro lá ia deixando correr o marfim. Num país virtual, ora tecnológico ora de novas oportunidades, em second life.

Percebia-se que o par dançava cada vez mais afastado, num tango já sem ponta de sensualidade. Nem um ligeiro encosto, um leve sarrafar!

Até que chegamos à beirinha do orçamento. O Presidente da República quer um orçamento negociado entre os dois para garantir a sua vidinha sem chatices: é música para os ouvidos de Sócrates! Que, porém, nada faz para se aproximar do par, que até parece cheirar mal dos sovacos, a precisar de patcholi.

Passa a dançar a solo, substituindo a música: agora é o Estado Social, tocado até à exaustão. Até o disco ficar riscado!

Claro que sabíamos no que ia dar a conversa do Estado Social. Simples: aumentar impostos mas nunca cortar na despesa! Subliminar: não reduzimos a despesa do Estado para não pôr em causa o Estado Social e para combater o défice temos que aumentar impostos. Outra vez!

Já ninguém se lembra que há quatro meses se havia acordado aumentos de impostos mas também redução de despesa! E que todos garantiam a pés juntos que não haveria mais aumentos de impostos!

E pronto! O ministro das finanças, como se acabasse de ser apanhado por uma enorme surpresa, a mesma surpresa do disparo do défice nos últimos dias do ano passado, lança o grito de desespero: digam-me como é que eu consigo reduzir o défice em 4,5 mil milhões sem aumentar impostos

Logo a seguir é Pedro Silva Pereira: se não aprovam o nosso orçamento com os impostos que quisermos vamos embora. Já hoje, e desde Nova Iorque, é o primeiro-ministro que o confirma.

Está visto: esta gente, para reduzir o défice, só conhece um instrumento e uma única maneira de lhe mexer: aumentar impostos, ir-nos ao bolso!

Eu, por mim deixava-os ir embora. De vez e para bem longe. Pena que não fiquem a arder nas chamas do inferno que aqui criaram!

Banha da cobra

Escola do século XXI, ou a banha da cobra educativa | Escola Portuguesa

Ficamos hoje a saber que nos Estado Unidos, e nos restantes países mais desenvolvidos, esta crise epidemiológica deverá chegar ao fim no terceiro ou no quarto trimestre do próximo ano, mas que é possível que regressemos à normalidade já no primeiro ou no segundo trimestre.

E quem é que nos vem dizer estas coisas, a apontar para a luz no fim do túnel?

Um grupo de cientistas de um conglomerado de universidades mundiais? A OMS? Um departamento especializado de uma estrutura europeia ou americana de que nunca tínhamos ouvido falar?

Não. Nada disso. Quem nos diz isto é uma consultora americana de negócios: a McKinsey!

Que explica - não fossemos nós duvidar - que, depois de desenvolvida a vacina, e da sua aplicação a parte suficiente da população, bastam seis meses para ser criada a imunidade de grupo. E que todos estes passos cabem no seu calendário se a produção da vacina permitir rapidamente a disponibilidade de milhões de doses, se as cadeias de distribuição forem eficazes e se milhões de pessoas se disponibilizarem para ser vacinadas logo na primeira metade de 2021.

Uma empresa de consultoria empresarial poderá intervir na capacidade de produção e na gestão da eficácia da distribuição. É aí que está o seu negócio. Já a descoberta e os testes da vacina, e o processo de vacinação, que é o que verdadeiramente está em causa, são tudo coisas que não lhe dizem respeito, e que extravasam completamente o seu campo de intervenção.

Mas isso não interessa nada, como diria a outra. O que interessa é que a mensagem passe e chegue onde terá de chegar. Nem que para isso se tenha de descer ao nível da banha da cobra. 

E depois não querem que os consultores tenham má fama...

 

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

 

Acabei de regressar do Brasil, onde voltei precisamente dez anos depois. Por mera coincidência, de novo em tempo de campanha eleitoral!

Voltei pois a encontrar um país em campanha eleitoral. Encontrei um país com algumas diferenças mas uma campanha eleitoral bem diferente.

Sempre um Brasil de dupla face – sinais de desenvolvimento próprios de uma potência mundial convivem, lado a lado, com os mais evidentes sinais de terceiro-mundismo –, mas agora um país que todo o mundo cobiça. Qual garota de Ipanema, filha adoptiva do talento de Vinícius (…olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…) que todos querem para namoradinha!

Nunca antes o mundo olhou para o Brasil deste jeito!

Um país que todos os dias atinge novos máximos nos mais diversos índices, a fazer lembrar aquelas semanas loucas das bolsas. Batem-se sucessivos recordes e cria-se a ideia que o limite é o céu. Depois cai tudo, mas isso é outra estória! Esperemos que seja!

Foi este país que vim encontrar, mas … em campanha eleitoral.

A primeira sensação foi que não tinha chegado a sair de Portugal. Sucesso atrás de sucesso, cada indicador melhor que o outro. Os milagres do Estado Social… Estava ali tudo, não faltava nada: aquilo era o discurso que eu ainda levava nos ouvidos. E, no entanto, estava do outro lado do oceano! O país era outro mas o discurso era o mesmo. Fantástico! Nunca antes tinha visto uma coisa assim!

Depois do choque inicial comecei então a perceber as nuances do discurso. Comecei por perceber que os dados e os indicadores que sustentavam o discurso faziam sentido. São produzidos pelo INE lá do sítio – o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – variam a sério, não em cagésimos, são lidos correctamente e impressionam mesmo!

Mas era um discurso cheio de “nunca antes”. Nunca antes de Lula, claro!

Todos aqueles dados e indicadores impressionantes têm uma única referência: o Presidente Lula. O mérito por tudo o que de bom se passa hoje no país é dele. E só dele! Há já quem diga que se eliminará Pedro Álvares Cabral para entregar a Lula o mérito do descobrimento do Brasil!

É este o registo de uma campanha eleitoral onde o presidente se sobrepõe ao candidato. Destinada a assegurar uma continuidade dinástica, bem mais própria da velha linha latino-americana que das democracias modernas do mundo que hoje namora o Brasil, e onde o presidente não se comporta de forma condizente com o seu prestígio pessoal. Bem maior no exterior do que internamente!

É preocupante, e bastante questionado em sectores insuspeitos da sociedade brasileira, este envolvimento e esta personalização meio chavista da campanha. Tão mais preocupante quanto se sabe que nunca foi desmantelada a rede de corrupção com epicentro na sua Casa Civil. Que todos os dias faz prova de vida.

Parece-me que nem o Brasil nem a senhora Dilma Roussef mereciam isto. Nem, acima de tudo, Lula!

Respostas mal amanhadas

Visitas a casa de amigos ou familiares duplicaram entre março e maio

 

Não passou despercebida a presença da bastonária da Ordem dos Enfermeiros na convenção do chaga. Não passaria, sabe ela, e sabemos todos. E por isso alguma justificação teria de dar: “Não sou apoiante do Chega, nem tenho de apoiar as propostas do Chega ou fazer parte de alguma comissão de apoio para ir cumprimentar um amigo” - foi a resposta que deu à inevitável pergunta.

Não diz quem é o amigo, mas não é difícil de adivinhar. E é mesmo possível supor que por lá tivesse muitos... Tenho para mim que as visitas aos amigos pertencem à esfera de privacidade de cada um. Quando acontecem no espaço público é outra coisa. E a deslocação a um evento público para cumprimentar um amigo não é nem uma visita, nem um cumprimento. É uma forma de expressão pública de apoio. Se o evento é de natureza política, isso é expressão - legítima, não é isso que está em causa - de público apoio político.  

Daí que o melhor que se pode dizer da explicação da bastonária é que está mal amanhada. "Não sou apoiante"... mas venho apoiar!

Não havia necessidade, mas é o sinal dos tempos.

Chaga

Política, a competição das virtudes e o marketing vazio – Comunidade  Cultura e Arte

 

Esse partido de que não se pode dizer o nome, por causa do algoritmo, reuniu este fim de semana em Convenção Nacional. Onde o seu líder, cujo nome é, pelas mesmas razões impronunciável, acabado de eleger com mais de 99% dos votos, mas com grandes dificuldades em fazer aprovar a sua direcção e estratégia, garantiu transformar a agremiação na terceira força política do país e disputar pessoalmente a segunda volta das presidenciais    

A coisa foi agitada, e não foi só por ter sido preciso esperar pela terceira votação para conseguir aprovar a  direcção. A GNR teve mesmo de por lá aparecer para pôr alguma ordem naquilo, porque aquela gente faz questão de insistir que a pandemia não passa de uma questão ideológica, e que distâncias e máscaras, como bem ensinam Bolsonaro e Trump, não é coisa para eles.

Mas não foi esta agitação que mais me chamou a atenção nesta reunião. Interessava-me mais, num partido em que apenas o líder se conhecia, e que crescia nas sondagens pela mobilização dos desiludidos da democracia, os que vêm engrossando a enorme legião de abstencionistas, perceber quem começava a chegar-se atrás do cheiro a lugares de deputados, presidentes de câmara, vereadores ou até de juntas de freguesia. Ver esses nomes e as suas manobras de bastidores. 

E viu-se uma coisa interessante. Viu-se, por exemplo, que um ou outro nome vinha do PNR. Mais uns tantos vinham da Aliança, do Pedro Santana Lopes que por aí vai andando, e que grande parte vem mesmo directamente do PSD. Se juntarmos a malta da Aliança, que também de lá chegou há pouco tempo, percebemos que este partido de fora do sistema, que se alimenta de desiludidos do regime, é constituído por gente que fez todo o seu percurso político no PSD. Que fez o regime, com tudo o que de certo, e de errado, ele tem.

Não consigo perceber é se isto diz mais sobre o PSD se sobre este partido que não pode dizer o nome. Há quem lhe chame "chaga". Parece-me bem: vou adoptar!

Tour de France 2020 VI

Tour de France: feu d'artifice slovène sur les Champs-Elysées - Libération

 

Terminou o 107º Tour de France. "Aux Champs Elysées", como dizia uma canção, "comme d`habitude", como dizia outra, na etapa 21.

Em Paris ganhou o irlandês Sam Bennett, da Quick Step, e confirmou a camisola verde que há muito vestia, mas que o eterno vencedor da classificação por pontos, o eslovaco Peter Sagan, da Bora, ainda poderia discutir. 

E começaria por aqui o capítulo das desilusões deste sensacional Tour 2020. Sagan, o mais bem pago ciclista do mundo, não ganhou hoje - foi terceiro na etapa - como não ganhou nunca a qualquer dos sprinters com que teve de competir. E para quem foi durante sete anos consecutivos o vencedor da classificação por pontos, a quem se não conhecia outra camisola que a verde, foi pouco. Tudo tem um fim, e este poderá ter sido o fim de um longo reinado no mundo dos sprints.

A decepção maior vai indiscutivelmente para Ergan Bernal. De super favorito a super derrotado vai um fosso muito grande todo ele cheio de decepção. E logo a seguir para o seu compatriota Nairo Quinta, o 17º classificado a mais de uma hora dos três primeiros.

Também a corrida do nosso Nelson Oliveira nos desiludiu. E nem foi pelo 55º lugar na classificação, a mais de 3 horas dos primeiros, foi mesmo pela corrida que fez. Por exemplo, no lugar a cima, a pouco mais de 5 minutos, classificou-se um dos maiores - se não mesmo o maior - animadores da corrida, o suíço Marc Hirschi. Ganhou uma etapa, foi segundo e terceiro noutras duas, e foi considerado o super-combativo deste Tour.

Colectivamente foi a Ineos, a sucessora da espectacular Sky, a grande desilusão da prova. Tudo lhe correu mal, a começar logo na constituição da equipa, sem Chris Froome e sem Geraint Thomas. Falhou a aposta em Bernal, acabando por penalizar Carapaz, e o seu melhor corredor não conseguiu melhor que o 13º lugar na geral, atrás - mas a mais de 8 minutos - do veteraníssimo Valverde.

A Jumbo (segunda classificada) chegou a parecer, mas só isso, a parecer a herdeira da Sky na forma como controlou toda a corrida. Controlou tudo, só não controlou o que não podia controlar - o contra relógio. Aí, com os corredores entregues a si próprios, não pôde fazer nada por Roglic. O que valoriza ainda mais a vitória de Pogacar, com uma equipa - a Emirates, também de Rui Costa, incomparavelmente  mais fraca e nos últimos lugares (9º) na classificação, que a Movistar voltou a ganhar.

No fim fica uma competição espectacular e a revelação de uma mão cheia de jovens ciclistas de grande qualidade futuro - a começar evidentemente no sensacional Pojacar - que garantem a espectacularidade  do Tour, e da modalidade, para os próximos anos.

 

 

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