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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O debate que não o é

Em debate confuso, Trump e Biden trocam acusações pessoais e expõem  discordâncias | Eleições nos EUA 2020 | G1

 

«Nunca lutes com um porco. Primeiro, porque ficas sempre sujo e, segundo, porque o porco gosta.» Este conhecido pensamento de Bernard Shaw foi certamente passado muitas vezes a Joe Biden pelos seus múltiplos assessores, na preparação do debate desta madrugada, o primeiro de três previstos até ao final do mês que começa amanhã, e que antecede as eleições presidenciais americanas. Mas que provavelmente será apenas o único, já que não terá ficado grande apetência pelos dois que faltariam.

Joe Biden tinha já exteriorizado este pensamento de Shaw  quando afirmara: «Só espero não morder o isco de entrar numa rixa com este tipo, porque é só aí que ele se sente confortável». Sabia, como sabíamos todos, o que o esperava.

Mesmo assim não resistiu. Não seria fácil - nunca é fácil - resistir ao registo de bullying robotizado de Trump. Por isso, o mais acertado será mesmo seguir à letra o ensinamento de Shaw, e não lutar com o porco. Mesmo que o pretexto seja o baixo nível, mais que deprimente, do que foi este debate. Que não o foi. 

 

O modelo

The New York Times” revela declarações fiscais de Trump, que não pagou  impostos em dez dos últimos 15 anos | EUA | PÚBLICO

 

Até há bem pouco tempo, há apenas alguns anos, uma revelação como a que fez o New Yok Times - Trump não pagou impostos em dez dos últimos quinze anos antes de chegar à Casa Branca, e no ano em que foi eleito, bem como no do primeiro ano ano de mandato, pagou 750 dólares - em tempo de contenda eleitoral na América, era fatal.

Nenhum candidato resistiria a uma revelação destas. Em sociedades desenvolvidas não é muito apreciado que um homem de negócios de sucesso não pague impostos. Na América é ainda menos apreciado que um tipo que se anuncia homem de negócios de sucesso seja um charlatão. Não o rei Midas que se anunciava, mas simplesmente um empresário de projectos falidos, com centenas de milhões de dólares de prejuízos acumulados financiados por dívidas impagáveis. 

Já não é assim. Quatro anos da realidade virtual de Trump alteraram isso. O presidente americano não se preocupou rigorosamente nada com a divulgação. E despachou o assunto com resposta chave: fake news!

Aí está. Com fake news constrói a sua realidade virtual, mentira em cima de mentira. Com fake news, com "é mentira", institucionaliza a mentira. Porque, como dizia Dan Coates, um dos vários responsáveis pelos serviços de informação da Casa Branca que Trump despachou ao longo do mandato, “para ele, uma mentira não é uma mentira. É simplesmente o que ele pensa. Não consegue distinguir entre a verdade e a mentira”.

Trump tem estado a tentar construir uma América à sua imagem, que não consiga ela própria distinguir a verdade da mentira. As eleições que aí estão a um mês de distância ditarão a medida do sucesso desse seu modelo.

Para já parece bem maior que nos negócios.

 

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

 

O presidente acabou de falar com os partidos. E ouviu toda a oposição dizer-lhe que mais impostos é que não! Do partido do governo deve ter ouvido o contrário: impostos é que é!

O Sr Angel Gurria já deve ter tomado o avião de volta. Já cá não está, já fez o seu número!

O Benfica já está a jogar. É aí que grande parte dos portugueses têm a sua atenção concentrada.Tudo em ordem, portanto.

O governo já nos pode vir mostrar o tamanho do dedo que nos vai meter naquele sítio que todos sabem!

Pois bem. Aí vêm elas!

Ah! O Sr Angel Urria, o secretário-geral da OCDE veio cá dizer que nós, todos os que achamos que isto não vai lá com impostos, que o que é preciso é gastar menos, somos todos burros. Que não é nada disso: isto vai lá é com mais impostos!

Houve logo muita gente que achou que a visita do Sr Urria tinha sido encomendado pelo governo. Era a resposta às consultas do PR!

Até pode ser que sim. Mas convém recordar que esta gente da OCDE, do FMI e de outros que tais só vê mesmo aumento de impostos. Desconfio que seja porque de cortes na despesa estejam eles fartos! É que uma coisa são promessas (vamos cortar, prometemos que vamos mesmo!) e outra são os impostos, logo a cair.

Mas isso mata a economia! E o que é que isso os preocupa?

 

PS: O dedo é grande. E grosso!
A coisa vai doer a sério...
Seriedade é que continua a faltar. Ainda anteontem o TGV ia a todo o vapor! E mais uma medida de grande criatividade: lançar mão do fundo de pensões da PT.
Cortes de 4,2 milhões de euros provenientes principalmente da redução de 5% dos salários na esfera pública. Mas também uns pozinhos vêm do SNS: ADSE e meios auxiliares de diagnóstico. Alguma coisa de mudança estrutural? Nada, apenas aquelas coisas tão fáceis como aumentar impostos!
Com o aumento da taxa normal de IVA de 21 para 23 entrar-se-á naquela zona onde "o crime compensa": a economia paralela dará novo salto e os valores arrecadados pelo Estado não irão reflectir esse aumento. Mas fica bem, como bem fica o anúncio de um imposto sobre as operações financeiras, que ninguém sabe o que será. Mas fica bem!

Pimenta is back!

Fernando Pimenta conquista medalha de bronze nos Mundiais de canoagem - ZAP

 

Fernando Pimenta, o senhor canoagem. O papa medalhas. Na Taça do Mundo disputada este fim-de-semana em Szeged, na Hungria, conquistou mais três: duas de ouro, em K1 1.000 metros e K1 5.000, e uma de prata, em K1 500. E chegou às 100 medalhas conquistadas!

Joana Vasconcelos (prata em 200 VL2 e bronze em VL2 500) e Norberto Mourão (prata em 200 VL2 e  bronze em VL2 500 em para-canoagem) completaram o medalheiro nacional nesta Taça do Mundo. Mas, claro, o feito do canoista do Benfica é uma coisa do outro mundo. 

Bom ... e aquele "Pimenta is back" é perfeito!

A surpresa de Simeone

Atlético Madrid: Diego Simeone testa positivo à covid-19 | MAISFUTEBOL

 

Quando ouvimos falar de surpresas no futebol pensamos sempre em resultados inesperados como, por exemplo, a derrota de hoje do super Bayern com o Hoffenheim, por 4-1, ou a do Manchester City, em casa, com o Leicester, por 5-2. Mas essas são surpresas que nem são muito surpreendentes, já que, acontecendo por todo o lado, acabam por acontecer com alguma frequência.

Mas há outro tipo de surpresas, bem mais surpreendentes. E muito mais agradáveis. Hoje foi possível assitir a uma dessas, uma das maiores com que o futebol acaba de nos brindar. Refiro-me ao futebol que o Atlético de Madrid apresentou neste arranque da La Liga, que ninguém daria por possível sob o comando de Diego Simeone.

À equipa de Simeone nunca faltou capacidade competitiva, mas faltou sempre futebol espectáculo, bem jogado, daquele que enche olhos e corações. Ganhou algumas coisas, e nunca deixou de ser um adversário temível. Mas não ganhou muito, e não ganhou nunca a admiração dos amantes do futebol. 

O clube ia adquirindo grandes jogadores, mas o seu futebol não mudava. Muita gente interrogava-se mesmo para que quereria jogadores de primeira água, se para aquela maneira de interpretar o jogo bastavam uma grande capacidade física e muita vontade de disputar cada bola. Quando jogadores de fino corte técnico assinavam pelos colchoneros já se  sabia que estavam condenados ao fracasso. Assim aconteceu com Gaitan, com Falcão, com Gelson... para falar daqueles que conhecemos melhor. Assim parecia acontecer com João Félix, que ninguém percebeu porque, por aquele dinheiro todo, interessava à equipa de Simeone. Nem porque aceitava ele um destino de condenação. 

A época passada, a primeira, confirmou todas essas dúvidas. Pouca utilização mas, pior, sempre em condições que lhe limitavam todo o enorme potencial que lhe é reconhecido.

Pois hoje pudemos ver, no jogo inicial da época, uma equipa irreconhecível. Com um futebol de ataque, arrasador - está na moda - com uma fantástica dinâmica colectiva a tirar agora partido dos jogadores de grande classe de que dispõe na frente de ataque. Repare-se apenas nestes quatro nomes, para dois lugares: João Félix, Diego Costa, Luiz Suarez e Marcos Llorente. Os titulares foram os dois primeiros. Saíram com um golo cada com o resultado em 3-0, substituídos pelos dois últimos a cerca de meia hora do fim. Que fizeram outros três, com o ex-Barcelona a marcar por duas vezes na estreia.

Seis golos (resultado com o Granada ficou em 6-1), coisa nunca vista com Diego Simeone!

Uma enorme surpresa. Das maiores do futebol. E das mais agradáveis. O que é que terá passado pela cabeça do argentino? 

 

 

 

Adeus capitão. Adeus fantasma!

 

O Benfica não está a jogar o triplo, está a jogar bem mais. Se a base for o que jogou na segunda metade da época anterior o multiplicador não é três, é capaz de ser o infinito - está a jogar infinitamente mais!

Tivesse concretizado metade, ou até um terço, das oportunidades de golo criadas hoje, no jogo com uma das bestas negras da Luz das últimas temporadas, e estaríamos a falar de uma exibição esplendorosa. 

Este jogo com o Moreirense seria sempre especial. Porque era o primeiro jogo oficial da época na Luz, e o último de Rúben Dias. E porque era um jogo cheio de fantasmas: há duas épocas que o Moreirense alimenta um fantasma na Catedral.

Percebeu-se logo a confirmação não confirmada da notícia do dia, que apontava a saída de Rúben Dias para o Manchester City. Mesmo que a transmissão da Benfica TV a tivesse querido ignorar olimpicamente, acabando mal na fotografia com as declarações do próprio Rúben na flash-interview no final do jogo. Era evidente que o último dos titulares da equipa proveniente do Seixal, e o único titular da selecção nacional que representava o Benfica, era o preço a pagar pela eliminação da Champions. A braçadeira de capitão, quando na equipa estavam André Almeida e Pizzi, os dois a quem sucedia nessa hierarquia, dizia-nos isso mesmo.

E pronto, de praticamente meia equipa com origem na formação, num ápice o Benfica passa a uma equipa sem jogadores da casa. Morto e enterrado o famoso projecto do Seixal, seja porque o treinador, como há muito se sabe, não está para aí virado; seja porque, na hora de fazer dinheiro, Luís Filipe Vieira e Jorge Mendes não conheçam outra fórmula. Agora acabou!

Mas...voltando ao jogo de hoje. Foi uma exibição a que faltou meia dúzia de golos. No jogo anterior, em Famalicão, a equipa jogou muito bem e fez cinco golos. Em 14 remates. Hoje a equipa jogou muito melhor, mas em mais do dobro dos remates fez apenas dois golos. Dos 29 remates, 10 foram enquadrados com a baliza, sete dos quais salvos por seis grandes defesas do Pasinato, guarda-redes do Moreirense, a maioria delas sem que ainda saiba como, e um por um defesa que não se sabe donde apareceu para em, cima da linha de golo evitar o golo gritado de Waldschmidt que, servido de bandeja por Darwin (grande exibição!), depois de passar pelo guarda-redes, rematou para a baliza deserta. Um, de André Almeida, foi ao poste. E na maioria dos restantes 18 Pasinato estava batido mas a bola acabou ligeiramente por cima ou ao lado.

O primeiro golo chegou bem atrasado, pela forma como o Benfica entrou no jogo, sem deixar o adversário respirar, e retirando-lhe completamente a bola. Tinha de ser assim, porque no pouco tempo em que o Moreirense então a teve percebeu-se que sabia bem o que fazer com ela. Chegou aos vinte minutos, e pensou-se que, pela avalanche atacante do Benfica, outros se seguiriam. Não foi assim. Chegou apenas mesmo no final da primeira parte, em mais uma bonita jogada de futebol e numa finalização perfeita de Darwin (e como merecia o golo!). Mas acabaria anulado, por fora de jogo do uruguaio.

E com o segundo, que não foi, terminou a primeira parte, cheia de grande futebol. Na qual o Moreirense ainda ensaiou com propósito duas ou três saídas para o contra-ataque, concluindo uma única, com um remate que bateu em Grimaldo e obrigou Vlachodimos à sua única defesa em todo o jogo. E que defesa!

O resultado magro ao intervalo, mas principalmente a inusitada quantidade de oportunidades não concretizadas, começava a engordar o fantasma que as bancadas despidas escondiam.

À medida que o relógio ia avançando pela segunda parte fora, e os remates continuavam a sair ao lado, ou por cima, a bater no ferro, ou a ser defendidos, o fantasma engordava ainda mais, e parecia já passear no campo. O Moreirense não fazia nada que assustasse, e não assustava mesmo. Mas os fantasmas assustam. Sempre.

E na realidade só desapareceu aos 80 minutos, quando Seferovic - que havia entrado a substituir o Waldschmidt sem que se percebesse muito bem por quê -, com mais um serviço de bandeja do Darwin, chutou para o segundo golo. Finalmente!

Curioso é que, num jogo em que a única complicação foi mesmo marcar golos, tenham sido dois jogadores que estão de saída a fazê-lo. Um no último jogo pelo Benfica, e outro ... se calhar também.

Foi um jogo de adeus. Até de adeus ao fantasma. Mas também de uma grande exibição colectiva, com nota alta para todos os jogadores, mas altíssima para Darwin, Rafa, Everton, Rúben Dias (claro) e Gabriel, para já muito bem na sua nova posição. 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

 

futebolês é muito virado para as coisas da cultura. Tem a leituracomo já vimos , mas tem também um conceito mais vasto: a cultura de jogo!

Como qualquer cultura, ou se tem ou não se tem. Aqui a diferença está na adjectivação: no futebolês, ao contrário da linguagem comum, quem tem cultura de jogo não é necessariamente culto!

Um jogador – e esta é outra particularidade, apenas ao jogador é atribuída essa cultura, ninguém mais no mundo da bola é digno dessa bênção – com cultura de jogo é aquele que dispõe de um conjunto de condições que lhe permitem interpretar o jogo e tomar as melhores decisões em função da leitura que fez. O que equivale a dizer que o futebolês coloca as coisas nos seus devidos lugares: a cultura vem da leitura!

Sem saber ler o jogo não há cultura de jogo. Sem ler o jogo nada feito: não há interpretação que valha nem decisões que resultem.

Um jogador com cultura de jogo é naturalmente um jogador completo – ele junta às suas funções de jogador ainda as de treinador dentro do campo, a de um treinador ali à mão dos colegas. É a extensão da liderança do treinador. Ele percebe quando o jogo deve ser acelerado ou quando se impõe baixar-lhe o ritmo.

É deste tipo de jogadores que sai o patrão da equipa e, muitas vezes, futuros bons treinadores.

Outra coisa bem diferente de cultura de jogo é a cultura desportiva. E essa não abunda por aí!

Enquanto que a cultura de jogo se manifesta exclusivamente no rectângulo de jogo a cultura desportiva vive fora do terreno de jogo. Embora acabe sempre por ter repercussões lá dentro!

A cultura desportiva não obriga a ter grandes conhecimentos sobre desporto. Ter cultura desportiva não significa ser nenhuma enciclopédia desportiva, nem sequer ter os conhecimentos do Luís de Freitas Lobo.

A cultura desportiva traduz-se exuberantemente na expressão inglesa que toda a gente usa e a que alguns chamam treta: fair play!

fair play não se esgota na sua utilização em campo, no tal sítio onde ás vezes é mesmo uma treta. Não se limita ao cavalheirismo exigido aos jogadores em campo. Extravasa o campo de jogo e é mesmo tão mais importante quanto mais afastado desse recinto.

Não será falta de cultura desportiva vir criticar o presidente da comissão de arbitragem por se ter prestado a esclarecer os lances da arbitragem do Guimarães-Benfica?

Creio que sim. Quando o dirigente máximo da arbitragem, onde sempre vimos imperar um corporativismo especializado em atirar areia para os olhos, vem explicar esses lances de forma clara, como, afinal, toda gente tivera oportunidade de ver, está a contribuir para o fair play. Está não só a contribuir para um aumento da cultura desportiva mas, e muito mais importante, está a dizer aos senhores árbitros que têm de ter atenção, porque toda a gente está a ver. Daí que os mínimos aceitáveis em cultura desportiva, mesmo um dez nas novas oportunidades, obrigue a aplaudir a iniciativa de Vítor Pereira.

Mas não foi o que fizeram o presidente do Guimarães e o treinador do Porto. No primeiro não se pode falar de falta de cultura desportiva porque, pelo que se viu e ouviu, é falta de cultura. Ponto!

Já no treinador do Porto é clara falta de cultura desportiva, de fair play e até de elegância! Deve ser daqueles ares. Quando até podia ser magnânimo e, do alto da sua cadeira, a de sonho, e dos seus nove pontos de avanço (!), aplaudir a atitude do sr Vítor Pereira. Mesmo que não fosse por nobre cultura desportiva, bastaria que fosse por mero reconhecimento. Por ele não ter esmiuçado nenhum dos muitos erros que têm favorecido o Porto ao longo destas primeiras cinco jornadas que, somados com os outros, dão nos tais inacreditáveis nove pontos.

É mesmo daqueles ares! Também o recém-chegado João Moutinho, interrogado pelas facilidades no jogo da Madeira, com o Nacional, respondeu que eram eles que tornavam os jogos fáceis. Fantástico! Quando acabávamos de assistir a um jogo que julgávamos facilitado logo aos 20 minutos com um auto-golo e, logo no minuto seguinte, voltamos a julgar facilitado pelo árbitro quando não assinalou a mão de Rolando e o respectivo penalti que poderia voltar a deixar o jogo empatado! Claro que nos lembramos logo da maneira como tinham sido tornados fáceis três dos restantes quatro jogos. Porque o do Dragão com o Braga foi bem difícil. Mas também, apesar de o não ter visto, mas pelo que li e ouvi e pela minha cultura desportiva, bem jogado e bem ganho!

Medos*

Os 10 medos mais comuns da humanidade

 

Começa a ficar consensual que entramos na temida segunda vaga da epidemia. Os números, de infecções e de óbitos, mesmo que mais os primeiros, voltaram a disparar e confirmam que o que se está a passar já é diferente do que aconteceu entre o primeiro e o segundo trimestre do ano.

Em Espanha, em França, na Itália, no Reino Unido, na Alemanha ou em Portugal, com maior gravidade, como em Espanha, ou menor, como na Alemanha, o vírus não dá tréguas. É justamente um virologista alemão, cientista de referência e assessor do governo para a covid-19, que adverte que a verdadeira pandemia está agora a chegar.

A isto acresce a chegada da gripe sazonal, aí à porta por força do calendário. Mas acresce sobretudo a realidade nas suas múltiplas dimensões. Não é mais possível responder com a resposta dada há seis meses. Não é económica nem socialmente possível voltar ao confinamento de então. As economias não o suportam. E as pessoas já nem sequer suportam medidas restritivas, como se vê por estes dias em Espanha e em França. Pelo contrário, reclamam mais abertura, Nem é garantido que dispúnhamos de melhores condições de saúde, como em Portugal garantem as entidades oficiais. Antes pelo contrário, provavelmente.

É certo que há hoje maior conhecimento do vírus, e mais algumas certezas médicas. Mas a resposta dos profissionais de saúde, que por todas as latitudes emocionou o mundo, não é uma experiência repetível. E em Portugal, por múltiplas e diversas razões, que vão dos bloqueios nas estruturas organizacionais dos serviços de saúde, à falta de reconhecimento dos profissionais, não o é. De todo!

Quando os registos da epidemia já contam com um milhão de mortos e 32 milhões de infectados, é verdadeiramente dramático nestas condições admitir que a verdadeira pandemia possa estar agora a chegar.

Há uma boa notícia no meio de tudo isto. Nas eleições locais e regionais em Itália, no início da semana, a extrema-direita xenófoba sofreu um forte revés. Dizem os estudiosos da matéria porque, justamente, as pessoas perceberam que é aqui que está a razão para ter medo. E que o que os extremistas agitam são falsos medos com que querem apenas espalhar o ódio.   

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

 

Encerrada que está a disparatada, absurda e achincalhante trapalhada em que o Sr Gilberto Madaíl meteu o nome de Portugal, do futebol português e até de Mourinho (se bem que aí a música seja outra e haja muito por contar) aí está uma nova trapalhada: Paulo Bento!

Quero desde já dizer que nada tenho contra o treinador Paulo Bento. Tenho, no entanto, tudo contra mais esta trapalhada, na sequência directa da trapalhada anterior: ninguém percebe por que é que o Sr Madaíl não tratou discretamente do disparate Mourinho – podia ter almoçado, comido umas tapas ou apenas tomado um chá sem o anunciar aos sete ventos, preservando, como o mais elementar bom senso aconselharia, uma reserva que só faria sentido quebrar em função do sucesso (de todo improvável) de tão disparatada iniciativa – como ninguém poderá perceber a sucessiva exposição do nome de Paulo Bento e os sucessivos avisos (que mais pareciam ameaças) do anúncio de um futuro  contacto. Alguém entende que se avise, dias a fio, que se vai efectuar um contacto?

É para mim claro que é trapalhada atrás de trapalhada. Outra coisa seria difícil de esperar nesta altura do Sr Madaíl.

Trapalhadas à parte, em que Paulo Bento não tem qualquer responsabilidade, convém tentar perceber se esta opção, que parece estar a gerar unanimidade no meio mediático e desportivo, encaixa na actual realidade da selecção nacional.

Vítor Serpa, no Editorial de domingo de A Bola, apontava alguns traços do perfil do novo seleccionador: “mais forte do ponto de vista psicológico do que táctico, mais alegre do que triste, mais extrovertido do que intimista, mais amigável que conflituoso, mais comunicativo do que embezerrado, com mais amigos que inimigos”.

Eu acrescentaria: experiente, com forte capacidade mobilizadora, fortemente de empático, de discurso fácil, simples e directo, de espírito aberto, liberto de dogmas tácticos e … com tranquilidade!

Parece-me que, à excepção da famosa tranquilidade – imagem exclusiva de um discurso amplificado pelos Gato Fedorento e não exactamente uma imagem de marca – não encontramos aqui muitos pontos de contacto com o perfil de Paulo Bento. O que não faz dele um mau treinador nem sequer impede que seja seleccionador nacional! Apenas não encaixa na actual selecção nacional: uma equipa sobre brasas, sem margem de erro, descrente, sem chama e sem público!

Pode ser que corra bem, mas é daquelas soluções que, com toda a tranquilidade, tem tudo para não dar certo. Gostaria de estar redondamente enganado!

As coisas são assim mesmo

Escolhas | Blum Vivant

 

Quando o Novo Banco, o Banco de Portugal e tutti quanti impediam a divulgação do Relatório da Auditoria da Deloitte - nem aos deputados seria disponibilizado -, toda a gente gritou que não podia ser, que os portugueses não podem servir apenas para pagar, têm pelo menos o direito de saber o que pagam. 

Quando digo toda a gente, é mesmo toda a gente. Líder do governo e líderes da oposição. Não era de forma alguma admissível que as circunstâncias que concorreram para o maior escândalo financeiro da História, que tanto tem custado, e irá continuar a custar ao país, não possam ser publicamente conhecidas. Dava-se de barato que os nomes dos devedores estivessem ocultados, tratando-os de forma desigual, já que há uns que toda a gente sabe quem são, e outros que nunca ninguém ficará a conhecer. Mas enfim, nunca se pode ter tudo.

Entretanto, e em consequência deste protesto generalizado, o Relatório chegou aos deputados que, na sua posse, passaram a ser eles a decidir sobre a sua divulgação pública. A decidir o que todos, incluindo eles próprios e os seus líderes, tinham antes reclamado.

E decidiram que ... não. Que afinal o que se sabe que aconteceu no BES e no Novo Banco não é para se saber. Assim decidiram os deputados do  PS e do PSD, com a abstenção conivente do CDS e da Iniciativa Liberal (o deputado do chaga nem  para votar as suas próprias propostas aparece), como se antes, para a fotografia, não tivessem estado do outro lado.

As coisas são assim mesmo. Ou ... o que tem de ser tem sempre muita força ...

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