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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Adeus 2020

Adeus 2020 de 31 Dez 2020 - RTP Play - RTP

Foi mau de mais este ano que nos roubou os abraços e os beijinhos. Até os apertos de mão.  As mãos desapareceram serviram apenas para ser lavadas, muito e muitas vezes ao dia, Para o ritual de desinfecção à entrada e à saída de um lugar qualquer. E para teclar,  enfiando-nos num mundo digital onde todos julgam acima de tudo e de todos, fazendo de mentiras verdades universais, de ligeiras impressões convicções inabaláveis, construído de certezas absolutas em cima da mais insolente ignorância.

Guardaremos dele más memórias. É inevitável. Mas também é justo que o lembremos por ter sido o ano em que, em poucos meses, o mundo deu ao mundo uma vacina que tínhamos por tarefa de muitos anos. E o ano em que Trump foi corrido da Casa Branca, mesmo que permaneça ainda dentro muitas outras casas de muitas cores. Todas desbotadas!

E se um dia a História nos vier dizer que a humanidade aprendeu alguma coisa com este ano, poderemos então lembrá-lo como o início de uma nova era na nossa relação com o nosso habitat natural É esse um dos poucos sinais da esperança que poderemos levar deste ano noite de 2020.

E a de que 2021 seja melhor. Terá de ser!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

 

O ano está a chegar ao fim! Está por um fio…

O futebol tem um calendário diferente. O ano chama-se época e o calendário não tem dias, semanas e meses: tem a sequência ordenada dos jogos, distribuída por duas voltas que quase dividem o ano ao meio. Quase, porque a primeira volta, por cá, acaba já por Janeiro dentro. Vai de Agosto a Janeiro. Não tem grande importância mas sempre atribui um título: o de campeão de Inverno!

A segunda volta prolonga-se até Maio, fechando-se a época com a final da Taça. É assim em praticamente toda a Europa: a excepção é a Rússia, pouco dada aos usos e costumes ocidentais.

Depois vêm as férias. E a agitação do defeso – um paradoxo, o defeso que supõe acalmia, interregno e pausa para limpar armas, é afinal um tempo de grande intensidade – das contratações que irão alimentar todas as aspirações da nova época. Das falhadas e das concretizadas!

De dois em dois anos Junho é mês de selecções, em campeonatos ora da Europa ora do Mundo. Julho é mês da preparação e de afinação física, técnica e táctica da equipa. E em Agosto há o reveillon: o início do novo ano, a nova época que arranca com a Supertaça, a tal que este ano tramou o Benfica.

É assim há muito tempo! Dá a ideia que o calendário civil terá sentido alguma inveja disto e, por isso, arranjou forma de encontrar alguma da graça da passagem do ano do futebol. Da passagem da época!

Arranjaram-se umas férias para o Natal, coisa a que apenas os ingleses, que nisto do futebol são os alemães da economia, souberam resistir. E introduziu-se-lhe o melhor da festa. Que não é o fogo de artifício, são mesmo as contratações. A abertura do mercado de Inverno reproduzia nesta altura do ano o maior factor de agitação do defeso de Junho e Julho.

É evidentemente um segundo mercado: uma réplica do original mas nem por isso coisa despicienda. Os jornais que o digam: chamam-lhe um figo!

E como o que vende é o Benfica … está tudo dito. Se em Junho e Julho todos os dias entram e saem dezenas de jogadores, em Dezembro e Janeiro a coisa não lhe fica muito atrás. Já perdi a conta aos jogadores que estão a caminho do Benfica, aos que estão mesmo prontos a assinar, vindos de todos os cantos do mundo. Uns mais cantos que outros: a Argentina é que é agora o canto – o canto dos cantos!

A maior estrela desta telenovela - vem não vem, por 10, por 11 ou por 12 milhões -, é um tal de Funes Mori. Argentino e craque, como não podia deixar de ser! Pela minha parte já nem aguento tanto suspense

No sentido inverso há o David Luiz. Dantes era o Luisão, mas esse já passou de moda. In mesmo é o rapaz dos caracóis: ora sai por 20 milhões ora não sai e fica à espera do Verão e de um mercado mais aquecido. E o Fábio Coentrão: é o Real Madrid, é o Manchester United, é o Barcelona…

Mas há ainda a outra parte da festa. É como que a outra face da moeda das férias de Natal: o regresso dos jogadores. Compreende-se: por lá é tempo de Verão, sol, praia, bikinis …e regressar a este frio e a esta chuva não é a melhor coisa do mundo. Daí que haja sempre uma outra telenovela. Brasileira, claro! Bom este ano até é mais paraguaia: o actor principal foi o Cardoso. Do Benfica, pois então!

Já regressou mas é como se lá estivesse. Por culpa da gripe A, que afinal anda por aí…

E agora deixem-me confessar-vos um feito: neste último Futebolês do ano consegui a proeza de não utilizar uma única palavra em futebolês. Mas, como isso vai contra os Estatutos, a época faz esse papel. De acordo?

E pronto. Apresso-me a desejar a todos um Bom Ano. Bem sei que é um desejo muito difícil de concretizar, mas se o fizer já – e daí me ter apressado – antes que passe a meia-noite, sei que pelo menos ainda não paga imposto!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

É estranho. Muito estranho! De um momento para o outro o quarto poder resolveu que o BPN existe.

Explico melhor: o BPN está definitivamente instalado na campanha eleitoral. Não é o que possam estar a pensar: isso foi na campanha de há cinco anos atrás, nas últimas presidenciais! Nessa altura é que estava a financiar a campanha de um dos candidatos. Do que ganhou!

Esclarecido que não é por estar a financiar a campanha de ninguém – afinal enquanto lá não pusermos mais os tais 500 milhões não há dinheiro nem para mandar cantar um cego (que me perdoem os invisuais e os mais puristas, mas é uma expressão corrente do tempo em que as sensibilidades não eram tão susceptíveis ao politicamente correcto) – resta dizer que é por, finalmente, ter sido aceite como matéria de campanha.

Nem mais! O poder mediático, que tinha classificado a matéria como campanha suja, inaceitável e intolerável num estado de direito democrático, afinal já entende que é matéria definitivamente instalada na campanha eleitoral. E mais: quando há poucos dias era a honorabilidade do presidente candidato que estava a ser atacada por terroristas, agora já é matéria incómoda para o mesmo presidente candidato.

Mas então a que se deve tão surpreendente reviravolta?

É simples: é que agora foi o candidato Manuel Alegre – como não poderia deixar de ser mas, mesmo assim, com muito pouco jeito, como que também a medo – a introduzir a questão no debate de ontem. A diferença é só esta: outro qualquer candidato, daqueles que só existem para atrapalhar, não pode falar do caso BPN. Manuel Alegre, um candidato com cheiro a poder, já pode. É assim que funciona o quarto poder!

Pronto, agora que já se pode falar do BPN, por muito que incomode o presidente candidato – coisa que evidentemente incomoda tanto o poder mediático instituído – já posso dizer que acho muito estranho que Cavaco Silva remeta a explicação do famoso e super lucrativo negócio das acções da SLN (sociedade detentora do BPN) para as suas declarações de IRS. E que acho muito estranho que nenhum jornalista até hoje ache isso estranho: que nem um único se atreva a dizer-lhe que a declaração de IRS não explica nada disso, que apenas explica que pagou os impostos sobre o rendimento anormal do negócio. Mas que também acho estranho que Cavaco Silva seja tão crítico com a actual gestão do BPN – dando até o exemplo dos bancos ingleses, numa desajeitada e inaceitável tentativa de misturar alhos com bugalhos, o conhecido gesto de atirar areia para os olhos – e não tenha uma única palavra para a gestão criminosa do passado.

Acho estranho e deplorável. É que não é apenas por parecer que protege os seus compagnons de route agora trazidos à condição de prováveis criminosos. É que permitiu ao governo sair em socorro da gestão da CGD no BPN, esquecendo a responsabilidade pela desastrosa decisão da nacionalização. Que nem um euro custaria aos contribuintes, lembram-se?

 

PS: Já depois da publicação deste post a administração da CGD emitiu um comunicado obedecendo a uma ordem dada publicamente pelo governo (bem ouvi, esta tarde, Pedro Silva Pereira dar a ordem, em defesa da honra).

Nem o governo mandou, nem a administração da CGD entendeu necessário, emitir qualquer comunicado a explicar por que não se consegue vender o BPN. Nem a explicar por que é que pedem agora mais 500 milhões, quando a irregularidade de capital é de uma ordem 5 ou 6 vezes maior. Nem quando e como é que este pesadelo vai acabar!

É por isto que eu acho que Cavaco Silva foi um mau presidente, é um mau candidato e voltará a ser, infelizmente, um mau presidente. Porque, sucessivamente, não resolve coisa nenhuma e promove este tipo de coisas!

Fantasmas

Benfica Portimonense Raio-X Liga NOS - SL Benfica

 

Depois da derrota na Supertaça com o Porto, e face ao baixíssimo nível exibicional que a equipa vem apresentando, o último jogo do Benfica neste ano negro era aguardado com grande expectativa. Não se esperaria que a equipa surgisse confiante e capaz de fazer um grande jogo, mas havia que ver que resposta era a equipa capaz de dar à derrota da passada quarta-feira.

O adversário, o Portimonense, era - e é - apenas o último classificado do campeonato, que de resto disputa por ter sido repescado na sequência da desqualificação do Vitória de Setúbal, não era assustador. Mas nem era preciso, este Benfica tem em si mesmo fantasmas de grande capacidade assustadora.

O início da partida foi uma agradável surpresa. A equipa do Benfica, mesmo desfalcada de sete jogadores, a maioria deles por efeitos da covid, e repetindo o mesmo onze da Supertaça, entrou bem, não aparentando grandes medos, e a desenvolver algumas boas jogadas. E o Portimonense parecia estar ali para não assustar ninguém.

O primeiro golo, a culminar uma bonita jogada de futebol, e alcançado pelo Darwin, que já não marcava há mais de dois meses, teve tudo para lançar a equipa para a exibição que tarda. Mas não, ainda não passara o primeiro quarto de hora, e a reacção que permitiu ao adversário indiciava que não seria assim. Já o Portimonense não era uma adversário (a)batido quando, dez minutos depois, ainda apenas com metade da primeira parte jogada, em mais uma bonita jogada de futebol, apesar de um certo atabalhoamento na parte final, o Benfica voltou a marcar, desta vez por Rafa, com uma boa primeira parte.

Mais uma vez não soube capitalizar o golo, e foi o Portimonense a reforçar a sua presença no jogo. A superioridade do Benfica começou a esfumar-se, e quando o árbitro apitou para o intervalo já a equipa algarvia era a melhor sobre o relvado. Sem criar oportunidades de golo, é certo, mas já com a posse de bola equilibrada - 50% para cada lado.

A segunda parte iniciou-se como terminara a primeira, com o Portimonense por cima do jogo, acumulando posse de bola, e dominando o jogo. De novo sem criar ocasiões de golo, mas melhor em todos os capítulos do jogo. Mesmo assim foram do Benfica as duas oportunidades de golo. Primeiro, logos aos dez minutos, num remate ao poste de Darwin. E pouco depois num remate de cabeça de Otamendi, na sequência de um canto. Contra uma, apenas, do Portimonense. Que atacava e deixava espaços que o Benfica, pelo velho problema dos passes falhados e das decisões erradas, nunca foi capaz de aproveitar.

A incapacidade do Benfica nas transições ficou exemplarmente traduzida numa jogada em que até foi assinalado - mal ou bem, agora não interessa - fora de jogo a Darwin. Que, isolado frente ao guarda-redes, não só não teve arte nem engenho para o bater, acabando por o contornar até ficar sem ângulo a rematar para a bancada. Tudo isto sem que nem um só jogador do Benfica tivesse aparecido para lhe dar qualquer alternativa, todos lá atrás, sem passarem a linha do meio campo.

Valeu que o - inevitável, percebia-se - golo do Portimonense chegou apenas no primeiro dos 5 minutos de compensação, com Jorge Jesus a meter defesas (Ferro) e médios (Samaris) para segurar o resultado. Que foi a única coisa que se salvou deste jogo triste. Muito triste, como todo o ano.

E ninguém espera que o que aí vem seja melhor. Nada indica que o seja. Os jogadores são fantasmas de si próprios, e nada muda só porque muda o ano.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Os preparativos para o novo ano estão em ritmo acelerado. É normal, já só faltam dois dias…

A nova taxa de IVA está prontinha… o novo Código Contributivo já espreita por trás da cortina... os cortes de salários estão mais que preparados! Os aumentos de portagens, transportes, água, electricidade, telefones e sei lá mais o quê … estão aí! Já ao virar de sábado para domingo!

Faltavam as novas taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde. Porque já só faltam dois dias o governo acabou de publicar as respectivas portarias: uma vergonha, conforme nos conta o Rui Rocha no Delito de Opinião!

Pois bem, enquanto isso o big brother da SIBS – não sei se já tinham percebido que o cartão multibanco é uma espécie de câmara oculta que, mesmo sem nos mandar sorrir, nos expõe por completo borrifando-se para a nossa intimidade – diz que neste Natal se gastaram mais não sei quantos milhões. Os stands de automóveis estão em rotura de stocks, as agências de viagens não têm mãos a medir para pôr esta malta a passar o ano por esse mundo fora – com os mais exóticos destinos já esgotados –, o Algarve está cheio (de portugueses, porque os outros pensam em poupar uns cêntimos) para a passagem de ano e até os saldos são um êxito que espanta os próprios relações públicas das grandes marcas.

Quem é que pode entender este país?

Assim já se entende que Sócrates possa fazer tudo o que faz e continuar a ter lata para se dizer o grande defensor do estado social. E vamos percebendo que ele possa, rapidamente e com a maior desfaçatez, despir o fato de coveiro (do estado social) para vestir o camuflado de tropa de elite que defende o estado esquizofrénico do país.

Um fraco rei faz fraca a forte gente: dizia-nos Camões! Há muito que não somos forte gente, tantos têm sido os fracos reis, mas … caramba! Se isto não é esquizofrenia o que será?

Os primeiros

Está concluído”. O relato da primeira vacina contra a covid-19 administrada  em Portugal – Observador

 

Margaret Keenan, de 90 anos - Maggie para os amigos - tornou-se na primeira pessoa no mundo a tomar a vacina contra a covid-19. Foi em Coventry, no Reino Unido, tornando-se naturalmente a primeira cidadã britânica a ser vacinada. 

A enfermeira Sandra Lindsay, ainda jovem, foi a primeira pessoa a receber a vacina nos Estados Unidos.

Na Alemanha foi também uma mulher, Edith Kwoizalla, de 101 anos e residente numa casa de repouso, num lar, como cá se diz, a primeira pessoa a ser vacinada.

Já na República Checa foi um homem, de 66 anos. Andrej Babis, por acaso o primeiro-ministro. Não tem nada a ver com as suas posições sobre o Estado de Direito, a igualdade de género e essas coisas que lhe merecem pouco apreço. Apenas por ser quem é. É que  viu "uma senhora dizer na televisão que não ia ser vacinada enquanto o primeiro-ministro não fosse”... 

Como se vê, são vários os critérios. Todos defensáveis. Até o do chefe do governo checo.

Em Portugal esse lugar na História foi ocupado por António Sarmento, de 65 anos, um infecciologista do Hospital de São João, no Porto. Aqui não é o critério, também ele certamente defensável, que impressiona. O que não passa despercebido é que, mais ou menos desnudada, a moda lançada pelo Presidente Marcelo na vacina da gripe pegou. 

Ou não fosse Marcelo o mais velho influencer do reino.

Presidente Marcelo garante que há vacinas contra a gripe para todos - Viver  com Saúde - Correio da Manhã

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

A actual situação política, económica e social do país faz convergir os portugueses na responsabilização da classe política. Na descredibilização dos partidos e do próprio sistema político. Hoje os portugueses não têm dúvidas em apontar os partidos, e em particular os partidos do sistema ou do arco do poder, como os grandes culpados da situação a que o país chegou.

Os sucessivos escândalos que envolvem a classe política – desde a óbvia corrupção, confirmada ou apenas suspeita, à cadeia de favorecimentos à volta do poder, passando pela incompetência nas decisões – mais não fazem que agravar a perspectiva que os portugueses têm dos políticos.

Isto é, nós portugueses não só responsabilizamos a classe política clássica, do governo à oposição, pelo buraco em que o país está metido como, dada a conta em que os temos, ainda lhes não reconhecemos qualquer capacidade para nos tirarem desse buraco.

E, no entanto, pelo que vamos vendo pelas sondagens, tudo indica que o comportamento dos portugueses, na hora de fazer uso do mais decisivo instrumento que a democracia lhes disponibiliza, se dispõem a entregar o seu voto como se nada disso fosse verdade. Parece que, ao contrário do que se passou há pouco mais de um ano, penalizam um pouco mais o governo, é certo. E premeiam o principal partido da oposição, contrariando o discurso generalizado, como se o nosso sistema político mais não seja mais que um circuito de vasos comunicantes. Fazem como precisamente sempre fizeram até aqui!

Entretanto, e perante o tsunami de sacrifícios exigidos sempre aos mesmos, lado a lado com os milhões que se enterram no BPN, ou com a antecipação dos milhares de milhões de dividendos para fugir aos impostos do próximo ano, alguns tentam dar umas alfinetadas. Tentam espevitar uma imensa mole humana meia anestesiada, que acusam de mansos e incapazes de vencer a inércia para se mexerem e protestar. Dar um safanão em tudo isto. Gritar bem alto e esbracejar para que eles vejam que existimos e que somos capazes de muito mais do que simplesmente aguentar com a carga que nos põem em cima.

É neste quadro que decorre a campanha para as próximas eleições presidenciais, supostamente um período de intenso debate.

E o que vemos?

Vemos a comunicação social a levar ao colo o actual Presidente da República e candidato maior do regime. Vemos os media a estabelecer as balizas do discurso da campanha exactamente à medida dos poderes presidenciais: se alguém toca num qualquer problema é logo acusado de ignorante ou mesmo de demagogo, porque bem sabe que aquilo não cabe nos poderes do presidente. Como se ao eleitorado não interesse saber o que pensa um candidato dos problemas do país. Como se as decisões do presidente, dentro da sua esfera de poderes, se não enquadrem num pensamento político, em opções ideológicas ou simplesmente em valores.

Vemos que o caso BPN, mesmo que plenamente justificado pela actualidade – início do julgamento, insucesso da operação de venda, insucesso da gestão após nacionalização, mais 500 milhões para as aflições (apenas para mais uma aflição, porque não cobre sequer um terço do valor negativo dos capitais próprios, portanto não resolve problema nenhum) – não pode ser trazido a debate. Que é jogo sujo, populismo, demagogia … É até tiro no pé!

E vemos o único candidato vindo de fora do sistema, aquele que parecia ter todas as condições (um assinalável capital de prestígio e um total descomprometimento com o sistema) para protagonizar uma candidatura de rotura e de esperança numa nova forma de fazer política e de, em última instância, fazer implodir o edifício velho e caduco que alberga este sistema político podre, doente e viciado tornar-se, num ápice, parecido com os outros. Com os mesmos tiques, praticamente o mesmo discurso, os mesmos truques…

Vemos uma esperança transformar-se numa desilusão. E a comunicação social a falar de falta de experiência política sempre à luz de um padrão que segue um guião amarrotado, bafiento e falido!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Rui Tavares é deputado no Parlamento Europeu. Foi eleito pelo Bloco de Esquerda nas últimas eleições, em Junho de 2009: precisamente o terceiro e último a ser eleito, num ambiente de suspense, surpresa e, finalmente, festa!

Pouco depois de chegar a Estrasburgo, no final do seu primeiro ano de mandato, soube-se da sua intenção de oferecer parte do seu salário de deputado europeu – um salário suficientemente generoso que, em tempo de constituição das listas para essas eleições, transforma as sedes partidárias em verdadeiros sacos de gatos assanhados – para bolsas de estudo. Não sei – nem me interessa – se essa decisão teve alguma coisa a ver com o cenário de suspense daquela noite eleitoral, ou mesmo com a surpresa desse êxito eleitoral decorrente de uma eleição à partida tida como muito pouco provável. Sei é que ainda há pessoas que têm da vida uma visão diferente daquela que faz carreira.

Soubemos agora, e apenas seis meses depois, em plena semana de Natal que, prescindindo de um quarto do seu salário, financiou quatro projectos de investigação de outros tantos jovens concidadãos. Ficamos a saber que o Rui Tavares, licenciado em História da Arte e a terminar um doutoramento em Paris (sobre a censura no tempo de Marquês de Pombal) é um político que cumpre o que promete – o que, como sabemos, devendo ser a coisa mais natural é a mais extraordinária do mundo. E que cumpre a partir do seu próprio bolso, o que é ainda mais extraordinário! Mas mais: ao que parece não pretende tirar dividendos políticos disso!

Simplesmente – ao que diz – ajuda porque quer, porque pode e porque acha que é seu dever. Diz que não quer outra leitura para além dessa. E que não está fazer nada que não lhe tenham já feito, ele próprio bolseiro da Fundação da Ciência e Tecnologia e licenciado na qualidade de ex-bolseiro da Universidade Nova!

Mas ficamos a saber mais: ficamos a saber que a ideia lançou amarras. Que outros políticos lhe seguiram as pisadas? Não! Evidentemente que não! Mas que três elementos dos Gato Fedorento se lhe associaram permitindo duplicar o valor das bolsas!

Tudo isto sem parangonas. E, sem que queira dar o exemplo, seja de facto o exemplo! Nem que seja apenas o exemplo de que “eles” não “são todos iguais”. Ou que não “querem todos o mesmo”

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