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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tudo na mesma? Não!

Este foi um clássico diferente dos anteriores, e especialmente muito diferente do último, há menos de um mês. O Benfica está a melhorar, está a melhorar a sua qualidade de jogo, como se vinha tenuemente percebendo nos últimos dois jogos, melhorou a sua consistência e melhorou muito a atitude.

O Benfica hoje surgiu no Dragão sem medo, com vontade de lutar pelo jogo, com a agressividade que ainda se não tinha visto e, a espaços, com bom futebol. Igualando o Porto na competitividade e e na capacidade de disputar a bola e os espaços. E quando assim acontece, porque globalmente, em grande parte das posições tem melhores jogadores, é melhor que o Porto. E em grande parte do jogo foi muito melhor.

O Porto entrou à Porto, mas rapidamente o Benfica mostrou que é melhor. Logo aos 8 minutos, na primeira vez que contrariou a entrada à Porto do adversário, e chegou à baliza adversária, criou a primeira e clara oportunidade de golo, desperdiçada por Seferovic.

Perceberam-se então as surpresas de Jorge Jesus na constituição da equipa. A entrada de Nuno Tavares,  para o lado esquerdo em simultâneo com Grimaldo, e a própria inclusão de Seferovic. Ambos tinham sido titulares, e jogado praticamente o tempo todo, no jogo da Taça, com o Estrela. E, diziam os entendidos, quem tinha feito esse jogo, não seria hoje titular.

Percebeu-se que o poder físico de Nuno Tavares era importante para enfrentar Marega. Que a capacidade técnica de Grimaldo era importante para jogar em zonas mais interiores, como se viu no golo. E que a profundidade que Seferovic pode dar ao jogo era também importante para esta partida.

Desta vez Jesus não inventou. Acertou.

A partir desse minuto 8 a superioridade do Benfica foi sempre clara, e poderia ter-lhe permitido chegar ao intervalo claramente na frente do marcador. Para além do golo de Grimaldo, muito bem construído, e logo aos 17 minutos, o Benfica dispôs ainda de mais três claras ocasiões de golo. Uma delas numa jogada extraordinária, com a bola a sair de Vlachodimos, a passar por vários jogadores e pelo campo todo, sem que os jogadores do Porto a cheirassem, e a acabar, rematada pelo Darwin, no poste da baliza de Marchesin, já depois do golo do empate do Porto.

Que tardou apenas 8 minutos relativamente ao golo do Benfica. Um daqueles golos que não se podem sofrer, numa das raras oportunidades do Porto, num erro colectivo, de total desconcentração - resultou de um lançamento da linha lateral - mas também individual. De Gilberto que, primeiro, é passarinho dentro da área face a Corona e, depois, fica deitado no chão, colocando Marega em jogo, o que lhe permitiu desviar para o poste, e  daí para a baliza, o remate de Taremi que ia para fora. 

Nem se percebe como é que o golo foi atribuído ao iraniano.

O Porto atrasou o regresso para a segunda parte, deixando a equipa do Benfica à espera no relvado. E percebeu-se que, face ao que se tinha passado na primeira parte, trazia ideias de empurrar o jogo para a quezília, variante em que se sente como peixe na água. O primeiro quarto de hora foi passado assim, no meio do lamaçal da quezília. E da fita, tão cara aos seus jogadores.

Começou a poder-se jogar futebol, e mesmo assim a espaços, aos 60 minutos. E o Benfica jogou-o sempre que pôde, sempre melhor. O jogo pedia então Waldshmidt, mas Jorge Jesus achou melhor fazer entrar Chiquinho, deixando o avançado alemão apenas para os últimos minutos. Talvez o seu maior erro neste jogo.

Pouco mais de dez minutos depois, o árbitro Luís Godinho, que assinalava faltas e faltinhas aos jgadores do Benfica, mas sempre mais condescendente com os do Porto, não viu (o que toda gente viu) que Taremi teve uma entrada sobre Otamendi para vermelho directo. Era tão evidente que não podia passar despercebida ao VAR, e o jogador do Porto lá foi para a rua. E o domínio do Benfica acentuou-se ainda mais, com Sérgio Conceição a reforçar a defesa e, acantonado lá atrás, a refinar o seu futebol de pontapé para a frente e a estratégia de queimar tempo.

O árbitro deu 8 minutos de compensação, que não compensou nem com um segundo, nem com as substituições que o treinador do Porto efectuou nesse período. E assim acabou num empate um jogo que o Benfica poderia ter ganho por larga margem.

O mesmo resultado que o Sporting alcançou com o Rio Ave, em Alvalade. Pelo que, para os três primeiros, ficou tudo na mesma. Mesmo que a exibição personalizada e competitiva do Benfica deixe entender que nada está na mesma. 

O mundo de Ventura

Verdades são verdades, não encare como insultos - Home | Facebook

Conhecemos a receita do discurso político do André Ventura: mentir, mentir permanente e sucessivamente,  desdizer-se, é capaz de meter na mesma frase uma coisa e o seu contrário, e fazer do insulto forma de expressão, tudo isto bem misturado em muita e imunda chafurdice.

É uma receita que dispensa o ingrediente principal - as ideias. Não há um pensamento, não há uma ideia, não há um fio condutor... É capaz de dizer coisas em que nem ele próprio acredita, e está já convencido que aquilo resulta, que com essa receita consegue fazer "as papas e os bolos" com que "se enganam os tolos".

A reportagem do Pedro Coelho, da SIC, emitida na terça-feira da semana passada e na passada segunda-feira, mostra mais. Mostra como está rodeado de criminosos, enquanto divide os portugueses entre portugueses bem e criminosos, que só podem estar na prisão, em perpétua. Ou executados pela aplicação da pena de morte.

 Ficou ontem a saber-se ainda que, para Ventura, não há só portugueses de bem e criminosos. Também há avôs bêbados. O Portugal de Ventura, educado como Salazar no seminário, de quem parece contemporâneo, como se o tempo tivesse parado, é composto de portugueses de bem, criminosos e avôs bêbados.  Ao mundo de Ventura acrescenta-se Trump, Bolsonaro e Marine Le Pen, tudo gente de bem, com provas dadas...

 

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

futebolês de hoje não poderia passar ao lado do acontecimento da semana: a aclamação de Mourinho como melhor treinador do Mundo em 2010!

Por isso, e porque o futebolês, ao contrário do que é regra, também tem expressões estapafúrdias, verdadeiramente ininteligíveis, escolhi precisamente para hoje uma delas: a troca por troca!

É utilizada para uma substituição de um jogador por outro que ocupe precisamente a mesma posição. Como se percebe não faz sentido nenhum, por isso vamos ao que interessa!

A FIFA, que até aqui premiava apenas jogadores, instituiu pela primeira vez um troféu destinado a distinguir um treinador. Logo no primeiro ano em que a candidatura de José Mourinho assumia aspectos arrasadores. Em 2010 Mourinho arrasou!

Ganhou tudo o que havia para ganhar e com uma autoridade inquestionável. Que lhe advém de o fazer à frente de uma equipa – o Inter de Milão – que, indiscutivelmente, não integrava o primeiro lote das grandes equipas europeias como, de resto, a sua campanha na presente época demonstra. Mas também porque ganhou o principal e mais decisivo título – a Champions League, perseguido há 45 anos – à custa da melhor equipa (Barcelona) e do melhor plantel (Chelsea) da Europa e, no caso por inerência, do mundo. Não foi um percurso feito entre alas abertas mas sim enfrentando directamente os adversários mais poderosos.

Um prémio indiscutivelmente atribuído com toda a justiça! E recebido em Portugal com grande euforia, a provar que a sua personalidade irremediavelmente polémica não divide já os portugueses. É hoje uma figura consensual no nosso país. Pela sua enorme qualidade profissional – que naturalmente se impõe –, acredito que também pelo recente episódio em torno da selecção mas, sem qualquer dúvida – porque a clubite faz parte da idiossincrasia portuguesa – porque está já há muito tempo afastado de Portugal.

Pelas mesmas razões Mourinho nunca será consensual em mais nenhuma parte do mundo e em especial no espaço geográfico onde trabalhe. Porque tem uma vocação irreprimível para a confrontação, porque precisa de manter permanentemente abertas várias frentes de guerra. Porque, mais do que de adversários, ele precisa de inimigos para manter os altíssimos padrões de competitividade que imprime à sua actividade!

Mourinho é um autêntico predador de títulos. Alimenta-se de vitórias. De resultados. De ultrapassar objectivos e derrubar recordes!

Não é um eminente estratega do futebol. Não tem um modelo de jogo e raramente as suas equipas se preocupam em encantar a plateia. Nunca iremos provavelmente lembrar qualquer equipa de Mourinho como lembraremos o actual Barcelona, ou lembramos o Ajax dos anos 70, ou as selecções da Holanda do mesmo período, da Hungria dos anos 50, do Brasil do México 70 ou da Espanha 82, ou a Espanha da actualidade – campeã europeia e mundial!

Mas iremos sempre lembrar as vitórias de Mourinho. Que constrói as equipas à luz de ritmos competitivos inigualáveis, à custa de uma capacidade única de retirar de cada jogador o máximo que ele tem para dar. Que, pragmático como ninguém, ajusta o modelo de jogo a cada nova realidade e, em particular, às características dos jogadores.

Creio que esteja precisamente aqui o factor crítico do êxito de Mourinho. É que, desta forma, valoriza como poucos os seus jogadores. Mas, mais do que isso: conquista os jogadores como ninguém e transforma-se no mais poderoso gestor de recursos humanos.

É por isso que jogadores desconhecidos passam, nas suas mãos, a estrelas de primeira grandeza. Que não há um único jogador que não o defenda, mesmo os que não conseguiram vingar. E é por isso que, apesar de o ser, foi votado como o melhor do mundo: é que foi a votação reservada aos jogadores que o determinou. Pelos votos de treinadores e jornalistas não seria ele o eleito!

São muitos os que nunca lhe perdoam o carácter conflituoso, o clima de guerrilha que permanentemente alimenta e arrogância que cultiva como poucos. Será persona non grata para muitos, que nunca lhe reconhecerão o estatuto que destinam a treinadores que não fazem da controvérsia um modo de vida.

Será que o seu talento implica esta, chamemos-lhe assim e apenas para simplificar, sua arrogância? Será que num outro registo – mais cordato, simpático e cavalheiro – conseguiria manter a mesma competitividade e a mesma eficácia? Ou será que esta é uma imagem de marca solidamente implantada de que a marca Mourinho, sob pena de desvalorizar, se não pode afastar?

Parece-me que aqui não haveria troca por troca!

Teoria do insuportável

Confinamento não fecha escolas mas obriga ao recolhimento domiciliário e  tele-trabalho - Actualidade - Figueira na Hora

 

O primeiro-ministro, António Costa, veio sempre dizendo e repetindo que um novo confinamento seria insuportável. Entendeu-se sempre insuportável para as pessoas mas, acima de tudo, economicamente insuportável.

Entretanto, e já com a vacina descoberta, certificada e em início de aplicação, quando se julgava que o pior já tinha passado, vimos que o pior afinal estava aí. E que o pior vai ainda ser pior. Nos últimos dias os números de  infectados e mortes tornaram-se insuportáveis. Insuportável para o Serviço Nacional de Saúde, sem capacidade para receber e tratar mais doentes, e até de armazenar mais mortos. Insuportável por esgotamento de recursos, mas também politicamente insuportável.

E aí está uma verdadeira teoria do insuportável que torna insuportável resolver o insuportável.Talvez por isso o confinamento se tenha ficado por uma espécie de meias tintas. Confina-se, mas miúdos e graúdos, alunos, professores e restante corpo auxiliar, vão às escolas, e só aí está 25% da mobilidade total do país...

Também podem ir à missa. Que seja para pedir a Deus que nos ajude, porque os homens já não sã capazes.

Nos quartos, com a história dos oitavos

Benfica derrota Estrela da Amadora e passa aos quartos da Taça de Portugal  - O Jogo

Neste jogo dos oitavos de  final da Taça de Portugal, na Amadora, no velho José Gomes, com o restaurado Estrela, meio filho, meio irmão, do Sintra Futebol Club, mas herdeiro do velho Estrela da Amadora, o Benfica apresentou uma equipa alternativa. Dos mais frequentes titulares, apenas Tarabt surgiu no onze. De resto tudo gente que habitualmente não calça

Na primeira parte as coisas não resultaram. O onze em campo imitou bem o que de pior tem feito o onze habitual, com alguma exibições individuais ao nível do deplorável. Nuno Tavares, Samaris, Chiquinho, para não dizer mais, estiveram a um nível intolerável. Mas nenhum dos restantes esteve perto do que deveria ser aceitável para quem veste aquela camisola.

Daí que rapidamente os jogadores do Estrela, do terceiro escalão do futebol nacional, tivessem percebido que aquelas camisolas não assustavam ninguém e, passados os primeiros dez minutos, passaram a dividir o jogo. 

Aproximava-se já o final da primeira parte quando o Benfica chegou ao golo. Ironicamente por Chiquinho, numa recarga depois de uma grande defesa do guarda-redes adversário a remate de Seferovic. Antes disso praticamente só uma grande perdida de Pedrinho, o que a melhor nível se exibiu até à sua substituição, pouco depois da hora de jogo.

A segunda parte foi diferente. Com os mesmos jogadores, a equipa surgiu completamente transformada, francamente para melhor. Samaris subiu particularmente de rendimento e Pedrinho chegou a momentos de brilhantismo. O resultado começou a engordar e só acabou nos quatro golos porque o desperdício foi grande.

Nos últimos vinte minutos Jorge Jesus começou a lançar no jogo alguns dos jogadores mais utilizados na equipa principal (Waldchmidt, Weigel, Rafa e Grimaldo) provavelmente com a ideia lhes dar ritmo, sem cansar, para o clássico de sexta-feira, no Dragão.

No fim ficam na retina algumas boas movimentações, daquelas que não enganam, de Gonçalo Ramos - retirado muito cedo do jogo, foi o primeiro a sair para entrar... Ferreyra -, e muita qualidade de Pedrinho. Mas também Todibo, na estreia, revelou grande qualidade no trato da bola. Provavelmente com um adversário superior não poderá dar largas à sua exuberância nesse capitulo, e poderão ser-lhe exigidas outras competências que hoje não lhe foram requeridas. Mas jogar bem à bola é sempre bom indicador.

E fica o apuraamento para os quartos de  final. Onde o Sporting já não está, eliminado na Madeira, pelo Marítimo. E onde está também o Porto, porque, também na Madeira, mas contra o Nacional, se apurou à custa de mais uma arbitragem escandalosa. Que expulsou (segundo amarelo) um defesa do Nacional quando acabara de virar o resultado para 2-1, a meia hora do fim, que nem falta fez. Que evitou o segundo amarelo a dois jogadores do Porto (Zaidu e Taremi) em situações claras de punição disciplinar e, que, não fosse isto pouco, validou o golo do empate, em cima do minuto 90, iniciado num lance de mão de Taremi, lançando o Porto, com 11 em vez de 9, para o prolongamento de 30 minutos contra uma equipa que jogou mais de uma hora com um jogador a menos, e mal expulso.

Mas não se passa nada. Nunca se passa nada nestas coisas...

 

Acrescentar tragédia à tragédia

Presidenciais: investigador alerta que campanha pouco mobilizadora aumenta  risco de abstenção | TVI24

 

Os números (infectados, internados e mortes) da pandemia não param de crescer, atingindo a cada dia níveis nunca antes imagináveis. Para já só num deles vemos limite - no dos internados. Esse não irá continuar a subir, porque já bateu no tecto. 

A opinião pública começa a ficar a sensibilizada para a tragédia, não que tenha mudado muita coisa na comunicação, mas porque praticamente toda a gente sente já doença no seu espaço de relação mais próximo. Mas não são ainda muitos os que têm uma verdadeira noção da tragédia que se está a viver nos nossos hospitais. Já não havia espaço para receber mais ninguém, nem para depositar cadáveres. Agora já nem há morfina para aliviar o sofrimento de uma das mais violentas mortes. Face aos escassos meios disponíveis é cada vez mais baixa a linha etária que marca a decisão de investir ou desinvestir no salvamento de uma vida.  

É assim que as coisas estão. Sim, e é por causa do Natal. Hoje já não restam dúvidas. Enfermarias cheias com pessoas que, todas sem excepção, contam uma "história de Natal". 

Entretanto também o Presidente da República está infectado. Ou não. Num teste não está, noutro já está, noutro volta a estar, e noutro volta a não estar. Esperemos que não esteja, e que, se estiver, recupere rapidamente. 

A campanha eleitoral está praticamente suspensa. As eleições é que não. Lá continuam marcadas para o próximo dia 24, quando os especialistas apontam para 20 mil novas infecções por dia, um número inimaginável há poucos dias. 

Não sei o que é preciso fazer para adiar as eleições. Não tenho dúvidas é que não se deviam realizar nesta altura, e que alguma coisa tem ser possível fazer. Realizá-las é certamente um atentado à saúde pública, à democracia ou a ambas. Os cidadãos responsáveis são confrontados entre o dever de ficar em casa e o de votar. E a responsabilidade de ficar em casa, nas condições actuais, sobrepôe-se à de votar.

A abstenção, que já seria elevadíssima pelo rumo que as coisas eleitorais por cá tomaram há muito tempo,  é agora de todo incontrolável. A probabilidade de ter um Presidente da República eleito por menos de um quarto dos portugueses é enorme. E o risco de ser produzido um resultado eleitoral completamente desfasado do sentimento da maioria dos cidadãos é hoje perigosamente alto.

Não consigo perceber que ninguém perceba que está a acrescentar tragédia à tragédia.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Ainda sob o efeito Mourinho fomos ao mercado. E correu bem, dizem…

Bom, dizem alguns. Se calhar não correu assim tão bem!

É o tal copo meio cheio ou meio vazio, pensaria alguém que acabasse de aqui cair, vindo de um qualquer planeta longínquo.

Não. Não é nada disso. Até porque o copo está vazio, completamente vazio!

Vamos por partes. Correu bem, tão bem que trouxe de volta um Sócrates pateticamente exuberante. Que vê o que mais ninguém consegue sequer imaginar: “… um sucesso sob todos os parâmetros – procura e preço”! E “os mercados a recompensar o nosso país”!

Basta isto para que tenha corrido mal. Bastou isto para nos reavivar a memória de um primeiro-ministro descomprometido com o sentido de responsabilidade, habilidoso e de costas voltadas para a realidade. Bastou isto para que, se dúvidas houvessem, ficássemos com a certeza que não é possível sairmos deste buraco com este governo!

Ninguém acha que haveria condições para que a operação de hoje pudesse ser outra. Que fosse legítimo esperar melhores taxas de juro, ou mais procura – apesar de ser um “parâmetro” que vale o que vale. Pouco! Ninguém tem dúvidas que, nas actuais circunstâncias e apesar de tudo, há na operação de hoje mais motivos de regozijo que de consternação. E que Sócrates não pode nem deve fazer outra coisa que não seja puxar a moral para cima!

Mas … francamente! Assim não! Assim vira as coisas ao contrário… não é credível. E perde a confiança: a nossa e a dos mercados!

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

O Banco de Portugal apresentou hoje o Boletim de Inverno, onde prevê uma contracção da economia portuguesa em 1,3% para este ano. Para o próximo prevê que cresça 0,6%!

Curiosamente revê o crescimento de 2010 e aponta agora para 1,3%. Se não há aqui nenhuma simpatia especial pelo 1,3 ficamos a saber que a nossa riqueza no final deste ano ficará ao nível de 2009. O que não deixará de ser surpreendente, poderia ser bem pior!

Não fosse o habitual discurso do primeiro-ministro, e do ministro das finanças – já não há como separá-los –, e diríamos que, na actual conjuntura – que nos obriga a todos a correr para a porta para não deixar entra o FMI –, fez muito bem em salientar o crescimento de 2010 e em virar a cara para o lado com a retracção da economia para este ano. Uma recessão que toda a gente sabia inevitável mas que o governo preferiu fantasiar e que põe já em causa a execução orçamental – essa sim, a verdadeira barricada à entrada do FMI. As exportações iriam safar o crescimento, diziam!

E aproveitou ainda para encostar mais uma tranca (pequenina mas enfim!) à porta ao afirmar que o défice de 2010 será inferior aos já proclamados 7,3%. Vindo daquela boca nunca sabemos, mas amanhã é dia de voltar ao mercado e, pelo menos, resolve aquele pequeno problema aritmético aqui notado num destes dias: ganhos na receita fiscal, ganhos na despesa e ainda o fundo de pensões da PT, tudo isto a somar e mantinha-se o défice? Não batia mesmo certo!

Uma coisa é certa: a sessão da Bolsa de hoje já fechou positiva! Ah! E a taxa de juro a 10 anos também já está um bocadinho abaixo dos 7%!

Se Cavaco Silva nem passou cartão à desabrida proposta de Alegre isto só pode ser … Mourinho! Bastou que nos puxasse o ego um bocadinho para cima: virou logo a Bolsa, baixaram os juros e as contas até já parece que começam a bater certas.

Por isso é que já vi hoje uma recomendação: imitar o Gilberto Madaíl e pedir ao Florentino Perez que o empreste por dois ou três meses para governar o país!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

De repente dei por mim envolvido numa teia de pensamentos à volta do tema central da campanha eleitoral em curso. Não direi que me tirou o sono ou que acordava a meio da noite às voltas na cama …. Mas lá que me custava a sair da cabeça custava!

Por que é que um homem inteligente e o mais experiente político em funções – é curioso como Cavaco Silva renega a sua condição de político mas, em simultâneo, gosta de ser o político mais experiente (e mais sério e mais tudo…) – se deixa envolver no incontornável caso chamado BPN?

Passei o fim-de-semana sem que isto me saísse da cabeça. E sem resposta!

Quando se predispôs ao negócio das acções da SLN não percebeu que os seus amigos Oliveira e Costa e Dias Loureiro pretendiam apenas temperar a caldeirada accionista com um pouco de credibilidade? Assim como quem pede um bocadinho de salsa emprestada à vizinha para acabar os pastéis de bacalhau: Do tipo: “Ó vizinho, empreste-me aí o seu nome para acabar a caldeirada que estou ali a preparar!”

Acredito que nessa altura não tenha percebido. Mas acredito mesmo, a sério. Só depois, já quando o cheirinho da caldeirada andava por aí a entrar por todos os narizes é que se apercebeu. Se foi antes ou depois de a salsa lhe ser devolvida, não sei. Mas também não é importante: ninguém lhe levava a mal ter emprestado a salsa, nem ninguém o condenaria por, afinal, ter saído caldeirada em vez de pastéis de bacalhau!

Então por que é não percebeu isto e, quando lho perguntaram, não explicou? E por que é não percebeu que, fechando-se em copas, a coisa mais tarde ou mais cedo rebentaria?

Dei voltas e voltas: Porque é tão sério que não deve explicações a ninguém? Por mera falta de visão? Porque que acreditaria na fraca memória dos portugueses? Porque acharia que lhe bastaria dizer que fossem ao site da Presidência – é curioso como é possível misturar uma matéria tão pessoal quanto esta com a mais alta função de Estado, não era o Presidente da República a estar em causa, apenas o cidadão – para encerrar o caso? Porque acharia que lhe bastaria a sua postura de superioridade e de arrogância ética para reduzir tudo aquilo a uma simples campanha suja?

Estava eu nisto quando se me fez luz: tinha encontrado a resposta e não quis deixar de a partilhar convosco!

Cavaco percebera tudo logo que lhe chegou o cheiro da caldeirada. E disse para os seus botões: Enganaste-te Aníbal!

Aqui está a chave do mistério: o Aníbal que se enganara era o mesmo que “nunca se engana e raramente tem dúvidas”. Era o fim do mito da infalibilidade de Cavaco. E, isso é que nunca! Antes fazer as mais tristes figuras. Antes pôr todos os apoiantes a desfiar os mais ridículos disparates. Admitir o erro, o engano, o equívoco ou a dúvida é que não! Isso são fraquezas dos simples mortais. Nunca de um homem providencial!

Enigma

As coisas não mudam de um dia para o outro. Às vezes no futebol mudam, mas para isso é necessário que algo de estrutural mude. As vezes acontece...

Não se podia por isso esperar muito do Benfica para este jogo de hoje com o Tondela, e o jogo acabou por confirmar as (baixas) expectativas. A primeira parte foi exactamente o costume. Muita bola sem saber o que fazer com ela. Pouca ou nenhuma agressividade, devagar e devagarinho, e incapacidade absoluta de criar condições para chegar ao golo.

A segunda parte começou um bocadinho melhor, com mais um bocadinho de dinâmica, e com os jogadores a parecer que queriam ganhar o jogo. E cedo, aos 10 minutos, aconteceu o que também começa a ser costume: numa jogada com jeito, daquelas que deveriam ser a regra mas são a excepção, apareceu o golo. Naturalmente. Um lance daquelas - um belo passe de Pizzi, a rasgar a defesa beirã, desmarcação de Darwin na profundidade e cruzamento de primeira com Seferovic, de frente para a bola e para a baliza - ou dão golo ou lá próximo. Muitos lances daqueles ao longo do jogo dão golos para ganhar jogos.

É sempre assim. E só tem sido assim que o Benfica tem conseguido marcar os poucos golos que vai fazendo. Poucos porque são esporádicas essas jogadas. Foi assim que fez os outros dois golos. O que foi anulado a Darwin por fora de jogo. Claro, tão claro como tinha sido, no sentido inverso, o primeiro, que o árbitro também anulou, e que o VAR levou uma eternidade para validar, e tão claro como foi o penalti (a mão do defesa do Tondela na bola) no momento anterior ao remate de Darwin, que o  árbitro, Manuel Oliveira, e o VAR não quiseram ver.

A seguir a esse primeiro golo, e ao contrário do que vem sendo hábito, pareceu que a equipa ia prolongar aquele futebol já aceitável, e continuava a procurar o golo. Só que isso não durou mais de 10 minutos. A meio da segunda parte já o Tondela já jogava no campo todo e, com um só golo de vantagem e com a quase certeza que não há jogo sem que Vlachodimos tenha de ir buscar a bola ao fundo da baliza, lá estava outra vez a tremideira. E a incapacidade de segurar o jogo, com a equipa a perder a bola por dá cá aquela palha.

E o costume esteve quase a acontecer. Aos 86 minutos o Tondela teve a sua única oportunidade para marcar, e isso normalmente dá mesmo golo. Valeu a única, e grande, defesa de Vlachodimos. Valeu Vertonghen a afastar depois a bola, e valeu, depois, que a equipa percebeu que não podia correr mais riscos. E que foi capaz disso.

Não tivesse sido isso e aqueles 7 minutos de compensação teriam sido um susto. Não foram, e deram até para chegar ao 2-0. Noutra boa jogada de futebol, em tudo idêntica à do primeiro, com o mesmo Darwin a dar para Waldschmidt (o que Jorge Jesus está a fazer a este jogador... é bem capaz de o destruir) fazer de Seferovic, que substituíra.

Já que não se resolvem todos os problemas que envolvem o Benfica, do topo à base, ao menos que se resolva este enigma: se o treinador e os jogadores vêm como é que marcam golos, porque é não insistem em jogar assim? Já não digo o jogo todo, porque há tempo para tudo, para atacar, para defender e para controlar. Mas ao menos sempre que possam atacar. É que se o fizerem percebem que isso é muito mais interessante que andar ali com a bola de um lado para o outro, para  trás e para a frente, para depois voltar a trás.

 

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