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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Assim a jeito do que se passou com o problema da revisão constitucional no Verão passado, Pedro Passos Coelho (PPC) fala agora da privatização da Caixa Geral de Depósitos. Parece-me bem que o resultado irá ser o mesmo: não vai correr bem!

Claro que esta altura é bem diferente da de então. Agora estamos em pleno período pré-eleitoral e faz sentido falar destas coisas. Acresce que é preciso inventar dinheiro e, quando assim é, fala-se de privatizações e de aumento dos impostos. Por pouco tempo, é certo, mas ainda é possível falar destas duas coisas! Já não está longe o dia em que não há que privatizar. E em que, havendo impostos para aumentar - e isso há sempre - não há quem os pague!

Pertenço à velha escola que entende que há posições que o Estado deveria manter sempre que se trate de sectores da actividade que mexam com serviço público, entendendo o serviço público em sentido lato, isto é, alargado a tudo o que sejam serviços essenciais. Em tese, e apenas aí, permitiria ao Estado exercer a verdadeira regulação. E servir de referência de benchmarking!

Mas isto é escola. São teses que, infelizmente, nunca passaram na validação!

Porque nunca veio do Estado qualquer exemplo e, as coisas só não correram mesmo mal na gestão pública quando copiaram as empresas privadas congéneres. O modelo para o benchmarking esteve sempre do outro lado. O Estado apenas serviu para alimentar clientelas, criar e fazer crescer gerações que, de cartão na mão e influências nas costas, estabeleceram redes de interesses em vez de redes de competência.

Daí, e só por isso, que quando se fala de privatizar, ao mata-se eu responda com esfola-se!

E no entanto, se digo sim com palmas e tudo à RTP (há quantos anos deveria ter sido privatizada?) e à TAP, já sou completamente contra privatização da CGD. E especialmente nesta altura. Noutro tempo, noutra conjuntura, discuta-se. Agora, não!

Porque a CGD é precisamente um daqueles casos em que as coisas não têm corrido mal, que o benchmarking com o sector privado ajudou até correr bem. Porque acolhendo clientelas – como todos os outros e aqui até com regras tordesilheanas – os resultados não se têm ressentido disso, talvez porque, neste caso, a boa moeda – que também a há nas clientelas - tenha expulso a má moeda. E porque, como estamos fartos de ver, na hora do aperto (e não só) quando se trata da banca, é à porta do Estado que toda a gente vai bater.

Foi assim com a crise financeira internacional – a verdadeira, não a do Sócrates -, foi assim com o famigerado BPN e foi assim com as trapalhadas do BCP, que acabaram por levar a rapaziada da CGD, com Vara e tudo, para a sua administração. De resto, o episódio que esteve na origem da transferência da administração da CGD para o BCP – e as agora conhecidas vergonhosas e despudoradas condições da saída de Armando Vara – mostram que, no que toca a clientelismo, esta forte ligação entre a banca e o Estado não permite grande desfasamento entre público e privado!

Quero com isto dizer que, ao contrário do que se poderia esperar, hoje em dia não faz assim tanta diferença, e a privatização apenas teria a vantagem de produzir umas massasMassas que, para reduzir a dívida, seriam pouco mais que uma gota de água. E que, nesta altura, seriam bem curtas!

Vender CGD agora seria um péssimo negócio. A actual conjuntura nacional não só desvaloriza as nossas empresas, e em especial os bancos, como desmobiliza os investidores. Com o banco, a quem a Fitch baixou hoje a notação em dois níveis, para BBB+, desvalorizado, e com os investidores virados para outro lado, a privatização seria ruinosa.

Há sempre aquela história dos pequenos aforradores, mas essa é uma daquelas que se contam para adormecer os meninos…

Fernando Santos tem um problema, ou é ele o problema?

A selecção nacional concluiu este ciclo de três jogos, em 6 dias, para o apuramento para o mundial do Qatar do próximo ano com uma vitória no Luxemburgo, mas continuando sem convencer. Sem conseguir fazer um único jogo ao nível da qualidade dos seus jogadores,  conseguindo a espaços superiorizar-se aos adversários, mas sempre sem conseguir ter os jogos controlados, oscilando entre partes do jogo deprimentes e outras relativamente aceitáveis.

Hoje, contra o Luxemburgo, que vinha de uma vitória na República da Irlanda e que já não é o bombo da festa que era até há alguns anos, confirmou todas essas oscilações, e o que de mau tinha feito nos dois jogos anteriores.

A primeira meia hora foi tão má quanto tinham sido todo o jogo com o Azerbaijão e a segunda parte com a Sérvia, e foi a equipa luxemburguesa a mandar por completo no jogo. Só à beira dos 30 minutos a equipa nacional conseguiu construir uma jogada de ataque e chegar à baliza adversária,  com João Cancelo a cruzar para o remate de Renato Sanches - novidade entre os titulares, o único jogador português da remar contra a maré da mediocridade geral da equipa, e o melhor jogador em campo - que poderia ter dado golo. Na resposta, imediata, o Luxemburgo abriu o marcador. E a equipa portuguesa abanou, ainda mais. 

Só nos últimos 10 minutos reagiu, depois da troca do desenquadrado João Felix, lesionado, por Pedro Neto, e acabou por chegar ao empate, por Diogo Jota, já no período de compensação, dois minutos depois dos 45.

No início da segunda parte manteve-se por cima do jogo, dando sequência àqueles 10 minutos finais da primeira, e cedo passou para a frente do marcador, com - finalmente - um golo do apagadíssimo Cristiano Ronaldo, invariavelmente a concluir mal. Pouco antes tinha falhado, de forma inacreditável, isolado perante o guarda-redes adversário, depois de um erro defensivo da equipa do Luxemburgo.

Pensou-se então que a vantagem daria à equipa a tranquilidade necessária para afirmar a incomparável superioridade técnica dos seus jogadores. Mas, nada disso, e esgotado o primeiro quarto de hora, já  os luxemburgueses estavam de novo por cima do jogo. O segundo quarto de hora foi todo luxemburguês, e Fernando Santos foi obrigado a reforçar o meio campo, com a entrada de Palhinha (por troca com Bernardo Silva). Em simultâneo fez também entrar Rafa para o lugar de Jota, na expectativa de aproveitar a sua velocidade nos espaços que o adiantamento do adversário libertaria.

Só no último quarto de hora a selecção nacional se libertaria da pressão luxemburguesa, acabando por chegar ao terceiro golo, por Palhinda, na sequência de um canto, assinando com um resultado aceitável uma exibição que o não foi.

Há certamente a desculpa do calendário, com três jogos muito concentrados, mais a mais nesta altura da época. E sem tempo para treinar. Mas os problemas que a selecção evidencia têm outra profundidade. E duas ordens de razões claras: falta uma ideia de jogo e faltam rotinas, mas, acima de tudo, falta uma ideia de jogo ajustada à superior valia destes jogadores, que os deixe confortáveis com o jogo; e  falta fazer da selecção uma equipa, em vez da corte de Cristiano Ronaldo, em que Fernando Santos a transformou.

O problema não é a baixa intensidade nem a lentidão que os jogadores pôem nos jogos. Isso é a consequência dos dois problemas anteriores. E não é problema dos jogadores. É do treinador!

Sim, Fernando Santos tem um problema. Ou o resolve, ou é ele o problema!

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Um jornal irlandês – Sunday Independent – endereça, em carta a Portugal, um conselho amigo: Um conselho de amigo para Portugal, chama-lhe! Nada mais sintomático numa altura em que atingimos as taxas de juro que obrigaram a Irlanda a pedir ajuda: à capitulação!

O original da carta está aqui. Uma tradução dirá mais ou menos isto:

 

Querido Portugal, daqui escreve a Irlanda. Sei que não nos conhecemos muito bem, embora tenha ouvido dizer que alguns dos nossos investidores estão por aí a cavalgar a recessão. Podem ficar por aí um tempinho. Não quero parecer intrometido mas tenho lido umas coisas sobre ti nos jornais e acho que posso dar-te um ou outro conselho sobre o que se passa contigo e que vem aí.

A piada que corre é: sabem qual a diferença entre Portugal e Ireland? Cinco letras e seis meses.
Adiante; reparo que estás sob pressão para aceitar um resgate exterior mas os teus políticos afirmam estar determinados a não aceitar. Só, dizem eles, por cima dos seus cadáveres. Na minha experiência, isso significa que está para breve, provavelmente a um Domingo.
Primeiro deixa-me explicar-te um pouco as nuances da língua Inglesa. Devido ao facto de o inglês ser a tua segunda língua, poderás pensar que as palavras “bailout” e “aid” implicam que irás contar com a ajuda dos nossos parceiros comunitários para sair das tuas actuais dificuldades.
O Inglês é a nossa primeira língua e isso foi o que pensámos que “bailout” e “aid” significavam.
Permite que te avise: não só este “bailout”, quando te for inevitavelmente imposto, não te livrará dos teus problemas actuais, como irá prolongá-los por gerações e gerações.
E ainda esperam que fiques grato. Se quiseres procurar a tradução correcta de “bailout”, sugiro que pegues no dicionário de Inglês-Português e procures palavras como: moneylending, usury, subprime mortgage, rip-of (empréstimo, usura, hipoteca, roubo). Assim terás uma tradução correcta do que te vai suceder. Vejo também que vais mudar de governo nos próximos meses. Desculpa ter de sorrir. Sim, coloca uma demão fresquinha de tinta por cima das rachas da vossa economia, e aprecia o perfume enquanto dura. Nós também tivemos um governo novo, aliás até é divertido ao princípio. O novo governo chegará envolto numa leve euforia. Terá prometido todo o tipo de coisas durante a campanha sobre deitar fogo aos capitalistas e assim enquanto a UE sorri benevolamente ante a converseta. Mal tome posse, o novo governo irá à Europa tentar fazer boa figura. Poderás até ganhar umas partidas contra o teu velho inimigo, seja ele quem for, ou atrair visitas de alguns dignitários estrangeiros como o Papa ou isso. Vai haver boas vibrações no ar e toda a gente vai refugiar-se nessa ilusão por um tempo.
Aproveita enquanto puderes, Portugal. Porque assim que a diversão acabar a realidade vai intrometer-se no teu caminho. A única coisa boa disto tudo é que jogar golfe se tornou muito atractivo aqui. Espero que o mesmo suceda por aí e poderemos então combinar um jogo.

 Com amor,·


Irlanda”

 

Obrigado Irlanda, já não nos vens ajudar em nada mas sempre é melhor sabermos com o que podemos contar!

Confrontos inevitáveis I

Marcelo e Costa reuniram no Algarve – Reportagem TVI

Com a promulgação, pelo Presidente da República, dos três diplomas de reforço dos apoios sociais e profissionais - aos médicos - aprovados por todo o Parlamento, com a única excepção do PS, contra as ameaças do governo, está aberto o primeiro confronto entre Marcelo e António Costa deste segundo mandato presidencial. 

O Presidente não tinha como fugir deste confronto. Como Costa não tinha, nem tem, como ganhá-lo, mesmo que recorra ao Tribunal Constitucional, como ameaçou, e que o Presidente expressamente desaconselhou.

Com todo o Parlamento a favor destes apoios, não seria fácil para o Presidente tomar o partido do governo. Mesmo que tenha desencorajado a oposição a fazer desta prática um caso reiterado. Isto é, mesmo que tenha avisado a oposição que não estava a abrir qualquer precedente para viabilizar práticas parlamentares de de sistemática desconfiguração do Orçamento de Estado. Que, fez notar, tem, em seu entendimento, capacidade para acomodar as medidas em causa.

O Governo fica mal - muito mal - nesta fotografia. Quando na ordem do dia está a alteração à legislação fiscal permitiu a fuga da EDP ao pagamento de 110 milhões de euros em impostos, a isenção de  impostos a cidadãos estrangeiros, com especial ênfase nas declarações da ministra das finanças da Suécia, acabar com as moratórias no crédito à habitação e travar estes reforços aos apoios sociais, é deixar claro o lado que o governo escolhe, sempre que tem de fazer escolhas.

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

A entrevista de Miguel Sousa Tavares (MST) à Presidenta – é assim que gosta de ser tratada – Dilma Roussef, passada na SIC na véspera da sua primeira visita oficial a Portugal e à Europa, teve, para mim, um ponto alto. O entrevistador – personagem que não é conhecido exactamente pelo seu bom feitio – a determinada altura da entrevista, focado na estratégia de combate ao crime organizado no Brasil, referiu o suposto mau feitio da entrevistada. A referência ao seu mau feitio era, na circunstância, aquilo que nós portugueses entendemos como um atributo decisivo para aquele combate: duro - no caso dura, ou mesmo durona –, determinada e implacável!

Dilma fez um silêncio (mais ou menos) prolongado e não conseguiu disfarçar o desconforto. O Miguel Sousa Tavares, afinal como todos os que assistíamos à entrevista deste lado de cá, percebeu que alguma coisa não tinha corrido bem, quando a entrevista até corria solta e na melhor das cordialidades – ele não tinha levado para ali o seu próprio mau feitio –, rapidamente compreendeu que a bronca estaria no mau feitio.

E estava!

Explicaria a Presidenta do país irmão que, no português de lá, mau feitio queria dizer que algo de errado se passava com a sua roupa. Mau feitio tem a ver com problema de costura!

Percebemos, evidentemente, o desconforto. Mesmo sendo uma ex-revolucionária, Dilma é mulher! E é presidenta da república!

Nem sequer coloco a remota hipótese da fama do mau feitio do MST ter chegado ao palácio do Planalto – ao que se diz ele até morre facilmente de amores lá pelas terras de Vera Cruz – e de, prevenida, Dilma Roussef ter reagido já condicionada. Não era necessário tanto para se justificar uma afronta digna de um grave problema diplomático!

O mal entendido seria entretanto e rapidamente esclarecido, acabando afinal por não provocar mais que uma boa rizada, na qual haveria também eu de participar. Mas fiquei a pensar como, afinal, eu entendia aquela interpretação. Como ela me remetia para velhos usos que deste lado de cá demos, em tempos, a esta nossa língua!

Há muito, muito tempo, antes de cá chegar o prête à porter, também era esse o sentido que dávamos ao feitio. Talvez porque então nem sequer tivéssemos direito ao mau feitio ou, quem sabe, porque pobretes mas alegretes!

Pois era. Nesse tempo as mulheres iam às modistas e os homens aos alfaiates, mandar fazer as suas roupas. Levavam-lhes os tecidos – as sedas, os linhos, a fazenda – e pagavam-lhes o feitio!

E aí está como, também por cá, o feitio era o trabalho de confecção da costureira, da modista, como se lhe chamava, e do alfaiate. E, naturalmente, um mau feitio seria mesmo o mau trabalho na confecção do vestuário. Como continua por lá, apesar do pronto-a-vestir!

Enfim, coisas que o mau feitio do acordo ortográfico nunca resolverá!

Um país fascinante

Suécia quer revogar acordo fiscal com Portugal. "Esperámos dois anos e a  nossa paciência terminou" - Economia - SAPO 24

 

A semana que agora termina, com mudança de hora e tudo, mostrou a quem andasse mais distraído o país que somos. Os governos que temos e o povo que somos.
Como sempre, é preciso que venha alguém de fora mostrar-nos mais claramente isso, porque, nós, cá vamos andando… Coube desta vez a tarefa à ministra das finanças da Suécia, desesperada com o incumprimento do(s) governo(s) português(es) do acordo de tributação aos cidadãos suecos residentes no país.
Mais 3 mil pensionistas suecos, de altos rendimentos, vivem em Portugal. Não tem mal nenhum, e só se lhe pode gabar o gosto. Viver em Portugal, com uma pensão catita, e sem pagar impostos, é das melhores coisas que se pode reclamar para a velhice. O governo sueco pretende que estes pensionistas paguem impostos. Lá ou cá. Mas que paguem impostos sobre os seus rendimentos de pensões. E assinou um protocolo com o governo português, que não o cumpre.
O que obrigou a ministra das finanças a perder a paciência e a dizer que "é fascinante" que os portugueses não se revoltem por ver os suecos viverem aqui com as suas ricas pensões de reforma sem pagarem um euro de IRS. E que, lado a lado com um sueco numa cama de um hospital, um português não se importe de estar a pagar para os dois, sabendo ainda que o sueco vive com um rendimento três, quatro ou cinco vezes superior ao seu.
É de facto fascinante. Já é fascinante que o governo português seja tão generoso com os cidadãos estrangeiros - e, já agora, com as empresas detidas por estrangeiros, como se voltou a ver com a EDP, e como se está a voltar a ver com o Novo Banco - e tão impiedoso com os nacionais. Ou, noutra escala, mas que também serve de exemplo, enquanto não permite aos portugueses nesta altura passar a fronteira do seu concelho, permite que turistas estrangeiros possam passear à vontade pelo país. Mas é ainda mais fascinante que os portugueses se não importem nada com isso!
É este o país que somos, que muitas vezes nos passa ao lado, e que a ministra das finanças sueca tratou de nos mostrar em todo o seu esplendor. Um país governado por quem trata os seus cidadãos abaixo de cão, com um povo que aprecia ser assim tratado.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Sempre achei deveras bizarra esta institucionalização de um dia das mentiras em Portugal. Sempre embirrei com aquelas notícias parvas com que jornais e televisões ilustravam a mentira do primeiro de Abril. Porque era apenas a sua própria parvoíce que as distinguia das outras. Das outras notícias e das outras mentiras!

É que isto de haver um dia para mentir poderá até fazer sentido num sítio qualquer – estou absolutamente convencido que não há sítio nenhum onde se não minta todos os dias – mas em Portugal é que não faz qualquer tipo de sentido. Um dia das mentiras em Portugal? Só para rir!

O dia das mentiras, também conhecido por dia dos bobos, terá nascido em França que, com a adopção do calendário gregoriano, em 1564, passou as festividades de ano novo – que até aí se iniciavam com a Primavera e se prolongavam até àquele que, de acordo com o novo calendário, era o primeiro dia de Abril – para 1 de Janeiro. Parece que as pessoas não terão gostado muito disso e, chegados a 1 de Abril, passaram a enviar presentes estranhos e a fazer convites para festas falsas. Porque já não havia nada para festejar!

Desconfio que seja precisamente por este pequeno pormenor que o dia das mentiras pegou desta maneira em Portugal. Esta coisa de trocar as festas é muito portuguesa: mais, é muito da mentira portuguesa!

É hoje claro para a maioria de todos nós – creio eu, mas às vezes engano-me – que o nosso calendário está cheio de primeiros de Abril. Arriscar-me-ia a dizer que para aí nos últimos 20 ou 30 anos cada um deles teve 365 dias 1 de Abril. Nos bissextos 366! E que a mentira mais comum tem sempre a ver com festas!

Nos últimos três anos tem sido mesmo um festival. A mentira permanente, a negação da realidade!

A festa há muito que acabara mas todos os dias nos diziam que não. Qual quê? Há festa sim senhor! E, uns mais desconfiados que outros, lá íamos todos acreditando que estávamos em festa. É que, para além de mais fácil, também é muito mais bonito aceitar estar em festa do que em ressaca! E, ou muito me engano, ou nós gostamos mesmo que nos mintam: arranjamos uns narizes de Pinóquio para umas fotomontagens mas, depois, somos dados ao esquecimento e voltamos a votar neles. Nos mesmos que antes espalhamos por aí com nariz de Pinóquio!

Não sei quais serão as mentiras de hoje, deste 1 de Abril. Mas sei que, por exclusiva responsabilidade do Presidente da República – que ao aceitar ontem o pedido de demissão do primeiro-ministro transformou o governo em governo de gestão – amanhã ver-nos-emos privados da mentira repetida em cada um dos últimos 300 dias: “Portugal não precisa e não vai pedir ajuda externa”!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Já aqui referi a personalidade política de Sócrates e a forma como, fazendo-o confundir com o governo e com o partido, foi determinante para o actual estado do país. No estado em que o governo deixou o país e no estado em que o partido o pode vir a deixar, face à forma como hoje condiciona a conjuntura política. Uma personalidade que, se tudo corre bem, funciona como alavanca de sinergias. Mas, se algo corre mal, potencia e sustenta a famosa lei de Murphy!

Com a sua personalidade a secar governo e partido, Sócrates, envolvido em tantos e tão sucessivos escândalos e problemas pessoais – de que os casos Freeport e TVI e a adjacente e colateral operação face oculta são apenas os exemplos mais flagrantes – agravados por essa mesma personalidade – a tal lei de Murphy – facilmente percebemos estes últimos dois anos de governação. E mais facilmente percebemos ainda como ele é apenas parte do problema, sem que possa alguma vez vir a ser parte da solução!

Sócrates - quer dizer: o governo e o partido que o suporta – concentrou todas as energias na defesa da sua pele. Não lhe sobrou, nem poderia sobrar, tempo para o país!

Como para além dele era o deserto, não houve quem pensasse o país, que ficou em piloto automático… E foi assim que, sem capacidade para pensar o país e de antecipar os problemas, eles se foram acumulando, uns atrás dos outros, como uma bola de neve. Aqui chegados, Sócrates utilizou a receita que já seguira perante os seus próprios problemas. Com os mesmos resultados: agravando-os. A lei de Murphy, mais uma vez!

Negando-os sucessivamente, enrolando e distorcendo a realidade na ilusão, e não sei se na convicção, de que a sua imensa capacidade de manipular factos, dados e circunstâncias o levaria, incólume, ao encontro do que esperava ser o seu grande aliado: o tempo! Ele já só queria ganhar tempo, mesmo que não soubesse o que fazer com ele. Sem perceber que o tempo já não estava do seu lado. Que o tempo já só podia agravar os problemas, lançados num galope incontrolado!

A personalidade de Sócrates não lhe permitia delegar a responsabilidade de pensar o país enquanto ele se entregava aos seus múltiplos problemas. Mas também não vemos em quem a poderia delegar.

Em Pedro Silva Pereira? Seria difícil: para ele reservara apenas o papel de fiel escudeiro, um papel que personagens como Sócrates não conseguem dispensar. Sobrava-lhe Teixeira dos Santos. Não era do partido e teria muitas dificuldades, como se percebeu na última e lamentável sessão parlamentar, quando perante a insólita retirada de Sócrates ficou sozinho e isolado. Mas percebeu-se também que não tinha dimensão política para a tarefa. Nem mesmo de carácter e de personalidade, como estes últimos tempos se encarregaram de mostrar à evidência.

Por isso chegamos aqui. E, ainda por isso, não sabemos onde estaremos para chegar. Por isso e por haver tanta gente a não perceber isso!

Porque é por haver tanta gente a não perceber tudo isso que o PS manteve as eleições internas. E que Sócrates foi reeleito por uns obscenos 93,3%, para continuar a ser o grande problema do país.

Oxalá eu esteja enganado!

Imagens

Polémica: Veja o último lance do Sérvia 2-2 Portugal que tirou os três pontos às Quinas

 
A segunda partida do torneio de apuramento para o Mundial do Qatar não limpou a má imagem que a selecção nacional deixara na última quarta-feira, em Turim.
 
A primeira parte foi enganadora, e enganou toda a gente, incluindo - o que é grave - o seleccionador, e os jogadores. A equipa nacional não fez mais que um jogo sofrível, que só poderá ter parecido bom pela fragilidade do adversário, uma equipa perdida numa anarquia táctica que já não se usa. E pelo resultado, pelos dois golos de Jota, nos dois único remates à baliza da selecção nacional em todo o jogo. 
 
A selecção não precisou de jogar bem para dominar completamente a selecção da Sérvia, que durante a primeira parte foi uma equipa perdida no campo, muito à imagem do que é o seu historial. E mesmo a jogar com dez - estavam 11 em campo, mas só dez jogavam - foi claramente superior.
 
Bastou que, ao intervalo, o seleccionador sérvio tivesse dado alguma sentido táctico à equipa - bastou-lhe tirar um dos dois avançados para entrar um trinco, e meter um lateral direito que antes não tinha - para que a segunda parte fosse completamente diferente, e para a equipa da Sérvia deixasse à mostra a fraquíssima exibição da selecção nacional. Se não levou um banho de bola, andou lá perto.
 
A Sérvia marcou logo no primeiro minuto, e a partir daí tomou conta do jogo, chegando ao empate ao quarto de hora, e desperdiçando mais um bom par de oportunidades, com o seleccionador nacional firme e hirto a assistir a tudo isto. Não mexeu na equipa, e quando o fez ficou curto, com Nuno Mendes a entrar pelas dificuldades por que João Cancelo estava a passar, e Renato Sanches a dar o músculo que já faltava a Sérgio Oliveira. Deixou em campo Danilo, há muito em sub-rendimento. E guardou a entrada de João Félix para quando já só faltavam 5 minutos para o jogo acabar. 
 
Ia dizer que não se entende que tenha continuado a jogar com dez. Mas isso é pecado. Não se pode dizer. Até porque agora só se fala do golo na última jogada do encontro que o árbitro não sancionou. Um golo caído do céu, mas como a bola entrou pela baliza dentro, devia ter valido. 
 
E por isso digo que não se entende por que não há VAR nestes jogos de apuramento. Como é que para a UEFA há VAR nuns jogos e não há noutros? Nada disto altera nada do que foi o jogo, mas já o primeiro golo da Sérvia, no primeiro minuto da segunda parte, havia sido precedido de claro fora de jogo.
 
No fim, ao contrário de Portugal, a Sérvia limpou a imagem, Cristiano Ronaldo atirou com a braçadeira ao chão e o árbitro pediu desculpa.
 
 

Há 10 anos

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Convém começar por esclarecer que calções são calções, não são cuecas. Por muito que os sportinguistas digam que calções brancos são cuecas - não gostam dos calções brancos com a sua camisola verde e branca, à Celtic de Glasgow – calções, mesmo que brancos, não são cuecas. Por isso sujar os calções nunca terá nada a ver com sujar as cuecas! Uns sujam-se por fora. As outras, por dentro!

Sujar os calções é a expressão que o futebolês consagrou para se referir ao comportamento em campo de um determinado tipo de jogador. Como se percebe os calções sujam-se no chão. Ou porque se cai ou porque se vai à luta no chão pela disputa da bola. Na briga!

Há jogadores brigões e há os que fogem da briga, como na vida, afinal. Há pessoas que brigam por tudo e por nada e há outras que nunca se querem meter em confusões. Todos nós conhecemos os tipos que, invariavelmente, estão onde houver confusão. Onde quer que seja, nasceram para aquilo! E há outro tipo de pessoas que, ao verem sinais de confusão, passam de imediato para o outro lado da rua. Maricas medricas acabam por ser os epítetos menos acintosos que lhes são dirigidos! Quando não são mesmo acusados de, tal é o medo, sujarem não os calções, mas as cuecas…

Os jogadores que não sujam os calções também não fogem a estes e outros tipos de mimos. Os adeptos gostam sempre mais do jogador brigão, do que corre atrás da bola mesmo quando ela há muito saiu do campo. Mesmo que depois não saiba o que fazer com ela. Daqueles de quem se diz serem capazes de deixar a pele em campo!

E não gostam mesmo nada dos que se poupam de correr atrás de uma bola claramente inalcançável. Dos que não metem o pé onde não é preciso, simplesmente porque acham que não devem meter o nariz onde não são chamados.

Em Portugal o mais famoso, e inevitavelmente o mais odiado, jogador que não sujava os calções dá-se pelo nome de Nené. Um jogador que passeou calções impecavelmente brancos pelos relvados de futebol durante toda a década de 70 e metade da de 80. Que, com a elegância de um modelo na passerelle, começou por se notabilizar na primeira equipa do Benfica, de uma equipa onde ainda brilhava Eusébio – que ainda marcava golos como ninguém - mas onde também marcavam (e muito) jogadores fantásticos como Artur Jorge - também ele pouco dado a sujar os calções – e o malogrado Vítor Batista, como um dos melhores extremos direito da Europa. Depois, evoluindo para um dos melhores pontas de lança do futebol nacional (e europeu) do seu tempo, ao lado de Jordão, Manuel Fernandes e Gomes, passaria a ser brindado com as maiores assobiadelas que alguma vez cruzaram o velhinho Estádio da Luz. E ficou o mito!

Onde é que hoje - que, ao contrário de então, somos uma potência mundial do futebol – temos quatro pontas de lança daquele calibre? Nem um!

O que hoje temos no futebol é gente capaz de sujar tudo. Que se suja e que não se importa com o que esteja sujo.

Basta olhar para esta semana. Que começou, logo na segunda-feira - sujo mais sujo não há - com uns marginais a atingirem à pedrada o autocarro e o carro do presidente do Benfica, quando regressavam de Paços de Ferreira, onde a equipa acabara de realizar uma partida fantástica marcada pela melhor meia hora de futebol da época e pelos dois golos de Nuno Gomes – outro extraordinário jogador, que não precisa de sujar os calções para atingir o melhor rácio imaginável entre golos e tempo de utilização em jogo.

Que passou pela amplificação de umas inoportunas declarações de Pepe – desconheço a pergunta que suscitou aquela resposta, coisa que é habitual na imprensa desportiva (e não só!): lançam perguntas incendiárias (que logo desaparecem de todos os registos) apenas à procura de respostas mortais (como diria Emídeo Rangel) – a dar umas bicadas em Carlos Queirós. Que, mais sujo ainda - muito mais sujo mesmo – protagonizaria uma reacção lamentável que mais não fez que menorizá-lo ainda mais. E definitivamente sujar-se, sem que nada já o possa lavar.

E que termina com as eleições no Sporting, onde não houve apenas muito jogo sujo. Onde Eduardo Barroso se esqueceu que não era um simples adepto anónimo de rua – ele esquece-se com frequência disto – e, para defender a candidatura que apoia, se declarou nada preocupado se o dinheiro dos russos é sujo. Ele - cirurgião de renome, membro do clã Barroso Soares e candidato a presidente da mesa da assembleia-geral do Sporting Club de Portugal - não se importa que o Sporting se torne num centro de lavagem de dinheiro desde que esse dinheiro lhe permita alimentar o seu cego fervor clubista! E onde um deprimente Paulo Futre, em poucos minutos, transformou um ídolo num monte de uma coisa suja …

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