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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

A notícia foi tornada pública no passado fim-de-semana: Almerindo Marques, que renunciara ao cargo de Presidente da Estradas de Portugal em Março - renunciara, não terminara -, vai, dois meses depois, presidir à Opway.

À partida esta seria uma notícia normal. Não é comum aos 72 anos, mas mudar de emprego não pode deixar de ser uma coisa normal. Por isso nem notícia seria. Não o é! E por isso é notícia…

A Opway é uma construtora do Grupo Espírito Santo (GES) que, com a Mota Engil, domina a Ascendi, a rainha das PPP nas estradas. A Ascendi, que reúne dois dos principais donos de Portugal – a expressão é de Louçã (num livro recentemente publicado) mas cada vez mais parece apropriada: o GES, de Ricardo Salgado e a Mota Engil, de Jorge Coelho. A quem a Estradas de Portugal, em completa rotura financeira, acabara de garantir mais 5,4 mil milhões de euros em rendas em PPP nas estradas. Sim, em rendas, porque não depende do número de carros em circulação.

Tudo isto na mesma altura em que o Tribunal de Contas arrasa as PPP nas estradas, e em particular nas SCUTS, denunciando vultuosos danos para o erário público. Para todos nós!

 O Jornal de Leiria de hoje publica também a notícia. Porque é notícia. Porque continua notícia, mas também porque Almerrindo Marques é uma personalidade do concelho de Leiria que, naturalmente, a região acarinha. Disse a este jornal: “terminei as minhas funções na Estradas de Portugal e vou trabalhar noutra empresa”, acrescentando que “nada mais” teria a acrescentar. Não é notícia, quis ele dizer!

Ao i – um jornal também com ligações (de capital) à região – declarou-se “tranquilo quanto às relações entre a construtora que vai dirigir e a empresa pública de que foi presidente desde 2007”. Acrescentou ainda que são “poucas as ligações” entre as duas empresas e que “quem não deve não teme”. É notícia, mas sem importância, quis agora ele dizer!

É claro que é notícia. E das más! Porque, como à mulher de César, não basta ser sério. Há que parecê-lo. E aqui não parece. O que é pena, porque Almerindo Marques tem 72 anos, uma carreira notável como gestor e cidadão, e uma imagem acima de qualquer suspeita a defender. Que, vá lá saber-se porquê, não soube defender!

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Não fosse dramática a situação que atravessamos e esta campanha eleitoral seria motivo de hilariante gargalhada colectiva capaz de se ouvir no outro lado do mundo.

Ninguém fala dos juros que não vamos ser capazes de pagar, da recessão de dois anos que temos pela frente ou da catástrofe da Grécia, a mostrar-nos -a cores e ao vivo – o futuro que temos como certo já ao virar da esquina. Ninguém nos diz nada sobre o caminho que esta União Europeia está a tomar, agora pendurada das garras da Alemanha de Merkl. Ninguém se preocupa com o que tem vindo a lume sobre as SCUTS e as suas PPP. Sobre a estratégia para vencer a batalha da produtividade que nos garanta capacidade competitiva para poder crescer, nada! Ninguém se preocupa com isso… Brincam com a já famosa taxa social única (TSU), que a troika impôs sem que, pelos vistos, o governo tenha dado conta. Que o PS diz que é coisa para pensar lá mais para a frente, que agora o que importa é saber onde é que o PSD vai buscar o financiamento para a redução que propõe: se à cerveja, se ao vinho ou se a tudo o que mexa. Que o PSD quer baixar em quatro pontos, mas sem dizer como nem quando. Porque não sabe ou porque não quer que ninguém saiba! Sobre o que o CDS não sabe nada nem quer saber, porque a chuva, mesmo de pingo grosso como a destas trovoadas que por aqui andam, nem sempre molha: às vezes consegue passar-se entre os pingos mais grossos!

Não! Importante mesmo é falar da despenalização do aborto… Este é que é o grande problema do país, já todos o tínhamos percebido!

E pronto, lá foi introduzido mais ruído nesta campanha…

Que toda esta cambada que por aí anda em desfile pelo país entre em delírio e aproveite estes dislates para subir o patamar da barulheira, para que o ruído abafe tudo e não deixe ouvir nem discutir nada do que importa, a gente ainda percebe. O que a gente não percebe é que haja um jornalista – mesmo que da Rádio Renascença - que ache importante esclarecer agora, nesta altura, a questão do aborto. Mas o que a gente não entende de todo é que Pedro Passos Coelho não consiga perceber que só tinha uma resposta a dar. Esta e mais nenhuma: “ A questão da IVG não está neste momento na ordem do dia, passe à pergunta seguinte…”

Já basta de se pôr a jeito! Um dia destes deixamo-lo cair do colo…

Coisas extraordinárias

Quem é Roman Protasevich, o jornalista que forçou Lukashenko a desviar um  avião para o deter — DNOTICIAS.PT

Um caça soviético MiG-29 interceptou, e forçou a aterrar em Minsk, um avião da Ryanair que, num voo de Atenas para Vilinius, atravessava espaço aéreo bielorrusso.

O pretexto anunciado foi a existência de uma bomba a bordo; o real foi o de deter um jovem bielorrusso, de 26 anos, conhecido opositor ao regime de Lukashenko desde a adolescência.

Aconteceu no domingo. Ontem, o jovem Roman Protasevich, jornalista e blogger, surgiu nas televisões a confessar os crimes de que o regime de Lukashenko o acusa, e declarar-se muito bem tratado pelas autoridades bielorrussas.

Um acto de pirataria aérea, uma detenção/rapto, e a exibição do prisioneiro a confessar aquilo de que é acusado e estar a ser muito bem tratado. Vemos isto em filmes e, aqui e ali, nos múltiplos cenários do terrorismo internacional. Praticado por um Estado é outra coisa.

Sabemos que Lukashenko é capaz disto e de muito mais. E que hoje a Bielorrússia não passa de um Estado pária. Que o PCP - sabemos também, embora sem o conseguirmos perceber - defende. Como defende o regime de Putin, que o sustenta. De tal forma que ontem, ao comentar o tema no canal de notícias da RTP, uma certamente ilustre representante do partido, não podendo fugir a um esboço de condenação do acto, encontrou um "mas". É sempre nos "mas" que está o busílis da questão.

O "mas" é que o jovem bielorrusso capturado é um agitador da extrema-direita nazi. E, aí está, isso legitima tudo. Até que isso, no mínimo isso, não seja exactamente Lukashenko. E Putin, evidentemente.

Não vale mesmo a pena tentar perceber esta coisa extraordinária do alinhamento internacional do PCP. É tempo perdido, e nunca encontraremos neurónios suficientes para tão gigantesca tarefa.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Sabemos que as nomeações de última hora são prática corrente entre os que nos têm governado. Chegada a hora de fazer as malas é um ver se te avias a nomear os últimos boys, para lhes assegurar um tacho mesmo antes de meter a chave à porta. Ou nem isso, nem se dão ao trabalho de a fechar: isso é coisa que deixam para quem vier atrás!

Tem sido assim - há muito que é assim – sem que ninguém se importe muito com isso…

O assunto foi hoje tema de campanha: Pedro Passos Coelho, pelo vistos com inside information, tomou conhecimento de que o governo, demissionário e em gestão, estava já a proceder a nomeações destas, de última hora. Claro, entrou pela campanha dentro como manteiga em pão quente: Passos Coelho a denunciar, Sócrates a negar e Passos a ter de confirmar.

Tudo bem esmiuçado, na confirmação surgem os mails do governo para a INCM com instruções claras: impedir que as nomeações fossem publicadas no Diário da República antes das eleições!

Não só se confirmavam as nomeações como se ficava a saber que o governo as queria esconder até às eleições. Perante os factos, o governo – através do Secretário de Estado da Presidência – confirmava as nomeações: apenas seis, e indispensáveis, garantia!

Contra factos não há argumentos, não é?

Não, com Sócrates há argumentos mesmo contra factos! Mais uma vez, mandando às malvas o mais elementar sentido de respeito pela inteligência dos portugueses – já não me restam dúvidas que, no país que Sócrates fantasia, os portugueses são burros – vem dizer perante as câmaras que afinal estava a ser acusado de cumprir o seu dever, precisamente o de impedir as nomeações.

Que Sócrates não tem vergonha já todos o sabemos. Que não tem respeito por nós e pela nossa inteligência, também já o sabíamos. Mas, eu, por mim, não imaginava que ele fosse capaz de ter a lata de, em frente à câmara e ao jornalista – na circunstância Carlos Daniel, um jornalista respeitado e competente - fazer esta figura. De manipular grosseiramente os factos e falar por cima e à revelia do jornalista,  para confundir   impedimento da publicação das nomeações com impedimento das próprias nomeações.

Isto é charlatanice pura!

Como previa no texto anterior isto é o “vale tudo”. E, agora que as sondagens indicam claramente a descolagem do PSD, as coisas ainda vão piorar. Sócrates, que tudo fez para se manter bem agarrado ao poder, entrará agora em desespero total!

 

Zero. Bola, como ele gosta dizer...

 

Aí está. Nem a Taça. Que não salvava coisa nenhuma, mas anestesiava alguma coisa.
 
Pela segunda vez consecutiva em Coimbra, pela segunda vez consecutiva o Benfica a perdeu. Desta vez a somar a tudo o que perdeu nesta época, prometida de arrasadora. Mais uma vez a equipa, e principalmente Jorge Jesus, falha quando não pode falhar. 
 
Sabia-se que esta era a Taça do tudo ou nada. Também para o Braga, e percebeu-se que Carlos Carvalhal, que voltou a dar um banho a Jesus - em quatro jogos ganhou-lhe três, dois deles decisivos - tinha esta final bem preparada. De Jorge Jesus só se tinha percebido a basófia do costume.
 
Claro que há as contingências do jogo. E há contingências que não são assim tão contingenciais. Na verdade as arbitragens de Nuno Almeida nesta época nos jogos do Benfica não são meras contingências. A verdade é que esta época o árbitro algarvio arrumou o Benfica em todos os jogos que arbitrou.
 
Neste fê-lo no fim do primeiro quarto de hora de jogo, de um jogo que estava amarrado, e ainda muito indefinido. Ao primeiro - de muitos - erros defensivos do Benfica, sucede o decisivo erro do árbitro, expulsando o guarda-redes Helton Leite, quando nenhuma imagem confirma que tenha sequer tocado no Abel Ruiz, que também não estava em condições de seguir para a baliza e fazer golo.
 
E o Braga ficava bem cedo a jogar com mais um. E se tinha preparado bem esta final, melhor tinha preparado este jogo, com aquele treino de há umas semanas com o Sporting. Que lhe tinha bem saído bem mal, mas ficou o treino.
 
O Benfica não fez como o Sporting. E daí tirou o Braga mais proveito ainda. Passados os primeiros minutos, o Benfica passou a querer jogar de igual para igual. E a verdade é que não só equilibrou o jogo como, já nos primeiros dois minutos de compensação na primeira parte criou duas oportunidades claras de golo. Só que no terceiro, na última jogada, num inofensivo corte de cabeça de um defesa do Braga, Vlachodimos e Vertonghen entregam a bola a Piazon, que se limitou, com classe, a meter a bola na baliza.
 
Em superioridade numérica, e com o tónico do golo em cima do intervalo, o Braga estava nas suas sete quintas. E no primeiro quarto de hora da segunda parte só não fez mais dois ou três golos porque não calhou. E controlou sempre o jogo porque, do lado do Benfica, nada era feito para mudar o rumo dos acontecimentos. O treinador que mais Taças de Portugal perdeu em Portugal - ganhou apenas uma - até fez as substituições que pareciam as indicadas, mas não mudou nada. 
 
O pecado maior, de todo incompreensível, era a equipa, com menos um jogador, insistir em sair a jogar da sua área. Pensava-se que, com a entrada de Darwin, que garante outra profundidade ao ataque, esse pecado seria expiado, e que o Benfica passasse a explorar essa oportunidade, pudesse fugir à natural pressão alta do Braga, roubar  comodidade ao adversário, e discutir o jogo em moldes diferentes. Mas não. Continuou sempre a insistir em sair com a bola de trás, e a perdê-la, na maioria das vezes, ainda no seu meio campo. 
 
Foi tão sempre assim, que foi até assim que o Braga marcou o segundo golo, já no fim do jogo. Que acabou mal, e feio. Com a expulsão de Taarabt. E de Piazon. Mas não de Eduardo, o antigo guarda-redes do Braga - e até do Benfica - que provocou tudo (e provocou todos durante quase todo o jogo) e foi depois escondido.
 
Mas isto são as contingências. O que se passa no Benfica é que, infelizmente, não é acidental. Se tudo se mantiver na mesma, o que quer dizer com os mesmos, na próxima época cá estaremos para ainda pior que o mesmo. Insistir na incapacidade de Jorge Jesus, um treinador de outro tempo, esgotado e ultrapassado, mas sempre arrogante, e na incompetência - para não dizer mais - de Vieira, Rui Costa e restante corte, é acreditar que os mesmos erros,  nas mesmas circunstâncias, não produzem os mesmos resultados. 
 
Mas talvez ainda haja muita gente que não acredita nas leis da física…
 
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Campeãs - mas mais apetecia dizer "campeonas"!

Benfica bate Sporting e sagra-se campeão de futebol feminino - Futebol  Feminino - SAPO Desporto

 

A equipa feminina de futebol do Benfica sagrou-se ontem campeã nacional, ao vencer categoricamente em Alvalade a do Sporting, por 3-0, na última jornada do campeonato, no terceiro ano da sua existência. No primeiro passeara pela segunda divisão, e conquistara a Taça de Portugal, no segundo liderava a competição com a do Sporting quando foi interrompida por razões da pandemia e, no terceiro, para já, ganhou a Taça da Liga e o campeonato.
 
Foi um bom espectáculo de futebol, bem disputado e, boa parte dele, bem jogado. Com algumas curiosidades, em especial quando - inevitavelmente - comparado com o futebol masculino. A pedra angular do futebol é o passe e a recepção. O resto é a criatividade individual e a intensidade. E na realidade apenas no capítulo da recepção, pelo que se viu neste jogo, o futebol apresentado pelas meninas ficou alguma coisa a dever ao masculino.
 
O primeiro golo surgiu bem cedo, aos 5 ou 6 minutos, numa grande jogada da Cloé Lacasse (a melhor em campo) concluída exemplarmente pela Nycole. E foi determinante, já que, com mais dois pontos, e em vantagem num jogo em que o empate lhe servia, ao Benfica passou a bastar controlar o jogo. Ao invés, obrigou o Sporting a desgastar-se na procura dos golos a que nunca chegaria. Nem a grandes oportunidades para isso.
 
As melhores oportunidades acabaram por pertencer ao Benfica, em especial nos últimos vinte minutos do jogo. O segundo golo surgiu aos 83 minutos, pela fantástica Cloé Lacasse. E o terceiro 4 minutos depois, num penalti convertido com classe pela miúda prodígio Kika Nazareth, de 18 anos. 
 
No que toca a futebol jogado as curiosidades têm a ver com a posição adiantada das guarda-redes, em especial Letícia, a do Benfica, que chega a jogar bem próxima da linha do meio campo, sendo parte decisiva da construção do futebol ofensivo da equipa. E com as raríssimas situações de fora de jogo. No resto, uma arbitragem sem controvérsias, e … sem VAR. O que nos dias de hoje dá saudades. 
 
Claro que também lá estiveram coisas de homens. Mau perder e gesto feios, que julgávamos ser exclusivo masculino. Mas perder é perder, no masculino ou no feminino. E custa sempre a quem anda lá dentro. Como foi o caso da Ana Capeta, a jogadora do Sporting que foi expulsa nos últimos minutos, quando perdia por 2-0, e saiu de pirete em riste para o banco do Benfica, acto de imediato reprovado pela sua treinadora. Mas já não foi o de Frederico Varandas que, ainda por cima em ano de tantas vitórias, não deveria ter mandado o fair-play às ortigas.
 
Podia aproveitar esta conjuntura vitoriosa para ser grande na derrota? Poder, podia, mas não era a mesma coisa… E Varandas tem dificuldade em ser outra coisa. O que é pena, porque nunca foi tão fácil fazer a diferença no quadro do dirigismo dos clubes portugueses.
 
 

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Já deu para perceber que para Sócrates, nesta campanha, vale tudo. Já se tinha percebido que para ele vale mesmo tudo, que é dos que não olham a meios para atingir os seus fins. Se isso não fizer parte do seu ADN faz pelo menos parte da sua história pessoal. Não é preciso recordar nenhuma das múltiplas trapalhadas que lhe ensombram o currículo para perceber isso!

Não tenho grandes dúvidas que nestas duas últimas semanas de campanha, e com o desespero a subir em flecha, surgirão mais, e provavelmente mais deprimentes, demonstrações de que Sócrates não conhece os limites da decência quando em causa está a preservação do poder. Transformou-se num alucinado pelo poder que perdeu por completo qualquer sentido de decência!

Percebeu-se isso claramente quando, no debate com Passos Coelho da passada sexta-feira, recorreu à leitura de passagens de um Relatório do Conselho de Administração integrante do Relatório e Contas de uma empresa onde, pelos vistos, o agora candidato do PSD exercia funções de administração.

Esse relatório, peça do modelo de prestação e apresentação de contas das sociedades anónimas, sendo um documento público não é mais do que isso: um documento de apresentação de contas de uma empresa privada! É um relatório institucional que segue um modelo e uma estrutura convencional, onde um dos capítulos se dedica precisamente à caracterização do meio institucional e macroeconómico, aquilo que constitui o contexto em que a empresa desenvolveu a actividade cujas contas estão em apresentação.

É um documento do foro empresarial subscrito por um colectivo, um órgão colegial de gestão de uma empresa. Não é um texto de opinião! Nem é um manifesto!

Percebendo isto, toda a gente percebe que não se encontra qualquer explicação, que não o desespero de Sócrates, para ir procurar a um documento destes aquilo que pretendia transformar numa defesa da sua tese de responsabilização da crise internacional, para a sua própria desresponsabilização. Não é sério, não é decente, nem é aceitável!

Não deve nem pode valer tudo, e eu acho muito estranho que nenhuma comunicação social se preocupe com isto. Não é aceitável que os media não tenham feito eco da ilegitimidade e da indecência da utilização daquele truque!

Mas Sócrates não perdeu tempo e voltou rapidamente a mais demonstrações de que, para ele, vale mesmo tudo. O fim-de-semana foi em cheio. Já não bastava o que tinha feito com as Novas Oportunidades, com o arregimentar de centenas de pessoas para utilizar como figurantes em comícios da especialidade. Agora, não sei se por descuido, se por total cegueira – o desespero cega – não houve pejo em encher ontem a Praça do Giraldo, em Évora, ou hoje a Praça da Câmara Municipal em Castelo Branco, com indianos, africanos e chineses – em boa parte vestidos a rigor com os seus trajes naturais, para que não subsistissem dúvidas – que nem português falavam.

Com tão flagrante exotismo era impossível que a Comunicação Social não desse nota desta tão desavergonhada quão deprimente prova de que para Sócrates vale tudo. Esta, ao contrário da anterior, não passou em claro. Todos tivemos oportunidade de ver até onde Sócrates consegue ir. E, quem não sabia ficou a saber, que Sócrates acha mesmo que somos todos burros…

Não lhe basta deixar um país de pobres e desempregados de mãos estendidas à esmola e à caridade do mundo. Não, como se tudo isso não chegasse, ele acha ainda que nos transformou num país de burros. Tão burros que, acredita, não somos capazes de perceber que não vale tudo!

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Arranca hoje oficialmente a campanha eleitoral!

Até parece que não temos estado em campanha eleitoral – em boa verdade em Portugal está-se permanentemente em campanha eleitoral – com debates televisivos e tudo. Fiz um esforço para entender o que é que muda com a abertura oficial e, depois de passar em revista debates, comícios, arruadas, piqueniques, mercados e feiras, encontrei na campanha oficial  uma única coisa nova: os tempos de antena! Essa coisa a que ninguém liga, que ninguém ouve nem vê, que vive como parasita da campanha oficial, que não serve para nada mas que custa uma pipa de massa!

Ora aí está o único valor acrescentado da campanha eleitoral oficial: uma coisa que não serve para nada mas custa dinheiro, e muito!

Estava eu, empurrado por aquele meu esforço para perceber estas coisas, mergulhado na desilusão deste resultado quando, de repente, descobri que, afinal, algo de novo nascia com a campanha oficial: os outdoors do PS!

Isso mesmo, os outdoors que o PS tinha prometido não usar nesta campanha e que representam uma das maiores fatias deestes orçamentos! Isto sim, isto é que é campanha eleitoral a sério! Se toda a gente diz que as campanhas eleitorais servem para prometer o que se não vai fazer, o PS mostra que não, que também servem precisamente para o inverso: fazer o que prometeu não fazer!

Estava todo este meu processo reflexivo a correr tão bem quando, de repente, alguém vem estragar tudo. Tinha de ser!

Então não é que o Vieira da Silva – o senhor campanha do PS – vem logo dizer que “o PS comprometeu-se – e vai cumprir – no sentido de fazer uma campanha com redução substancial de custos”. Já não bastava o “comprometeu-se e vai cumprir” – coisa verdadeiramente maldita em campanha eleitoral – como ainda a “redução substancial de custos”… Mas, depois, vem a cereja para o topo do bolo. As palavras são ainda de Vieira da Silva: “… faz toda a diferença encher o país de outdoors ou colocar um outdoor por círculo eleitoral”…

Vejam bem: um – um único – outdoor por círculo eleitoral! E valia pena quebrar uma promessa, que era bem mais que uma promessa eleitoral –  essas esquecem-se facilmente porque há 4 anos para as cumprir - era uma promessa de campanha, escrutinável em apenas duas semanas?

Eu acho que não. Que não havia necessidade, tanto mais que os outdoors são para o PS como a boca para o peixe: olhem para aquele, lá em cima, dos 150 mil empregos!

 

Confrangedor, deprimente e doloroso

Expresso | Nem uma hora de audição: comissão de inquérito desligou ligação  a Nuno Vasconcellos “em nome da dignidade”

Afinal a internet não falhou, e Nuno Vascocellos, talvez a principal criação de Ricardo Salgado, passou pela Comissão de Inquérito para arrebatar o oscar do confrangimento, a mais disputada das categorias nesta gala do "bescândalo". 

De tal modo confrangedor que a menos confrangedora das suas afirmações foi "eu não devo nada ao Novo Banco, quem deve é a Ongoing". O resto foi tudo daí para cima, a gozar com todos nós e com os deputados, protegido pela distância, pelas câmaras e pela impunidade. A deputada Mariana Mortágua, a primeira a lançar a interpelação, recusou-se a dar palco à palhaçada e o deputado Fernando Negrão, presidente da comissão, acabou com o "espectáculo".

É até doloroso lembrar que achamos que Luís Filipe Vieira e Botelho Moniz tinham sido insuperavelmente deprimentes... 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Era o que faltava: o golo ter cara!

Mas tem! O futebolês encarregou-se disso!

Tem cara, mas mais, tem vergonha na cara. É de resto por isso que aparece pouco, que é reservado e se dá pouco a ver. Daí que seja comum dizer-se que os golos estão pela hora da morte, o que faz com que, pela hora da morte, estejam também os seus progenitores: isso, os fazedores de golos! Os tais que são – eles próprios – não a cara do golo mas o rosto do golo. Sim rosto do golo, para não se confundir com a cara do golo!

O mais bonito desses rostos é, sem dúvida, esse colombiano com nome de brasileiro – Falcão - que a Divina Providência (na verdade foi apenas o Papa) se encarregou de desviar da Luz para o Dragão. Como, de resto, já acontecera com outro anterior belo rosto do golo: Jardel!

Por incrível que pareça essa foi uma perda altamente traumática. Tanto que não mais na Luz se esqueceu Jardel, não mais sendo dado descanso a quem respondesse por tão mítico nome. Foi um irmão, foi o próprio original já fora do prazo de validade e, agora, este que a Divina Providência (na verdade e desta feita, foi apenas Jesus) achou que seria o substituto do David Luiz.

Já percebemos que em futebolês cara do golo não é sinónimo de rosto do golo. São coisas bem distintas!

Mas se já percebemos o que é o rosto do golo – até já arranjamos dois, dando nome aos dois maiores rostos do golo que por cá passaram nos últimos quinze anos – o que é então a cara do golo?

Pois é, a cara do golo não existe! É apenas uma condição, uma condição circunstancial: não se é a cara do golo, está-se na cara do golo! Não se pergunta o que é a cara do golo mas sim quando é que se está na cara do golo.

E, agora sim, posso dar a resposta: estar na cara do jogo é estar em frente à baliza adversária (a baliza não é adversária, quando muito será adversa - é do adversário - mas o futebolês tem destas coisas e, evidentemente, aqui temos de segui-las), com a bola à disposição e apenas guarda-redes pela frente. É estar naquela situação em que  tudo parece fácil, por mais que se diga que é sempre o mais difícil: é só empurrá-la lá para dentro! É estar como estava o Mossoró na última quarta-feira, logo a abrir a segunda parte daquela grande epopeia lusa: sozinho, sem mais ninguém à volta, a bola ali à mão (no caso ao pé), o Helton à frente e as redes logo ali, à espera do beijo que a bola lhe prometia. E a taça da Liga Europa ali mesmo á frente…

Agora é claro: estar na cara do golo nem sempre quer dizer golo. Como o inverso também é claro: para marcar golo não é condição necessária estar na cara do golo. É a diferença do futebol para os toiros: enquanto na pega é obrigatório enfrentar a cara do toiro, no futebol pode chegar-se ao golo sem lhe ver cara. Foi o que, mais uma vez, aconteceu na tal final portuguesa de Dublin: o Porto não esteve, ao contrário do Braga, uma única vez na cara do golo. Mas tinha Falcão, o verdadeiro rosto do golo, que, para marcar, não precisa nada de estar na cara do golo. Pura e simplesmente aparece por lá, no sítio certo, pelo chão ou pelo ar, mais alto e mais forte que todos e faz o que os outros, na cara do golo, não conseguem fazer.

E por isso o Porto ganhou! Mas também por isso é bem provável que Falcão vá procurar novas caras para os seus golos noutras paragens. Em clubes de maior dimensão, como aspira o seu colega Rolando que, não sendo o rosto do golo, é a cara da impunidade dentro da área.

 

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