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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Foi bom. Foi heroico. O resto, é o resto ...

Benfica empata com PSV e está na fase de grupos da Champions. Encarnados jogaram uma hora com menos um

Não foi bonito, mas foi heroico. E o Benfica está, agora sim, na Champions!

Foi um jogo de grande sofrimento, este de Eindhoven. De grande concentração e enorme sofrimento dos jogadores do Benfica, autênticos heróis. Bem sei que haverá quem atribua o mérito maior ao mestre da táctica, mas é aos jogadores que cabe. A Vlachodimos, que o treinador - apenas porque é mesmo assim, teimoso, sem noções de liderança nem de gestão de recursos humanos - continua a desvalorizar (lamentável que, depois das declarações do treinador a propósito do seu guarda-redes, o Benfica tenha retirado do Twitter enaltecimento inicial a Vlachodimos), e a todos os restantes 15 que estiveram em campo, incluindo Lucas Veríssimo que imprudentemente deixou a equipa a jogar com 10, durante mais de uma hora.

A expulsão do central brasileiro, à meia hora de jogo, foi naturalmente decisiva naquilo que foi o jogo a partir daí. Até então o jogo, longe de estar a ser bem jogado, estava equilibrado, com uma oportunidade de golo para cada lado, ambas - curiosamente - seguidas (primeiro a do Benfica, por Rafa) e em cima dessa primeira meia hora. 

Há equipas, e muitas, que conseguem jogar à bola e discutir o jogo em inferioridade numérica. Por exemplo, ainda no passado domingo se viu a Fiorentina, no Olímpico de Roma, fazer isso e superiorizar-se à equipa de Mourinho. Que até só conseguiu inverter essa tendência do jogo quando ficou também reduzida a 10 jogadores. Mas no Benfica, e de uma forma geral no futebol português, não acontece assim, como temos visto. 

E o Benfica passou a ter pela frente mais de uma hora de jogo em que mais não faria que resistir. Resistir lá atrás, a tapar todos os caminhos para a sua baliza. Era tempo de mais, e temia-se - e temeu-se sempre - que, de tantas vezes "o cântaro ir à fonte, alguma vez haveria de lá deixar a asa".

No demérito da estratégia unicamente de resistência de Jorge Jesus, o seu único mérito - as substituições. Primeiro as não substituições e, depois, as propriamente ditas. Surpreendentemente - até porque Vertonghen e André Almeida saltaram de imediato para aquecimento - o treinador manteve os mesmos 10 jogadores em campo. Fez bem, acertou, porque o esforço que iria ser pedido aos jogadores seria muito, e todos, sem desperdício, teriam que dar o seu máximo em favor da sua estratégia. Talvez tenha estado aí a base do sucesso!

Depois, quando já muitos jogadores não podiam dar mais, e os que teriam de entrar teriam ainda tempo para se esgotar, fê-las então. Primeiro aqueles dois que haviam começado a aquecer meia hora antes, para os lugares de Gilberto e Taarabt (opção estranha para o onze inicial) e, depois, Gonçalo Ramos (para o lugar do ineficaz Yaremchuc), e Meité e Everton para os dos esgotados Rafa (altamente sacrificado) e João Mário.

E assim Jorge Jesus levou a sua água ao seu moínho. Com enorme sacrifício dos jogadores e a sorte naquele remate de Zahavi que foi parar à barra, quando todos víamos a bola a caminho da rede. Mas, acima de tudo, porque a equipa, e o futebol, do PSV não teve nada a ver com o que fizera, e apresentara, na Luz, na última quarta-feira. 

Foi bom, muito bom. Mas não foi bonito. Bonito, mesmo, só a solidariedade dos jogadores em campo. E a festa que fizeram no relvado quando o árbitro esloveno apitou pela última vez. Não muito diferente, certamente, da que fizeram os benfiquistas por todos os cantos do mundo.

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Com a melhor exibição deste início de época o Benfica chega, finalmente, à Champions. Pelo caminho, desta vez, ficaram os holandeses do Twente que, depois de lisonjeiro empate a dois golos na Holanda, perdeu hoje na Luz por 3-1.

Com uma exibição empolgante, o Benfica não só justificou a presença entre os grandes da Europa como confirmou ser o dono do melhor futebol que, nesta altura da época, se pratica em Portugal!  

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

A selecção nacional de sub 20 conquistou um brilhante segundo lugar no campeonato do mundo, na Colômbia, quebrando, assim, um longo jejum de êxitos desportivos das nossas selecções de futebol, e em particular das mais jovens, escalões onde especialmente ao longo da década de 90 - o primeiro título mundial tinha surgido em 1989, em Riade - nos habituamos ao sucesso.

O sucesso da prestação da equipa portuguesa na Colômbia, inquestionável e que, de repente, pôs toda a gente a olhar para esta selecção - muitos nem sabiam que existia – voltando a unir os portugueses à volta do seu futebol, levanta a velha questão dos objectivos das selecções jovens. Tão simplesmente isto: deverão as selecções jovens, ditas de formação, estruturar-se para ganhar títulos ou, pelo contrário, deverão antes estruturar-se e vocacionar-se para assegurar o futuro competitivo da selecção principal, esta sim, ganhadora e porta-estandarte da verdadeira competitividade na mais globalizada das indústrias que é o futebol?  

Este é uma questão antiga. Mas também curiosa: é que só vem à tona quando uma qualquer selecção de jovens atinge o sucesso desportivo. Quando estas selecções não ganham nada – nem se percebe que estejam a construir coisa alguma – não há qualquer questão. Ninguém se lembra que nada está a ser feito em prole do desenvolvimento e do futuro do futebol português. É verdade, é assim. Porque nós somos mesmo assim: se não temos nada, está tudo bem; mas se temos alguma coisa decidimos minimizá-la para enfatizar o que não temos!

E no entanto a questão existe, é séria e deve colocar-se: o que mais importa? Vencer campeonatos da Europa e do Mundo de sub 17, sub 19 ou sub 20 ou preparar o futuro? O que não me parece bem é que apenas seja lembrada quando ganhamos alguma coisa…

Excepção feita ao Brasil e à Argentina – que, por razões demográficas, sociológicas, de desenvolvimento e até de natureza - têm um campo de recrutamento praticamente inesgotável, as grandes potências do futebol mundial não eram as mais bem sucedidas nas competições do futebol jovem. E isto pareceria apontar num sentido claro: as grandes potências encaram a competição no futebol jovem como mero espaço de crescimento. De formação e maturação de futuros craques!

Ora, parece-me que o que se passa em Espanha vem esclarecer muitas destas coisas. Não há dúvidas, pelo menos da minha parte, que nuestros hermanos detêm, de há década e meia a esta parte, a melhor escola de formação do mundo. Neste período obteve assinalável sucesso competitivo nos escalões mais baixos e foi, por uma única vez – Nigéria, 1999 – campeão mundial de sub 20, onde não conta com mais qualquer presença na final. Mas foi essa selecção que se fez campeã da Europa em 2008 e do Mundo em 2010. E que vem encantando o planeta com um futebol do outro mundo, que deixa argentinos e brasileiros rojos de vergonha! Uma selecção que já vem muito de trás e sempre ganhando!

Quem seguiu com alguma atenção este campeonato realizado na Colômbia pôde perceber que a selecção espanhola foi a que melhor futebol apresentou, igualzinho ao da selecção A - campeã europeia e mundial, repito – e que só não ganhou por circunstâncias próprias do jogo, onde nem sempre ganha a melhor equipa. Ficaram pelos quartos de final, eliminados pelo Brasil - depois de um jogo fabuloso que dominaram por completo - através dos pontapés da marca de grande penalidade, mas pôde perceber que ali, naquela equipa e naquele campeonato do mundo, se estava a tratar do futuro do futebol espanhol! E concluir que esse futuro está assegurado.

Pois bem: a selecção portuguesa foi brilhante – não retiro uma vírgula ao que aqui deixei logo depois da final perdida – mas percebeu-se que tocava a solo. Onde havia coisas que não batiam certo. Que nada daquilo tinha a ver com uma ideia para o futebol nacional, que era mesmo, como então salientei, a antítese daquilo que o caracteriza, virado exclusivamente para o resultado naquela competição.

Não direi que esta nossa selecção, agora recebida em apoteose, tenha morrido em Bagotá, logo que o árbitro deu o apito final – como poderiam sugerir os últimos minutos daquele dramático prolongamento – mas ninguém consegue ver ali o futuro que se vê aqui ao lado.

A FPF, que há muito se desligou da formação e que vive à grande à custa do tempo em que a fez, terá de perceber que há estratégia e acaso. Enquanto há dinheiro…

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Este, já era… Mesmo com todas as hesitações, mesmo deixando o povo líbio entregue a si próprio!

42 anos de tirania, perseguindo, torturando e matando, dentro e fora de fronteiras, têm que ir a julgamento! Isto não pode ficar tudo bem embrulhado num exílio dourado à beira do Mediterrâneo!

E lembrarmo-nos que ainda há tão pouco tempo ele esteve por aqui, acampado com as suas excentricidades e os seu delírios. Com todas as honras! E que, ainda há menos de um ano, era o nosso governo que lá estava, de mão estendida

É apenas menos um louco que anda por aí!

No desperdício os dois da praxe

A deslocação a Barcelos para defrontar o Gil Vicente, também ainda com o pleno de vitórias no campeonato e orientado por um treinador habitualmente complicado para o Benfica, cujo treinador aponta como seu discípulo, comportava alguns riscos e apontava para algumas dificuldades, mais a mais caindo no meio da decisiva eliminatória com o PSV.

O Benfica apresentou-se com seis alterações relativamente ao jogo da primeira mão com os holandeses, com a entrada de Gilberto, Taarabt, Meité, Gil Dias, Everton e Gonçalo Ramos para os lugares de Diogo Gonçalves, João Mário, Weigl, Grimaldo, Pizzi e Rafa, e os primeiros minutos, com os jogadores do Gil Vicente subidos e muito pressionantes, pareciam confirmar as esperadas dificuldades. Cedo, logo a partir dos primeiros sete ou oito minutos, se percebeu que, no entanto, as dificuldades do jogo não viriam tanto nem da estratégia e da argúcia do treinador gilista, nem da qualidade dos seus jogadores. Vinham da falta de velocidade no jogo benfiquista, de algumas deficiências no passe e na recepção de alguns dos seus jogadores - particularmente Taarabt, Gil Dias (como é que o Benfica foi buscar este jogador para lateral esquerdo ao Famalicão quando lá estava Rúben Vinagre, e até escolheu primeiro?) e Gilberto - e da falta de eficácia no aproveitamento das ocasiões de golo que iam surgindo.

Mesmo sem jogar bem, na primeira parte o Benfica dispôs de quatro oportunidades claras para marcar, uma série que se iniciou logo aos 8 minutos com o remate de Taarabt ao poste, e acabou no desperdício Yaremchuk, isolado por um grande passe de calcanhar de Everton, o melhor da primeira parte. E teve ainda um golo anulado por fora de jogo de Gilberto. Teria outro, aos 10 minutos da segunda parte, desta vez a Yaremchuk, tornando-se já no líder dos golos anulados. E das bolas nos ferros!

A segunda parte arrancou com mais uma oportunidade de golo, numa grande jogada individual do Gonçalo Ramos, a que se seguiu a única dificuldade que o Gil Vicente colocou a Vlachodimos em todo o jogo, ao travar com os pés um remate de um adversário isolado. E foi toda ela de sentido único, o da baliza de Kritciuk, que ia defendendo tudo o que havia para defender.

Atravessava o Benfica a sua fase de domínio mais intenso, com o adversário encostado à sua baliza, sem de lá conseguir sair, quando Jorge Jesus, ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora,  fez as primeiras substituições - três, João Mário, Pizzi e André Almeida entraram para os lugares de Taarabt, Yaremchuk e Gilberto. Fizeram sentido, só não faziam sentido nenhum porque iam interromper o melhor período do Benfica, o sufoco do adversário que ainda não tinha conseguido. 

Mas a verdade é que João Mário e Pizzi melhoraram a dinâmica de jogo da equipa, e as oportunidades de golo continuaram a surgir, e a ser desperdiçadas. A pouco mais de um quarto de hora do fim o treinador do Benfica esgotou as substituições, trocando o equívoco Gil Dias por Grimaldo, e o entretanto desaparecido Everton pelo regressado Darwin, três meses depois. O golo tardava, ao contrário dos minutos finais, que pareciam cheios de pressa, ao contrário dos jogadores da equipa de Barcelos.

Acabaram por chegar os dois da praxe (sempre dois golos em todos os seis jogos da época), separados por quatro minutos. E que golos. O primeiro, aos 84 minutos, em que Lucas Veríssimo intercepta (sim, isso mesmo!) um remate de Pizzi deixando desde logo Kritciuk, que defendia tudo, irremediavelmente batido. Para, depois, lhe colocar a bola no lado contrário. Inteligência notável, do único jogador das últimas contratações que se tem valorizado (veja-se o que se anuncia de Valdchmidt e Carlos Vinícius, a saírem por valores bem abaixo do seu custo). E o segundo, o do alívio final, em mais uma obra prima de Grimaldo. Que grande golo!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Não há vitórias morais. A jovem selecção portuguesa acaba derrotada pela do Brasil por 3-2. Mas também não se deverá dizer, desta vez, que o segundo lugar é o primeiro dos últimos.

 Nem uma arbitragem que chegou a ter momentos deploráveis, designadamente ao distribuir injustificadamente amarelos pelos portugueses enquanto permitia todo o tipo de entradas violentas aos brasileiros, que condicionaram claramente o jogo, e de que a lesão de Cedric é apenas um exemplo, nem o facto de perdermos com um golo resultante de um cruzamento falhado, já na parte final do prolongamento, aliviam o amargo desta derrota.

Mas esta selecção merece que não lhe poupemos nos aplausos.

É uma selecção nacional atípica. Como vi escrito algures “há coisas que não batem certo nesta selecção”!

De facto assim é. A começar pelo seleccionador que, trabalhando jovens, não é um treinador jovem. Como os que estão na moda e como os que tradicionalmente trabalham as selecções jovens: treinadores em início de carreira e/ou acomodados na estrutura federativa. Se não me engano, desde Peres Bandeira, no longínquo ano de 1979 e no longínquo Japão, que nesta selecção de sub 20 se não via um treinador, não direi veterano, mas sénior. E que também não é um treinador mediático, daqueles que gostam das grandes exibições nas conferências de imprensa e de grandes parangonas nos jornais. Pelo contrário, é um treinador de low profile, com toda a carreira feita nos escalões de formação, no caso ao serviço do Porto, e com grande competência.

Competência que se começa logo a notar no próprio estilo de jogo que a equipa apresentou neste campeonato do mundo. E aqui está mais uma coisa que não bate certo: o estilo de jogo desta equipa não tem nada a ver com o estilo português. Não é um futebol rendilhado e curto, sustentado por extremos rápidos e habilidosos. Mas é um futebol rápido e vertical, muitas vezes de passes longos. Que usa para estender o jogo e o campo e que são mesmo passes e não pontapés para a frente, nada do kick and rush britânico. Passes difíceis de executar que nada têm a ver com aquele passe curtinho, sem risco, que tanto vemos no tradicional futebol português.

Também não tem um 10, o jogador que joga de cabeça levantada e pensador do jogo. Não, tem jogadores humildes e operários que tapam espaços mas que também os sabem ocupar. E, the last not the least, tem um ponta de lança corpulento – Nelson Oliveira, de 1,86 metros e 83 quilos – mas muito rápido e que sabe jogar à bola. E a sério, de alto nível técnico!

Não será uma geração de ouro mas, como lhe chama o seu timoneiro – Ilídio Vale – a geração de coragem. Uma equipa solidária, com grande força mental e adulta, coisas que, como se sabe, são raras no nosso futebol!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

 

Cantera é uma incursão do futebolês pela língua de Cervantes. Em português corresponderá a centro de formação: de jogadores de futebol, no caso. Ou, em futebolês português, a escolas de formação, agora pomposamente chamadas de academias, designação de que o Sporting se apropriou, como que reclamando a primazia da sua escola no panorama da formação de jogadores de futebol em Portugal. Ou fazendo igualmente jus ao pioneirismo das suas infra-estruturas desportivas, a que chamou justamente Academia de Alcochete.

É provavelmente por toda esta amálgama de conceitos e de sensibilidades que o futebolês acabou por privilegiar a expressão castelhana. É que cantera é muito mais que tudo isso, é uma maternidade de talentos para a prática do futebol. É um forno donde sucessivamente saem fornadas, umas atrás das outras, de jogadores talentosos, identificados com uma determinada cultura e com certa filosofia de jogo.

Era isto que nós gostaríamos que fossem as nossas escolas - chamem-lhes academias, campus ou lá o que quiserem – mas não são. E é porque o não são que também o futebolês preferiu consagrar a cantera.

Antigamente, antes destas expressões surgirem, referíamo-nos aos jogadores formados no clube de uma forma muito simples, que vi recordada um destes dias por um dos nossos habituais leitores, o Adérito Martins: eram os que vinham dos juniores!

Se existem escolas de formação de jogadores um pouco por todo o mundo – de que o Sporting, em Portugal, e o Auxerre, em França, são dois bons exemplos – a verdade é que, canteras a sério, encontramos em Amsterdão, no Ajax, apesar de aparentar já um certo declínio, e em Barcelona, aí sim, em todo o seu esplendor. Basta olhar para a constituição da equipa que vem encantando o mundo de há quatro anos a esta parte, e reparar que lá estão sempre nove ou dez jogadores formados na suas escolas, com a sua cultura e a sua filosofia. Uma cultura e uma filosofia que transportam Messi para patamares extraterrestres, que não confirma ao serviço da seleção argentina, e que alimentam a fantasia da eterna comparação com Cristiano Ronaldo.

Em Portugal abandonou-se a formação, com os clubes a preferirem ir procurar jogadores – uns já formados, outros nem por isso, por esse mundo fora. Agora até já o Sporting! Até as equipas de juniores estão já cheias de jogadores estrangeiros. Daí a enorme bofetada de luva branca que a seleção nacional de sub 20, que discute hoje com o Brasil o título de campeã mundial. Vença ou não esta final já provou aos principais clubes nacionais que estão errados quando todos os anos lhes tapam o acesso às suas equipas! Provavelmente ninguém aprenderá nada com esta brilhante demonstração de capacidade destes jovens e tudo ficará na mesma!

Como na mesma parece estar o campeonato nacional que agora arrancou. Com o Benfica e o Sporting a falharem o arranque – desta feita com o Sporting a ser a vítima da arbitragem – e o Porto, tal como no ano passado, a ganhar com um penalti daqueles que só são assinalados a seu favor. Dizem as estatísticas que, nesta primeira jornada, foram cobrados 96 pontapés de canto e, apenas num único, o defesa agarrou o avançado! E, para que tudo continue na mesma, o Rolando mantém-se como o único defesa com autorização para jogar a bola com a mão na sua grande área!

Para que nem tudo fique na mesma Falcao deixou o Porto, depois de ter renovado o contrato e subido a cláusula de rescisão para 45 milhões de euros. Como de lá ninguém sai sem que seja batido o valor da dita cláusula, lá foi ele para o Atlético de Madrid precisamente por esse valor: o Ruben Micael acompanhou-o como dama de honor, acreditem!

Mas esses já não são milhões da treta! Ou serão? É que o Atlético de Madrid, como ainda há dias dizia Pinto da Costa, não tinha dinheiro para comprar o Falcao e os outros, os que tinham, se o quisessem já se teriam manifestado… Afinal o homem não é infalível! E há mesmo milhões da treta…

Paradoxo

Benfica vence PSV pela margem mínima e está em vantagem no playoff da  Champions - Liga dos Campeões - SAPO Desporto

Tinha terminado o texto sobre o jogo da segunda mão na pré-eliminatória com o Spartak com a nota que o entusiasmo criado na primeira mão teria que aguardar por este jogo com o PSV, esse sim, a entusiasmar.

O jogo desta noite, na Luz, deu a resposta. E essa é clara, este Benfica está longe de entusiasmar e, pelo contrário, mais perto de repetir as desilusões das últimas épocas. O melhor que deixou foi o resultado - ganhar é ganhar. Mesmo que esta pareça ser uma vitória insuficiente para garantir a desejada presença na fase de grupos da Champions, o maior objectivo desta fase da época, e evidentemente decisivo para o futuro próximo da equipa, e até do clube.

O resultado foi, pois, feliz. A exibição, longe disso!

O PSV foi sempre – ou quase sempre – melhor. Teve mais bola, e jogou mais. E comecemos pela posse de bola da equipa holandesa, porque é esse o dado fundamental para a avaliação deste Benfica. Este foi o único jogo fora, neste trajecto de apuramento para a Champions, em que os holandeses tiveram mais bola que o adversário. Não o tinham conseguido na segunda pré-eliminatória, com o Galatasaray, nem na terceira com os adversários dinamarqueses. E, no entanto, é, para o treinador do Benfica, uma equipa fortíssima em posse.

E por isso decidiu, por estratégia, dar-lhe a bola. Foi o pecado, só por acaso e por contingência de jogo, não mortal. Mas foi o pecado capital!

Jorge Jesus decidiu dar a bola e a iniciativa ao adversário, mas montou uma equipa com jogadores para a terem. O jogo acabou por ser marcado por este paradoxo.

É certo que ganhou o jogo, e chegou ao intervalo com um resultado que até apontava para garantir a eliminatória. Mas, falso como Judas e absolutamente enganador, aquele 2-0 ao intervalo não revelava qualquer superioridade em qualquer outro capítulo de jogo que não o da eficácia. Se o primeiro golo, por Rafa, logo aos 10 minutos, ainda poderia significar alguma coisa, o segundo já foi simplesmente fortuito.

Na segunda parte a superioridade do PSV seria ainda mais flagrante, muito por força da aparente quebra física da equipa do Benfica, evidente desde muito cedo. Foi quebra física, mas foi muito mais que isso, e teve tudo a ver com o paradoxo da estratégia do treinador do Benfica.

Obrigar jogadores talhados para jogar com bola – e eram quase todos – a correr atrás dela, é desgastá-los física e mentalmente e é, por fim, desmotivá-los. Deixá-los fora do jogo, ou dele desinteressados. Se alguém perguntar, por exemplo, por que é que João Mário fez, de longe, o pior jogo desde que chegou ao Benfica, está aqui a resposta.

Está aqui, nesta estratégia, a explicação para a superioridade do PSV. Não é na qualidade individual dos jogadores. Pelo que conhecemos da qualidade dos nossos jogadores, e pelo que vimos do desempenho individual dos jogadores da equipa holandesa, à excepção do alemão Mario Goetz, os jogadores do Benfica não saem individualmente a perder. Pelo contrário e, no entanto, como equipa foram claramente inferiores.

Já no que toca a treinador …. É isso, mas isso há muito que está provado. E nem é preciso falarmos em ambiente Champions, basta o doméstico para vermos como tantos, com tão menos, fazem tanto mais!

 

 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Acabamos de conhecer a segunda medida da ministra da agricultura, ambiente e afins. Menos mediática que a primeira – a das gravatas, se ainda se lembram – mas mais surpreendente: a extinção da Parque Expo, a sociedade criada para “construir, explorar e desmantelar a Expo 98”!

A Expo 98 foi desmantelada há 13 anos! Surpreendente, não?

O que é que terá andado a fazer neste 13 anos? Ninguém sabe exactamente! Sabe-se que se andou a endividar e sabe-se que os encargos financeiros com esse endividamento eram a alavanca que sustentava a espiral do mesmo endividamento. Confuso? Não, apenas o costume!

Ah! E sabe-se que o anterior ministro das finanças, o inesquecível Teixeira dos Santos, a distinguiu, há apenas um ano, com nota máxima no relatório “Princípios de Bom Governo”. Premiava então o ministério das finanças, segundo o Público, o rigor da gestão e as melhores práticas do sector empresarial do estado “ao nível da transparência nas respectivas actividades e disponibilização de informações aos accionistas, agentes económicos e público em geral”. Ao mesmo tempo aumentava-lhe o capital social! Sim, a uma sociedade que há muito havia esgotado o seu objecto social!

Ao menos que, agora, as exéquias sejam rápidas. E contidas!

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