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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Absolutamente

Resultados eleitorais das Legislativas 2022. Da maioria absoluta do PS ao  desaparecimento do CDS - Renascença

A surpreendente - absolutamente inesperada - maioria absoluta do PS nas eleições de ontem prova como as narrativas, em política como em muitos outros aspectos da vida, podem ganhar vida própria, com a criatura a sobrepor-se ao criador.

A estratégica de António Costa resultou em pleno. Nem tudo correu como era suposto, mas também não fugiu muito disso. Apenas pareceu que fugira, em determinados momentos. Especialmente quando o PSD reagiu a antecipar os seu calendário interno, e Rui Rio pareceu ganhar um novo fôlego e sugerir uma dinâmica de vitória. 

A maioria social de esquerda é estrutural na sociedade portuguesa. Não é fácil de alterar. Por isso Costa sabia que só tinha de ir "roubar votos" à sua esquerda, para o que lhe bastaria explorar a narrativa criada sobre o chumbo do orçamento, contando com toda a máquina do main stream. 

Este era guião, o resto teria de ser ajustado no percurso. Aí começou por fazer de "maioria absoluta" expressão proíbida, para depois a tornar palavra chave. Pareceu não correr bem, e introduziu o diálogo. Com todos, excepto com aquele que era óbvio. Tanto ziguezague poderia correr mal, mas a chegada do empate técnico às sondagens resolveu o problema. 

Diz-se que as sondagens falham. Não é verdade. As sondagens são a fotografia de cada momento. E no momento de depositar o seu voto muitos eleitores de esquerda, perante o espectro do empate técnico que, ou abria perspectivas da reedição da fórmula parlamentar da geringonça, inviável por tanta diabolização, ou abria um horizonte à direita, evidentemente com o Chega como protagonista, entenderam votar pelo seguro - o voto útil no PS. Que arrecadou mais 380 mil votos, 350 mil dos quais perdidos pela CDU e pelo Bloco. O PAN perdeu ainda 85 mil votos, bem mais que os 30 mil que compõem os ganhos dos socialistas que sobraram da conquista à esquerda.

A abstenção caiu significativamente, e isso saúda-se. Parece ter sido a direita que mais ganhou com a redução da abstenção, o que também não surpreende. Na realidade nada é mais surpreendente que a maioria absoluta, dada como uma impossibilidade para qualquer partido isolado por todos os analistas, e apenas explicada pela dinâmica do voto útil.

Poderá ser-se levado a admitir que tudo mudou no xadrez político nacional. Não terá sido bem assim, e provavelmente só a morte política do CDS, de resto sobejamente anunciada, e sem exagero, tem contornos decisivos. O Chega, preocupantemente como terceiro partido, é certo, dificilmente deixará de constituir o epifenómeno que efectivamente é. Ao contrário da Iniciativa Liberal que, com os quadros que já tem, e com os que irá buscar às cinzas do CDS, mas também a um PSD que continuará à espera de um Messias, tem tudo para continuar a crescer.

A esquerda do PS tinha o destino destas eleições traçado. Só que foi mais cruel do que o que esperaria. O Bloco foi o grande derrotado destas eleições, mas sabe-se que foi derrotado pelo voto útil. E o voto útil são votos emprestados, são resgatáveis. Mas é preciso fazer por isso, e esse é o desafio que o Bloco tem agora entre mãos. O PC é menos vulnerável ao voto útil, e não terá sequer essa miragem de resgate, pelo que terá de se enquadrar esta derrota no cenário de perda constante de eleitorado. Para já ficou sem o PEV, o partido parasita que nunca teve vida própria. Não virá agora a tê-la, certamente. 

O PAN e o Livre são agora os dois partidos de um deputado só. O PAN perdeu, mais deputados ainda que votos, sem surpresa. O que trouxe de novidade, não conseguiu segurar. Não tem substância para mais. E o Livre .... é Rui Tavares. E esse merece ser deputado!

 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Confesso que nunca acreditei muito naquelas notícias que davam o Benfica como interessado na contratação do Yannik Djaló. Pensava eu: se o rapaz só jogava bem contra o Benfica, ao contratá-lo retirava-lhe a única oportunidade de, pelo menos uma vez, jogar alguma coisa de jeito!

Afinal enganei-me! Enganei-me eu e enganou-se aquela malta do Sporting…Que, agora, quer inventar uma nova guerra com o Benfica, vá lá saber-se porquê! Desconfio que seja para encontrar pretexto para não pagar a factura da despesa do fogo posto nas bancadas da Catedral!

Mas pronto. O Yannik já lá está e o Jorge Jesus garante que irá fazer dele uma estrela mundial. Eu, que bem vi o que ele faz do Fábio Coentrão, sou levado a creditar. Já o estou a ver a partir tudo por aquela ala esquerda, diagonal para o centro, remate potente e colocado e … golo! E, olhando para o camarote, lá vejo a Luciana Abreu e a pequena Lyonce Viiktórya, equipadas a rigor a festejar o mesmo golo que eu…

Vejam bem o que o Benfica faz!

Óleo de fígado de bacalhau

Os portugueses não gostam de maiorias absolutas .... mas com óleo de fígado de bacalhau, engolem-nas.

Os mais novos não saberão o que é o óleo de fígado de bacalhau, era coisa dos meus tempos de meninice. Nunca me calhou, mas sei que era uma coisa intragável que nesses tempos se obrigava os miúdos a meter pela goela abaixo para lhes abrir o apetite. Não sei se abria, mas bastava os miúdos ouvirem falar dele para engolirem a sopa de uma só vez. 

Depois veio o papão. Mas não tinha o mesmo efeito, os miúdos começaram a perceber que não vinha papão nenhum se não comessem a sopa. Já aquela xaropada existia mesmo, e era horrível enfiada pela boca dentro.

O empate técnico das sondagens foi o óleo de fígado de bacalhau servido aos portugueses para correrem a engolir esta maioria absoluta. Ninguém imaginaria que tantas gerações depois ainda funcionasse. António Costa, que ainda é do tempo dessa xaropada intragável, preferiu recorrer ao papão. As sondagens trataram de lhe dizer que a "estória" do papão não funcionava. Que óleo de fígado de bacalhau é que dava. E que o Fernando Medina até devia ter um frasco daquilo ainda dentro da validade.

 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

 

É notícia: o Porto perdeu!

É notícia porque perde poucas vezes. Porque, mesmo perdendo poucas vezes, essas acontecem noutras competições. Rarissimamente no campeonato, ou na liga, como agora se chama. É ainda notícia porque, nesta competição, não perdia há 55 jogos e estava às portas de igualar o histórico registo do Benfica: 56 jogos sem perder, uma notável e irrepetível série iniciada à sexta jornada da época de 1976/77, prolongada por toda a época seguinte – época em que, com o mesmo número de pontos mas menor diferença de golos, veria o título fugir-lhe precisamente para o Porto, então o primeiro em 19 anos - e interrompida na primeira jornada da de 1978/79. E, claro, é ainda notícia porque deixa o Benfica fugir!

Na liga, e até ontem, o Porto ia conseguindo fugir do buraco, fundo e negro, onde já tinha caído em S. Petersburgo, em Coimbra ou em Limassol. Não convencia ninguém, mas lá ia ganhando, agarrado àquela ideia de igualar - e quiçá bater – aquele assinalável registo do Benfica. Já tinham arranjado maneira de somar alhos com bugalhos – campeonatos a somar com supertaças José Pratas, como se estivesse a somar a mesma coisa – para atingir o número de títulos do rival. Bater agora aquele registo seria a última credencial para reescrever a História!

 

Em Leiria, como em Roma!

Luís Filipe Vieira assiste ao Benfica-Sporting em Leiria - Taça da Liga -  SAPO Desporto

Ganhar a Taça da Liga não salvava a época. Tinha-o dito Nelson Veríssimo e sabíamo-lo todos. Esta época já não tinha salvação! Mas não a ganhar e voltar a perder com o Sporting, como perdeu, como jogou, e com tudo o resto que se passou soltou as labaredas das profundezas do inferno da destruição do Benfica.

Em equipa que ganha não se mexe. Em equipa que não ganha ... também não. Deve ter sido isto que Nelson Veríssimo pensou, e por isso mudou apenas Paulo Bernardo por ... Meité. É verdade que não há muito por onde escolher ... a não ser nos jovens da equipa B, mar onde se pensaria que o treinador - justamente por ser quem é - pescasse  E também é verdade que, pelo que se viu na primeira parte, se percebeu a ideia de alinhar com um jogador que, ao fim de tanto tempo, ainda não permitiu perceber o que é que levou à sua contratação. Percebeu-se que pretendeu usar o seu físico para o combate ao meio campo. Para tentar equilibrar o poder físico do Sporting, mas esqueceu-se de tentar equilibrar o resto.

A primeira parte ainda disfarçou alguma coisa. Mesmo que o Benfica nunca se superiorizasse no jogo, nem individual nem colectivamente, nem táctica nem tecnicamente, ia ficando a ideia que, daquela forma e de uma maneira mais ou menos organizada, poderia minimamente controlar os danos, até porque a equipa do Saporting também não vive os melhores dias da era Amorim. E o golo de Everton, a meio da primeira parte, e no único remate à baliza (no jogo faria dois!), ajudava a admitir que até poderia correr bem.

A entrada na segunda parte até parecia reforçar essa ideia. Nos primeiros lances viu-se um Benfica mais pro-activo, a indiciar que poderia querer responder aos desafios do jogo. E viu-se um Sporting nervoso. No relvado, e no banco. A conjugação dos factores abria, pela primeira vez, a janela da esperança benfiquista. 

Só que, logo aos quatro minutos, num canto que resulta de uma carambola, e com Morato a limitar-se a fazer figura de corpo presente, o central do Sporting - Gonçalo Inácio, que já na primeira parte tinha ameaçado, e só não marcou porque Vlachodimos fez uma defesa apertada, e só possível por a bola lhe ter saído à figura - marcou o golo do empate. E pronto, lá foi a equipa pelo buraco abaixo, e com ela a ilusão dos adeptos.

A partir daí, mais notória que a superioridade leonina no relvado, foi a das bancadas. No relvado o Sporting  ganhou por 2-1, com o golo do Sarabia já dentro do último quarto de hora. Nas bancadas foi de goleada!

O grau de destruição que o Benfica atingiu já chegou ao seu principal activo - os adeptos, a massa adepta que foi quem em mais de um século fez a grandeza do clube. Irá seguir-se o benfiquismo.. A obra de Luís Filipe Vieira está concluída!

Hoje quis certificar-se disso, in loco. E foi a Leiria contemplá-la. Como Nero, em Roma, há 1958 anos!

In(diferença)

A desumanidade não é mais exceção em tempos de barbárie - Em tempo - Portal  de notícias 24 horas de Manaus e do Amazonas

 

Aconteceu na noite de quarta-feira passada, numa rua de Paris. Mas acontece todos os dias, em ruas de todas as grandes cidades. A diferença é que o que aconteceu na passada quarta-feira, numa rua de Paris, acabou nas páginas dos principais jornais do mundo desenvolvido. 

René Robert, de 84 anos, caiu no chão, uma das mais movimentadas de Paris, no bairro dos cafés, ao lado da Place de la Republique. Seriam 21 horas,  Durante toda a noite lagas dezenas,  porventura  largas centenas, de pessoas terão desviado o passo e os olhos daquela pessoa caída no chão. Ficou ali nove horas, e acabou por morrer de hipotermia.

Era um conhecido e prestigiado fotógrafo. E tinha amigos que são pessoas conhecidas. E dos jornais - a diferença que fez a diferença, mesmo que já não fizesse diferença nenhuma. E que pouca diferença virá certamente a fazer na indiferença a que nos entregamos. 

Saiu nos jornais. e indignamo-nos. Mas não sair mais nos jornais, vamos deixar de ter de nos indignarmos. É mais uma maçada a que nos vamos poupar...

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Os postes fazem parte da baliza. Cada uma tem dois e, ao contrário da inseparável trave – que tanto lhe chamam trave, como travessa, travessão ou barra – respondem sempre e só pelo nome de poste.

Tempos houve em que eram de madeira, bem facetados, uns paralelepípedos longuilíneos. Outros, quando a bola se jogava nas ruas, em que nem passavam a barreira do virtual, quando quaisquer duas pequenas pedras davam para assinalar os dois únicos limites físicos de uma baliza, com postes e barra virtuais, imaginados a partir daquelas duas pedras. São, de há uns tempos a esta parte, em tubos metálicos redondos. Pintados de branco, como sempre…

Nada disto tem, em futebolês, especial relevância. Não é a isso que se dedica nem é com isso que se preocupa. Os postes estão lá para realizar a sua função, o que, para o futebolês é perfeitamente secundário!

O que para o futebolês é fundamental é perceber que, numa bola parada ofensiva, é decisivo colocar alguém ao primeiro poste que possa desviar a bola para um companheiro que entre ao segundo poste. Porque, assim, desposiciona a defesa adversária, irremediavelmente batida pelo desvio ao primeiro poste! Ou que, a defender um canto, não se deve descurar a cobertura ao primeiro poste. Ou mesmo a ambos, com um jogador bem encostado a cada um deles!

Ou ainda que, se o atacante está descaído para a direita, deve tentar colocar a bola no segundo poste. Porque o guarda-redes adversário terá a preocupação de tapar ao primeiro poste: quer dizer, por ali ela não passa. Neste caso ao segundo poste também se chama poste mais distante, sendo que o mais próximo é o primeiro poste!

Naturalmente que o mais fácil é rematar ao primeiro poste. Apenas os mais dotados conseguem, com êxito, rematar ao segundo poste. Através da trivela ou da folha seca porque, de outra forma, o mais certo é a bola acabar por sair mais perto da linha lateral do que do segundo poste.

Curiosamente estes dois postes deixam de ser o primeiro e o segundo para passarem simplesmente a ser o direito ou o esquerdo quando a referência é o seu mais fiel companheiro: o guarda-redes. Ninguém convive tão de perto com os postes como o guarda-redes, há ali uma intimidade óbvia e cumplicidades evidentes que constituirão razão suficiente para um tratamento diferenciado. Daí que, quando a referência é o guarda-redes, a bola não sai ao lado do segundo poste. Nem entrou junto ao primeiro poste. A bola saiu ao lado do poste direito do guarda-redes, ou entrou junto ao poste esquerdo

Se a bola vai ao poste, e se afasta das redes, é o romance entre o poste e o guarda-redes na sua maior exaltação. Já se do poste ela ressalta para dentro da baliza, alguma coisa de errado se terá passado entre ambos. Mas, em qualquer dos casos, a bola bateu no poste … direito. Ou no esquerdo. Nunca no primeiro ou no segundo poste!

Alguma coisa de errado se terá também passado à volta do jogo deste fim-de-semana entre o Feirense e o Benfica. Consta que o Feirense, para maximizar a receita do jogo e aproveitar da melhor forma o autêntico abono de família que são as visitas do Benfica, solicitou à Liga que o jogo se realizasse em Aveiro onde, de resto, a equipa tem jogado por ter o seu estádio em obras. Consta que a Liga não aceitou essa pretensão do clube de Vila da Feira, coisa que terá algo de errado. Ou que não se percebe. Ou que talvez se perceba de dermos ouvidos a um boato que por aí circula: que alguém terá oferecido ao Feirense o montante de compensação da receita. O que até explicaria os exorbitantes mais de 25 euros que cada adepto do Benfica terá de desembolsar para assistir ao jogo…

Enfim, outros postes… E outros romances!

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