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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor

Com a troika por aí sem que se ouça falar nela – compreende-se, como as coisas estão recomenda-se algum recato -, com os números do desemprego na sua marcha imparável – 15,7%, sem abrandar o passo porque é preciso não deixar fugir mais a Grécia (23,1%) e a Espanha (25,1) –, com o primeiro-ministro e o ministro das finanças desaparecidos, o ministro Relvas em Timor, empenhado na refinaria da língua portuguesa, e o governo entregue a António Borges, não admira que seja o futebol a dominar a actualidade.

É verdade que não é preciso muito para que isso aconteça. Nem sequer que falte tanta coisa de um lado e sobre outra tanta do outro!

Como seja o caso de Portugal ter, pela primeira vez, todos os clubes apurados para as fases de grupos das competições europeias. Todinhos, seis: três na Champions e outros tantos na Liga Europa!

Como se isso não bastasse, hoje é o último dia para fazer negócios. Mesmo que, pelo que se vai percebendo, o mercado esteja flat, não faltará matéria para transformar este último dia de Agosto no mais quente deste Verão, num palpitante dia D.

Mesmo assim, muitas das Bolsas mundiais não desdenhariam o volume de transacções que o mercado da bola poderá atingir hoje!

Muitos serão os jogadores que hoje partirão. Mais serão as cabeças que ficarão perdidas no vazio durante umas boas semanas: as de todos aqueles que ficam às voltas com os milhões que sonharam durante três meses. Não é Hulk?

Excessos

O Benfica é líder isolado do campeonato, depois de ter vencido o Paços de Ferreira, esta noite, na Luz, no jogo que pertencia à terceira jornada, que havia sido adiado por cair no meio dos dois jogos do play off de apuramento para a Champions.

O jogo desta noite tinha a particularidade de confrontar a equipa que ainda não tinha sofrido golos com a que ainda não tinha marcado. À partida, dentro das lógicas destas coisas da bola, seria de prever que ambas se mantivessem nessa mesma condição.

Mas num jogo de futebol nem sempre funciona a lógica, e esse é talvez o seu maior aliciante. E a equipa que ainda não tinha marcado, marcou dois golos ... em três remates ...

Tinha ainda a particularidade de ser arbitrado por Soares Dias que, sabe-se e está por demais demonstrado, tem o condão irritar, perturbar e prejudicar o Benfica. Há dois ou três dias, num comentário das redes sociais, um amigo tinha referido sobre este jogo que o adversário seria Soares Dias. Na altura respondi que o adversário iria entrar com tudo.

Assim foi. Mais que o Paços, Soares Dias entrou com tudo. E acabou por acontecer o que frequentemente sucede com as equipas que entram com sofreguidão - acabam por se esgotar. 

Entrou com tudo, irritou as bancadas da Luz e e atingiu os jogadores, no relvado. No final da primeira parte já estava esgotado. E por isso assinalou o penálti que consumou a viragem do resultado ainda antes do intervalo, que nos minutos anteriores, antes de esgotar todos os créditos, certamente não assinalaria. Não estou a dizer que não foi penálti, estou a dizer que o Soares Dias nunca o assinalaria. E não tinha medo de ninguém!

Também o Paços de Ferreira, de César Peixoto, entrou com tudo. E pertenceu-lhe mesmo a primeira jogada de perigo, desfeita por Grimaldo, já muito perto da linha de golo. Mas também cedo se esgotou, muito mais cedo que o outro adversário. A partir daí defendeu com tudo. E com todos, com dois autocarros de cinco à frente da baliza.

O Benfica ia instalando o seu futebol habitual, mas o ritmo não era o mesmo, e não havia forma de criar reais oportunidades de golo. A bola acabava invariavelmente numa perna, num pé, nas costas ou na barriga de um dos 10 jogadores pacences plantados à frente da baliza. Isso, o tempo a passar e o inevitável Soares Dias, iam dando cabo da cabeça dos benfiquistas. Jogadores e público.

Na única vez em que a bola entrou na baliza, numa espectacular jogada trabalhada a partir de um canto, não contou. Rafa estava em fora de jogo.

Um mal nunca só e, a cinco minutos do intervalo, na sequência de um canto numa das já raras saídas em contra-ataque do Paços, a bola sobra para o velho pé esquerdo o velho Antunes que, a meio do meio campo, dispara uma bomba que acabou levar a bola a bater na cabeça de Koffy, o único jogador pacense que até nem estava para lá da defesa, desviando-a para dentro da baliza. Estava feito o primeiro golo do jogo, o primeiro marcado pelo Paços e o primeiro sofrido pelo Benfica.

A tempestade perfeita!

Valeu que a equipa não afundou, e empatou menos de dois minutos depois. Obra de Neres e do guarda-redes adversário, que não foi lá muito feliz. 

Seguiram-se minutos de avalanche sobre a baliza do Paços, e uma larga série de grandes oportunidades para dar a volta ao marcador. Até surgir o penálti, quando o Soares Dias já tinha esgotado a sua entrada de rompante, já à entrada do último minuto da compensação da primeira parte, cobrado na perfeição por João Mário.

Foi um alívio. O Benfica já tinha entrado em modo rolo compressor!

Manteve-o a seguir ao intervalo, e o resultado eram oportunidades de golo, umas atrás das outras. Invariavelmente desperdiçadas. Sucediam-se jogadas de grande nível. As melhores tinham o condão de acabar em golos anulados por fora de jogo. Salvou-se a que deu o terceiro golo, de Gonçalo Ramos, ainda bem cedo, 10 minutos depois do intervalo.

A partir daí o Benfica relaxou. Mais que relaxar, mais ainda que "as favas contadas" passou para excessos. Excessos de falhas na concretização, excessos de confiança, aqui e ali excessos até de vedetismo, e ainda excessos de circulação naquela de "descansar com bola". Descansar é no intervalo, e no fim do jogo. Durante o jogo não há por onde descansar!

Estes excessos que trouxeram de volta o Paços e ... Soares Dias. E o jogo complicou-se definitivamente com o segundo golo de Koffy. Do Paços e na baliza de Vlachodimos, no campeonato. Faltavam 10 minutos para os 90. E um quarto de hora para o fim do jogo.

Tempo para o Benfica desperdiçar mais umas quantas jogadas de golo feito. Mas também para, no último minuto, o Paços poder ter marcado. A jogada teve tudo para isso, só não teve remate. 

Não havia necessidade... Mas sofreu-se na Luz.

Festeja-se a chegada ao primeiro lugar. Festeja-se a grande qualidade do futebol da equipa, e que hoje voltou a apresentar. Mas desconfio que hoje houve muitos adeptos que pela primeira vez não gostaram da equipa.

Eu não gostei nada daqueles excessos. Acredito que Roger Schemidt também não tenha gostado, e que tenha percebido que terá de tratar com que não se repitam. 

 

 

 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor

Não admira que Real Madrid e Barcelona consigam transformar um simples jogo de futebol num acontecimento mundial!

Chegam e partem árabes e russos, a despejar milhões por todos os cantos. A Espanha afunda-se na sua e nossa crise mas, indiferentes a tudo isso, estes dois colossos tomam conta do mundo!

Ainda se não tinham atingido os 30 minutos deste acontecimento e os nossos olhos viam um Barcelona à beira do KO e um Real Madrid a mandar a crise para as ortigas, disposto à vingança final: ganhava por dois a zero, Valdez tinha evitado outros três golos e Adriano – já com a cabeça em água e a jogar no lugar de Dani Alves – tinha evitado outro, derrubando Ronaldo, que seguia isolado para o golo. Expulso, o Barça ficava com 10. À meia hora, naquele filme de imensa superioridade madrilista, e com mais um em campo, a coisa só podia acabar mal para os blau grana

Esquecemo-nos que quem joga com Messi nunca joga em inferioridade numérica, como já nos tínhamos esquecido que quem tem jogadores como aqueles que jogam de branco nunca pode estar em crise. Que quem tem Messi, e Iniesta, e Xavi, e Pedro ... nunca cai sem se levantar!

Ao minuto 45 Messi avivou-nos a memória: livre à entrada da área, barreira bem colocada, mas a bola saída dos seus pés resolve ir dar uma curva e aproveitar para entrar na baliza de Casillas. Sem qualquer hipótese…

Nos dois minutos de compensação dados pelo árbitro foi ainda Cristiano Ronaldo – que fizera no seu golo, o segundo, aquilo com que eu sonhava todas as noites quando jogava à bola (bem, na verdade, no meu sonho, o meu remate era imediato, sem deixar a bola cair depois daquele calcanhar) – a querer lembrar a Messi que também lá estava, como se ele não o soubesse bem. Um remate fabuloso, com a bola a bater nos painéis publicitários e a regressar ao campo, dando a ideia de ter sido devolvida pelo poste direito. E Di Maria, também próximo do golo.

A segunda parte veio quando já toda a gente pelo mundo fora percebera que nem havia crise nenhuma no Real Madrid nem o Barcelona estava de joelhos, quanto mais prostrado no chão. E se não começou tão intensa como a primeira, acabou por não lhe ficar atrás à medida que o tempo corria: sempre espectacular.

Até com inversão de papéis. À entrada do segundo quarto de hora, o Barcelona, joga à Real Madrid, - Mascherano, cá de trás, como Pepe e Sérgio Ramos haviam feito nos golos de Higuain e Ronaldo, isola Pedro – e quase empata. Defendeu Casillas!

Poucos minutos depois é o Real que joga à Barcelona: Khedira faz de Messi (ou de Iniesta, ou de Pedro…) e vai por ali fora e área dentro. É Valdez que salva mais uma vez o terceiro!

E os últimos dez minutos foram de cortar a respiração, com oportunidades sucessivas numa e noutra baliza.

A supertaça ficou em Madrid (pelo golo fora marcado a mais), mas isso, lá como cá, como o próprio Mourinho fez questão de salientar, é o que menos interessa. O que conta é que foi o acontecimento mundial do dia!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor

Não sendo muito frequente também não é raro que equipas portuguesas, de selecção ou de clubes, se superiorizem, no chamado jogo jogado, às italianas. O que é raro é que se superiorizem no resultado!

Também é raro que, quando as coisas têm que se decidir nos penaltis, as equipas portuguesas sejam bem sucedidas. A excepção – a selecção nacional quando o adversário é a inglesa – é mesmo excepção, que apenas serve para confirmar a regra.

Pois, no play off de acesso à fase de grupos da Champions, o Braga conseguiu tudo o que é raro o futebol português conseguir: foi muito superior aos italianos da Udinesse – superior em Braga e muito superior em Udine – e, não conseguindo materializar essa superioridade em golos ao longo de 210 minutos nos dois jogos, confirmou-a no desempate através dos penaltis.

E no entanto o Braga teve tudo em seu desfavor. Desde logo o adversário jogava com o seu tipo de jogo preferido. E, dada a dialéctica de um jogo de futebol, as duas equipas dificilmente podem jogar o mesmo tipo de jogo. Depois, a Udinesse esteve sempre à frente, no marcador e na eliminatória, o que os empurrou sempre para a sua zona de desconforto: a obrigação de assumir o jogo.

Mérito de toda a estrutura bracarense. Muito mérito dos jogadores, em especial para o guarda redes Beto que, numa eliminatória em que a equipa foi tão superior, porque as equipas italianas são mesmo assim, foi ele que teve que fazer a diferença. E nem sequer entra em conta o penalti que defendeu e que ditou o sucesso porque, aí, maior que o seu mérito foi o demérito do jogador brasileiro que ainda não percebeu que não é Panenka quem quer...

Neste jogo fez poucas defesas, mas todas decisivas e de altíssima exigência. E muito mérito de José Peseiro, um homem que há muito conheço de outras lides – raramente a expressão vem tão a propósito – e um treinador que há uma década considero do melhor que há em Portugal, e cujo regresso se saúda. Competente no discurso, excelente na condução da equipa e soberbo nas substituições!

 

Enterrar os mortos ...

Realizaram-se finalmente as cerimónias fúnebres de José Eduardo dos Santos, no dia do seu 80º aniversário, e quatro dias após as eleições, que mantiveram a maioria absoluta do MPLA - mas agora mais escassa, com pouco mais dos 50% -  com resultados contestados pela UNITA, claramente vencedora em Luanda.

A presença nas cerimónias de Adalberto Costa Júnior, o líder da UNITA  é, neste contexto, um bom sinal. Como referiu Marcelo, inevitavelmente presente, chamando-lhe o primado do interesse nacional. Não ter armas também ajuda!

Enterrar os mortos é muitas vezes momento de paz. De vez em quando enterram-se também conflitos... 

 

 

 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor

São muitas as formas que um anúncio de recrutamento – oferta de emprego – pode assumir. Mais ou menos apelativo, mais fechado ou mais aberto nas condições de acesso, com mais ou menos exigências…

Há mesmo ofertas de emprego desenhadas à medida: os requisitos são tão fechados, tão ajustados, que se percebe de imediato que já há galo para aquele poleiro.

O que ainda se não tinha visto era uma oferta de emprego tão específica … tão específica … que já inclui o nome a pessoa a recrutar. Disto é que ainda se não tinha visto. Mas viu-se hoje e, pasme-se, publicado pelo IEFP!

Poderia fazer parte do perfil requerido. Por exemplo: licenciatura em educação de infância, 24 anos de idade, olhos azuis – que deve sempre dar mais jeito para os miúdos – cabelos louros, porque assim é que deve ser – olhos azuis/cabelos louros –, e de nome Vera – porque os miúdos já estão habituados ao nome – e apelido Pereira, que é para facilitar o processo de aprendizagem da botânica. Mas não. O anúncio exigia conhecimentos profissionais inerentes à profissão – nada mais claro nem menos lapalissiano – e nos outros conhecimentos requeridos é que surgia o nome: Vera Pereira!

Valham-nos os estímulos. E as medidas de estímulo…

Mais um teste passado com distinção

O Benfica surgiu no Bessa para disputar este complicado jogo da quarta jornada com duas novidades, ambas consequência da falta de Otamendi, ausente por castigo, depois daquela expulsão em Leiria, no jogo com o Casa Pia: António Silva, o miúdo de 18 anos, no lado direito do centro da defesa; e a braçadeira de capitão em João Mário.

A segunda estranha-se, depois entranha-se. E finalmente percebe-se. A primeira aplaude-se. Pela exibição do miúdo, mesmo amarelado logo no início, mas mais ainda pela lucidez da opção de Roger Schemidt. A alternativa era o já descartado Vertonghen. Negar-lhe esta oportunidade seria dar-lhe um péssimo sinal e correr o risco de o começar a perder.

Às duas novidades no Benfica juntou o jogo outra novidade: um Boavista sem pontas de lança, e apostado em pressionar no campo todo. Não é novidade, antes pelo contrário, e mais ainda com Petit, a pressão que os jogadores do Boavista exercem sobre os adversários, e agressividade que colocam na disputa da bola. Novidade era fazerem-no campo todo, logo em cima da grande área adversária, colocando dificuldades à saída de bola do Benfica.

Na realidade o Boavista quis tornar-se no primeiro adversário a colocar o Benfica desconfortável no seu padrão de jogo. E se este era mais um teste à capacidade desta equipa do Benfica, o resultado não poderia ser melhor. O Benfica passou com distinção!

A equipa respondeu à agressividade do adversário na mesma moeda. Os jogadores não recearam o confronto, disputaram cada lance com a mesma intensidade, correram e lutaram como os do Boavista. E depois disso, como são muito melhores e têm o modelo de jogo assimilado, jogaram o seu futebol, e mantiveram-se confortáveis nas dinâmicas instaladas na equipa.

Foi de tal forma assim que quem estava com atenção ao jogo - e deve dizer-se que foi um grande jogo, muito valorizado pela atitude da equipa do Boavista - percebia que o Benfica estava a dar a resposta certa às dificuldades colocadas, e que, mais tarde ou mais cedo, acabaria por impor a sua superioridade.

À saída do primeiro quarto de hora começou a ficar claro que essa superioridade estava instalada. Com Enzo e Florentino em grande, e a dominarem o meio campo, os centrais António Silva e Morato imperiais, e Rafa e João Mário decisivos na construção, o habitual futebol do Benfica fluía na relva.

É verdade que até ao primeiro golo, em cima da meia hora, não tinham abundado remates, nem oportunidades de golo. Surgiu de um canto, mais uma vez. Desta com a bola direitinha do quarto de círculo para a cabeça do Morato, e dela para dentro da baliza.

Não mudou nada com o golo. O Benfica continuou a exibir o seu futebol,  e passou a construir incomparavelmente mais situações de finalização. O Boavista mantinha a mesma atitude, disputava à mesma a bola no campo todo, mas ela acabava sempre nos pés dos jogadores do Benfica. 

Em cima do intervalo João Mário desperdiçou a mais clara situação de golo, de forma verdadeiramente inacreditável, deixando o resultado ao intervalo bem longe de reflectir a superioridade no jogo. 

Deixou no entanto o aviso para a segunda parte. O jogo não se alterou muito, a superioridade do Benfica, sim. Tornou-se ainda maior. E mais ainda depois de iniciadas as substituições, à hora habitual. 

Neres, Gonçalo Ramos e Gilberto, com rendimento realmente abaixo dos restantes, foram substituídos por Diogo Gonçalves, Musa e Bah, e todos acabaram por acrescentar dinâmica e qualidade à exibição. João Mário passou da esquerda (onde se ficou Diogo Gonçalves) para a direita (de onde saíra Neres), e passou a homem-golo.

O primeiro, e segundo do jogo, logo depois das substituições, com assistência de Musa. E o segundo, e último, de penálti, essa raridade da realidade benfiquista. O árbitro - João Pinheiro, que fez mais uma das suas arbitragens habilidosas, e particularmente condicionante no período inicial do jogo, quando era mais repartido, ao ponto de, coisa nunca vista, o Benfica acabar com mais faltas (14) que o Boavista (12) - não viu o penálti sobre Musa. Tão evidente que o VAR não teve como não intervir.

O resto foram sucessivas oportunidades de golo, que fazem deste claro 3-0 um resultado afinal bem escasso para o que foi a realidade do jogo. O Boavista fez 4 remates, sem um único na direcção da baliza de Vlachodimos, que se limitou a dois sustos em outros tantos atrasos que saíram desnecessariamente mais apertados. 

E ainda mais duas estreias - Mihailo Ristić, para o lugar de Grimaldo, e o recém contratado Fredrik Aursnes, para o aplauso a Enzo (a contratação do norueguês só pode significar que nem esta época concluirá com a camisola do Benfica) a par de Florentino, mais uma vez o melhor em campo (mesmo que esse prémio tenha sido entregue a João Mário).

Tudo isto em mais um teste do algodão a este futebol cada vez mais entusiasmante do Benfica de Roger Schemidt. Mas também à incúria da Liga, que continua a permitir a extorsão dos adeptos do Benfica pelas bilheteiras  dos adversários que visitam. Depois falem em centralização dos direitos televisivos!

 

 

Vuelta 2022 - II

Correu-se hoje, nas Astúrias, a oitava etapa da Vuelta, entre Pola de Laviana  e Yernes y Tameza, corrida em montanha, e com a meta a coinicidir com uma contagem de 1ª categoria. 

Jay Vine voltou a ganhar em montanha, como há dois dias, a confirmar que é um grande trepador, e o dos que atravessam o melhor momento de forma. O ciclista australiano pertence a uma nova geração de ciclistas que vem do Zwifit, uma plataforma que se transformou numa verdadeira academia de ciclismo.

Voltou a dar espectáculo, e ganhou lá em cima, á frente de todos os que o acompanharam na fuga que desde cedo se desenhou, entre os quais gente de respeito como Soler (companheiro de João Almeida, que quebrara o jejum espanhol, a voltar a confirmar que quipa é coisa que não lhe assiste) que acabou segundo, Taramae (3ª), Pinot (4ª) ou Landa, que já não resistiu à perseguição final do grupo dos principais protagonistas.

João Almeida fez a sua corrida, de trás para a frente, como já vem sendo hábito nas mais difíceis etapas de montanha. E sempre sozinho, sem equipa. Mesmo quando alcancou o miúdo Juan Ayuso, seu colega de equipa, teve que ser ele a fazer a despesa. Acabou por perder mais alguns segundos para os três da frente - onde  Evenepoel, como aqui se previa, já não é um portador transitório da roja e que, com Mas e Roglic, começam a desenhar o pódio - mas também acabou a subir dois lugares, fixando-se agora no oitavo posto da geral.

Vai bonita, esta Vuelta. Beneficia de ser a última oportunidade para a redenção da época, tornando-se numa competição mais aberta, e do facto de ter menos estrelas do sprint, o que faz com que as etapas sejam menos controladas pelas respectivas equipas.  

E tudo isto a torna na mais aberta, e muitas vezes na mais espectacular - mesmo que, neste ano, o Tour tenha sido insuperável - das três grandes voltas do calendário internacional!

 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor

António Borges, o chefe de vendas que Passos Coelho contratou para vender Portugal, e que vai assumindo sem qualquer constrangimento o papel de maior odioso de todos os agentes políticos do poder, lançou o tema da semana.

Quando se pensava que na agenda política sobressairiam os dados económicos do primeiro semestre divulgados pelo INE - que não só comprovam a falência total do programa da troika e da acção deste governo que, nascido da esperança, acaba por confirmar a de todo improvável proeza de ser ainda pior que o anterior – e a confirmação final do adeus ao cumprimento do défice, por alma de quem se enterrou a economia portuguesa e se destruiu a classe média, eis que surge a privatização da RTP a dominar as primeiras páginas e a tomar conta dos comentários nas televisões.

Quando o tal senhor, que não sendo ministro mas que é o executivo mor do governo, revelou aquilo a que chamou solução atraente – eu diria mais, é uma solução muito mais que atraente: é um negócio sem risco para o investidor, como foi o da EDP e como são todos os que este senhor engendrar, porque ele não existe para outra coisa – pensei que aquilo não passaria de uma brincadeira para que se não falasse daqueles resultados. Pensei que o governo tinha todo o interesse em tapar aqueles resultados e entreter a opinião pública com outras coisas, até porque a troika chega já amanhã e haverá de servir de amortecedor.

Em alternativa poderia ser que se tratasse de um balão de ensaio: um tipo que não tem nada a perder – creio que na consideração e no respeito dos portugueses já perdeu tudo o que tinha para perder – lança o barro à parede e logo se vê como corre. Porque, evidentemente, ninguém acredita que uma coisa destas fosse lançada por António Borges sem que estivesse cozinhada no governo!

Sou a favor da privatização da RTP, como já aqui manifestei em várias ocasiões. Que não a favor da erradicação do serviço público de rádio e televisão – que poderia ser incluído nos contratos de concessão de licenças - como igualmente aqui tenha defendido. Não é que seja, em tese, contra a existência de rádio e televisão públicas. Antes pelo contrário! Sou é contra uma estação pública de rádio e televisão em Portugal, neste país concreto governado por esta gente concreta. Que a usa para nela interferir e para nela despudoradamente acoitar clientelas à custa do nosso dinheiro!

Por isso apoiei a intenção de privatizar a RTP, logo que Passos Coelho a anunciou na campanha eleitoral. Ora, privatizar não é nada disto. Depois de comissões e mais comissões a estudar o assunto, de milhões e milhões gastos em consultores, e de um ano de voltas e reviravoltas no processo, vêm dizer-nos que há uma solução atraente: entregar a exploração da RTP a privados (e vamos a ver quem são - já todos desconfiamos!) continuando nós a pagar!

Esta gente anda mesmo a brincar connosco!

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