Já aconteceu noutras partes do mundo, e ameaça espalhar-se. A democracia já foi vil e violentamente assassinada muitas vezes. Noutras, resolve ela própria o seu destino, suicidando-se. É assim em muitas partes do mundo. É mais assim na América Latina.
Voltou a ser assim, ontem, na Argentina. Desta vez não foi com generais, nem com as ruas inundadas de canhões, foi nas urnas. Não foi assassínio, foi suicídio.
Desiludidos e frustrados com os partidos tradicionais do sistema democrático - e como isto está a acontecer por todo o lado, incluindo por cá - os argentinos elegeram Javier Milei presidente da República. Um extremista que promete fazer da Argentina uma grande potência mundial, com propostas tão extravagantes quanto estúpidas: como a venda de armas "à americana", a venda de órgãos humanos, o fim da educação sexual e a penalização do aborto; ou adoptar o dólar americano como moeda nacional, e acabar com as relações comerciais com o Brasil e a China, os dois maiores parceiros comerciais.
Trump aplaude, de pé. Como Bolsonaro. E como, por cá, se sabe bem quem.
Umjornalista(?) questionou ontem Paulo Bento, em Estocolmo, na conferência de imprensa que antecedeu o jogo de hoje, sobre o estado de saúde de Pinto da Costa. Não sei quem é ojornalista- já só apanhei a resposta do seleccionador nacional - mas seja lá quem for, de jornalista terá certamente muito pouco. Nada que nos surpreenda no panorama da imprensa desportiva do país, onde vemos de tudo menos qualquer coisa a que se possa chamar jornalismo.
Por muito que o estado de saúde de Pinto da Costa o possa preocupar, a preocupação do taljornalista naquele momento não era essa. Era simplesmente - ali, na véspera do mais decisivo dos jogos da selecção nacional, onde o tema não poderia ser outro que a selecção - introduzir um objecto cortante com grande capacidade defazer sangue…
Se a sua preocupação fosse com o estado de saúde de Pinto da Costa não era aquele o local adequado para disso indagar. Era o hospital. Ou a estrutura de comunicação da SAD portista. Mas, acima de tudo, não poderia ter Paulo Bento como destinatário da pergunta!
É infelizmente com gente desta que se faz jornalismo desportivo em Portugal. Gente que não sabe nem o que é ética nem o que é vergonha, mas que sabe que tem a protecção que lhe garante a impunidade!
Não honram, antes conspurcam, a memória dos grandes jornalistas do passado. É por isso que, tendo aprendido a ler - e a escrever - com esses grandes monstros do passado, há muito que deixei de ler jornais desportivos.
Deu-nos a conhecer a sua voz, e o seu talento, em 1994. Tinha 15 anos, e surgiu no primeiro dos programas televisivos de descoberta de talentos. Depois cresceu e fez música. Muita e boa.
Já sabíamos de há muito que Marcelo se desbronca com facilidade. Agora ficou a saber-se que, para além de se desbroncar com facilidade, também se desbronca por heterónimo.
Não me parece que seja isto "o normal funcionamento das instituições". Mas é este o normal funcionamento da "instituição Marcelo".
Depois de a Irlanda anunciar que sairia do programa da troikasem mas nem meio mas, directinha para os mercados por sua conta e risco, começou a ouvir-se da parte do governo português semelhante intenção. Ouvir tal coisa a Paulo Portas até poderia não surpreender - há muito que perdeu a capacidade de nos surpreender -, mas ser Passos Coelho a pretender que levemos a sério essa hipótese ultrapassa a nossa capacidade de entendimento do que se esteja a passar.
E não é apenas por a nossa situação económica estar bem longe da irlandesa. Nem por as causas dos problemas da Irlanda (eminentemente financeiros, do próprio sistema financeiro) e de Portugal (fundamentalmente económicos) serem completamente diferentes. Nem sequer por estarmos com resultados piores do que os levaram ao resgate. É porque ainda há pouco mais de um mês o primeiro-ministroameaçavacom o segundo resgate, e há apenas duas semanas o ministro da economiainformava em versão lapsoque o governo estava a preparar um programa cautelar!
Ou nada disto passa de um jogo de póquer, onde a vida dos portugueses se joga como fichas de casino ou – o que não dá em nada de muito diferente -, como não sabe para onde vai, para o primeiro-ministro qualquer caminho serve…
Enquanto a população sofre cada vez mais as agruras da crise, disparam os números da emigração e o país perde os mais novos e mais capazes, osboysvão-se instalando, aconchegando e acomodando.
Em Maio, como entãoaquifoi dada nota, já o governo tinha nomeado mais de 4 mil – 4463, com precisão. Dos motoristas – só o primeiro-ministro tem onze por sua conta –, com vencimentos superiores a médicos, soube-se até de um caso em que, à data da nomeação em Diário da República, o motorista nem sequer tinha ainda carta de condução.
Há três semanas atrás, como tambémaquise deu conta, era o Secretário de Estado Carlos Moedas que nomeava dois jovens de 21 e 22 anos, acabados de sair da escola, mas especialistas. Desta feita, como conta o João Garcia no Expresso deste fim de semana, foi Jorge Barreto Xavier, o Secretário de Estado da Cultura, área que não tem orçamento para coisa nenhuma e onde o governo vai cortar 15 milhões de euros em despesas com pessoal, que recrutou para o seu gabinete um rapaz de 24 anos cuja qualificação é serboydo PSD. O seu currículo não engana, e lá constam três workshops no Centro de Formação de Jornalistas (Cenjor) e um estágio de seis meses na Renascença, onde se seguiram oito meses de trabalho, antes de transitar para consultor de comunicação do PSD, onde permaneceu os cinco meses que antecederam esta nomeação. Que deixa este Secretário de Estado, como refere Henrique Monteiro hoje na edição digital do Expresso, com quatro adjuntos, sete técnicos especialistas, duas secretárias pessoais, um chefe de gabinete, dez técnicos administrativos, três técnicos auxiliares e, evidentemente, três motoristas.
Esteboytem um vencimento superior a 3 mil euros. Tanto quanto – conforme também João Garcia escrevia no Expresso – um médico chefe de serviço hospitalar sem exclusividade, mais do que um juiz de primeira instância e o dobro de um professor efectivo em início de carreira!
Esta gente não tem vergonha, nem por onde ela passe…
Parece-me que é já evidente, com o que se conhece "nesta altura do campeonato", que a "operação influencer" é a demonstração mais clara do estado de degradação aque chegaram as instituições da nossa democracia. E que tem muito mais de "Golpe de Estado" do que de normal funcionamento das instituições.
Ficou hoje a saber-se que o tal último parágrafo - "No decurso das investigações surgiu, além do mais, o conhecimento da invocação por suspeitos do nome e da autoridade do Primeiro-Ministro e da sua intervenção para desbloquear procedimentos no contexto suprarreferido. Tais referências serão autonomamente analisadas no âmbito de inquérito instaurado no Supremo Tribunal de Justiça, por ser esse o foro competente" - do comunicado da PGR naquele dia 7 de Novembro, que António Costa invocou para a demissão, foi escrito pela própria senhora procuradora-geral da República, Lucília Gago. Já se estranhara a sua nunca explicada deslocação a Belém, pelo meio das duas reuniões dessa manhã entre o primeiro-ministro e o presidente da República. Agora ficou a saber-se que fica pessoalmente ligada a esta relação causa-efeito, reforçando a ideia de um "Golpe de Estado" preparado durante quatro anos por alguns agentes do Ministério Público.
Aquele último parágrafo era desnecessário. Provavelmente, depois de todos os "casos e casinhos" que atravessaram este governo, teria bastado o envolvimento de pessoas tão próximas como o seu chefe de gabinete - e em especial o insólito caso do dinheiro guardado/escondido no gabinete -, ou o "seu melhor amigo", para António Costa se demitir. Soa, por isso, a estocada final da senhora procuradora-geral da República.
No momento certo?
Talvez se conheça a resposta a esta pergunta quando se souber o que foi a procuradora-geral da República fazer a Belém. Um dia se saberá. Por agora só sabemos que, vontade de deitar o governo abaixo, era coisa que há muito não faltava a Marcelo. E que só lhe faltava o momento, mesmo que não fosse o certo.
No anunciado e badalado duelo, Cristiano RonaldoesmagouIbrahimovic. E no ar ficou a ideia que não tem rival à altura, nem com a ajuda do frio sueco...
Já Ribery não fora desafiado para qualquer duelo, não tinha do outro lado estrela à sua altura, mas ficou a ver o Brasil mais longe. A não ser que se repitam as coisas esquisitas que nestas ocasiões sucedem em Paris...
Com Messi fora de jogo - dizemas más línguasque estas lesões do argentino têm origem em Neymar - sobe a expectativa na escolha do Bola d`Ouro deste ano.
Boa parte dos adeptos portistas começou a descobrir por estes dias, ontem e hoje, depois de 40 anos de práticas criminosas, de coacção e agressões, que Pinto da Costa fez do FC Porto uma organização à imagem da Mafia e, do Porto, uma cidade geminada com Palermo.
Já o Ministério Público, mais dado à política que à bola, depois de 40 anos disto, e de 20 de "apito dourado", precisou disto para desconfiar que é capaz de haver alguma razão para abrir um inquérito.
A descoberta dos adeptos portistas, a gente percebe: já não ganham. Enquanto ganhavam tudo ia bem, o guarda Abel era um zeloso agente da autoridade, a escolta pretoriana de Pinto da Costa um grupo de escuteiros, e o Madureira um cidadão exemplar. Que só agora o Ministério Público tenha encontrado motivo para abrir um inquérito, é que cheira a mistério.
A Irlanda conclui o seu programa de resgate a 15 de Dezembro e já comunicou que conclui mesmo, sem sofismas. Acabou. Ponto final!
Quer isso dizer que o célebre Programa Cautelar não é para lá chamado, com muita pena do governo português. Os irlandeses – e não me refiro ao governo, refiro-me à opinião pública – sabiam bem que era essa a única saída, que Programa Cautelar ou Segundo Resgate são uma e a mesma coisa. As pequenas nuances que os podem separar não alteram em nada a submissão e o garrote!
A Irlanda partiu de base diferente, os seus problemas eram diferentes – o seu problema era o sistema financeiro, enquanto o nosso, começando na economia, rapidamente passou também para o sistema financeiro - mas também fez diferente e esteve sempre mais bem colocada ao longo do programa. A economia irlandesa goza de uma série especificidades que fazem uma grande diferença para a economia portuguesa, mas que, comparadas com as de que Portugal poderia potencialmente dispor são pouco mais que irrelevantes. Simplesmente a Irlanda usa as vantagens comparativas de que dispõe, enquanto Portugal mantém virtuais as suas vantagens potenciais.
A Irlanda não tem os problemas do seu sistema financeiro resolvidos, coisa que os testes de stress que se avizinham virão demonstrar. Mantém um défice orçamental altíssimo, muito acima do português, e “apenas” – é isso o fundamental – leva vantagem nas actuais taxas de juro do mercado, pouco acima dos 3%, contra a nossa pouco abaixo dos 6%.
A Irlanda percebeu que o melhor programa cautelar era pôr ponto final nisto. Que, á cautela, o melhor era ir andando...
Entretanto nós por cá vêmo-nos cada vez mais gregos!