A notícia corre por aí - nasceu em Espanha, em Maiorca, um bebé com duas mães. Olhamos para ela, para a notícia, e não ficamos surpreendidos. O que não deve faltar nos tempos que correm é crianças com duas mães. Ou dois pais.
Depois, olhamos melhor, e damos conta que refere tratar-se do primeiro caso na Europa. E aí ... alto lá. Deixa ver melhor.
Vamos ver melhor e, afinal, a notícia é que é o primeiro a ser concebido por duas mulheres. Isso mesmo: um óvulo fertilizado foi implantado no útero de uma mulher e, depois de desenvolvido o embrião, transferido para o útero de outra, que completou a gestação e e se fez parturiente.
O que à primeira vista parecia uma coisa é afinal outra, completamente diferente. E o que é mesmo notícia é que esta é uma técnica nova que permite substituir a fertilização in vitro. O que não é notícia é que novos problemas se levantam. E não devem ser poucos. Nem pequenos.
O pai também não é notícia. O bebé chama-se Derek. E também não é notícia que tantas notícias sejam mal lidas...
Foi este o título que o Timóteo deu ao livro (uma edição do Conselho Regional do Norte da Câmara dos Solicitadores) que ontem, enquanto no Mosteiro decorria a apresentação dePadeira de Aljubarrota, mulher de armas e heroína de Portugal, o novo romance da Maria João Lopo de Carvalho – um dia em grande para a literatura, em Alcobaça - apresentou ao fim da tarde no Parque do Monges. Uma apresentação que reuniu centenas de amigos – o que para o Timóteo é a coisa mais fácil deste mundo – e que teve a particularidade e a inovação – inovar é outra das coisas difíceis que para oTimóteo é fácil – de, em vez de vender o livro, trocá-lo por outro. Isso mesmo, cada um trouxe a obra do Timóteo e em troca deixou lá um livro que levou de casa, que seguiu direitinho para as prateleiras das estantes da Biblioteca do Conselho Regional do Norte da Câmara dos Solicitadores, justamente chamada de Biblioteca Timóteo de Matos.
Um livro que divide em três partes, justificadas com o humor que a doença vai ainda refinando cada vez mais: uma compilação de crónicas e textos publicados no âmbito da sua actividade profissional – solicitador, como quem não sabe já adivinhou – a que, por absoluta falta de interesse, teve de acrescentar uma parte biográfica para que interessasse pelo menos à família. Para alargar um pouco mais o interesse do livro, para chegar um pouco além do restrito ciclo familiar, precisou de juntar-lhe as bicicletas…
O livro apresenta-se efectivamente assim dividido, mas não é, evidentemente, pelas razões que o seu sentido de humor único evocou. Até porque, para além de inesgotável interesse, está muito bem escrito, prestigiando a pátria de Pessoa e de todos nós. É porque está assim organizado, é porque a sua vida foi assim organizada, e é porque o Timóteo é um homem da cidadania, da família, da tertúlia e dos amigos, que gosta da vida e de quem a vida gosta, um profissional de referência, activo e empenhado, e um homem do ciclismo. Por isso lá estavam muitos e amigos de todos os quadrantes: "sóVoltas a Portugalestão cá 9", gracejou olhando para Marco Chagas, Alves Barbosa e Joaquim Gomes...
A Efacec já foi uma grande empresa portuguesa, e um dos principais centros de desenvolvimento tecnológico do país. Com a febre angolana que por aqui andou durante anos, numa pandemia de deslumbramento, foi parar às mãos de Isabel dos Santos.
Das suas mãos caiu, quando ela tremeu e a pandemia amainou. Escaqueirada, sem caco que se aproveitasse. Para que não fechasse portas e pusesse milhares de trabalhadores na rua, o governo dispôs-se a pagar os salários, à razão de 10 milhões de euros por mês, enquanto procurava um comprador, porque também não sabia o que fazer com aquilo. Chegou aos 200 milhões de euros!
O Ministro da Economia anunciou ontem o comprador, enquanto anunciava e celebrava um final feliz. Um sonho, para Marcelo, aquém do sonhado. O comprador é a Mutares, um fundo alemão, que vive de vender empresas que não precisa de comprar. É assim com todos os fundos da especialidade.
Nem a Mutares comprou, nem o Estado vendeu. Para ficar com a empresa o fundo alemão limita-se a entrar com 15 milhões de euros para capital, o correspondente a menos de um mês de salários, e a pedir ao Estado que entre com mais 160 milhões. Praticamente 11 vezes mais. Que somam aos 200 milhões já lá enterrados, e aos 35 milhões que, quando nenhum banco lá punha um cêntimo, o Banco de Fomento foi obrigado a lá meter. E ninguém se espantará se daqui por uns tempos se vierem a conhecer garantias sobre todas as responsabilidades contingenciais. Tipo Novo Banco, e tantas outras coisas do género.
Pode até ser que, agora, aqui chegados, não pudesse ser de outra forma. Sou dos que acreditam que António Costa Silva é pessoa séria e competente. Mas custa que o deslumbramento de um passado recente custe hoje tanto a pagar. E não custa menos ver como desapareceram quase todas as empresas estratégicas para qualificar a economia portuguesa. Como o país perdeu uma multinacional de referência, como era a Cimpor. Como destruiu um centro de inovação como era a PT, ou uma referência tecnológica como a Efacec...
Depois de o ver nem quero saber o que foi o jogo. Não me interessa!
Só me interessa que um jogador que marca golos destes (e doutros) tem que jogar. Se precisa de gestão, então tem que ser gerido para jogar... Só assim poderá festejar como um golo destes exige!
Já está. Sem surpresas e sem aplausos, mas com muitas declarações de voto, já está aprovado na generalidade o Orçamento Geral do Estado para 2014… E com o deputado do CDS a reincidir!
Debaixo de fogo, Roger Schemidt mudou. O jogo desta noite, em Arouca, na estreia da equipa na Taça da Liga desta época, era mais que um jogo praticamente decisivo nas contas do apuramento para a "final four" de Leiria, lá para o início do ano. Era um jogo que o Benfica teria forçosamente de ganhar para interromper estes dois últimos desaires consecutivos.
Era isso que era exigido - a inversão dos resultados. Já que - sabe-se -a inversão da qualidade exibicional não é coisa tão imediata. Não basta esfregar a lâmpada para que o génio se solte. É preciso, primeiro, ganhar. Jogos e confiança!
Por isso, Schemidt mudou. Começou a mudar não comparecendo na conferência de imprensa de ante-visão do jogo. Fez bem. Fez bem porque o discurso não lhe está a sair bem. E porque, sabia que não seria da ante-visão do jogo de Arouca que o quereriam ouvir. Dar-lhe-iam nós cegos, uns atrás dos outros. E ele não tem rins para tanto.
Depois, para o jogo, mudou tudo. Mudou jogadores, mudou a táctica, e mudou até os jogadores que não mudou. No onze inicial entraram Morato, Gonçalo Guedes e Di Maria. Na táctica, mudou para três centrais, num 3x4x3. Com o trio da frente móvel - Di Maria, Rafa e Guedes - sem qualquer ponta de lança. E nos jogadores que não mudou, à excepção natural de Trubin, baralhou-os todos: Aursenes regressou à função que lhe é natural (mas pronto, lá teve que acabar a lateral direito, depois da entrada de Bernat), na ala esquerda. Donde saiu João Mário, para jogar a médio centro, ao lado de Florentino. Donde saiu João Neves, para jogar na ala direita.
As coisas acabaram por correr como tinham de correr mas, francamente, não é experiência para repetir. Não que a opção dos três centrais não possa ser uma ideia a desenvolver. Tem é que ser bem trabalhada, porque o que se viu foi António Silva (parabéns pelos 20 aninhos) um bocado atrapalhado com aquilo. Tanto que até assistiu um tal Trezza para a única oportunidade de golo do Arouca na primeira parte. Há muitos treinadores que não prescindem dela. E outros que a ela recorrem em função das circunstâncias. Não se perceberam bem as de Schemidt, hoje.
A aposta mais bem sucedida foi João Mário. Não tem grande voltagem, como sabemos, mas tem visão de jogo e qualidade de passe para a função. Só que, com isso, perdeu precisamente a energia que João Neves dá àquela posição. O miúdo não sabe jogar mal, e dá sempre tudo. E sabe-se como é imenso o "tudo" dele. Mas isso não faz dele um ala. Não é justo. Nem ele merece.
A opção por um trio de ataque móvel cabe também nas ideias de muitos treinadores. Mais pelas circunstâncias que por opção estrutural. E mais ainda quando a circunstância é ... não haver ponta de lança. Não era hoje o caso. A circunstância é que Cabral e Tengstedt não dão garantias ao treinador.
A ideia já tinha sido posta em prática na primeira parte do jogo da Supertaça, com o Porto. Não tinha resultado como experiência, mas acabou bem ... depois de abandonada. Hoje voltou a acabar bem, e voltou a ser abandonada, mesmo que em circunstâncias completamente diferentes.
Da outra vez tinha sido abandonada para mudar o jogo. E para o ganhar. Hoje foi abandonada quando a equipa estava por cima do jogo, e já ganhava. Curiosamente aconteceu quando o Benfica acabava de marcar o segundo golo. Que afinal não foi, porque o VAR aproveitou um fora de jogo a de Di Maria, que ninguém viu, para anular o golo de João Mário. Ninguém viu mesmo e, meia hora depois, lá mostraram umas linhas tão manhosas que o fora de jogo até já sobrava para Guedes...
Com aquele trio móvel na frente o Benfica, apesar da baralhação que se percebia, teve muita bola, e criou bastantes situações de golo. A primeira logo no primeiro minuto, na classe de Di Maria, com a bola a sair a rasar o ângulo superior esquerdo da baliza do Arouca. E mais duas (Guedes e Aursenes) ainda dentro dos primeiros 10 minutos. Mas a verdade é que, à baliza, durante todo esse tempo só no livre do mestre Di Maria que abriu o marcador, a pouco mais de meio da primeira parte. E no tal golo anulado ao João Mário, no preciso momento (55 minutos) em que o trio foi desfeito, com as entradas de Cabral, Tengstedt e Tiago Gouveia.
O golo anulado deu alma ao Arouca. É o costume: com o resultado em aberto o adversário acredita. E o Arouca acreditou um bocadinho. O suficiente para num momento se adiantar no campo, e deixar o Arthur Cabral partir de trás da linha de meio campo, correr isolado até à baliza para, já acossado por dois adversários que entretanto conseguiram chegar, picar a bola sobre o guarda-redes a selar finalmente, 20 minutos depois, o segundo golo. Como estava ainda no seu meio campo o senhor do VAR teve que se conformar.
Este sim, foi um golo à Cabral. Disto já tínhamos visto na Fiorentina. Mas disto há pouco nos jogos que o Benfica tem para disputar.
O que tem que haver muito nos jogos que o Benfica tem para disputar é Tiago Gouveia. Se Schemidt não o sabia não pode, a partir de hoje, fingir que não sabe. Tem tudo o que o Benfica precisa neste momento. A começar no benfiquismo. E a acabar na velocidade, na capacidade técnica e na resistência física!
Tiago Gouveia é a vitamina que falta ao Benfica. Como há seis meses foi João Neves!