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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Futebolês #46 Desposicionar

Por Eduardo Louro

  

Desposicionar tem obviamente a ver com posição. Se a palavra existisse na língua portuguesa – se assim fosse o futebolês não teria sentido a necessidade de a criar e, evidentemente, não estaríamos agora aqui a falar dela – estaria certamente agora a ser objecto de tratamento nessa coisa fantástica, de que ouvi falar esta semana pela primeira vez, chamada de português claro.

Pois é, agora surgiu para aí uma empresa – não é uma Fundação nem uma Associação das tais 14 mil já identificadas e que ninguém consegue exterminar – a pugnar pela utilização de uma linguagem clara e acessível. Claro que é uma ideia vinda do exterior (plain language, certificada por uma Plain Language Comission) e, por isso, já com um fortíssimo lobby. O Diário da República, que bem precisava, já vem com as leis traduzidas para português claro! O que não deixará de desposicionar o sistema judicial…

A tradução de desposicionar de futebolês para português claro diria que se trata de tirar da posição, ou mesmo mudar de posição que, por sua vez, corresponde a deslocação!

Ora aqui está a prova provada da falta que nos fazia este português claro

O futebol é um jogo de posições e de espaços, de encontros e desencontros. Os jogadores têm posições e espaços a ocupar e, a partir delas, funções a desempenhar. Há o chamado jogador posicional, aquele limita as suas funções a uma determinada zona do campo. Dali não sai. Dali ninguém o tira!

Mas também há a equipa posicional, a que obedece a uma rígida disciplina posicional, onde os jogadores sabem com rigor os espaços que devem pisar. Os que têm de ocupar para os roubar ao adversário e lhe tapar os caminhos que os possam conduzir à sua baliza. Ao adversário cabe-lhe desposicioná-los, arrancá-los das suas posições e espaços para, ao invés, romper acessos em direcção à baliza protegida. Como facilmente se percebe ganha quem, neste jogo do gato e do rato, conseguir enganar o adversário. Quem se não deixar enganar resiste. Quem não conseguir resistir desposiciona-se, perde as suas posições estratégicas e, como em qualquer batalha, é o descalabro.

Tirar da posição e mudar de posição, como tantas outras expressões já aqui trazidas, não é coisa que se limite ao que se passa dentro do campo de jogo. Fora de campo são muitas as mudanças de posição. E muitas as questões de postura. Ou de compostura. De dirigentes a adeptos.

Paulo Bento, com postura e compostura bem diferentes do seu antecessor – o malfadado Queiroz – colocou os jogadores nas suas posições e voltou a posicionar a selecção na rota do  europeu da Polónia e da Ucrânia. O que levou Gilberto Madaíl,a mudar de posição e, agora já numa postura de recandidatura, a reivindicar os méritos da escolha do seleccionador.

Vilas-Boas também mudou de posição sobre a arbitragem do jogo de Guimarães: afinal o penalti que tinha visto não passara de “ilusão de óptica”. Quis fazer passar uma postura de elevação de conduta para, na realidade, marcar posição na inesgotável fórmula da pressão alta sobre a arbitragem. A estratégia é clara: inventa-se um prejuízo da arbitragem sem pés nem cabeça para depois reconhecer o engano; capitaliza-se esta posição de humildade para sustentar outras reclamações sem sentido e desvalorizar, colocando-as ao mesmo nível, as que os adversários legitima e justamente reclamam.

Quem não muda de posição é Luís Filipe Vieira, que continua a defender que os adeptos benfiquistas não devem ocupar qualquer espaço nos campos dos adversários. Mal: porque não faz sentido e porque dificilmente será obedecido.

Duríssima terá que ser a posição da UEFA perante os graves incidentes dos hooligans sérvios em Génova, na Itália. O jogo que não chegou a ser, entre a Itália e a Sérvia, de apuramento para o euro 2012, serviu para uma manifestação de hooliganismo a lembrar que o futebol e o crime não podem continuar a conviver. Há uns anos atrás soube tratar-se do problema inglês; agora terá que ser dada uma resposta exemplar que resolva este e evite outros.

E, já agora, seria bom se alguma coisa se aprendesse para tratar do que aqui se passa. Fora e dentro dos estádios … e em todo o território nacional!

 

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