Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tour de France 2025 de A a Z

Os melhores da Volta a França 2025

A - Almeida - Apanhado na traição das quedas, e obrigado a desistir muito cedo, no fim da primeira semana, João Almeida fez muita falta a este Tour. Pela condição que revelava, e pelo que se viu dos adversários, teria muito provavelmente um lugar reservado no pódio, em Paris. Com ele, nem a corrida não teria sido a mesma, nem Pogaçar, que tantas vezes o lembrou, teria uma passagem tão discreta pelos Alpes. E tão distante de tudo o que prometera anteriormente.

B - BenHealy - O irlandês da EF Education-EasyPost foi um dos maiores animadores da corrida. Foi-lhe por isso atribuído o prémio de super-combativo. Ganhou uma etapa, a sexta, a segunda mais longa, ente Bayeux - Vire Normandía 201 km. Foi terceiro na décima, quando no dia da festa nacional francesa vestiu pela primeira vez a camisola amarela. Que seguraria por mais dois dias. Voltou a atacá-la dois dias depois de a perder, na etapa 14, nos Pirenéus. E mais dois dias depois, na 16, do Mont Ventoux, onde foi segundo, com o mesmo tempo do francês Paret Peintre (Soudal-Quick Step).

C - ConsonniPorque dos últimos também reza a História. Este italiano, da Lidl-Treck, foi o último classificado, na 160ª posição, a quase 6 horas de Pogaçar. Alguém teria de ser!

D - De LieNão cometeu grandes feitos, o jovem belga Arnaut de Lie, da Lotto. Mas é dado como um bom corredor de equipa. Foi também ele um animador de várias fugas. É apontado como bom finalizador, mas o melhor que conseguiu foi um terceiro lugar, dois quartos e um quinto. Foi ainda sétimo na meta nos Campos Elísios.

E - Evenepoel - Remco Evanpoel, o terceiro do ano passado, e ali a meio termo entre os galácticos e os humanos, falhou em toda a linha neste seu segundo Tour. Ganhou o contra-relógio, fazendo jus à sua condição de campeão do mundo, mas nunca mais esteve à altura do estatuto que já tem. Acabou por abandonar, claramente derrotado.

F - Florian LipowitzO alemão da Red Bull-Bora conquistou o terceiro lugar final, esteve no pódio, e foi o vencedor do prémio da juventude. Revelou-se um ciclista completo: com grande capacidade na alta montanha e  bom contra-relogista. E não tem medo de arriscar. Herdou a liderança da equipa. Roglic mostrou desde muito cedo que é mais passado que presente, e mais ainda que futuro. Esse pertence a este jovem alemão. 

G - Gall - O quinto lugar na geral é um bom resultado para Felix Gall. O austríaco da Decathlon não fez uma corrida conservadora. Correu riscos, e atacou, aqui e ali. Não deu para muito, mas deu para deixar uma boa imagem.

H - HautacamFoi a subida ao Hautacam, nos Pirenéus, ali próximo de Lourdes, que fez a diferença neste Tour. Esta subida entrou pela primeira vez no Tour apenas há 31 anos, e não tem tido uma presença constante. Esta foi apenas a sétima vez que foi escalada. Também não impressiona em altitude como tantas outras montanhas, especialmente nos Alpes. Mas, depois dos 12 quilómetros do Col du Soulor, e dos mais de 3 do Col des Bordéres, aqueles 14 quilómetros com 8% de pendente média, são decisivos.

Foi aí que Pogaçar arrumou verdadeiramente com Vingegaard, ganhando-lhe mais de 2 minutos. O cheque mate viria logo no dia seguinte, na crono-escalada de Peyragudes.

I - Ion IzaguirreO velho trepador espanhol, agora ao serviço da Cofidis, passou pelo Tour sem deixar qualquer marca. Sem honra, nem glória. O melhor que conseguiu foi um 42º segundo lugar, na 13ª etapa, a dos 11 quilómetros da crono-escalada de Peyragudes. No fim, foi 69º, a mais de 3 horas e meia.

J - Jordan JegatEste francês, da francesa TotalEnergies fechou, a quase 33 minutos, o top ten da classificação geral do Tour, o quadro de honra onde todos querem caber. E onde apenas dois franceses couberam. Às vezes não é preciso fazer muito para ficar no quadro de honra. A corrida de Jegat é disso um bom exemplo: apenas por duas vezes fez top ten na etapa - oitavo lugar na 15ª, a de Carcassone, e sétimo na 20ª, a penúltima, em Pontarlier.

K - Kevin VauquelinNa fase inicial do Tour, o jovem francês da Arkea, que tem vindo a alimentar os sonhos dos franceses (andam nisto há 40 anos), ainda chegou a parecer capaz de discutir um lugar entre os cinco primeiros e, principalmente, o primeiro lugar da juventude. Com a chegada à lata montanha rapidamente se percebeu que Vauquelin não conseguiria confirmar as prestações iniciais. Onde, em boa verdade, nunca fez mais que permanecer resguardado na roda dos da frente. Foi sétimo na geral. E compara bem com o seu compatriota no top ten: apenas por uma vez, na etapa 12, no Hautacam, fez melhor que a classificação final - foi sexto.

L - Luka MezgecNem só de Pogaçar e Roglic se faz o ciclismo esloveno. Também se faz de Mezgec, já um veterano, que chegou bem antes deles - já vai para 10 anos na australiana Jayco AlUla. Foi o 152º, a mais de 5 horas e 40 minutos.

M - MilanO italiano Jonathan Milan, da Lidl-Trek, conquistou o segundo mais importante classificação de uma grande corrida - a dos pontos, da camisola verde. E a única que escapou - ainda que por pouco, e apesar das etapas de montanha valerem bem menos pontos que as planas - a Pogaçar. Bastaram-lhe as duas etapas que venceu, mais os dois segundos lugares, e mais alguns sprints intermédios, num Tour corrido a grande velocidade, com muitas fugas e, por isso, pouco favorável aos sprinters.

N - Nelson OliveiraO segundo corredor português em competição teve uma participação discreta. Tentou integrar uma ou outra fuga, entrou numa, chegou então a andar na frente, mas não resultou. A sua equipa, a Movistar, também não esteve melhor. Nem o seu líder, Enric Mas. Que abandonou, também sem honra nem glória.

O - Oscar OnleyOnley é uma das maiores revelações neste Tour 2025. Este britânico de 22 anos, da Picnic PostNL, revelou uma regularidade e uma força mental fora do comum. Foi quarto classificado, ficou à porta do pódio. Por 1 minuto e 12 não chegou ao terceiro lugar, nem foi o primeiro da juventude. E confirmou que está já no patamar mais alto do ciclismo mundial.

P - Pogaçar - Foi o ciclista mais forte e regular do Tour. Alcançou a quarta vitória e, a nada de anormal acontecer na sua carreira, fica em condições de superar as míticas cinco vitórias de Anquetil, Merckx, Hinault e Induráin. Nos Pirenéus parecia que bateria todos os recordes de vitórias neste Tour. Fosse por fadiga, fosse por alguma questão de saúde, ou fosse porque lhe faltou equipa, quando já lhe faltava João Almeida, não o pôde confirmar nos Alpes. Mas ganhar como ganhou (sempre) a Jonas Vingegaard. Ganhar com diferenças de tempo nada  habituais. Ganhar ainda classificação da montanha, e ganhar quatro etapas, não deixa margem para qualquer tipo de especulação sobre uma eventual quebra na terceira semana do Tour.

Q - Quinn SimmonsO campeão americano de estrada, que representa a Trek, foi dos corredores que mais deram nas vistas no Tour. Não sei se houve alguma fuga onde ele não aparecesse. Se há ciclistas cuja função principal é mostrar as camisolas, com os patrocínios, este seria um dos mais eficazes. A que mostrou, mostrava a bandeira americana. Talvez fosse essa a ideia, porque ele também é conhecido por ideias ... menos simpáticas. Mas ... que foi valente, foi. Como foi incansável no apoio a Milan. Tudo isso valeu-lhe o prémio de melhor équipier do Tour.

R - RoglicChegou a parecer que a maldição do Tour seria este ano ainda mais penosa para Primoz Roglic. Quando parecia afundar-se, encontrou ânimo, força e motivação para resistir, acabando por salvar a segunda metade da prova. Acabou em oitavo, a 25 minutos e meio do seu compatriota. Mas é indiscutível que Roglic está decididamente na fase descendente da carreira. Que, depois de tantos anos no nível mais alto do ciclismo mundial, vai acabar sem uma vitória na sua competição mais importante.

S - Sepp KussAos 31 anos o americano da Visma foi uma sombra do grande ciclista que foi. Aquele que era considerado o melhor braço direito do mundo, o corredor que qualquer líder queria na equipa, foi dos mais discretos do Tour. Nem foi para ele, nem para Vingegaard, a quem nunca serviu ... de nada. Foi 17º na geral, a mais de 1 hora e vinte minutos, mas falhou sempre.

T - Thymen ArensmanÉ grande, gigante este neerlandês da INEOS. Mas é também um enorme corredor de bicicleta. Perdeu logo no início a hipótese de lutar por um dos lugares mais altos da geral, e acabou por se ficar pelo 12º lugar, a quase 53 minutos de Pogaçar. Mas fez um grande Tour, venceu duas etapas de grau de dificuldade extremo: Superbagnéres e La Pagne, ambas à frente dos dois do costume. E foi segundo noutra, no Mont-Dore. Se não tivesse perdido tanto tempo nas etapas iniciais ...

U - UAE - Mais uma vez, a maior e mais poderosa equipa de ciclismo do mundo, não esteve à altura dessa condição. Os erros, que terão porventura começado no escalonamento dos corredores, ficaram mais à vista com a queda e o abandono de João Almeida. Pogaçar raramente precisou de equipa, mas quando precisou, não teve! 

V - Vingegaard - O dinamarquês da Visma chegou ao Tour disposto a conquistar o seu terceiro título, e igualar o seu rival, e único verdadeiro adversário, mas rapidamente Pogacar, muitas vezes até de forma impiedosa, lhe deixou claro que isso era ambição em excesso. Vingegaard foi o segundo melhor ciclista do Tour, e nem foi preciso esperar pelos seus piores dias (no contra-relógio de Caen e na subida de Hautacam) para perceber que não conseguia ser melhor que Pogaçar. Acabou o Tour ao mesmo nível do esloveno, não tanto pelo que tenha melhorado, mas talvez mais pelo que tenha Pogaçar piorado. Continua a demonstrar uma consistência impressionante: foi segundo em quatro etapas e terceiro em outras quatro, e subiu ao pódio de Paris pelo quinto ano consecutivo. 

W - Woot Van Aert - O extraordinário corredor belga da Visma não teve neste Tour a influência que costuma ter nas competições em que participa. Como tinha acabado de ter no Giro. Ainda assim não passou ao lado, não é corredor para isso. Ganhou, brilhantemente - o único a derrotar Pogaçar - a última etapa, nos Campos Elísios. 

X - Xandro Meurisse - Este belga, da também belga Alpecin, é mais um exemplo de um gregário, que trabalha no pelotão para os objectivos da equipa. Que, no caso desta equipa belga, é ganhar etapas. O que não é pouco. E ganhou três, por Philipsen, o seu principal sprinter e a primeira vítima das primeiras quedas, logo na primeira etapa. Pelo extraordinário Mathieu Van der Poel, a figura maior da primeira parte do Tour, até ter sido obrigado a desistir, vítima de pneumonia, que ganhou a segunda. E ainda pelo australiano Kaden Groves, que ganhou a 20ª, em Pontarlier, isolado. 

Y - Yates - São dois, são gémeos, estavam em lados opostos, ao serviço dos dois monstros do Tour,  e são dois grandes corredores. Mas os manos britânicos não estiveram ao seu nível, ambos. Simon, da Visma, que vinha de ganhar (surpreendentemente) o Giro Adam, ainda assim esteve melhor. Foi 15º na geral, ganhou uma etapa, no Mont-Dore, e viu-se ainda ser muito útil a Vingegaard. Adam, da UAE, foi 24º e raramente foi útil a Pogaçar.

Z - Zimmermann - Ao francês da Intermarché pedia-se que ajudasse Girmay a repetir a camisola verde do ano passado. Mas o corredor da Eritreia, desde cedo diminuído pelas quedas, não teve possibilidade de discutir essa classificação. Resistiu, quase que heroicamente, para terminar o Tour. Acabou na 132ª posição da geral, a 5 horas e um quarto. Georg Zimmermann, esse acabou fora de estrada, à 10ª etapa.

 

 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

Acho que ninguém em Portugal tem dúvidas sobre o interesse do país em manter um grande banco público. Pode até haver quem se esteja a chegar à frente e a levantar o dedo, mas isso isso é apenas um impulso irreflectido de mentes liberais mais empedernidas. Depois de tudo por que temos passado, e com o BES bem fresquinho na memória - tão fresquinho que até já andamos todos a fazer contas a quanto é que desta vez nos vai tocar (agora sim, é que se justificaria o tal simulador, que há uma semana tiveram tanta pressa em disponibilizar no site das finanças) -, não há alminha que, por mais enraizada que estivesse a ideia na sua cabeça, ache que a Caixa Geral de Depósitos deva ser privada.

E no entanto, mesmo assim, o primeiro-ministro não pensa noutra coisa. Sabemos que é uma ideia antiga, e sabemos que é um sujeito teimoso.

Por isso anda preocupado com a Caixa

Argumenta - não argumenta, evidentemente, põe o seu exército de escribas e pensadores a intoxicar a opinião pública, porque é essa a receita de sempre - que os bancos privados, ao contrário do banco público, já devolveram, em parte ou na totalidade, os montantes da ajuda financeira que receberam através daquelas obrigações com aquele nome meio mal cheiroso, as CoCo bonds. Mas não diz, nem diz para dizerem, que o banco público não está em atraso com nenhum reembolso. Nem que a banca privada procedeu aumentos de capital para efectuar esses reembolsos, isto é, teve acesso a capital não remunerado para substituir capital altamente remunerado. Coisa para que o accionista da Caixa, que o sujeito precisamente representa, não está disponível. Nem diz que, assim, sem acesso a capital accionista, aqueles 900 milhões de euros das CoCo bonds são importantes para os rácios de capital da Caixa. E que, se calhar, é por isso e não por qualquer problema de liquidez, que a Caixa não procedeu ao reembolso antecipado, com fizeram ou estão a fazer os banco privados.

Esteja descansado senhor primeiro-ministro. Não tem mais motivos de preocupação com a Caixa do que com os outros bancos. Tem razões para se preocupar com o sistema financeiro, tem sim senhor. Mas isso é outra coisa. Disso o senhor não fala... 

O senhor quer apenas aproveitar todo e qualquer pretexto para chegar ao seu porto de abrigo. E neste caso é - ou era? - apenas a mais apetecida das privatizações!

A gente sabe do que é que está a falar...

 

Só a comiseração faz a diferença

Ministra da Administração Interna diz que é irrelevante número de meios ...

O país arde, como sempre, mais ou menos por esta altura.

O/a ministro/a da tutela, da Administração Interna, como sempre que o país arde, estatela-se ao comprido na comunicação. 

É sempre assim, governo após governo. Governo do PSD após governo do PS. 

Ao contrário do apregoado, nada nunca está melhor. Está sempre tudo na mesma. Tão na mesma que quando a ministra Maria Lúcia Amaral se estatela não tem diferença nenhuma de quando se estatelavam Constança Urbano de Sousa, Eduardo Cabrita ou Margarida Blasco. A única diferença está na comiseração que cada um nos poderia suscitar... 

De 0 a 10, do zero de Cabrita ao 10 de Constança. Com Maria Lúcia Amaral a resvalar para bem mais perto do primeiro que da segunda.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

A coligação no poder apresentou ontem o programa eleitoral. Com pompa, muita pompa... Dada a circunstância - em cima das férias, fora de tempo de discussão - nada mais prentendia que pompa.

Podia, mesmo assim, a coligação ser mais comedida na charlatanice

Recorro ao velho slogan publicitário: Poder, podia... Mas não era a mesma coisa!

No meio de tanta aldrabice, a sem vergonha tinha ainda de chegar à ameaça com as agências de rating

Tinha. Porque é aí, já em pleno território do absurdo, na fronteira com a loucura, que a charlatanice atinge o climax da conclusão no tal slogan publicitário.

Era o que faltava... Era o que faltava no discurso charlatão. Já não falta!

O que falta - e a falta que lhes faz - é que as agências de rating assinem por baixo o discurso dos milagres dos charlatães. Não assinam por baixo, não caucionam e mantêm o país no lixo, donde não não saiu como ainda se atascou mais...  

É tal a vertigem que ja nem conseguem parar, para pensar. E acabam por se espetar, com estrondo: para ameaçarem com o papão das agências de rating não conseguem esconder que afinal  o país é - continua - lixo, sem nada a ver com o que apregoam.

 

Provocação e abuso de poder

O histórico (e a polémica) de Fábio Veríssimo em jogos do Sporting

A nomeação de Fábio Veríssimo - vulgo Verdíssimo - para arbitrar o jogo da Supertaça, na próxima quinta-feira, foi a forma mais eloquente que o Conselho de Arbitragem, e a FPF, encontraram para o arranque da nova época de futebol.

Já não bastava a marcação da data do jogo, face à participação do Benfica no campeonato do mundo de clubes, e à disputa das pré-eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões. Já não bastava a despenalização de Quenda e Debast. Era ainda preciso ser mais provocador, e nomear o mais ligado dos árbitros ligados ao Sporting.

Será este o sinal que os poderes do futebol, depois de tudo o que aconteceu na época passada, e em especial na sua parte final, têm para dar logo na abertura das competições da nova temporada?

Ou será apenas o Sporting a não querer perder a primeira oportunidade para a primeira demonstração de força? Para mostrar que tem o poder, e que nada, nem ninguém, lho tira?

Por outro lado, do do Benfica, apenas a mesma resignação, sem sequer estrebuchar. Sempre pronto a oferecer a outra face ... À espera que as mesmas coisas, nas mesmas circunstâncias, produzam resultados diferentes.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

Maior, muito maior, que as estruturais diferenças entre Portugal e os Estados unidos, é a conjuntural diferença entre os seus Chefes de Estado...

Ouvir o discurso de Obama em África - e a propósito de África - só dá outra dimensão á tormenta da nossa triste sina. Pôr o dedo na ferida, chamar as coisas pelos nomes, apontar sem ambiguidades, sem rodeios nem receios, com a autoridade de quem diz vir da mesma tribo, é de Homem grande. Que torna liliputiano quem perante Obiang mete o rabinho entre as pernas ... e sai de mansinho...

Não! Não é porque Obama é presidente dos Estados Unidos e Cavaco de Portugal. Não é pela dimensão de cada um dos países, é mesmo pela dimensão de cada uma das pessoas. Pela dimensão que uns têm e outros nunca terão!

Tarifas, humilhação, pequeno almoço e populismo

Von der Leyen à Trump : « Nous ne punissons pas nos voisins

Ursula von der Leyen assinou ontem, com Trump, o humilhante acordo comercial EUA-UE, em total cedência e submisão aos caprichos do extravagante inquilino da Casa Branca.

Trump impôs tarifas de 15% sobre as importações da Europa, e de 0% para as exportações americanas para a UE. Impôs a Ursula von der Leyen que garantisse a compra, em largas centenas de milhões de euros, de material militar, em linha com a imposição dos 5% do PIB para os orçamentos de defesa, a compra de produtos energéticos no valor de 750 mil milhões de dólares, e o aumento do investimento europeu nos Estados Unidos em 600 mil milhões de dólares.

No fim, a presidente da Comissão Europeia veio dizer que "foi difícil, mas, no final, fomos bem-sucedidos". António Costa, presidente do Conselho Europeu, que "é um acordo que prioriza a cooperação, protege os interesses fundamentais da União Europeia, e oferece às empresas a certeza de que precisam". Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, que "é um acordo que permite evitar uma escalada desnecessária nas relações comerciais transatlânticas". E Victor Órban, simplesmente que "Donald Trump comeu Von der Leyen ao pequeno almoço"

É também isto que faz a diferença que engorda o populismo. Um "establishment" envolvido em tretas, a mandar areia para os olhos, serve-se de "pequeno almoço" ao populismo.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

Toda a gente sabe que o acordo imposto à Grécia pelo Eurogrupo não resolve coisa nenhuma. Nem à Grécia nem à União Europeia, daqui por (poucos) meses tudo volta á mesma!

Tsipras disse-o desde logo: “assino, mas não concordo” – mais ou menos isso – e por todo o lado, gente de todos os quadrantes afirmou e reafirmou que nada tinha ficado resolvido, tudo tinha sido adiado, empurrado para a frente. Muitos salientaram ainda os riscos da humilhação. A História está farta de os mostrar, e se alguma coisa emerge deste acordo a que a Grécia foi forçada é justamente a humilhação a que foi sujeita.

Vem isto a propósito da onda de indignação que por aí anda por parte da mais cega ortodoxia da direita a propósito de um eventual plano secreto do governo grego para abandonar o euro, confirmado até num suposto vídeo de Varoufakis. A Grécia é – dizem – o cavalo de Tróia do euro!

Sendo evidente para toda a gente que se a União Europeia não mudar – e não só não se vê como possa mudar, como essa mesma ortodoxia de direita e germanófila não quer que mude – a Grécia não cabe no euro (nem, nessas condições, Portugal, mas isso eles não percebem), normal é que o governo grego esteja a trabalhar num plano de regresso à sua moeda. A não ser que fosse ainda mais incompetente e irresponsável do que o que o pintam. O governo grego só não saiu – nem teve condições de ameaçar fazê-lo, e daí ter de se sujeitar à humilhação – pelo seu próprio pé porque não estava em circunstâncias de o poder fazer. Por razões (menores, apesar de tudo) conjunturais de política interna – os gregos queriam manter-se no euro – mas acima de tudo – que não é pouco, é mesmo tudo – porque não teve apoio externo. Nem Rússia, nem Estados Unidos, nem China, e sem reservas de divisas para pagar importações, nunca podia adoptar uma moeda própria …

Antes de acusar o governo grego de cavalo de Tróia, haveria que acusar a União Europeia de fazer da Grécia um bombista suicida. Se o governo grego estiver a preparar a sua saída está apenas a fazer o que a realidade lhe impõe. O que lhe compete. O que a lucidez aconselha.

Que no meio disso tudo recuse apertar os explosivos à cintura é o que nós devemos ardentemente desejar!

Tour de France 2025 (VIII)

Image

A Volta a França chegou hoje ao fim, em Paris, e nos Campos Elíseos, como vem sucedendo há 50 anos, tradição apenas quebrada no ano passado, por força dos Jogos Olímpicos.

Com uma novidade, no entanto: o circuito de Paris, que tradicionalmente fecha a última etapa, contou com a passagem por Montmartre. Que fez toda a diferença, roubando a etapa final aos sprinters. O que era um circuito em pelotão compacto, e uma chegada disputada ao sprint, porque nas três voltas ao circuitos corredores tiveram de passar por três vezes na subida para Montmartre (1,1 quilómetros, com uma inclinação média de 5,9%) passou a ser um circuito corrido aos grupos, com uma chegada isolada à meta.

Pogaçar, que depois dos Pirenéus não voltou a ganhar, nestas circunstâncias, quis ganhar em Paris. Fez por isso mas, o que é louvável. Mas já não está tão forte (os Alpes deixaram isso evidente) como já esteve. Afinal também ele é humano!

A Visma meteu dois corredores (em apenas seis) no grupo de Pogaçar, que atacou a frente da corrida nos últimos 30 quilómetros: Matteo Jorgenson e Wout van Art. E fez muito bem o jogo de equipa, com o americano a fazer o trabalho de desgaste para o belga desferir o ataque final na última passagem pela subida. Ainda assim, e pese a enorme categoria de Wout van Art, não foi sem surpresa que o vimos atacar e voar para a meta, isolado, de baixo de chuva copiosa, deixar Pogaçar irremediavelmente para trás, e alcançar a vitória que sempre lhe fugira neste Tour.

Com a chuva, a organização decidiu congelar os tempos a 50 quilómetros da meta, pelo que as assinaláveis diferenças de tempo na meta já não contaram para a classificação geral. Por isso, o ataque ao último lugar do pódio, e à camisola branca que, nas condições da etapa, ainda estariam em aberto, não chegou a acontecer.

E a quarta vitória de Pogaçar no Tour acabou por ser a mais clara de todas. Vingegaard foi um digno vencido, a 4,5 minutos. Lipowitz fechou o pódio, a 11 minutos, e foi o primeiro da classificação da juventude.

 

De volta à Catedral

3

Com fome de Catedral cheguei à Luz bem cedo. E não correu bem!

Aquela ideia do autocarro entrar com os jogadores pela Praça do Centenário até é capaz de fazer sentido. Mas, com as portas do Estádio fechadas, quem andava ali descansado pela Fun Zone, de repente, ficou completamente bloqueado por um mar de gente que se apinhava à espera dos jogadores ... apenas avistados por quem estivesse encostado às baias. Desconfortável, o suficiente para quebrar a boa disposição.

Ultrapassada a indisposição, e bem cedo sentado no lugar - desta vez com a pouco habitual companhia da companheira de vida - deu então para matar a fome. Quando se trata disto, de matar a fome, e nesta altura do calendário a que chamam pré-época, o jogo em si, com as suas nouances, estratégias, tácticas e opções passa para segundo plano. Prioritário é, na circunstância, celebrar Eusébio - "tu és o nosso rei, descansa eternamente" -, depois sentir o bater da Catedral, depois, ainda, sentir as caras novas. Só no fim vem o jogo.

Eusébio esteve lá. Esteve lá sempre, do início ao fim. A Catedral bateu com mais de 55 mil a vibrar, e uns quantos, poucos, a fazer tristes figuras: um petardo (insistem, não vale a pena avisar, nem se importam com as penalizações ao clube que dizem amar) e uns assobios, em determinada fase do jogo ao Samuel, só porque dois lançamentos longos - que faz como poucos (lembram-se do Ederson?) e que víramos treinar com 100% de sucesso ao intervalo, antes de entrar - não correram bem. As caras novas ficaram bem na fotografia: Richard Rios é craque, e não é preciso dizer mais; Enzo Barrenechea equilibra (o maior elogio que se lhe pode fazer é dizer que se sentiu bem a sua falta na fase mais complicada da segunda parte); e Dedic encheu-me a alma.

Faz lembrar Carreras, de que já sentimos saudades. Na forma como sai com a bola, na facilidade em atacar em slaloms difíceis de parar, na intensidade, na disponibilidade para o jogo, sem medo.

Das caras novas do Seixal o destaque vai para João Veloso, o miúdo de Albufeira que se estreou no onze titular. Não será um portento de técnica mas é lutador, faz lembrar Gonçalo Ramos na forma como pressiona a defesa adversária, e revela já uma visão de jogo acima da média, bem visível na forma como descobriu Pavlidis, no início da jogada do segundo golo.

Gonçalo Oliveira e Joshua Wynder, baixo mas, sem dúvida, um enorme centralão a curto prazo, que até entraram no período mais difícil do jogo, logo a seguir ao Fenerbaçe ter empatado, formam uma dupla de centrais respeitável.

Henrique Araújo (será que ainda vai a tempo?) teve um regresso feliz à sua casa, com dois golos plenos de oportunidade, se bem que só um deles tenha contado. Foi o miúdo que conhecemos do Benfica, e da selecção nacional de sub 21, e não o que nos mostraram de Famalicão, e de Arouca.

O jogo mostrou-nos um Fernerbaçe mais adiantado na preparação, muito competitivo, e extraordinariamente agressivo (perante a complacência de mais uma lamentável arbitragem, desta vez do conhecido Hélder Carvalho) com os jogadores sistematicamente a baterem forte e feio, especialmente em Richard Rios. Mas também com muitos bons jogadores, de renome mundial. E com duas caras tácticas, bem à imagem de Mourinho. 

Um jogo que o Benfica dominou na primeira parte, com espaços de bom futebol que, mesmo sem criar uma enormidade de ocasiões para marcar, poderia ter terminado com uma vantagem bem mais alargada que o 2-1 ao intervalo. Com o golo da equipa de Mourinho, logo a seguir ao 2-0 (Akturkoglu, aos 38 minutos, e autogolo de Archie Brown aos 42 minutos, depois de Livakovic ter negado o golo de estreia a Richard Rios), e mesmo em cima do intervalo, a surgir na sequência de uma perda de bola de Enzo Barrenechea, na fase inicial de construção, que permitiu a Kahveci o remate certeiro à entrada da grande área.

O Benfica voltaria a entrar bem na segunda parte, com duas boas oportunidades por Akturkoglu, mas foi sol de pouca dura. Não durou mais de 5 ou 6 minutos até o vice-campeão turco tomar conta do jogo. Chegou ao empate - golo de Youssef En-Nesyri, o internacional marroquino que assinou a eliminação da selecção portuguesa no último mundial - no final do primeiro quarto de hora quando, tal foi o seu domínio naqueles 10 minutos, já o justificava.

Imediatamente a seguir - não foi reacção ao golo, já estavam preparadas - Bruno Lage, que ao intervalo já tinha trocado Trubin por Samuel Soares, Enzo Barrenechea por Leandro Barreiro, Dedic por Leandro Santos, e João Veloso por Bruma, substituiu Pavlidis, Akturkoglu, Richard Ríos, Aursnes e Dahl, por Obrador, Schjelderup, Prestianni, Henrique Araújo e Diogo Prioste. 

Pouco depois, Bruma, que não estava particularmente feliz, lesionou-se gravemente. Tão gravemente - rotura completa do tendão de Aquiles esquerdo - que poderá significar o fim da carreira. E foi substituído por Tiago Gouveia, muito aplaudido.

Admitia-se que tantas trocas, e com a saída de figuras de primeiro plano, no período em que a equipa de Mourinho estava tão por cima do jogo, ficasse mais difícil ganhar o jogo e o troféu da homenagem a Eusébio. Mas aconteceu o contrário, e o Benfica retirou o domínio ao adversário e voltou a colocar-se por cima do jogo.

Henrique Araújo colocou justiça no marcador, ao marcar o terceiro, aos 81 minutos, num lance de antecipação ao (excelente) guarda-redes Livakovic, em movimento de ponta de lança. Idêntico - e não é por acaso, é porque quem sabe, sabe - ao do quarto golo, festejado exuberantemente, por ele e por todo o Estádio, mas anulado, depois, pelo VAR.

E como o jogo também foi arbitragem, não há como não falar dela. Hélder Carvalho, que das bancadas até parecia o Luís Godinho, é mais um desta nova ordem lagarta. Já conhecíamos os seus serviços do Benfica-Farense, de há pouco mais de três meses, ou do Sporting-Estoril, pela mesma altura. Não esteve sozinho neste jogo inaugural da Luz, a mostrar aos novos jogadores o que é a arbitragem em Portugal. Na cidade do futebol estiveram Paulo Barradas (VAR) e Pedro Felisberto (AVAR) também com lugar proeminente nesta nova ordem do futebol português. Cada golo do Benfica, sem que qualquer sombra de irregularidade pairasse, demorou uma eternidade a ser validado. Até que ao quarto, ao que me dizem, sem linhas e com o pé esquerdo do defesa contrário a deixar Joshua Wynder em jogo, conseguiram mesmo anulá-lo. Pelo contrário, o segundo golo do Fernerbaçe, foi prontamente validado.

Tudo isto já sem falar de nem um amarelo, para amostra, nas sucessivas faltas, muitas delas maldosas, sobre o Richard Rios. Ou nas duas vezes em que Otamendi foi agarrado dentro da área adversária. 

Continua um caso sério, esta arbitragem portuguesa. Ver como o Sporting ganhou ao Villa Real os seus "cinco violinos" incomoda. Mas incomoda muito mais o que já se sabe que aí vem. Outra vez!

 

Pág. 1/7

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2014
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2013
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2012
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2011
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2010
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics