Ainda que depois houvesse um argumento, os filmes, as histórias e os diálogos do cinema de João Canijo nasciam de um trabalho de criação com os actores. Chamavam-lhe por isso um cineasta de actores, mas também de mulheres. De actrizes, mas também por trabalhar com equipas maioritariamente compostas por mulheres.
O reconhecimento internacional chegou tarde, mas chegou. Em 2023, com “Mal Viver”, no Urso de Prata para a melhor realização, em Berlim.
Partiu de repente, depois de um ataque cardíaco fulminante.
Não era fácil a tarefa do Benfica nesta sua segunda visita a Moreira de Cónegos, em cinco dias. Depois da fantástica exibição da última terça-feira, tudo o que hoje o Benfica fizesse estaria sempre prejudicado por uma bitola altíssima e difícil de atingir.
E não era imaginável que a exibição se repetisse. Porque cada jogo é um jogo? Porque não há dois jogos iguais?
Nada disso, isso não passam de balelas dofutebolês. Simplesmente porque não é fácil repetir uma exibição daquelas.
O jogo de hoje foi na realidade outro jogo. O Moreirense fez tudo para que o Benfica não repetisse esse jogo, tentando sempre possível alongar o jogo, e mesmoparti-lo. E no entanto o desfecho final só não foi o mesmo por circunstâncias meramente acidentais. Entre as quais dois penaltis que ficaram por assinalar contra a equipa minhota.
O próprio golo do Moreirense, do mesmo Iuri Medeiros, na última jogada do desafio, com o Benfica já em descompressão, acabou por enfatizar os circunstancialismos que impediram a repetição do resultado.
E isto diz tudo sobre o momento que o Benfica atravessa. Pode não conseguir atingir sempre o brilhantismo de nota 20. Mas, com os mesmos ou com outros jogadores, mantem-se sempre num plano exibicional que poucos atingem e sempre em alto rendimento!
No momento em que regressou Gaitan, a ditar o injusto regresso de Carcela ao banco, teme-se pela lesão de Lizandro, ainda antes do regresso de Luisão. Que faria igualmente injusto o regresso ao banco do central argentino...
Metido no meio de uma zona do país que a Kristin virou do avesso, sem serviços públicos, água, luz, comunicações, internet, e entregue às parvoícesdesta gente que nos finge governar, que brinca e se diverte a fazer que faz alguma coisa - imaginemos estes incompetentes à frente do país durante a Covid! - não me foi possível escrever o que quer que fosse sobre a épica e gloriosa noite de quarta-feira na Catedral, verdadeiramente contrastante com a noite negra e sofrida vivida nesta região, que é a minha.
Não vou escrever sobre o jogo, mas não podia passar sem aqui deixar o registo deste resultado para a posteridade: Benfica 4 - Real Madrid 2. Para engalanar ao lado dos 5-3 de Amesterdão, de 2 de Maio de 62, na segunda Taça dos Campeões Europeus; dos 5-1 da Luz, de 24 de Fevereiro de 65, nos quartos de final que nos levariam ao 0-1 da final de S. Siro, com o Inter. Já que os 5-2, também da Luz, na Eusébio Cup, em 2012, não têm o mesmo peso histórico.
Foram quatro golos, podiam ter sido mais. Foi uma noite à Benfica, como há muito se não se vivia. Dizer-se que foi um hino ao futebol é dizer pouco. Foi o futebol na sua expressão mais pura, na sua exuberância máxima. O futebol é isto, não é isto mesmo - aquilo que dele querem fazer!
A paixão do futebol é isto. Depois de tantos golos sofridos nos descontos, depois de tanta desilusão, depois de quatro derrotas nos primeiros quatro jogos. Depois da flagrante falta de sorte em Stamford Bridge, do azar da Luz com o Bayer, e da injustiça da derrota de Turim, um golo no último lance, da cabeça do Trubin, quando nem lhe passava pela cabeça que faltava aquele golo para o milagre do apuramento.
Agora, no play-off ... voltamos a ter Real Madrid.
É mais difícil? Claro que é. Mas só isso - mais difícil!
Não houve tempo a perder.Uma semana depois de terem sido levantadas as sanções o presidente iraniano fecha negócios de dezenas de milhares de milhões por Itália e França. Pelos milhões, e para que nada pudesse beliscar a obscura sensibilidade de Hassan Rouhani, os italianos mandaramtapar todas os nus das obras de arte espalhadas pela capital. Já em França, onde os milhões dos negócios eram ainda mais milhões, com muitos aviões e ainda mais petróleo, o vinho falou mais alto que os nus... EHollande cancelou o almoço com o comprador de bolsos cheios: não há vinho, não há almoço.
Assim é que é. À italiana é que não: quando se baixa muito mostra-se o cu. Nem precisa de estar nu. Basta não ter cuecas... Mas disso o senhor gosta!
António Costa - e quase todos nós, afinal - estava convencido que, com tantos e tão graves problemas para resolver - refugiados, Schengen, crescimento económico, terrorismo, sei lá ... - a Europa não nos iria chatear muito. E era bem capaz de deixar passar uma incongruência aqui, um bicada num conceito ali, uma alínea do Tratado Orçamental acolá... Ou até mesmo um errozito qualquer numa ou outra conta de um orçamento cheio de contas difíceis. A tal quadratura do círculo, de que aqui se tem falado...
Afinal, não. Nada disso: a Europa não tem nenhum problema para resolver. O problema único é mesmo umas décimas no défice de um pequeno país que não conta para nada, que tem um quarto dos custos do trabalho da Dinamarca, Suécia ou Bélgica. E menos de metade dos da média europeia.
Poderia pensar-se que a Europa, esta Europa, se preocupa com pintelhos, como diria Catroga, uma autoridade na matéria. Até parece, mas se calhar não é bem assim: os burocratas e mangas de alpaca que, para mal dos nossos pecados, tomaram conta da Europa, estão lá para evitar que aos governos nacionais cheguem ideias que saem fora dacartilhaque lhe entregaram para impôr. Nada os preocupa o que se passa na Hungria, e na Polónia, mas... alto lá: Um governo apoiado pela esquerda? Quem autorizou uma coisa dessas? Já não se lembram da Grécia?
É acartilhaa sua razão de ser, nada é mais importante. Nem que à sua volta tudo arda e tudo desapareça na destruição das chamas...
O meu amigo Jorge Tomé disse ontem que lhe parecia que o Banif, a que presidira,tinha sido usado como moeda de troca. Que parecia que há muito estaria prometido ao Santander...
Não disse mais - o Jorge Tomé para além de extraordinariamente competente, é incondicionalmente institucional. Mas nós podemos especular. Ou nem tanto: apenas lembrar a velhaestóriados Swaps da Maria Luís. E vem-nos à memória que a coisa com o Santander era um bocado complicada...
Moeda de troca, Jorge. Bem lembrado... Também há quem diga que uma mão lava a outra...
António Chainho, o embaixador da guitarra portuguesa, um dos maiores guitarristas de sempre, o mestre, deixou-nos hoje. No dia em que completava 88 anos!
Conhecemos o currículo deste “rapaz” de 42 anos, o seu percurso académico, a ligação à igreja católica, a “carreira” de “comentador desportivo” e a intervenção política. Percebemos o seu perfil psicológico, a maneira como pensa e aquilo que o move.
Só por patetice ou ignorância é que alguém pode dizer que o “rapaz” é fascista. Dizer isso é tão primário e tão básico que nem merece resposta.
O rapaz tem qualidades?
Tem!
É inteligente, imaginativo, determinado e lutador.
O maior defeito que tem é a hipocrisia. Não acredita em nada do que que diz. Não há ali ódio ao cigano, ao imigrante ou ao “corrupto”. São apenas “alvos” da estratégia do hipócrita para atingir os seus objectivos. Escavando no pior que existe dentro de cada um de nós, fazendo vir ao de cima sentimentos que existiram sempre na comunidade:
A desconfiança contra o estrangeiro, sobretudo o que tem cor de pele diferente e contra os ciganos, que há 500 anos são ostracizados e rejeitados.
Essa é que é essa!
E com estes chavões, rodeado de uma massa amorfa de “militantes, uma salada russa de frustrados, ressabiados, escorraçados, semi-analfabetos, ambiciosos que não olham a meios, e até alguma gente de boa fé, que o seguem com o mesmo entusiasmo, com que idolatram o treinador ou presidente do seu clube da bola, única coisa que lhes interessa, único motivo que anima e dá alegria às suas vidas cinzentas. É uma milícia que suscita mais troça e gargalhadas do que receios ...
Aquela falta de educação, aquela gritaria, aquela permanente contradição, dizendo isto hoje e amanhã o seu contrário, não é inata no rapaz. É falsidade. Bem o “baptizou” o Pedro Abrunhosa: “aldrabão de feira”.
Mas é um fingidor dotado de qualidades.
Tem arregimentado uma espécie de tropa fandanga, que pelos casos, casinhos, notícias e investigações já conhecidos, permite perceber a base sociológica da patusca sucia, a que ele chama “partido” e militantes. É uma “maltinha” que não é flor que se cheire ... Só uma trupe destas, é que está sempre disposta a ir atrás de um demagogo qualquer, que berre muito e lhes prometa tudo. Isto, aquilo e o seu contrário.
Sim meus amigos, repito aquilo que venho escrevendo há vários anos:
Não levo o rapaz da coelhinha a sério. Ali não há nem “fascismo”, nem ódio, nem violência. Há apenas falsidade. Um ego gigantesco, aliado a uma inteligência superior. Um fenómeno merecedor de estudo psicológico.
No dia 8 atingirá a cota máxima, como as barragens neste tempo de tanta chuva. No dia 9 começa o seu princípio do fim.
Vai tentar derrubar o rapaz T6 de Espinho, para provocar eleições antecipadas. Mesmo que o derrube não vai ter sucesso. Subiu ao pico sem ir aos Açores.
E depois aparecerão outros rapazinhos com coelhinhas ou gatinhos, a vender a mesma banha da cobra, a prometer os mesmos impossíveis, a vender raiva e a espalhar ódio. Aos berros!
E não lhes faltarão seguidores. É essa a nossa genuína natureza. Gostamos de andar sempre atrás de alguém… Que berre muito. Quanto mais alto melhor, porque somos duros de ouvido e muito custosos de entender…"
Cavaco voltou a fazer das suas. Provavelmente para assinalar a eleição do seu sucessor e associar-se, também ele, ao fim da longa noite cavaquista, com mais uma desnecessária afronta institucional e, mais uma vez, em flagrante violação da Constituição.
Pode simplesmente ter sido porque sim. Porque lhe está na massa do sangue. Mas, ao vetar as alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez e a lei da adopção por casais do mesmo sexo, depois de esgotado o prazo que a Constituição lhe concede para o efeito, no dia seguinte às eleições, não ficam muitas dúvidas que, não querendo deixar de afrontar a actual maioria parlamentar, não quis que isso atrapalhasse a campanha de ninguém.
Mais uma cavaquice. Não terá sido certamente a última... Mas antes ainda vai ter que promulgar o que agora vetou!
Numa campanha propositadamente despolitizada, despida de conteúdo politico, em que Marcelo inovou transformando-a numcase study, apenas Henrique Neto trouxe verdadeiro conteúdo para a discussão política. Mesmo pregando no deserto, e sem um discurso mobilizador e entusiasmente, apresentou ideias e fez propostas.
O eleitorado não valorizou nada disso, nem lhe reconheceu grandes méritos. Como não sou dos que entendem que a culpa está nos eleitores, teve que haver alguma coisa de errado na estratégia de comunicação de Henrique Neto. É o que sucede sempre que as ideias não passam... Outras vezes o problema está nas próprias ideias, que parecendo boas acabam sempre por ter qualquer coisa que asenrola.
Curiosamente, o que me parece que falhou em Henrique Neto foi mesmo a substância política. O maior erro esteve em enfileirar no regime despolitizado da campanha, acabando, ao fugir dos partidos, por fugir da política. Estar acima dos partidos é uma coisa, como bem mostrou Marcelo. Eliminar a política, esbater a ideologia, é outra. Incompatível com o debate de ideias, como também - e tão bem - Marcelo explicou!
Sem equadramento político e doutrinário as ideias, mesmo as melhores, perdem-se. Não valem de nada e acabam no esquecimento colectivo com o rótulo de populismo. O que é uma pena, especialmente quando há tão poucas!