Prometeu paz, e reclamou o Nobel da especialidade. Há dois dias, num fidelcastroniano discurso do Estado da Nação, ao chorrilho de mentiras acrescentou a de ter acabado com oito guerras. Na realidade, atacou seis países em pouco mais de um ano de mandato. Hoje voltou ao Irão, em grande escala, num ataque a meias com Netanyahu - farinha do mesmo saco -, com consequências previsíveis, mas também muitas imprevisíveis.
Trump prometeu aos americanos que os Estados Unidos não seriam mais o polícia do mundo e que não envolveria mais o país em acções militares externas. Ensinou-nos António Aleixo que "para a mentira ser segura, e atingir profundidade, tem que trazer à mistura, qualquer coisa de verdade". Na "verdade" Trump não fez do país o polícia, mas o ladrão do mundo.
Mais uma vez Portugal faz de cúmplice. Se calhar pior, de cobardolas. Quando o governo português, pela boca de Paulo Rangel, afirma que os norte-americanos “podem, para qualquer operação, usar as Lages sem Portugal ter de ter conhecimento" está só a ser cobardolas. Quando diz que "é assim que está nos tratados e é assim que está a acontecer com todas as bases europeias, dos mais variados países”, está a mentir, tal e qual como Trump.
Não só não é assim que está no Tratado - não sendo uma operação da NATO os EUA têm que pedir autorização prévia para a utilização da base, que é território nacional - como não é o que está a acontecer em todas bases europeias. Os ingleses e os espanhóis não se prestaram à vassalagem!
Não houve grandes supresas na noite em que Hollyood mais se olha ao espelho. Mas não deixou de ser surpreendente que "Mad Max - Estarda da Fúria", fosse o maisoscarizado,mesmo que ofuscado por "O Caso Spotlight", com a notoriedade acrescida que lhe é dada pelo oscar para o melhor filme.
Nenhuma surpresa para os actores: ao fim de 25 anos e de cinco nomeações, Di Caprio levou a estatueta. Pessoalmente, não tenho a certeza que tenha sido quando mais a mereceu, mas confesso que não gostei de "O Renascido" - o filme que mais nomeações ostentava, 13 - e quando assim é fica-se semprede pé atrás... E Brie Larson (Quarto), que nasceu já Dio Caprio andava nestas andanças, veja-se lá, arrecadou a estatueta para a melhor actriz, confirmando o favoritismo que lhe era atribuído. Mesmo que o meu favoritismo fosse para Jennifer Jason Leihgt ("Os oito odiados", de Tarantino).
Mas o que eu queria destacar mesmo é o oscar para a melhor música. Porque foi á volta desta categoria que ocorreram os dois mais marcantes momentos da cerimónia/espectáculo. Porque Ennio Morricone merece esta distinção e, aos 87 anos, já era tempo de a receber. Mas também porque gostei muito da banda sonora do filme de Tarantino. Como gostei do filme, como já se percebeu...
Não exactamente os mesmos virtuosos 10 anos de António José Seguro, mas também 10 anos depois. A diferença é que, para Seguro, foram 10 anos de travessia do deserto, enquanto que, para Passos, foram 10 anos a atravessar ... o nevoeiro.
Há outra diferença: o sucesso do regresso de Seguro resulta de circunstâncias conjunturais; o de Passos, a ser atingido, resultará, também de circunstâncias, mas estruturais. Seguro beneficiou da conjuntura interna do PS, e da conjuntura de canibalização de candidaturas no espaço da direita. Passos conta beneficiar do sebastianismo, que é estrutural neste jardim à beira-mar plantado.
Passos acredita firmemente que cinquenta anos [de democracia] não tenham sido suficientes para o país se libertar da figura do homem providencial, de vida sóbria, que há-de voltar numa manhã de nevoeiro para pôr ordem nisto. E fazer todas as reformas. Ao mesmo tempo que acredita que 10 anos tenham sido suficientes para o país se esquecer que não fez reforma nenhuma, que apenas cortou, mesmo sem nunca cortar a direito.
A Juíza de Instrução Criminal do Tribunal de Lisboa decidiu pela medida de coacção mais gravosa, alegando perigo de fuga e de "perturbação de aquisição e manutenção de prova", determinando a prisão preventiva do procurador Orlando Figueira. Que jáseguiu para Évora, a prisão VIP do regime. Que não a prisão dos VIP´s do regime: a prisão dos VIP´s do regime do regime de VIP´s...
Há casos em que acontece o contrário. No célebre caso dos submarinos é o contrário: só há corruptor; ninguém foi corrompido... Nunca apareceu. Nunca se deu por ele. Ou por eles...
Foi um grande Benfica, este que esta noite foi ao Barnabéu discutir a passagem aos oitavos de final da Champions, depois de todas as dificuldades que advieram daquele maldito jogo da primeira mão, na semana passada, na Luz.
Prestiani, ao contrário de Vinícius, Valverde e Carreras - que, sim, deviam estar impedidos de ter jogado (MBappé também, mas não pôde jogar por lesão) - ficou de fora, por estranha, mas acertada, decisão da UEFA. Estranha porque é uma pena sem culpa provada, mas acertada porque poupou o jogador - e o resto da equipa - ao previsível suplício que seria jogar ali.
No seu lugar jogou Rios. Na sua vez, e no seu lugar. E não se saiu nada mal. De resto, tudo igual ao que tem sido a equipa base, com o Tomás ao lado do Otamendi, o Dedic de volta à direita, e Dahl do outro lado. Com Aursnes e Barreiro, no meio, Rafa atrás do Pavlidis, e Schjelderup na esquerda.
Foram estes que entraram a mandar no jogo, e a deixar os galácticos de Florentino Pérez a vê-los jogar. E a ouvir "Benfiiiica". "Força Benfica" ... As estrofes do hino também ouviram, mas acredito que não tenham percebido. Mas perceberam que aqueles quatro mil que, ao que consta, terão passados das boas para lá chegarem, lançavam para o campo achama imensa que calava os mais de 80 mil que eles queriam ouvir.
Era um Benfica autoritário que o golo de Rafa, logo aos 14 minutos, chegou sem grande surpresa. Era o que se esperava, já ao quarto remate à baliza de Courtois. O que não se esperava era que, apenas dois minutos depois, no primeiro remate, o Real Madrid empatasse.
Não se esperava porque os jogadores do Benfica estavam a fazer tudo bem. Mas sabe-se que, contra jogadores daqueles, não se pode errar. Nunca perdoam. E Valverde (a aproveitar o espaço) e Tchouaméni (no remate de enorme categoria, com a bola a mais parecer ter sido impulsionada por uma raquete que por um pé) não perdoaram o erro de Otamendi, que falhou um passe numa saída para o ataque, com a equipa desprevenida. Desbalançada!
O golo do empate teve forte impacto no resto da primeira parte. O Benfica sentiu-o como um murro no estômago; os espanhóis como uma transfusão de sangue. E, até ao intervalo, o jogo - um grande jogo - que só tinha um sentido, passou a ser dividido.
Já não era apenas o Benfica a mandar no jogo, e a criar situações de golo. Rios esteve muito perto do golo, que Courtois negou, com uma defesa absolutamente fantástica. E o Arda Guler, o turco puto maravilha, chegou mesmo a meter a bola na baliza de Trubin, num lance muito feio, que o VAR reverteu por fora de jogo. Muito feio porque Otamendi e Trubin (no chão, com a bola a li à frente, demorou uma eternidade a mexer-se, permitindo que o miúdo chegasse primeiro à bola, e a empurrasse para a baliza).
Na segunda parte o Benfica voltou a crescer, a ser melhor, e a criar situações de golo sucessivamente desperdiçadas, entre elas a trivela de Rafa que levou a bola à trave da baliza de Courtois. Até novo erro, e novamente fatal. A dez minutos dos noventa. Desta vez foi o Tomás Araújo, em posição atacante, já com o Benfica desesperado à procura do golo sempre adiado, a perder a bola ao tentar um passe numa zona impossível. Valverde voltou a não perdoar, e abriu o campo para Vinícius correr sozinho por ali fora, até bater Trubin, com um passe de classe para dentro da baliza. E deixar a eliminatória resolvida!
O Benfica foi melhor equipa na maior parte do jogo, e até melhor no cômputo da eliminatória. Mas, na Champions, no fim, ainda são os melhores jogadores que decidem as coisas. Se calhar, os erros dos jogadores do Benfica que terminaram nos golos do adversário não seriam cometidos pelos do Real Madrid. Muito provavelmente, os jogadores do Benfica não teriam aproveitado esses erros, se tivessem sido ao contrário. E, seguramente, os galácticos jogadores de Florentino Pérez teriam marcado quatro ou cinco golo s nas oito oportunidades de golo que o Benfica criou no Santiago Barnabéu.
De resto, já em Lisboa tinha sido assim. Com aquele golo só ao alcance dos melhores entre os melhores. Mesmo que se chame Vini Jr!
O Novo Banco apresentou ontem os resultados de 2015, o primeiro ano completo de actividade: quase mil milhões de euros de prejuízos. No ano anterior, com apenas quatro meses de actividade, os prejuízos tinham atingido quase 500 milhões: 1,5 mil milhões de prejuízos acumulados em menos de ano e meio. A que acescem 2 mil milhões de euros de dívida senior que de lá sairam para o BES, o banco mau.
Já vai em 3,5 mil milhões de euros. No banco bom, imagine-se o mau...
A CGD, que continua a acumular prejuízos, não só não devolveu o empréstimo do Estado, como vai ainda precisar e mais capital: 1,5 mil milhões, pelo menos. O BCP lá regressou aos lucros, mas ainda não teve condições para devolver o dinheiro do Estado. E o BPI, em vias de perder o seu braço de Angola, o BFA donde lhe vem 80% dos resultados, tem a sua estrutura accionista em processo de "banificação".
Salva-se o Santander. Mas, esse, quanto mais se "salva", menos se salva o país... Ou perto disso!
Passam hoje 4 anos sobre a invasão da Ucrânia que, discursando às massas ucranianas, convidando-as a receberem as tropas russas de braços abertos, e a saudarem a união, Putin dava por consumada num fim de semana.
A Ucrânia resistiu. O fim de semana, as semanas, os meses, os anos. A Rússia insistiu, e o passeio de fim de semana tornou-se num conflito já mais longo que o da II Guerra Mundial.
De um lado, na luta patriótica, a resistência tenaz de um povo. Do outro, a "carne para canhão" recrutada à força nas regiões mais longínquas do império, comprada a mercenários, ou servida por ditadores como Kim Jong-un.E todos os meses Putin precisa de mais 40 mil soldados para abastecer a linha da frente da guerra, numa espiral de perdas humanas de imprevisíveis consequências demográficas.
E assim vai em quatro anos, a guerra dos quatro dias ... de Putin.
Aí está o primeiro orçamento aprovado pela esquerda, unida. Já não é surpresa, surpresa seria agora se o não fosse.
Surpresa é ver o liberais como Vítor Bento, e o PCP, do mesmo lado. Se esse lado for o da nacionalização de um banco, não é surpresa encontrar lá o PCP. Supresa é lá estar Vítor Bento. Mas se esse banco for o Novo dito, já com mais de mil milhões de prejuízos acumulados em menos de dois anos, já não é surpresa que lá esteja... Nacionalizar prejuízos - para os liberais - não é bem nacionalizar. Já para o PC, nacionalizar é bom porque sim. Porque lhe está na massa do sangue. E lá se vão as surpresas...
Surpresa também não é o bastonário da Ordem dos Médicos se opor à legalização da eutanásia. Já o sabíamos, mesmo que não saibamos onde acaba a posição pessoal e começa a corporativa. Surpresa é a argumentaçãorasca. Surpresa é que caia na pantominice de dizer que, com a eutanásia, quem hoje violenta física ou psicologicamente os idosos passaria a matá-los.
É isto que o bastonário está a dizer quando invoca estudos que indicarão que "um quarto dos idosos é submetido a alguma forma de violência, seja física, seja psicológica”, para concluir que "certamente todos percebemos com facilidade que esses idosos que são submetidos a essas formas de violência, a partir do momento em que seja descriminalizada/ legalizada a eutanásia, vão ser coagidos a optar pela eutanásia".
Surpresa é que pessoas destas não encontrem formas mais sérias de defender as suas ideias.
Mas, surpresa mesmo, é que um alto magistrado do mais importante orgão de investigação de crimes de colarinho branco seja detido por suspeita de corrupção. Ou será que não?
Dizem os entendidos que Benfica e Porto foram beneficiados num penallti cada um neste último fim de semana. Ambos ganharam e ambos os converteram em golo. No fim das contas, só o do Porto foi objectivamente decisivo na vitória, já que ganhou por um golo (3-2), enquanto o Benfica ganhou por dois (3-1).
Na jornada anterior fora a vez do Sporting sair com benefício idêntico, com o árbitro a punir o adversário com um penalti por uma falta cometida fora da área. Isto para não recuar mais no tempo, e apenas para que fique claro que essas coisas acontecem com alguma frequência. Porque errar, todos erram. Porque esse erros são hoje mais escrutináveis que nunca, e há certamente muita coisa que se vê nas imagens que ao olho humano, no momento, naquela fracção de segundo, não é passível de ser vista.
Mas não é isso que me traz aqui. Melhor: o que me traz aqui só muito remotamente poderá ter alguma coisa a ver com isso. É que uns rapazes de uma claque do Porto, com o respectivo líder à cabeça, voltaram a protagonizar cenas inspiradas na velha Sicília, trazendo-nos de volta tempos que todos julgavamos bem enterrados no passado.
Uma coisa é que não haja praticamente notícia do submundo do crime no Porto que não dê nota de pessoas ligadas aos Super Dragões, deixando bem à vista os cruzamentos entre as claques do futebol e o crime organizado, que nem é novidade nem exclusivo de qualquer uma. Outra é a sua actuação criminosa enquanto tal, enquanto claque, enquanto estrutura institucional apoiada por um clube de futebol. Uma coisa é serem compostas por gente a quem se não conhece profissão, que faz da marginalidade modo de vida. Outra é organizadamente exibirem a intimidação e a chantagem. É espalhar o terror por onde passem e sempre que lhes apeteça.
Têm agora a palavra as instituições do Estado de Direito. Ogangsterismonão pode ficar impune. Onde quer que seja do território nacional. Seja qual for o sector da nossa vida colectiva.
A GNR tomou conta da ocorrência. Mas o mais provável é que venha concluir mesmo que não passou de um grupo de amigos que numa segunda-feria decidiu ir jantar a uma cidade a 70 ou 80 quilómetros. Que entrou no primeiro restaurante que encontrou, sem qualquer ideia que pudesse ter alguma coisa a ver com o árbitro que terá errado a assinalar um penalti. Um, que não o que beneficiou o seu clube. Que não chamaram "pelo gatuno", mas apenas pelo livro de reclamações...
Porque, afinal, como se vê pelas televisões e jornais, o que interessa são os penaltis. Isto não tem interesse nenhum!