EURO 2012 (II) - JOGO INAUGURAL
Por Eduardo Louro
Arrancou na Polónia o euro 2012. Num bonito estádio, com um curto mas bonito espectáculo de abertura e com um jogo entretido, como diria o Quinito. Mas cheio de peripécias!
A Grécia voltou a abrir um europeu com a selecção da casa. Já assim fora no euro 2004, em Portugal e no Porto, que daria inesperada vitória grega. Na única vez em que o jogo de abertura se repetiu no fecho, na final. É de todo improvável que a história se repita!
Visto à luz dos dias de hoje essa forte ligação de Portugal e Grécia não deixa de ser curiosa… Como a própria primeira deste jogo de abertura. Aos erros próprios da Grécia juntou-se a pesada factura de uma Polónia muito germanizada – a maioria dos jogadores da selecção joga na bundesliga – apostada em fazer a vida negra aos pobres gregos, através de um jogo rápido, veloz, de boa qualidade, com um golo ainda bem cedo - o terceiro mais madrugador de sempre em campeonatos da Europa - e sucessivas ocasiões de golo. As instituições – leia-se arbitragem – também pareciam olhar de lado para os gregos, com a expulsão de um central – quando o outro já havia saído, lesionado – e meia equipa amarelada.
Ao intervalo a Polónia ganhava tranquilamente, tinha mais um jogador e as melhores perspectivas para a segunda parte. Só que os gregos e o português Fernando Santos – Portugal e Grécia lado a lado, sempre – perceberam que poderiam mudar as coisas, trocar as voltas àquela Polónia germanizada que, de repente, passou a ficar cheia de dúvidas, a lembrar-nos a actual Srª Merkel.
Com a ajuda dos deuses, os mesmos que noutros domínios lhes viram as costas, a Grécia empatou logo ainda na fase inicial da segunda parte, através de Salpingidis, na minha opinião o homem do jogo, que Fernando Santos lançara no regresso dos balneários. Então, empatada e com menos um, a equipa grega regressou o autocarro que o Senhor Rehagel lá tinha deixado. Tudo mudara, e os polacos não sabiam jogar aquele jogo!
As ocasiões de golo passaram para o lado grego. Primeiro com Samaras – o pior jogador grego, e acreditem que não é fácil escolher o pior – a falhar. Nova substituição de Fernando Santos, agora com a entrada de um miúdo de 19 anos, com o sugestivo nome de Fortounis. Na primeira vez que tocou na bola isolou o mesmo Salpingidis, que seria derrubado pelo guarda-redes polaco do Arsenal. Expulsão – 10 contra 10 – e penalti. Que Karagounis falharia!
A partir daí o jogo só deu Grécia, que não ganhou porque o árbitro espanhol lhe anulou – mal, na minha opinião - um golo.
Pois é, foi um jogo que teve de tudo: expulsões, penalti falhado, golo anulado, um penalti por marcar, a favor da Polónia, e até bocados de com futebol!