EURO 2012 (VIII) - AFIRMAÇÃO DA POLÓNIA
Por Eduardo Louro
Grécia e República Checa abriram a segunda jornada desta fase inicial do euro, num jogo que muito prometeu e pouco cumpriu. Na verdade quem muito prometeu foi a selecção checa, a grega não prometeu nada, encontrou-se simplesmente à deriva no meio de uma tempestade com rajadas de vento a mais de 100 à hora do quadrante checo e chuvas torrenciais de erros no centro da sua defesa.
Bastaram dois minutos e doze segundos para os checos marcarem o primeiro golo, agora o mais rápido deste europeu. E, passados apenas 23 segundos dos 5 minutos, marcavam o segundo. Ambos em resultado daquelas condições climatéricas!
Pouco depois, a Grécia perdia o guarda redes Chalkias – com responsabilidades em ambos os golos, em especial no segundo – por lesão, carregando ainda mais de negro as nuvens daquele céu grego. Não se confirmariam as previsões mais pessimistas. A equipa checa foi baixando o ritmo de jogo e os gregos puderam começar a pôr a cabeça de fora.
Ao ponto de o jogo ir ficando equilibrado à medida que o intervalo se aproximava, com os gregos a marcarem, ao minuto 41, o golo que poderia marcar a viragem. Só que, pela segunda vez em dois jogos, a arbitragem invalidar-lhes-ia um golo. O árbitro francês – que arbitrara o jogo da selecção nacional – repetiu o que o espanhol já lhes havia feito, e assinalou um fora de jogo inexistente. Voltaria, mais tarde, a repetir um erro idêntico interrompendo uma jogada que bem poderia ter terminado em golo.
Ao intervalo a ideia que ficava era a de uma selecção grega infeliz e desafortunada, à imagem do país. Tudo aquilo repetia o primeiro jogo. E para que fosse assim, segunda parte foi diferente. Foi toda ela dos gregos!
Não que jogassem bem – decididamente não vale a pena esperar isso do futebol grego – e, muito menos, bonito. Mas porque põem em campo aquela vontade toda, aquela capacidade de disputar cada lance como se fosso o último. A estes gregos ninguém pode acusar preguiçosos, de pouco trabalhadores!
Mas também porque, ao intervalo, o seleccionador checo retirou Rosicky do jogo. Mais que o melhor jogador, o maestro. E a equipa ficou perdida no meio daquela turbulência que é o futebol da equipa grega.
Ainda na fase inicial da segunda parte, com 8 minutos jogados e cerca de 40 para jogar, a Grécia chegou ao golo, numa monumental fífia de Petr Chech – pareceu receoso de um choque com um companheiro, que nem seria violento, mas que eventualmente os antecedentes justificarão - aproveitada por Gekas, que entrara ao intervalo, a mostrar que, nas substituições, Fernando Santos não é tão infeliz como no resto. Não deu para mais!
E por aí se ficou um jogo que, prometendo muito, deu pouco. Não enfastiou, mas um jogo com 40 faltas e 6 amarelos, também não consegue entusiasmar ninguém!
A Grécia ainda não está fora do euro, mas tem a vida muito difícil. Como há muito se sabe, afinal!
O segundo foi um grande jogo. Com a Rússia a confirmar o perfume do seu futebol e a imagem de marca que trouxe para este europeu. E a Polónia, uma equipa de uma dimensão física extraordinária, mas com muitos bons jogadores, algo que não deixara perceber no jogo inaugural com a Grécia, apesar da primeira parte que então realizou.
Marcou primeiro a Rússia, aos 37 minutos da primeira parte - período em que foi francamente superior ao adversário e em que voltou a encantar – através de Dzagoev, que fez o terceiro golo que faz dele o melhor marcador. Empatou a Polónia aos 12 da segunda parte - período em que aproveitou a sua superior condição física para se colocar mais vezes por cima do jogo – num fantástico golo, porventura o melhor da competição até agora, de Kuba. Numa jogada que começa num passe falhado de Arshavin que, de alguma forma, revela a face mais notada da quebra da selecção russa na segunda parte: foi também por aí, pelo decréscimo do rigor de passe deste extraordinário jogador, de volta aos seus grandes dias, que a Rússia baixou de produção.
Depois da exibição de ontem da Ucrânia – e do fantástico apoio do seu público – a Polónia quis dizer que também era anfitriã. Que também joga em casa, que também tem um grande público para a empurrar para a qualificação para a fase seguinte e que nada fica a dever aos seus vizinhos e parceiros de organização.
Depois do que se viu neste jogo dificilmente deixará de acompanhar o seu adversário de hoje no apuramento para os quartos de final. Foi isso que, de forma eloquente, este jogo disse!