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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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EURO 2012 (XVI) - AFINAL, POR ESPANHA TUDO CORRE BEM!

Por Eduardo Louro

                                                                      

Espanha e Itália, no grupo C, apuraram-se para os quartos de final. Dos PIIGS, apenas um saiu do Euro. Um I – a Irlanda – mas ficam, ainda assim, PIGS!

Espanha e Itália, como seria de esperar. Mas como podia muito bem não ter acontecido, porque a Croácia demonstrou que nada lhes devia. Não foi inferior à Itália, no jogo anterior, e arrisco a dizer que também não foi inferior à Espanha, no jogo de hoje. Com tudo o que isso possa ter de herético!

A verdade é que o jogo entre espanhóis e croatas não deixou de confirmar a ideia que aqui tinha ficado expressa antes do início da competição: “… não a coloco na primeira linha de favoritismo … porque … já há antídotos para o tiki-taka”. A Espanha não ganhou à Itália, mas aí até há a desculpa de ser o primeiro jogo, e logo com o suposto e confirmado parceiro de apuramento. Como depois goleou a Irlanda, exibindo o seu tiki-taka ao mais alto nível. A deixar a ideia enganadora de que tudo continua na mesma no reino do tiki-taka. Enganadora porque, como se percebeu, com a Irlanda aquilo resulta. Como resulta outra coisa qualquer, como o provaram italianos e croatas.

O jogo foi de grande emoção. Porque ambas se poderiam qualificar – o empate a dois, que desde cedo se percebeu de todo improvável, deixava a Itália de fora – e qualquer delas poderia ficar de fora, cenário que esteve bem nítido até ao fim do jogo. Até ao minuto 88!

A primeira parte foi jogada sob o signo do medo, que é sempre a pior visita que um jogo de futebol pode ter (os árbitros não são visitas…). Repare-se que só aos 12 minutos a Espanha consegui ligar uma jogada e apenas aos 21 conseguiu o primeiro remate do jogo, por Torres. Mesmo assim sem qualquer ângulo, o que quer dizer sem qualquer hipótese de êxito. O primeiro remate da Croácia surgiu quatro minutos depois, com defesa de Casillas. Até ao intervalo poucos mais remates houve e, de oportunidades de golo, nem sombras. Mas aconteceu algo de relevante: no minuto seguinte ao do primeiro remate dos croatas, aos 26, Sérgio Ramos faz penalti sobre Manduzik, que o árbitro alemão (que já havia arbitrado e adulterado o resultado do Polónia - Rússia) resolveu ignorar, provavelmente para retribuir idêntico favor do árbitro espanhol, ontem, no jogo da selecção do seu país com a Dinamarca.

Com os resultados ao intervalo a Itália, que ganhava por um a zero - ainda antes do espectacular golo de Balotelli e de De Rossi lhe ter tapado a boca, para que não fizesse mais asneiras – ocupava o primeiro lugar do grupo.

Percebeu-se logo de entrada que a segunda parte seria diferente. A Croácia estendeu-se no campo e começou a impedir a equipa espanhola de compor o seu jogo. Aos 58 minutos criava a primeira verdadeira oportunidade de golo do jogo, através de uma grande jogada do seu génio criativo: Modric. E aos 65, com duas substituições em simultâneo para alargar a companhia de Mandzukic, Bilic – um grande treinador, a par de Fernando Santos, o melhor no banco - o jogo mudava definitivamente!

A equipa da Croácia tinha de marcar: um golo para ganhar o jogo, ou dois golos para, empatando-o, se qualificar. E o jogo tornou-se emocionante, com a Croácia a partir para a frente mas a dar o espaço que nunca dera aos espanhóis. Ao minuto 79 volta a estar perto do golo, com defesa de Casillas. A Espanha tremia e continuava sem conseguir criar perigo junto à baliza de Pletikosa e, aos 87 minutos, na sequência de um pontapé de canto, o árbitro alemão volta a não assinalar novo penalti contra a Espanha, quando Sergio agarrou Corluka, impedindo-o de dar o melhor destino à bola. No minuto seguinte, aos 88, já com os jogadores da selecção dos Balcãs sem capacidade de recuperação, Fabregas isola Iniesta e Navas, já dentro da área, à frente do pobre do Pletikosa. Dois para um, e o golo de Navas a decidir tudo.

A Croácia caía, mas de pé. A Espanha não ganhou para o susto, e poderia estar a esta hora a fazer as malas. Viu-se livre de um dos adversários mais incómodos (para aquele seu tipo de jogo) e, agora mais importante que isso, vê-se livre de outros que por lá estão. Até à final, se lá chegar! Porque Inglaterra ou Ucrãnia, para já, e Portugal, como espero, depois, – repito, para aquele seu tipo de jogo - são do melhor que lhes poderia calhar!

 

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