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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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QUE ESTRANHA FORMA DE VIDA

Por Eduardo Louro

                                                                      

O caso da licenciatura de Miguel Relvas tem tudo o que de mais abominável há nesta particular forma de vida com que os portugueses escrevem a sua história e o seu destino.

Tem esta estranha obsessão pelos títulos. Pelo doutor, engenheiro ou arquitecto, sem o que os portugueses se julgam cidadãos incompletos, mesmo que com todas as portas da vida e do sucesso escancaradas. Uma atracção que é também uma imposição de servilismo de uma sociedade servil. Basta, por exemplo, assistirmos a qualquer debate público – nas televisões ou noutro qualquer fórum – onde qualquer dos intervenientes é tratado por doutor ou engenheiro, mesmo que não o seja nem precise nada de o ser… Miguel Relvas não precisaria deste canudo que a Lusófona lhe deu em 2007 para ser tratado por doutor. Já antes o era!

Uma coisa é a saudável e legítima ambição de valorização pessoal e profissional. A vontade de aprender e de evoluir, no conhecimento e na escala social. De que tantos e tantos portugueses são extraordinário exemplo. Outra, bem diferente é, em sentido completamente oposto, a pequenez das habilidades, dos favores e das influências para obter um qualquer título pelo simples título. É querer parecer em vez de ser, sem qualquer noção de ridículo e de decência. Como Pedro Passos Coelho que, porque quis parecer culto, até já em miúdo lia Sartre: só que uma obra que o existencialista nunca escrevera!

Tem o chico-espertismo bem português e aquela estranha maneira de pensar que só os outros é que são apanhados. Cada um é sempre mais esperto que o outro:”nesta não me apanham eles”… Repare-se que o canudo de Miguel Relvas data de 2007, em pleno apogeu do caso da licenciatura de Sócrates, peditório para que Relvas – imagine-se – não se cansou de dar.

Tem a marca nebulosa do ensino superior privado – Moderna, Independente, Lusófona – minado de gente da classe política que ali se instala confortavelmente e que ali troca favores e alimenta escândalos.

Tem a intriga sem a qual em Portugal nada acontece. Repare-se como rapidamente os responsáveis da Lusófona vieram desvalorizar o caso porque, afinal, apenas estava em causa a privatização da RTP, que não agrada à TVI e à SIC, cujo único interesse seria fragilizar o ministro que, contra tudo e contra todos, avança determinado nessa privatização.

Tem o alinhamento da imprensa – e da blogosfera – que não vê neste caso nada do que viu no de Sócrates, e vice-versa. Nada vale pelo que vale, mas apenas pelo cada um quer que valha!

E, claro, tem Miguel Relvas. Que, como poucos, consegue personalizar isto tudo.

Que estranha forma de vida… Como cantava Amália!

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