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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Futebolês #30 Magia

Magia não é algo que apenas encante crianças e que preencha os seus reinos de fantasias. Nada que se esgote num coelho tirado da cartola num qualquer palco da mais popular das feiras ou da mais elegante sala de espectáculos. Nada que se esgote na imaginação de cada um, que espera encontrar magia em cada esquina da vida para manter vivas todas as ilusões da criança que, lá bem no fundo, ninguém quer deixar de ser.

No futebol e na sua linguagem a magia em nada difere disto, ou não fosse o futebol isto mesmo, como invariavelmente dizem os artistas da bola quando pretendem explicar qualquer coisa que, ou não tem explicação ou, a tê-la, não sabem ou não querem dá-la.

Com uma diferença, é que no futebol a magia é espalhada pela relva. Espalhar magia pela relva não está ao alcance de qualquer um: apenas dos mágicos, dos grandes fantasistas. Nem está propriamente  ao alcance de todos os grandes talentos. Os talentos de que foram dotados bastam para os tornar grandes artistas, grandes estrelas e mesmo foras de série, mas não são suficientes para os catapultar para o Olimpo dos mágicos.

São muitos os exemplos de grandes foras de série que não atingiram a dimensão de mágicos. Podem ser grandes patrões, grandes maestros e grandes criativos, mas não são mágicos!

Magia espalhou Di Maria esta época pelos palcos deste país, ao ponto de deixar Mourinho hipnotizado e louco por o levar para Madrid. E ao ponto de ficar ele próprio encantado com tanta ilusão… Magia a sério continua Messi a espalhar por todos os relvados do mundo. Esse sim, o maior mágico em actividade!

Em Portugal, apesar da fama de grandes criativos (e não apenas no futebol!), mágico mesmo e reconhecido como tal, só há um: Deco! Já lá vão uns anitos mas todos nos lembramos daqueles cartazes exibidos nas Antas e já no Dragão: o nosso mágico, podia ler-se por baixo daquela imagem de Deco com cartola e tudo!

Pois o nosso mágico, que o nosso país empurrou para o estrelato mundial – pela formação e desenvolvimento que lhe permitiu, pela nacionalidade que lhe emprestou, e que lhe abriu as portas das melhores equipas da Europa, pelo seu estatuto de cidadão comunitário, e as de uma das selecções mais fortes do seu tempo (quando as da selecção brasileira nunca se lhe abriram) – anunciara há poucos meses que iria abandonar a selecção nacional. O que seria natural, até pela sua idade. O que já não seria natural é que o fizesse envolto em expressões de muito pouco apreço pela nação que o acolheu e de despropositada reafirmação do seu brasileirismo. Que, não sendo natural, cheirou a provocação!

O nosso mágico passou toda a época sem jogar, entre os bancos das clínicas e o banco de suplentes. Naturalmente sem ritmo de jogo para entrar num campeonato do mundo e, dada a  sua idade, sem condições para atingir os níveis de desempenho que a selecção requer e necessita. Mesmo assim o seleccionador Carlos Queirós não hesitou em convocá-lo. E não se limitou a convocá-lo, tratou de lhe dar um estatuto superior ao deixar de convocar qualquer alternativa: nem Carlos Martins, nem João Moutinho, nem Nuno Assis!

Errou Carlos Queirós, como parece continuar a errar em quase todos os capítulos desta nossa presença na África do Sul. Mas não merecia que a primeira pedra (e que pedra!) lhe fosse lançada precisamente pelo mágico. Que, não tendo arte para a transformar em flores, lenços ou simples rolos de papel colorido, ensaiou um passe de mágica pouco convincente e nada credível. Um número falhado, desastrado mesmo!

Não pôde, como muitas vezes fazem, negar as declarações proferidas. A televisão, e em directo, não permite o mesmo que os jornais! Nem que se roubem os gravadores! Retratou-se, mas ninguém o levou a sério. Afinal nem sequer pode invocar que foi a quente. A quente passou ele pelo banco, direito ao balneário. Aí teve bem tempo de refrescar tudo o que estivesse quente, antes de lhe colocarem um microfone à frente.

O que ficou claro é que, depois da mal contada história do Nani, muitas mais histórias ficam para contar. A Saltillo (México 86) e à Coreia 2002  juntar-se-á mais uma página negra: África do Sul 2010.

É pena, mas são estes os mágicos que temos!

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