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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

AJUSTAMENTOS

Por Eduardo Louro

 

Enquanto o primeiro-ministro - repetindo outras figuras, igualmente dadas à graçola, do governo anterior, e dando uma rara oportunidade ao ministro Álvaro Santos Pereira para dizer alguma coisa de jeito - anunciava o fim da crise já para o próximo ano, e alguns dos fazedores de opinião favorável ao governo vêem praias apinhadas de veraneantes endinheirados e restaurantes a abarrotar e cheios de filas à porta, como garante o historiador Rui Ramos (com esta visão da actualidade legitima as dúvidas, hoje tão actuais, que se levantam quanto à que tem da História!) no Expresso deste fim-de-semana, alguns economistas empenhados na mesma tarefa cantam épicos ajustamentos na nossa economia.

O mais glorioso desses ajustamentos tem por centro o histórico equilíbrio do défice externo: algo que apenas por uma vez tinha ocorrido em Portugal, no longínquo ano de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, à custa da guerra e do volfrâmio. Assim, à primeira vista e sem mais, até parece um estrondoso êxito, mais que um sucesso ímpar, um verdadeiro acontecimento histórico.

Mas não é. Isto resulta apenas da queda a pique do investimento e do consumo. Quer dizer: do estrangulamento completo e total da economia. Do agravamento da recessão, a passar a fronteira para a maior depressão do último século!

Não é nada que tenha ver com qualquer ajustamento na economia portuguesa. Não tem nada a ver com qualquer alteração estrutural capaz de inverter o mais crónico dos défices da nossa economia, nem tal seria possível nas actuais circunstâncias. Isso podia e devia ter acontecido ao durante o longo consolado de Cavaco Silva, quando desaguavam em Portugal rios de dinheiro. Que podiam e deviam ter sido utilizados exactamente para isso: para qualificar a economia, qualificando o investimento e os recursos humanos. Para a dotar da competitividade que lhe permitisse exportar mais e melhor e importar menos!

Acontece que esses rios de dinheiro serviram exactamente para o contrário. Serviram para Cavaco Silva destruir em vez de construir, para acabar com as pescas e a agricultura e aumentar o nosso défice alimentar. Para acabar com a indústria, em vez de a modernizar e de lhe dar competitividade, e acentuar a nossa dependência externa. Para pactuar com a utilização fraudulenta de grande parte desse caudal financeiro que inundava o país, instalando e alimentando o facilitismo que tomou conta do país e o afastou ainda mais dos padrões de rigor e de exigência que são a âncora da produtividade!

Perdida essa oportunidade histórica, a economia portuguesa não conseguirá, nas décadas mais próximas, inverter o seu crónico défice externo. Não conseguirá levar a cabo esse ajustamento fundamental. Que nesta altura não existe, ao contrário do que nos estão a pretender fazer crer.

Nesta altura apenas atravessamos uma situação conjuntural, meramente circunstancial, apesar de se continuar a manter durante o próximo ano, em que, sem investimento e sem consumo, as importações caem significativamente, para valores abaixo das exportações. Que lá vão resistindo e, ao que vai sabendo, ajudadas por exportações de ouro. De ouro usado, daquele que as famílias vendem ao desbarato. Com a corda na garganta, enquanto se não vão os dedos…

Quando, por obra e graça vá lá saber-se de quê, a depressão for ultrapassada – e terá de o ser, a actual situação social do país é insustentável - tudo rapidamente voltará ao normal. Que é termos de importar a maior parte do que consumimos e investimos…

 

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