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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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FUTEBOLÊS#131 BOLA QUE QUEIMA

Por Eduardo Louro

 

A bola é, como se sabe, o elemento fundamental do jogo. Podem faltar jogadores, como ainda não há muito se viu para as bandas de Leiria, que não deixa de haver jogo. Mas, se faltar a bola, é que nada feito…

É por ela que toda a gente corre e luta, é a bola que toda a gente quer possuir. E, no entanto - coisas do futebolês -, diz-se que às vezes queima!

E não é exactamente porque seja uma brasa, como aquela ideia de toda a gente a querer possuir poderá sugerir. A bola, por mais desejada que seja, nunca é uma brasa. Mas pode ser factor de desconforto: queimar!

Diz-se que a bola queima quando uma equipa está descrente, sem confiança. Quando os jogadores não se entendem em equipa, porque lhes falta uma ideia de jogo, porque lhes faltam os automatismos, porque desconfiam uns dos outros. Porque não confiam na liderança nem a liderança confia neles…

Daí que ninguém queira ter a bola, como se ela lhes queime os pés. Quem a recebe quer libertar-se dela o mais rapidamente possível, porque nem tem confiança para se aventurar numa relação mais longa e estável. Porque tem medo de falhar. Não a liberta rapidamente e com critério – o que é quase sempre uma boa decisão – para a endossar a um colega que lhe dê o melhor seguimento. Fá-lo apenas e só por medo, para endossar a outro não a bola mas a responsabilidade!

O melhor exemplo disto é o Sporting. O Sporting do Sá Pinto, que já era!

Os jogadores não têm a mínima ideia do que fazer dentro do campo. Nem com a bola nem sem a bola. Quando a não têm nota-se-lhes um certo alívio, a angústia chega-lhes logo com a bola, como se a bola fosse dois em um.

Acharam os dirigentes do Sporting que resolveriam o problema correndo com o Sá Pinto - essa lenda viva de sportinguismo com que, há poucos meses, prometiam amanhãs que cantam - sem perceberem que, antes de a bola queimar os pés dos jogadores, já eles a tinham posto a queimar as mãos e a cabeça do treinador que um dia a Juve Leo impôs a Godinho Lopes. É que o Sá Pinto garantiu, na época passada, o  contrato que agora tanto jeito lhe dará, jogando à Beira-Mar ou à Rio Ave (sem qualquer menosprezo para estas agremiações): todos à defesa e à espera de um contra-ataque que pudesse dar um golo.

Godinho Lopes e a sua equipa, sempre com a mania das grandezas – candidatos ao título e tal… - acharam que aquilo não era à Sporting. Afinal tinha um treinador à Sporting mas que não jogava à Sporting… Jogava à Gil Vicente! E obrigaram Sá Pinto a mudar para uma estratégia de jogo compaginável com a grandeza do Sporting, que rapidamente se revelou uma impossibilidade. Como se isso não funcionasse acharam que ele não sabia sequer escolher a equipa e passaram eles próprios a impor-lhe o onze. “Não percebes nada disto, hoje jogam fulano, beltrano e sicrano”!  “Sim senhor, têm toda a razão, eu é que andava distraído”

Acham que há milagres, é o que é!

No Benfica não é muito frequente que a bola queime, mas às vezes acontece. Não foi o caso do jogo desta semana com o Barcelona: tiveram-na tão pouco tempo que nunca daria para queimar. Antes que pudesse queimar já a rapaziada do Barcelona lha havia tirado. A esses é que a bola nunca queima. Se queimasse não havia unidade de queimados que lhes valesse…

A quem também a bola não queima é ao James. Que grande golo aos novos milionários da bola, a dar os três pontos e mais um milhão ao Porto!

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