UM NOBEL ESTRANHO
Por Eduardo Louro
A atribuição do prémio Nobel da Paz à União Europeia, precisamente no período mais crítico da História da União, mais que surpreendente, cheirava a anacronismo. Quando a União pouco tem de união, quando um directório de um único país toma todo o poder nas suas mãos, quando os países membros cada vez mais olham para si, quando os povos mais viram as costas a outros povos e mesmo quando, como nunca nos últimos quase 70 anos, se percebe que a paz poderá estar ameaçada nesta velha Europa, atribuir o Nobel da Paz à União Europeia é, no mínimo, insólito. Se não irónico. Ou quiçá premonitório.
Se assim foi na atribuição, dificilmente assim deixaria de ser na entrega do prémio. Com os chefes dos três órgãos do poder sem poder da União a receberem o prémio. Com Martin Schulz, do único órgão europeu eleito, calado. Com o irrelevante mas pomposo Van Rompuy ironicamente perdido em citações, onde não faltou "Ich bin ein Europaer", de Jonh F. Kennedy. Com Durão Barroso, sempre circunstância mas também ele pompa – acredito que chegou mesmo a pensar que o prémio era dele - a evocar Portugal, Lisboa e o nosso 25 de Abril. E até com música portuguesa. A música com sabor a fado dos OqueStrada!
E tudo isto sem Merkel por perto. Nem Schauble!