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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Futebolês #58 BANCO

Por Eduardo Louro

 

Banco? Bom, se fosse há uns tempos, responder-se-ia: banco é Caixa. Nos tempos que vão correndo é BPN. Ou mesmo BPP, hoje trazido para a berlinda!

Mas também aqui? Mau…mas isto não é o Futebolês?

Claro que sim: é o futebolês, sim senhor!

Não há bancos só na política. Nem só no mundo das finanças, nas maiores praças financeiras, daqueles que nos puseram todos a fazer contas à vida. Nem só nos mais nobres cantos de todas as nossas cidades. Também há bancos no futebol: logo, há banco no futebolês!

Não é exactamente um sítio onde notas e moedas convivam com letras e livranças, embora muitos deles valham uma enorme pipa de massa: incomparavelmente mais dinheiro que o depositado na maioria dos bancos! Como os outros, são, nuns momentos fonte de felicidade, noutros de dores de cabeça. Fazem a felicidade de muitos treinadores, quando as coisas não estão a correr bem lá no rectângulo verde (não, não é uma nota de dólar) e há que tomar decisões. Mas também, exactamente nas mesmas circunstâncias, levam outros ao desespero.

O banco faz passar o treinador exactamente pela condição comum de qualquer cidadão. Há os que perante um qualquer contratempo vão ao banco e resolvem o problema, e os que nem lhes vale a pena pensar em lá ir – não têm lá nada! Como há os que do banco só lhe vêm problemas!

Mas também os jogadores têm uma relação com o banco com algum paralelo com a que nós, cidadãos comuns, temos. Não gostamos muito de ir ao banco e, hoje, com isto do home banking que a Internet nos permite, vamos lá o menos possível. E, se lá vamos, se lá temos que ir, não gostamos nada de lá ficar a secar. O mesmo se passa com os jogadores: não gostam muito de ir ao banco. E não gostam mesmo é de ficar no banco, por muito confortáveis que já sejam, de marca e tudo. Mesmo por muito confortáveis que sejam as suas contas nos bancos, nos outros. São muitos os casos conhecidos de jogadores que, muito confortáveis nas suas contas no banco, não escondem o desconforto do banco!

Conforto é coisa que, como se sabe, não falta aos jogadores de futebol. Aos de elite, bem entendido! Nem pode faltar. Ninguém quer que lhes falte nada… nem sequer umas mantinhas para cobrirem as penas quando estão no sofá … perdão, no banco; a fazer lembrar as esplanadas dos bares de Oslo que tentam fazer com que o prazer (ou do vício) do cigarro se não divorcie do prazer do copo nas noites gélidas daquelas paragens.

O banco presta-se ainda a muitas e singulares expressões. “A solução estava no banco”, “saltou do banco para resolver o jogo” ou “o trunfo que veio do banco” são expressões utilizadas quando o jogo foi resolvido por um jogador que entrou a substituir um colega. Ou seja, o problema nunca está no banco: é sempre a solução. Bem gostaríamos que nos outros fosse sempre assim!

São expressões como estas que nos remetem para a original designação da coisa: banco de suplentes. E para a sua dimensão dramática!

Independentemente de lá se sentarem treinadores e outros membros daquilo que hoje e em futebolês se chama grupo de trabalho, o banco é dos jogadores suplentes. Um simples e velho banco corrido ou um moderno conjunto de poltronas aquecidas não deixará de ser um local de frustração e de lamentações. Onde se sentam as segundas escolhas, mas também as terceiras, as quartas …e os que nunca o chegarão a ser. Onde germina e cresce, como na relva à sua volta, uma sensação de abandono que cedo se transforma numa semente de revolta que não vai acabar bem.

Estranha forma de vida esta a de jogador de banco. Há excepções, há jogadores que convivem bem com a sua condição de suplente: são os que têm o condão de transformar um onze num catorze. São os que sabem que lhes está destinada uma missão, em tempo parcial mas nem por isso, menos importante. Alguns têm mesmo um estatuto especial: chamam-lhes arma secreta. Estatuto que, como está bem de ver, não é muito duradouro: se outras razões não houver porque deixa de ser secreta!

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