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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O mito da infalibilidade

 Por Eduardo Louro

    

De repente dei por mim envolvido numa teia de pensamentos à volta do tema central da campanha eleitoral em curso. Não direi que me tirou o sono ou que acordava a meio da noite às voltas na cama …. Mas lá que me custava a sair da cabeça custava!

Por que é que um homem inteligente e o mais experiente político em funções – é curioso como Cavaco Silva renega a sua condição de político mas, em simultâneo, gosta de ser o político mais experiente (e mais sério e mais tudo…) – se deixa envolver no incontornável caso chamado BPN?

Passei o fim-de-semana sem que isto me saísse da cabeça. E sem resposta!

Quando se predispôs ao negócio das acções da SLN não percebeu que os seus amigos Oliveira e Costa e Dias Loureiro pretendiam apenas temperar a caldeirada accionista com um pouco de credibilidade? Assim como quem pede um bocadinho de salsa emprestada à vizinha para acabar os pastéis de bacalhau: Do tipo: “Ó vizinho, empreste-me aí o seu nome para acabar a caldeirada que estou ali a preparar!”

Acredito que nessa altura não tenha percebido. Mas acredito mesmo, a sério. Só depois, já quando o cheirinho da caldeirada andava por aí a entrar por todos os narizes é que se apercebeu. Se foi antes ou depois de a salsa lhe ser devolvida, não sei. Mas também não é importante: ninguém lhe levava a mal ter emprestado a salsa, nem ninguém o condenaria por, afinal, ter saído caldeirada em vez de pastéis de bacalhau!

Então por que é não percebeu isto e, quando lho perguntaram, não explicou? E por que é não percebeu que, fechando-se em copas, a coisa mais tarde ou mais cedo rebentaria?

Dei voltas e voltas: Porque é tão sério que não deve explicações a ninguém? Por mera falta de visão? Porque que acreditaria na fraca memória dos portugueses? Porque acharia que lhe bastaria dizer que fossem ao site da Presidência – é curioso como é possível misturar uma matéria tão pessoal quanto esta com a mais alta função de Estado, não era o Presidente da República a estar em causa, apenas o cidadão – para encerrar o caso? Porque acharia que lhe bastaria a sua postura de superioridade e de arrogância ética para reduzir tudo aquilo a uma simples campanha suja?

Estava eu nisto quando se me fez luz: tinha encontrado a resposta e não quis deixar de a partilhar convosco!

Cavaco percebera tudo logo que lhe chegou o cheiro da caldeirada. E disse para os seus botões: Enganaste-te Aníbal!

Aqui está a chave do mistério: o Aníbal que se enganara era o mesmo que “nunca se engana e raramente tem dúvidas”. Era o fim do mito da infalibilidade de Cavaco. E, isso é que nunca! Antes fazer as mais tristes figuras. Antes pôr todos os apoiantes a desfiar os mais ridículos disparates. Admitir o erro, o engano, o equívoco ou a dúvida é que não! Isso são fraquezas dos simples mortais. Nunca de um homem providencial!

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