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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Um desejo que não se cumpre

Por Eduardo Louro

 

Desejaria que o que se passou no final de um jogo de juvenis – miúdos de 16 anos - disputado no Olival, entre o Porto e o Benfica, e que decidiu o título nacional a favor do Benfica, se transformasse na gota de água que fizesse transbordar este copo cheio de estupidez em que se transformou a rivalidade entre os dois clubes. Mas não creio que o seja!

Há poucas semanas assisti, no Seixal, a um Benfica - Porto, em juniores, que na altura não decidiu o título a favor do Benfica – deu também empate – mas que o deixou ao alcance do Benfica, que o confirmaria na jornada seguinte. E no final assisti a cenas não muito diferentes destas de hoje, iniciadas pelos jogadores do Porto.

Não quero dizer – nunca o faria – que nas contas deste rosário as culpas sejam só de um lado. Também não quero dizer que haja o que quer que seja que justifique cenas destas, em qualquer escalão, e muito menos em juvenis e juniores. Mas tenho que dizer que situações destas são alimentadas e potenciadas todos os dias em todo o espaço mediático, como todos bem sabemos. Nos programas das televisões, onde a todo o custo se procura tudo o que possa acicatar ânimos. Nas televisões, nas rádios, nos jornais, na blogosfera… procura-se sangue. Sempre!

Mas a forma como se celebram as vitórias, em que festejar já não é suficiente, é preciso humilhar o derrotado e exaltar a superioridade do vitorioso, também é responsável por estes lamentáveis acontecimentos.

Tenho por diversas ocasiões salientado a cultura ganhadora que está instalada no Porto. É um inquestionável ponto forte do Porto, como o será em qualquer organização. É fruto de uma história recente de vitórias, mas também de uma mentalidade bem incutida e bem trabalhada na estrutura do clube. Mas uma coisa é construir uma mentalidade ganhadora, trabalhar a ambição dos jogadores e da equipa. Outra é associá-la sempre à velha figura do inimigo externo, é extravasar o ambiente de sã competição e ter necessidade de o converter em ambiente de guerra. De uma guerra permanente, sem quartel e sem tréguas!

Veja-se como se apresentam agora os jogadores recrutados pelo Porto. Viu-se ainda nesta semana que não basta contratar novos jogadores, têm que ter sido roubados ao inimigo. Que, aos jogadores, já não só se lhes exige que se declarem portistas desde pequeninos: têm ainda de se declarar assumidos inimigos do inimigo. Também desde pequeninos!

É preciso perceber que isto, em caso de insucesso, é um terrível detonador de uma violenta explosão de frustração. Os mais velhos vão ganhando, o que importa é que vão sucessivamente ganhando. Os mais novos não. Perdem mais vezes. E até perdem mais vezes para outros que não o inimigo visceral. E quando perdem com o inimigo não conseguem evitar a frustração. Não conseguem evitar a explosão violenta dessa frustração, não conseguem ver a derrota se não como um castigo, uma punição. Sentem-se soldados vencidos, até indignos de pertencerem àquele exército!

Por isso o meu desejo não passará disso mesmo, e teremos mais situações destas para lamentar.

 

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