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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Alcobaça: antes e depois...

Por Eduardo Louro

 

Hoje o governo está por cá. Chegou há pouco – a conta gotas – e foi recebido pelo Presidente da Câmara (aqui não há dúvidas: é da Câmara). Lá dentro, porque cá fora foi recebido por bastante mais gente - se bem que poucos, apesar de tudo – que, em vez das boas vindas, logo à chegada lhe lembrava que “está na hora, está na hora de ir embora”!

Confesso que não estive lá, nem sequer na esplanada do Capador, aquele sítio onde sempre poderia estar sem que lá se estivesse. Só sei que desde de manhã cedo que quase não se podia circular cá para as bandas do mosteiro. Polícia, já muita polícia por todo o lado, e todo o estacionamento impedido, obrigando-nos a alterar aquelas rotinas sagradas do fim-de-semana, e do sábado em especial. Aquelas pequenas coisas que pensávamos que o governo nunca nos tiraria…

Afinal este governo tem sempre mais qualquer coisa para nos tirar. Hoje fez-me abdicar de mais um luxo. Este pequeno luxo de estacionar o carro – pagando evidentemente – ali ao lado do mosteiro, ir comprar os jornais e começar a lê-los ali na esplanada, na companhia da bica e de quem quer que vá passando, metendo conversa e acabando por se sentar também, porque cabe sempre mais um.

E no entanto o governo veio cá – ou veio para cá – para nos dizer justamente o contrário. Que já não nos vai tirar mais nada, que a partir de agora é para voltar a dar. Ou, talvez mais bem dito - porque também veio para cá para dizer que passaria a comunicar de outra forma - para dizer que vai voltar a dar. Assim possa, para tanto o ajude o engenho e a arte que têm andado perdidos.

É verdade, o governo vem dizer-nos que há um antes e um depois de Alcobaça. Antes, era o governo da austeridade, do aumento de impostos, da recessão e de desemprego. Depois, é o governo do crescimento económico, do investimento e da redução dos impostos. O que se passou, o que provocou esta viragem, não sabemos. Sabemos é que vai ser assim, basta o governo dizê-lo…

Antes, era o governo das trapalhadas, cada um dizia o que lhe apetecia, uma coisa num dia e o seu contrário no seguinte, uma coisa por um ministro e seu contrário por outro. Em que mesmo as boas intenções nunca passavam disso, sistematicamente atraiçoadas pelo discurso, pela comunicação. Falava-se em falta de coordenação, mas não era nada disso: simplesmente a comunicação falhava! Porque Relvas… lembram-se?

Pois, mas agora há Poiares Maduro, e a música é outra. Também não começou lá muito bem, reconheça-se, mas … está a tempo da viragem. E vai então passar a falar com os jornalistas não uma vez por semana. Não duas vezes por semana, mas todos os dias. Isso: todos os dias o ministro Maduro - ainda que demasiado verde – vai estar com os jornalistas, para que não mais a comunicação traia a enorme capacidade de desempenho do governo!

Depois de Alcobaça, portanto, o governo não vai apenas fazer bem o que antes fez mal. Vai ainda comunicar bem o que antes fazia mal… Antes de Alcobaça, o governo queria que as eleições se lixassem. Depois, claro que não!

Alcobaça já não é, portanto, só a cidade bonitinha, calma e pacata, que aqui há uma décadas parou no tempo. Já não é só a terra do Alcoa e do Baça, de Pedro e de Inês, e dos seus amores. Do mosteiro. Onde quem passa não passa sem cá voltar, como um dia Belo Marques se lembrou de fazer cantar. Alcobaça é, a partir de hoje, um marco histórico!

Pena que o seja logo deste governo. Merecia mais sorte, a minha terra!

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